quarta-feira, 4 de maio de 2011

DESTRUIÇÃO TIRA A ESPERANÇA DE MORADORES DE BARREIROS

estruição deixa moradores de Barreiros sem qualquer perspectiva
Há moradores que salvaram poucos objetos em casa, mas cenário na cidade é devastador
Por Chico Feitosa
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Foto: Chico Feitosa
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BARREIROS - Em menos de 11 meses, o estudante David Gustavo Silva (foto 1), 15 anos, viu sua casa ser invadida duas vezes pelo rio Una, em Barreiros, na Mata Sul do Pernambuco. Ainda de madrugada, ele foi acordado pela mãe e seguiu para um abrigo na parte alta da cidade com suas duas irmãs menores. Na manhã desta quarta-feira (04), acompanhado pelo amigo José Klebson da Silva, 14 anos, ele precisou nadar, por um local onde antes caminhava, para tentar salvar o pouco que restou da sua casa.

“Conseguimos salvar um galo e hoje vim buscar uma galinha. Ela está em cima do telhado da minha casa”, aponta. O indicador de David mostra apenas uma parte do telhado da casa, que fica quase na esquina de uma rua da comunidade Rio Una.

Sem acreditar, David conta que perdeu tudo pela segunda vez. No ano passado, o cenário era o mesmo: uma mistura de destruição e falta de perspectiva. “Até ontem (terça-feira) não estava assim, não. Mas, ano passado foi pior. Este ano conseguimos tirar uma televisão. As camas a gente deixou pra lá”, lamenta.

Ao lado de David, José Klebson agia como um fiel escudeiro. Compartilhando do mesmo sofrimento, os dois seguiram nadando em busca da galinha: único bem que restou à família do amigo. “É muito difícil. Minha casa caiu no ano passado. Fizemos outra por cima, mas a água invadiu de novo.”

A comunidade de Rio Una fica às margens do rio e a força da correnteza chega a impressionar. Algumas pessoas se arriscam enfrentando a água em jangadas improvisadas. Só Jorge Nascimento (foto 2) resgatou mais de 30 pessoas durante a madrugada, enfrentando o rio.

UMA CIDADE FECHADA
Depois de cruzar a comunidade de Rio Una, cortada pela PE-60, é quase impossível avançar muito pelo centro da cidade. Várias ruas ficaram alagadas, deixando algumas pessoas presas dentro de casas e em locais de trabalho.

Num misto de desespero e incredulidade, Maria José da Silva (foto 3), 43 anos, pedia ajuda desesperada. O filho ainda não tinha voltado do trabalho desde a terça-feira. “Ele está preso no primeiro andar da clínica onde trabalha. Está sem comida e sem água. Tirem ele de lá”, clamava. O telefone por qual se comunicavam ficava no térreo, que pela manhã já estava tomado pela água.

Andar pelas poucas ruas que continuam livres da água é como vivenciar uma cidade arrasada. Qualquer espaço que transmita um pouco de segurança é logo transformado em abrigo, sejam casas em construção ou galpões sem paredes, mas com coberturas para ao menos livrar a chuva que insiste em continuar. E até mesmo o Terminal Rodoviário: lá, centenas de pessoas ocupam o lugar de forma desumana.

Os colchões foram espalhados pelo chão, onde se cruzam famílias inteiras com gente idosa, crianças e até animais. A aposentada Maria do Carmo Gomes (foto 4), 68 anos, dividia uma área de menos de três metros quadrados com outras três famílias.

Ela conta que o espaço, onde também esteve no ano passado, acabou sendo suficiente porque ninguém conseguiu salvar quase nada. “Só tirei essa muda de roupa. A comida que tenho são essas três garrafas de água que distribuíram agora. Não deu para salvar nada”, lamenta.

Alertadas pela dor do ano passado, algumas pessoas conseguiram se antecipar ao pior e salvaram alguns móveis. Vivian Carla Barbosa de Oliveira (foto 5), 27 anos, está desempregada desde a última cheia. Na manhã desta quarta-feira, ela ajudava a mãe a descarregar o caminhão de mudanças. “Desta vez conseguimos salvar algumas coisas porque acordamos às 4h. Conseguimos um caminhão e estamos levando os móveis para a casa do meu irmão, aqui mesmo. Só que lá tem primeiro andar.

A dona de casa Maria de Fátima (foto 6) não teve a mesma sorte. É difícil descrever o cenário que se transformou sua casa. Isto porque, como o imóvel fica abaixo do nível da calçada, ao abrir a porta a única coisa que se enxerga é a água. Tudo ficou submerso. “Ainda tirei alguma coisa, mas muita coisa se perdeu”, comentou, encostada na porta que separava a calçada da sua casa totalmente invadida pela água.

COMÉRCIO
Além de perder praticamente tudo o que tinha em casa, Maurício Lima (foto 7), 36 anos, não sabe se continuará no emprego numa locadora de carros quando a água baixar. Muitos carros já tinham sido perdidos no ano passado e este ano o problema voltou a se repetir.

Apesar da decepção, ele quer continuar acreditando que logo mais a vida vai voltar ao normal. Ele só não sabe quanto tempo terá que esperar para isso. “Conseguimos salvar alguns carros. Bem mais do que no ano passado, porque nos prevenimos. Agora é só esperar água baixar e tentar continuar a vida”, desabafou.

PERNAMBUCO COM 4 CIDADES EM EMERGÊNCIA

Quatro cidades de Pernambuco decretam situação de emergência
Dois óbitos foram registrados, em Camaragibe (Grande Recife), e em Jaqueira (na Mata Sul), segundo boletim da Codecipe
Da Redação do pe360graus.coM






Foto: Chico Feitosa

A Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) divulgou, nesta quarta-feira (04), um novo boletim sobre a situação das chuvas em Pernambuco. Os dados foram repassados pelas defesas civis municipais e foram fechadas às 9h.

Quatro municípios decretaram situação de emergência: Água Preta, Catende, Jaboatão dos Guararapes e Primavera. Além dos dois mortos oficialmente registrados, em Camaragibe (Grande Recife) e em Jaqueira (na Mata Sul), a chuva fez uma outra vítima que ainda não entrou na conta das defesas civis. Um jovem de 17 anos morreu afogado na terça-feira (3) no Centro de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com testemunhas, ele estava tomando banho num rio e acabou sendo levado pela correnteza. O corpo já foi localizado.

O número de cidades afetadas subiu de 30 para 35, mas o total de famílias desabrigadas (que perderam completamente suas casas) foi revisto, caindo de 943 para 847. Ao todo, 3.620 famílias estão desalojadas - poderão, após a cheia, voltar para suas residências.

Até o momento, as cidades afetadas são: Abreu e Lima, Água Preta, Amaraji, Barreiros (fotos), Belém de Maria, Bom Jardim, Cabo de Santo Gostinho, Camaragibe, Caruaru, Catende, Chã Grande, Cumaru, Escada, Igarassu, Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, Jaqueira, Limoeiro, Macaparana, Maraial, Moreno, Olinda, Palmares, Paulista, Primavera, Recife, Riacho das Almas, Ribeirão, Rio Formoso, São José da Coroa Grande, Tamandaré, Timbaúba, Vicência, Vitória de Santo Antão e Xexéu

NINGUEM SOBE INTERIOR CAPITAL PELA 232. BARREIRA INTERDITA PISTA

Barreira desliza na BR-232 e PRF interdita duas pistas na Serra das Russas
Por conta do deslizamento, motoristas não conseguem passar pelo rodovia no sentido interior-capital; um trator da PRF tenta desobstruir a rodovia, mas não há previsão para a liberação das pistas
Da Redação do pe360graus.com
Uma barreira deslizou na BR-232 na tarde desta quarta-feira (4). O deslizamento aconteceu na descida da Serra das Russas e, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), resultou na interdição de duas pistas da rodovia.

