domingo, 8 de novembro de 2026

ABAIXO-ASSINADO CONTRA NIKOLAS FERREIRA SE APROXIMA DE 1 MILHÃO DE ASSINATURAS E AUMENTA PRESSÃO SOBRE A CÂMARA

Uma campanha que pede a cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ganhou força nas redes sociais e está próxima de alcançar a marca de 900 mil assinaturas. A mobilização, liderada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), cresceu rapidamente nas últimas 24 horas e tem como meta chegar a 1 milhão de apoios até este domingo (8).

A iniciativa pretende pressionar a Câmara dos Deputados a tomar providências contra Nikolas por declarações consideradas transfóbicas. O movimento já havia ultrapassado 800 mil assinaturas e, segundo os organizadores, continua recebendo novas adesões em ritmo acelerado.

A origem da campanha está em um episódio ocorrido em 8 de março de 2023, durante uma sessão na Câmara pelo Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, Nikolas Ferreira subiu à tribuna usando uma peruca e fez declarações sobre mulheres trans que provocaram forte reação de parlamentares e de representantes dos movimentos LGBTQIA+.

O discurso teve repercussão nacional e levou deputados do PSOL a apresentar um pedido de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar. O episódio também motivou o encaminhamento de uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Os responsáveis pela mobilização argumentam que a imunidade parlamentar não pode servir de proteção para manifestações discriminatórias. A campanha também recorre ao entendimento do STF que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo até que o Congresso aprove legislação específica.

É importante destacar, porém, que o volume de assinaturas não representa uma decisão institucional nem provoca automaticamente a perda do mandato. Qualquer eventual cassação depende dos procedimentos previstos na Câmara, da análise das acusações, do direito de defesa e de uma decisão conforme as regras parlamentares.

NA LUPA: A mobilização mostra que o episódio de 2023 continua produzindo consequências políticas e alimentando a polarização em Brasília. De um lado, apoiadores da campanha cobram responsabilização por declarações consideradas discriminatórias. Do outro, Nikolas mantém sua posição política e sua influência entre setores da direita. A petição pode aumentar a pressão pública, mas a palavra final sobre uma eventual cassação não está nas redes sociais: está nas instâncias competentes da Câmara dos Deputados.

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