terça-feira, 5 de maio de 2020

Rede formada por especialistas defende que Pernambuco adote lockdown


A adoção do lockdown, medida caracterizada pelo isolamento total, evitaria também o colapso da rede de saúde

Isolamento total ajudaria a reduzir o avanço do coronavírus nessas cidades - Foto: JC Imagem

Com 8.863 casos confirmados e 691 óbitos registrados, de acordo com o secretário Estadual de Saúde, André Longo, o Governo de Pernambuco já estuda estratégias para intensificar as medidas de isolamento social a fim de achatar a curva de infecção do novo coronavírus (covid-19) no estado. O grupo Rede Solidária em Defesa da Vida, formado por pesquisadores, professores, profissionais de saúde e diversas áreas, defendem que o estado deve decretar lockdown, medida caracterizada pelo isolamento total.

A médica sanitarista e pesquisadora da Fiocruz, Tereza Lyra, que faz parte da Rede Solidária em Defesa da Vida, destaca que a adoção do lockdown evita o colapso da rede de saúde. “Para gente evitar o colapso absoluto da rede a nossa última recomendação é que se adote o lockdown para a Região Metropolitana e o Recife, sobretudo (...) Ou seja, de fato, as pessoas só devem circular para questões essenciais, comprar alimentos, remédio na farmácia, para se descolar para o trabalho, aqueles que exercem serviços essenciais e se precisar ir a um serviço de saúde”, disse.

O secretário estadual de Saúde, André Longo, explica que o governo está estudando um isolamento mais rígido. “A gente está desenhando esse processo, estudando como fazer da melhor maneira possível para gente garantir que ele seja exitoso. É muito importante nesse momento achatar a curva para que a gente chegar ao pico da epidemia com um número menor de casos e de mortes”, apontou o secretário.

Ainda segundo André Longo, o governo também avalia tornar obrigatório o uso de máscaras. “A gente está avaliando quando será dado esse passo, mas certamente passará a ser uma obrigação de todos os pernambucanos”, afirmou.

Tereza Lyra destaca ainda que cada pessoa que não adoece, ajuda a proteger também os profissionais que atuam na linha de frente da pandemia. “A gente também tem que proteger também essas pessoas que estão ali na linha de frente no cotidiano, que é tenso, estressante. Esses profissionais estão se expondo ao risco de adoecer. Cada pessoa que não adoece, a gente desafoga a rede pública de saúde em todos os aspectos”, alertou.

Isolamento no estado

O levantamento divulgado nesta segunda pelo Ministério Público de Pernambuco aponta que Pernambuco tem um índice de isolamento de 52,24%, longe do ideal de 70%, segundo as autoridades de saúde. As cidades que lideram a adesão ao isolamento são Granito e Olinda no primeiro lugar, com 61,7% da população isolada; seguidas por Paulista, com 61,6%; e Camaragibe com 60,9%. Recife, a capital pernambucana, aparece na 23ª posição, com 58,2%.

Tem início nesta terça-feira nos municípios de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar, ambos no estado do Maranhão, o bloqueio total de todas as atividades não essenciais à manutenção da vida e da saúde. De acordo com a decisão da Justiça maranhanse o lockdown deve ser cumprido por dez dias.

Números de Pernambuco

São 8.863 confirmações da covid-19 no estado e 220 novas confirmações foram registradas nesta segunda-feira (4). Dos 8.863 casos, 5.470 são considerados graves e 3393 leves. Dos pacientes graves, 2.040 estão em isolamento domiciliar e 1.504 internados, sendo 223 em UTI's.

Outros 1235 pacientes já se recuperaram da doença. Também foram confirmadas 39 novas mortes. As vítimas mais recentes tinham entre 31 e 90 anos. Ao todo, 691 pessoas morreram em decorrência da covid-19

O fenômeno “hipóxia feliz” está atrasando o diagnóstico de covid-19


  • Médicos relatam que número de pacientes com baixos níveis de oxigênio e sem sintomas aparentes cresce
  • Durante o tratamento de pacientes diagnosticados com o novo coronavírus, cientistas identificaram um fenômeno em indivíduos com níveis de oxigênio muito baixos. Enquanto hospitalizados, os infectados pareciam estar confortáveis em sua condição, e também não apresentaram problemas para falar normalmente. A condição recebeu o nome de “hipóxia feliz” ou “hipóxia silenciosa”.

Publicado no British Journal of Anaesthesia, o artigo explica que, embora a condição possa ser subjetiva, ela está sendo identificada com um possível padrão clínico comum – diversos profissionais da saúde estão relatando a experiência com seus pacientes.

Na grande maioria dos casos, os médicos acreditavam que o nível de oxigênio dos pacientes estava normal – afinal, apresentavam sinais de pessoas saudáveis, o que acabou causando confusão e atraso nos diagnósticos.

Quando testados, porém, os pacientes registraram um nível de oxigênio geralmente igual ou inferior a 50%, o que é entendido como um cenário extremamente baixo.Em alguns pacientes, os testes indicaram um nível de 80% a 70% e, nesses casos, o esperado seria um sofrimento notável – o que não acontecia, visto que os infectados andavam e falavam como indivíduos que não estavam com o vírus. 

Jonathan Bannard-Smith, médico da Enfermaria Real de M anchester, no Reino Unido, disse ao jornal britânico The Guardian que a condição é mais profunda do que aparenta. “É intrigante ver tantas pessoas entrando, quão hipóxicas elas são. Estamos vendo saturações de oxigênio muito baixas e elas não sabem disso. Normalmente, não vemos esse fenômeno na gripe ou na pneumonia adquirida na comunidade. É muito mais profundo e um exemplo de fisiologia muito anormal acontecendo diante de nossos olhos.”, disse o consultor e anestesista. 

Esse fenômeno, ainda pouco investigado, representa um perigo para os pacientes. Em caso de não tratamento ou não identificação do problema, o paciente pode vir a entrar em um estado de choque, o que piora seu caso de saúde. Mais pesquisas sobre o tratamento da “hipóxia feliz” são necessários, para que indivíduos com o vírus mas sem aparentes sintomas também recebam os cuidados necessários.

Mais um enterro às escuras na noite desta segunda em Garanhuns


Uma mulher de 52 anos anos morreu nesta segunda-feira (04-05) vítima de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), no Hospital Dom Moura, em Garanhuns. Ela havia dado entrada ontem no hospital com quadro de síndrome respiratória aguda grave e foi imediatamente entubada. A situação clínica piorou e a mulher faleceu nesta segunda, após o meio dia. Há a suspeita de que ela tenha sido infectada com o novo coronavírus. 

No hospital foi coletado material para realização de exames no Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE) e os resultados vão comprovar ou não se a mulher estava com a Covid-19. Segundo informações, a paciente residia em Garanhuns. Como os óbitos são prioridade na divulgação do resultado, a confirmação ou o descarte para o novo coronavírus deve sair dentro de três ou quatro dias. 

O sepultamento foi realizado na noite de hoje em Garanhuns seguindo os protocolos recomendados pelo Ministério da Saúde, para realização de velórios e funerais de casos suspeitos e confirmados da Covid-19.

Idoso morre após ser infectado pelo Coronavírus, em Garanhuns


A secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, informa que foi confirmado, nesta segunda-feira (04), após resultado de testagem laboratorial emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), mais um caso de óbito por Covid-19 no município. O caso é de um homem, de 61 anos, morador da área rural, que estava internado em hospital da rede pública estadual, onde veio a óbito no último sábado (02).
A Secretaria informa que estava aguardando o resultado da testagem laboratorial do caso, e foi informada na noite de hoje, pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), sobre a confirmação para Covid-19. Como a confirmação ocorreu após o fechamento do boletim epidemiológico diário da Covid-19, não consta no relatório de hoje.

A pasta destaca que todo o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde, para realização de velórios e funerais de casos suspeitos e confirmados da Covid-19, foi adotado durante o sepultamento.

Os familiares e pessoas que tiveram contato direto com o caso confirmado, estão sendo monitorados e orientados, por meio das equipes de Vigilância Epidemiológica e Atenção Básica do município, com o objetivo de que cumpram o período determinado de isolamento domiciliar

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Trump diz que EUA terá vacina contra coronavírus até o fim deste ano

O marco sombrio foi alcançado em meio às ponderações do presidente Donald Trump sobre quando o país, que anotou mais de meio milhão de infecções, pode começar a ver um retorno à normalidade.
O marco sombrio foi alcançado em meio às ponderações do presidente Donald Trump sobre quando o país, que anotou mais de meio milhão de infecções, pode começar a ver um retorno à normalidade.Foto: Saul Loeb/AFP


"Estamos muito confiantes de que vamos ter uma vacina no final do ano, até o final do ano", disse Trump em um programa da da Fox News transmitido do Lincoln Memorial em Washington, DC. Ele também disse que pedirá a reabertura de escolas e universidades em setembro, dizendo "eu quero eles de volta".

A previsão da vacina avança é discutida enquanto os Estados Unidos e outros países correm para serem os primeiros a descobrir uma maneira de prevenir o Covid-19.

Trump admitiu que ficará feliz mesmo que outro país passe à frente dos pesquisadores dos EUA na descoberta da vacina. "Se for outro país, vou tirar meu chapéu", disse. "Eu não me importo, só quero receber uma vacina que funcione", ressaltou.

Questionado sobre os riscos durante os testes em seres humanos em um processo de pesquisa que está sendo muito mais rápido do que o comum, Trump disse "eles são voluntários. Eles sabem no que estão se metendo".

Trump pareceu reconhecer que se antecipou a seus conselheiros na previsão da vacina. "Os médicos dirão 'você não deveria dizer isso', mas vou dizer o que penso", afirmou.

Pesquisadores encontram anticorpo que neutraliza coronavírus


O estudo avaliou apenas o comportamento do anticorpo in vitro e mais pesquisas são necessárias para comprovar sua eficácia no combate à covid-19

Pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda, reportaram a descoberta de um anticorpo capaz de neutralizar e impedir a infecção das células pelo novo coronavírus, causador da doença chamada covid-19.

Publicado na revista científica Nature Communications, os cientistas ressaltam que o anticorpo, chamado 47D11, funcionou para conter o novo coronavírus em testes de laboratório in vitro.

Os pesquisadores avaliaram 51 tipos de anticorpos diferentes se baseando no genoma do vírus Sars, que é da mesma família do novo coronavírus. O 47D11 é um anticorpo humano, o que pode acelerar o processo de testes clínicos que podem dar origem a uma vacina.

“Usando essa coleção de anticorpos do Sars-CoV, identificamos um anticorpo que neutraliza a infecção pelo Sars-CoV-2 em células curadas”, escrevem os autores.

Os pesquisadores buscam agora avaliar se o anticorpo pode ser usado para a criação de uma vacina contra o novo coronavírus. No entanto, uma série de testes ainda é necessária para descobrir se o 47D11 pode se comportar no corpo humano da mesma forma que se comportou em laboratório e se ele não oferece risco à saúde.

Três em cada dez brasileiros conhecem uma pessoa que morreu por COVID-19



  • O dado sobre óbitos presente na pesquisa se refere a casos que foram confirmados

Um levantamento da Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Marketing apontou que três em cada dez brasileiros conhecem uma pessoa que morreu após ser infectada pela covid-19. O dado é da segunda edição de uma pesquisa sobre o impacto do coronavírus no Brasil. O trabalho foi realizado entre 18 e 21 de abril, quando as medidas de isolamento social já completavam um mês para algumas pessoas. O levantamento apontou ainda que apenas 10% dos entrevistados estão ficando em casa.

Sandra tem lembranças difíceis do momento que a família enfrentou nos últimos meses. "Foi uma situação bem triste. A família não podia vê-lo no hospital, só conseguia contato com o médico. O pior dessa doença é que você acha que a pessoa está melhorando e isso pode não ser verdade. Ele estava mal e ficou estável. A gente começou a ter esperança. Depois, veio a notícia de que ele tinha morrido. Isso dá uma angústia grande", atesta.

Ela diz que, na família do marido, também houve a morte de um primo. Por causa do avanço da doença, a analista de mercado se mudou para Itatiba, no interior paulista, para ficar mais perto do pai, que tem 84 anos. "Meu marido e meus dois filhos estão em São Paulo. Vim para não deixar meu pai completamente sozinho. Já estava preocupada, mas, com essa morte, a ficha cai claramente. Se eu pegar, não sei se vai ser leve, grave ou se vou morrer. Não dá para vacilar."

O dado sobre óbitos presente na pesquisa se refere a casos que foram confirmados. "Muita gente já tem conhecido que foi infectado ou, pior, que acabou morrendo. A pesquisa mostrou que 33% dos entrevistados conhecem alguém que morreu da doença. Nós não tínhamos essa informação na outra verificação, de março. Esse novo dado veio em abril. Isso mostra que o coronavírus chegou perto das pessoas", analisa Silvio Pires de Paula, presidente da Demanda.

Outros 8% afirmaram conhecer pessoas que morreram com suspeita de contaminação pelo vírus, mas que não foram confirmados. A primeira morte pela doença no Brasil ocorreu no dia 16 de março, de um homem de 62 anos, em São Paulo, e foi confirmada um dia depois.