Por causa do deslizamento, motoristas não estão conseguindo passar pelo local no sentido interior-capital. A PRF levou um trator para tentar desobstruir a rodovia, mas não divulgou nenhuma previsão para as duas pistas serem liberadas para os veículos.

LIMOEIRO COM A MAIOR CHEIA DOS ULTIMOS 20 ANOS

Limoeiro enfrenta maior cheia dos últimos 20 anos




Nível do Capibaribe subiu 7 metros em apenas 3 horas, e chegou a atingir 10,6 metros de altura.

O município de Limoeiro, no Agreste, enfrentou a maior cheia dos últimos 20 anos. Com as chuvas da última terça-feira (03), o nível do Capibaribe subiu 7 metros em apenas 3 horas, e chegou a atingir 10,6 metros de altura. A água invadiu casas e terrenos que ficam na área ribeirinha. Mais de 30 famílias deixaram suas casas e se abrigaram na quadra de uma escola particular, que teve que suspender as aulas.

“A gente calcula na faixa de 70 a 80 famílias em abrigos e por volta de 800 a mil pessoas desalojadas, que tiveram suas casas danificadas”, afirma o capitão Celivaldo Lira, Secretaria de Segurança Cidadã, Justiça e Trânsito.

Assim que a chuva parou, os moradores aproveitaram para lavar roupas e ver se algo ainda sobrou. Não está fácil recomeçar. O servente de pedreiro Antônio Galdino mal consegue acreditar: “Eu passei a noite em frente ao portão sentado e olhando quem vinha”.

PESSOAS SE ABRIGAM ATÉ NA BR EM BARREIROS

Moradores de Barreiros se abrigam em escolas, igrejas e até na rodoviária
Centro comercial da cidade está fechado, tomado de água, bem como os bairros mais próximos do rio Una



Foto: Bruno Fontes

Ainda não faz um ano que os moradores de Barreiros viveram os horrores da enchente que quase devastou a cidade inteira. Na madrugada desta quarta-feira (04), as chuvas mostraram novamente a sua força e, por volta das 4h, o rio Una começou a subir rapidamente, formando grande correnteza e obrigando os ribeirinhos a deixarem suas casas.

A cidade da Mata Sul pernambucana, que fica a cerca de 100 quilômetros do Recife, foi surpreendida na cheia de junho de 2010 - este ano, os habitantes estavam mais atentos e conseguiram sair das áreas de risco com alguns pertences, abrigando-se em escolas, igrejas e até na rodoviária local.

Apesar de, até o momento, não haver registro de vítimas fatais, os danos materiais são grandes. Muita gente perdeu móveis, eletroeletrônicos e outros objetos domésticos; o centro comercial da cidade está fechado, tomado de água. Há relatos de pessoas que ficaram presas em suas casas e locais de trabalho, tendo que ser resgatadas por vizinhos. Não há um número exato das famílias desabrigadas e desalojadas.

Da Redação do pe360graus.com

11 MESES APÓS ALAGOAS E PERNAMBUCO REVIVEM DRAMA DE ENCHENTES

ENCHENTES
11 meses depois, Alagoas e Pernambuco revivem enchentes;








Onze meses depois, Alagoas e Pernambuco revivem enchentes; 18 mil estão fora de casa

Ver em tamanho maiorChuvas voltam a castigar o NordesteFoto 5 de 13 - Imagem mostra região alagada na cidade de Água Preta, em Pernambuco. Sobe para 30 o número de cidades atingidas pelas chuvas no Estado Bobby Fabisak/JC ImagemOnze meses após a maior enchente da história de Alagoas e Pernambuco, cidades dos dois Estados voltaram a viver, nesta terça-feira (3), o drama das cheias. Ao todo 40 cidades foram afetadas e mais de 18 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Diversas cidades estão sem energia elétrica e fornecimento de água. Desde a última sexta-feira, três pessoas já morreram: uma em Alagoas e duas em Pernambuco.

