terça-feira, 20 de outubro de 2026

PP E UNIÃO BRASIL ABANDONAM ALCOLUMBRE NA DISPUTA PELO SENADO; ALIANÇA COM LULA COBRA SEU PREÇO


A disputa pelo comando do Senado Federal em 2027 ganhou um novo capítulo em Brasília. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta dificuldades para garantir sua recondução ao cargo diante do distanciamento entre sua atuação política e os interesses da federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil. A movimentação foi noticiada pelo Metrópoles em reportagem publicada na segunda-feira (19).

O problema tem nome e endereço político: enquanto Alcolumbre mantém interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dirigentes nacionais da federação caminham em direção oposta e sinalizam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O movimento pode comprometer a articulação do senador para continuar à frente do Congresso Nacional.

A divergência deixa evidente que a eleição para o comando do Senado não será decidida apenas pelas relações institucionais construídas ao longo do mandato. O alinhamento político para o próximo governo também entrou na conta, e Alcolumbre pode acabar enfrentando a disputa sem o respaldo formal de sua própria federação.

A federação tem 12 senadores e pode mudar o jogo

A União Progressista deverá iniciar 2027 com 12 senadores, sendo seis do PP e seis do União Brasil, considerando os parlamentares que permanecem com mandato. Embora não seja suficiente para decidir sozinha a eleição, a bancada representa um grupo importante nas negociações para a escolha do próximo presidente do Senado.

Segundo a apuração do Metrópoles, Alcolumbre tem intensificado conversas com os parlamentares eleitos para a próxima legislatura e buscado garantir apoios individuais. A reportagem relata que a distribuição de gabinetes e a presidência de comissões estão entre os pontos envolvidos nas articulações. Essas informações são atribuídas à apuração jornalística e não representam confirmação de acordos formalizados.

Sem o apoio da federação, o senador ainda poderá tentar a reeleição por meio de negociações diretas com outros parlamentares. O desafio será reunir votos suficientes em um Senado no qual o PL deverá contar com a maior bancada em 2027.

Escala 6x1 e PEC da Segurança entram no tabuleiro

A relação de Alcolumbre com o governo Lula também aparece no centro das divergências. Nas últimas semanas, o presidente do Senado colocou em discussão a proposta de redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, e retirou de pauta a PEC da Segurança Pública.

A decisão sobre a PEC provocou um confronto com o senador Rogério Marinho (PL-RN), aliado de Flávio Bolsonaro e líder da oposição. Questionado sobre uma possível solicitação do governo para retirar a proposta da pauta, Alcolumbre afirmou que a decisão havia sido tomada por iniciativa própria, no exercício da Presidência do Senado.

O episódio evidencia como decisões legislativas passaram a se misturar às negociações pela sucessão no comando da Casa. Para os grupos políticos envolvidos, a eleição de fevereiro de 2027 será também uma oportunidade de definir o perfil da liderança do Senado na próxima legislatura.

Quem poderá disputar a cadeira de Alcolumbre?

Entre os nomes mencionados nas articulações está Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, que coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, também aparece nas conversas sobre a sucessão.

A movimentação ainda não significa que exista uma candidatura definida ou que a derrota de Alcolumbre esteja consumada. O presidente do Senado continua buscando apoio e pode construir alianças para além das orientações oficiais de seu partido.

O ponto central é que a eleição deixou de ser apenas uma discussão sobre a continuidade de um presidente no cargo. Ela passou a envolver o alinhamento entre partidos, o futuro governo federal e a relação do Congresso com o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores de Brasília, o recado é claro: a disputa pelo Senado já começou, e o apoio dos partidos poderá depender tanto das alianças presidenciais quanto dos acordos sobre o comando do Legislativo. Alcolumbre terá de demonstrar que ainda consegue reunir uma maioria própria, mesmo diante do distanciamento de dirigentes da federação à qual pertence.

Fonte: Metrópoles, Folha de S.Paulo e Rádio Senado.

Nenhum comentário: