A neutralidade durou pouco e virou munição política. O ex-candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, partiu para cima do escritor Augusto Cury, do Avante, depois que ele declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno.
Em publicação no Instagram nesta quinta-feira (8), Renan chamou Cury de “comédia” e questionou a mudança de postura do escritor, que havia anunciado neutralidade nesta etapa da eleição.
A crítica não ficou restrita à mudança de posição. Renan também levantou suspeitas sobre os interesses políticos por trás da decisão e afirmou que o Avante estaria de olho em cargos em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Cury, por sua vez, justificou o apoio após uma videochamada e a assinatura de um termo de compromisso envolvendo propostas apresentadas ao senador. O escritor afirmou que não pretende integrar o governo e ressaltou que sua adesão não significa um “cheque em branco”.
O episódio expõe mais uma fissura no campo político que tenta se organizar para o segundo turno. A neutralidade, anunciada como uma alternativa para quem não queria assumir compromisso com nenhum dos lados, acabou dando lugar a cobranças públicas, acusações e disputas por coerência.
No jogo eleitoral, declarar apoio tem consequências. E, quando uma mudança de posição acontece em plena disputa, os adversários não costumam deixar passar em branco.
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