Entre as cidades atingidas esta semana, seis delas haviam decretado calamidade pública em junho de 2010 pelo mesmo motivo: Jacuípe (AL), Barreiros, Catende, Maraial, Palmares e Primavera (todas em PE). Além delas, outras nove cidades (sete em Pernambuco e duas em Alagoas) que decretaram emergência em 2010 estão na lista das atingidas agora.

Além das cidades alagadas, a principal rodovia que liga os dois Estados, a BR-101, está interditada desde o início da manhã por conta das enchentes. Para piorar, a Polícia Rodoviária Federal informou nesta tarde que a cabeceira de uma ponte cedeu em Xexéu e o tráfego no local está suspenso por tempo indeterminado. O acesso entre os dois Estados está sendo desviado pela AL-101 e BR-104.

Pernambuco registra o maior número de cidades afetadas: 30. Segundo boletim da Defesa Civil, emitido no início da noite desta terça-feira, 943 famílias estão desabrigadas e 2.559, desalojadas –o que significa cerca de 14 mil pessoas fora de suas casas. Segundo o órgão, até o momento, nenhuma cidade decretou oficialmente emergência ou calamidade pública, embora prefeituras como a de Água Preta, Catende, Limoeiro e Barreiros tenham anunciado decretos –ainda não reconhecidos pelo órgão estadual.

O município mais atingido é Barreiros, onde 920 famílias foram tiradas de casa por conta da cheia do rio Una. A Defesa Civil municipal retirou centenas de famílias durante todo dia, e as levou para locais seguros.A cidade está sem energia, assim como Catende, Palmares, Ribeirão e Rio Formoso.

Segundo a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o fornecimento foi cortado por conta do risco de descargas elétricas. Técnicos e engenheiros percorrem as áreas atingidas para tentar restabelecer o fornecimento de energia. A companhia orientou que os imóveis que foram invadidos pelas águas devem passar por uma avaliação antes de os moradores religarem qualquer aparelho na rede elétrica.

O rio Una subiu cerca de seis metros no município de Palmares. A Defesa Civil Municipal registrou 13 deslizamentos de barreira. O comércio fechou as portas e várias lojas transferiram seus estoques para locais distantes do rio. O alagamento tomou conta também das ruas próximas à 26ª Vara da Justiça Federal, que suspendeu o atendimento.

Já em Água Preta, a prefeitura informou que mais de 9.000 pessoas foram atingidas e dez ficaram feridas. Oito bairros, entre eles o centro, estão alagados. Vários assentamentos da zona rural foram atingidos, e os acessos à zona urbana estão interditados.

No município de Catende, o nível de água rios aumentou mais de cinco metros e inundou dezenas de ruas. A ponte que liga o centro ao bairro do Matadouro desabou. Os bairros de Caixa e Canaã são os mais atingidos.

Estragos em Alagoas
Em Alagoas, segundo a Associação dos Municípios, nove cidades decretaram emergência: Japaratinga, Jacuípe, Colônia Leopoldina, Jundiá, Novo Lino, São Luis do Quitunde, São Miguel dos Milagres, Campestre e Porto de Pedras.

Segundo boletim das 20h da Defesa Civil Estadual, já são 3.957 desalojados e 764 desabrigados em 10 cidades atingidas. O maior número de vítimas está em São Luis do Quitunde, onde 2.490 pessoas tiveram as casas destruídas na última semana. Ainda segundo o órgão, cinco municípios estão sem água potável e quatro, sem energia elétrica.

Nesta terça-feira, a cidade de Jacuípe foi 70% coberta pelas águas do rio Jacuípe, que subiu mais 5 metros e inundou centenas de casas. A cidade está ilhada, sem água potável e sem energia elétrica. Segundo o município, a cheia de 2011 já supera a de junho do ano passado, quando o município decretou calamidade pública. No município vizinho de Colônias Leopoldina, a situação também é crítica, já que rio inundou três bairros.