Em relação aos casos da doença, 34% afirmaram que amigos tiveram confirmação de infecção pela doença por exames. Em relação a membros da família, esse número é de 7%. Outros 27% disseram que amigos e 9% que familiares receberam diagnóstico clínico, sem a realização de testes. Entre os que foram infectados, 1% disse ter recebido diagnóstico laboratorial e 2% tiveram diagnóstico clínico. Para a pesquisa, foram ouvidas 1.045 pessoas de todas as regiões do País. Elas responderam questionário online. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

A agente de viagem Paola Armelin Degaspari, de 38 anos, perdeu uma colega de trabalho, também agente de viagem. Aos 37 anos, a vítima tinha acabado de dar à luz no mês de abril. Ela ajudou em uma campanha para arrecadar fraldas, roupas e itens de enxoval para a recém-nascida, que não foi infectada, mas nasceu prematura e está internada na UTI.

"Ela precisou ser internada, porque estava grávida e tinha pressão alta. Dois dias depois que a filha nasceu, ela começou a passar mal, a sentir falta de ar. Foi testada e confirmou que estava com coronavírus. Foi muito triste e chocante."
O empresário Rodermil Pizzo, de 54 anos, trabalhou durante 12 anos com a agente de viagem que morreu e participou da mobilização para ajudar a criança. Também colaborou para que a mãe dela, que mora em Florianópolis, se despedisse da filha. "Fizeram de tudo para salvar a vida dela. A mãe dela achava que a veria, mas só mostraram um caixão lacrado no cemitério da Vila Formosa. Como ela trabalhou por muitos anos na mesma empresa, as pessoas começaram a se movimentar para ajudar. Muita gente já ajudou com sacolas de roupas e de fraldas. A gente está separando o que é repetido para doar para outra criança que esteja precisando."

Isolamento
Assim como na edição anterior, as pessoas se preocupam mais em não contaminar outras pessoas (69%) do que em serem infectadas pelo vírus (53%), mas os índices são menores do que os de março, quando os números eram 76% e 55%, respectivamente. Por região, a que mais tem preocupação é a norte do Brasil, que já apresenta colapsos no sistema de saúde. "A situação de Manaus assusta muita gente", avalia o presidente da Demanda.

Em relação ao isolamento social, 36% dos entrevistados consideram as medidas rigorosas e adequadas. Para 35%, elas são brandas e deveriam ser mais rígidas. No recorte por idade, 59% das pessoas até 29 anos estão neste último grupo. "O que as pessoas estão dizendo é que querem medidas rigorosas. Apenas 2% afirmaram que são contra todas as medidas."

Ocorre que as pessoas continuam saindo de suas residências. "Apenas 10% afirmaram que não estão saindo de casa e 85% disseram que só saem para atividades essenciais, como ir ao mercado." Os demais informaram que vão à rua com a mesma frequência de antes. Entre as medidas de proteção, estão as visitas. O comportamento dos entrevistados muda quando o quesito é convidar pessoas para suas casas ou visitá-las.

"Mais que o dobro de pessoas que não convida para a própria casa, vai, às vezes, para a casa de outras pessoas. A pesquisa mostra que 10% evitam, mas ainda convidam. Mas 23% afirmam que estão frequentando a casa de outras pessoas." Sobre os idosos, 76% dos entrevistados afirmaram que evitam visitá-los e 26% ainda se encontram com pessoas com mais de 60 anos.

Mais 6 casos de Coronavirus confirmados em Garanhuns nesta segunda


A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, informa que foram confirmados seis casos de Covid-19 nesta segunda-feira (04), em Garanhuns, após resultado de análise laboratorial.

Os casos são de três mulheres com idades entre 26 e 41 anos, e três homens com idades entre 51 e 63 anos. Todos seguem em isolamento, e estão sendo monitorados pelas equipes de Atenção Básica e Vigilância Epidemiológica do município; bem como os familiares e pessoas que tiveram contato direto com estas pessoas.

Atualmente, Garanhuns tem 25 casos confirmados para Covid-19, nos bairros Aloísio Pinto, Boa Vista, Francisco Figueira (Cohab II e Manoel Camelo), Heliópolis, Magano (Brasília), Manoel Chéu, Severiano Moraes Filho (Indiano), Santo Antônio (Centro) e São José. Deste total, cinco pessoas vieram a óbito, seis estão recuperadas após cumprire
m o período de isolamento domiciliar e não apresentarem mais sintomas; e catorze pessoas que foram confirmadas com Covid-19 estão em fase de tratamento e/ou isolamento.

Oito casos estão aguardando emissão do resultado de testagem pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), para posterior confirmação ou descarte da Covid-19. Ao todo, 24 casos foram descartados, após serem submetidos ao exame, e obtiveram resultado negativo