terça-feira, 3 de novembro de 2026

BARIÁTRICA E ÁLCOOL: CIRURGIA PODE AUMENTAR RISCO DE DEPENDÊNCIA E ACENDE ALERTA PARA MULHERES

A cirurgia bariátrica representa uma importante alternativa no tratamento da obesidade e na melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas. Mas, depois do procedimento, existe um cuidado que nem sempre recebe a atenção necessária: o consumo de bebidas alcoólicas. Especialistas alertam que pacientes submetidos à cirurgia podem apresentar maior sensibilidade ao álcool, desenvolver efeitos de embriaguez mais rapidamente e até enfrentar um risco aumentado de transtorno por uso de álcool (TUA).

O alerta ganha ainda mais importância diante dos relatos de mulheres que procuraram ajuda por causa da relação problemática com a bebida após a realização da cirurgia. Segundo a iniciativa Colcha de Retalhos de Alcoólicos Anônimos (A.A.), formada por mulheres que compartilham experiências de recuperação, tem crescido o número de pacientes bariátricas que entram em contato com o canal de atendimento relatando dificuldades relacionadas ao consumo de álcool.

A preocupação tem fundamento científico. Após a cirurgia bariátrica, especialmente em determinados procedimentos, o organismo passa a processar o álcool de maneira diferente. A absorção pode ocorrer mais rapidamente, provocando concentrações mais elevadas de álcool no sangue e fazendo com que a pessoa sinta os efeitos da bebida com maior intensidade, mesmo consumindo quantidades menores.

A psicóloga Talita Pedro da Silva, amiga de Alcoólicos Anônimos e com mais de dez anos de experiência no acompanhamento de pessoas com dependência química, chama atenção para a necessidade de cuidados redobrados no período pós-operatório. Segundo ela, o paciente precisa conversar abertamente com a equipe médica sobre qualquer consumo de bebida alcoólica, respeitando as orientações recebidas durante a recuperação.

Entre os relatos que ajudam a dimensionar o problema está o de Silvia, que chegou a Alcoólicos Anônimos em agosto de 2024. Ela conta que realizou a cirurgia bariátrica há nove anos e que, antes do procedimento, já consumia bebidas alcoólicas, mas sem perceber perda de controle. Seis meses depois da operação, voltou a beber e percebeu uma mudança imediata no padrão de consumo.

Outro depoimento é de P.B., que passou pela cirurgia em 2001. Diferentemente de Silvia, ela não consumia álcool antes da operação. O contato com a bebida começou três anos depois, mas a progressão da doença ocorreu de maneira acelerada. Hoje, ela soma 12 anos de participação em Alcoólicos Anônimos.

O tema merece atenção especial entre as mulheres. Além das alterações provocadas pela cirurgia, existem diferenças biológicas que podem fazer com que o organismo feminino seja mais vulnerável aos efeitos do álcool. Por isso, reconhecer os sinais de perda de controle e procurar ajuda no momento certo pode fazer toda a diferença.

Para acolher mulheres que passaram pela bariátrica e enfrentam dificuldades com a bebida, a Colcha de Retalhos de A.A. mantém uma reunião online de composição exclusivamente feminina, aberta a mulheres bariátricas de todo o Brasil. Os encontros acontecem todas as quartas-feiras, das 20h às 22h.

A iniciativa reforça uma mensagem importante: a cirurgia bariátrica não encerra todos os cuidados com a saúde. O acompanhamento precisa continuar, inclusive em relação aos hábitos e comportamentos que podem surgir depois do procedimento. O alcoolismo é uma doença que exige acolhimento, informação e tratamento, e pedir ajuda é um passo importante para a recuperação.

SERVIÇO: Mulheres bariátricas que desejam conhecer a reunião ou buscar orientação podem acessar o Canal de Ajuda da Colcha de Retalhos de A.A. ou entrar no grupo de WhatsApp da iniciativa.

Redação | Blog do Edney
Com informações da assessoria.

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