Em Japaratinga, o rio Copaoba transbordou e invadiu casas e lojas do centro. Segundo a prefeitura, foram mais de 15 horas de chuva que deixaram 165 casas danificadas e 35 destruídas.

Tragédia em 2010
Em 2010, as enchentes em Alagoas afetaram 29 municípios, deixando 15 deles em estado de calamidade pública e quatro em situação de emergência. Segundo a Defesa Civil Estadual, 27 pessoas morreram, 27.757 ficaram desabrigadas e 44.504, desalojadas, além de um total de 18.823 casas destruídas ou danificadas.

Já em Pernambuco, os alagamentos atingiram 68 municípios, deixando 11 deles em estado de calamidade pública e 30 em situação de emergência. Ao todo 14.136 casas foram destruídas ou danificadas. Vinte pessoas morreram, 26.966 ficaram desabrigadas e 55.643 ficaram desalojadas




Aliny Gama e Carlos Madeiro Especial para o UOL Notícias

ALAGOAS COM MUITOS PREJUÍZOS PELAS FORTES CHUVAS

Chuva causa prejuízos em nove cidades em Alagoas
Mais de 4,7 mil pessoas tiveram de deixar suas casas no estado.
Quartéis da Polícia Militar e dos bombeiros estão recebendo donativos.
Do G1, em São Paulo
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Alagamento na principal avenida de Jacuípe, que
registra 760 desalojados (Foto: Reprodução/TV
Gazeta de Alagoas)
Nove municípios de Alagoas registram prejuízos por causa das chuvas que atingem o estado desde abril, conforme explicou ao G1 nesta terça-feira (3) o secretário executivo da Defesa Civil Estadual, o coronel Gilson Romeiro. Cerca de 5,7 mil pessoas foram prejudicadas.
As cidades em situação crítica são Campestre, Colônia Leopoldina, Jacuípe, Japaratinga, Jundiá, Novo Lino, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Milagres, Paripueira e Porto de Pedras.
Mais de 4,7 mil pessoas tiveram de deixar suas casas no estado. Segundo Romeiro, a Defesa Civil registrou 3.957 desalojados e 764 desabrigados. Cerca de 500 residências registraram danos e 114 foram completamente destruídas.
“A chuva continua a cair aqui e o nível dos rios está subindo rapidamente. Já conseguimos fazer as pessoas desocuparem os locais de risco, mas a situação está difícil. Tivemos que levar muita gente para locais seguros”, afirmou Romeiro.
saiba mais
Chuva deixa mais de 3 mil pessoas fora de casa em Alagoas
Na sexta-feira (29), uma criança morreu soterrada após um desabamento em São Luís do Quitunde. Três pessoas ficaram feridas. A cidade apresenta a situação mais crítica, com 2.179 desalojados e 300 desabrigados.
Jacuípe registra 760 desalojados, segundo a Defesa Civil.
“Para os municípios atingidos, vamos repassar colchões, cobertores, água mineral e alimentos a partir de amanhã [quarta-feira (4)]”, afirmou Romeiro.
Todos os municípios que relataram prejuízos à Defesa Civil enfrentam problemas no fornecimento de água, energia, comunicação ou transporte, segundo o órgão.
Quartéis do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar estão recebendo donativos para as vítimas da chuva. A Secretaria de Assistência Social do estado vai repassar o material para os atingidos.

SÓSIA BRASILEIRO DE BIN LADIN

Sósia brasileiro de Bin Laden diz que manterá o visual porque 'povo pediu'
Dono de bar em SP afirma que, em 2002, tirou a barba após ser hostilizado.
Em 2009, retomou o visual porque 'o povo foi gostando do Bin Laden'.
Cassio Barco e Glauco Araújo
Do Globoesporte.com e do G1, em São Paulo



Comerciante Francisco Fernandes vai manter visual
de sósia de Bin Laden (Foto: Glauco Araújo/G1)
"Como vou dizer que o Bin Laden morreu? Estou aqui, mas sou o Bin Laden que gosta da paz, que não gosta de guerra". Foi dessa forma que o comerciante ceareanse Francisco Helder Braga Fernandes, de 51 anos, resumiu o que está sentido desde o anúncio feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama, sobre a morte do terrorista da al-Qaeda, neste domingo (1º).
Desde o ataque de 11 de setembro de 2001, o comerciante deixou de ter o apelido de Barba e começou a ser reconhecido e chamado de "Bin Laden brasileiro". Dono de um bar na região do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, ele já teve de mudar o visual três vezes em dez anos, mas disse que não vai mais tirar a barba que o transformou em sósia do terrorista. "O povo foi gostando do Bin Laden, do verdadeiro, e começou a pedir para eu voltar a usar barba."
Fernandes disse que o pedido foi feito logo após o ataque terrorista às torres gêmeas. "Em janeiro de 2002 não aguentei mais e tirei a barba pela primeira vez. Algumas pessoas me tratavam com brincadeiras, mas algumas passaram a me hostilizar na rua e achavam que eu estava envolvido em terrorismo. Achei melhor tirar a barba para a coisa não ficar mais séria."


'Povo foi gostando do Bin Laden', diz sósia brasileiro em São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)
O comerciante disse que nunca tinha ouvido falar no terrorista até setembro de 2001. "No dia seguinte ao atentado, quando me mostraram o jornal, tomei um susto. Pensei que era eu, de tão parecido. Já usava a barba grande porque gosto do ‘estilão’, que cultivo desde a década de 1990, mas foi desde 2000 que deixei a barba ficar maior."



Sósia de Bin Laden disse que tirou a barba após
ataque terrorista de 2001 (Foto: Glauco Araújo/G1)
Sem a barba que sempre gostou, Fernandes disse que não resistiu aos pedidos e deixou crescer novamente. "Entre 2003 e 2004 conheci uma mulher, que se tornou minha namorada. Ela disse que só ficaria comigo se eu cortasse a barba. Cortei, mas o visual de cara limpa só durou seis meses, que foi o tempo do namoro. Deixei crescer tudo de novo."
O apogeu do sucesso de Fernandes como Bin Laden brasileiro ocorreu no réveillon de 2009. "Nunca tinha participado de uma festa de rua, mas resolvei passar o réveillon na Avenida Paulista. De uma hora para outra apareceu um cara enorme e disse que era meu segurança. Ele me levou até o palco. Nunca fui tão fotografado na minha vida. A caçada dos Estados Unidos ao Bin Laden fez dele uma vítima e ele virou um ídolo no Brasil. O povo gostou do que ele fez contra os Estados Unidos e acabou virando uma referência", afirmou o comerciante cearense.
Entretanto, orgulhoso, Fernandes defende o ídolo. "Eu sou o Bin Laden brasileiro da paz, mas o original também é da paz. Ele foi lá e derrubou as torres porque queria acabar com a guerra", disse, sem medo de soar contraditório.


Bin Laden brasileiro diz que é da paz e não gosta de
guerra (Foto: Glauco Araújo/G1)
Atualmente o sósia não tem mais medo de desfilar 'vestido' de Osama pelas ruas de São Paulo e diz que continuará assim, porque nada mudou. "O Bin Laden não morreu. Quem comemorou está perdendo tempo. No máximo ele nasceu para a vida eterna para ficar com suas 21 virgens."
Intitulando-se um "homem do povo", o Bin Laden brasileiro espera um "aumento de fama". "Crianças a velhinhos pedem para tirar fotos comigo. Atendo a todos tratando muito bem. A morte do Bin Laden vai ser legal até o movimento no bar aumentar", disse o sósia.
A última vez que tirou a barba foi em 2009, quando "A TV Al Jazeera veio aqui e fez uma reportagem comigo. Depois, o pessoal voltou e pediu para eu tirar a barba. Desde então ela está crescendo. Não tiro mais", finalizou o Bin Laden brasileiro.