Por: Diario de Pernambuco
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| Foto: Marcello Casal Jr./Agencia Brasil |
Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé! #FicaEmCasa
— Henrique Mandetta (@lhmandetta) May 15, 2020
Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira (15)
Por: Diario de Pernambuco
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| Foto: Marcello Casal Jr./Agencia Brasil |
Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé! #FicaEmCasa
— Henrique Mandetta (@lhmandetta) May 15, 2020

No G1 - O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou o cargo nesta sexta-feira (15), antes de completar um mês à frente da pasta. Em nota, a pasta informou que ele pediu demissão.
Teich tomou posse em 17 de abril. Essa é a segunda saída de um ministro da Saúde em meio à pandemia do coronavírus. Teich havia substituído Luiz Henrique Mandetta.
Assim como Mandetta, Teich também apresentou discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas para combate ao coronavírus.
Nos últimos dias, o presidente e Teich tiveram desentendimentos sobre:
o uso da cloroquina no tratamento da covid-19 (doença causada pelo vírus). Bolsonaro quer alterar o protocolo do SUS e permitir a aplicação do remédio desde o início do tratamento.
o decreto de Bolsonaro que ampliou as atividades essenciais no período da pandemia e incluiu salões de beleza, barbearia e academias de ginástica
detalhes do plano com diretrizes para a saída do isolamento. O presidente defende uma flexibilização mais imediata e mais ampla.
Teich foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto nesta manhã. Ele esteve com Bolsonaro e depois voltou para o prédio do Ministério da Saúde. A demissão foi anunciada logo depois.

Presidente já conta com a demissão do ministro da Saúde, que se colocou na linha de tiro com discurso cauteloso no uso da cloroquina, e convidou o número 2 da pasta, general Eduardo Pazuello, que teria aceitado assumir o cargo
No próximo domingo (17), Teich completa um mês no cargo, após substituir um desgastado Luiz Henrique Mandetta, que passou por um processo de fritura justamente por confrontar Bolsonaro.

Morreu ainda na noite desta quinta-feira (14), o menino Levy Gabryel Nanes da Silva, de um ano de idade, ele estava assistindo no colo do padrasto que foi executado dentro da casa que morava, na Rua Quipapá, no bairro da Cohab 2, na cidade de Garanhuns.
O menino foi socorrido para o Hospital Regional Dom Moura, foi estabilizado e durante a transferência para o Hospital da Restauração veio a óbito no município de São Caetano.

Dentro da casa onde aconteceu o crime estava a mãe da criança, uma irmã e as duas vítimas fatais, a mãe disse à polícia que estava convivendo com Fábio Vitalino a cerca de 30 dias, que desconhecia o envolvimento dele em ações criminosas.
O caso será investigado pela 22ª Delegacia de Homicídios
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| Foto: Karim Sahib/AFP |
Testes foram feitos entre junho de 2019 e janeiro deste ano e desmentem tese de que o presidente usa codinomes para fazer exames

“O que eu faço nos últimos 10 anos, pra não ter dúvida? Eu já tive receita de farmácia de manipulação. Eu sempre falei com o médico, ‘bote o nome de fantasia porque pode ir pra lá, ‘Jair Bolsonaro’, já era manjado, principalmente em 2010, quando comecei a aparecer muito, né; Alguém pode fazer alguma coisa esquisita. E assim foi em todo exame que eu faço tem um código”, disse Bolsonaro em 28 de abril.
Em nota, o Exército informou que "foram adotadas providências imediatas para mitigar eventuais consequências". Após a conclusão de uma investigação "serão desenvolvidas as ações técnicas e legais necessárias".
O ataque foi reivindicado por conta de Twitter com o nome de "DigitalSp4ce". "Somente após meses o presidente resolveu mostras seus exames, isso intrigou nosso grupo, resolvemos ir atras e invadimos o Banco de Dados do hospital onde foi realizada a coleta, e adivinhem? Nada comprova que foi feita tal coleta, nem mesmo com pseudônimo", justificaram.
"Para a realização dos exames foram utilizados no cadastro junto ao laboratório conveniado Sabin os nomes fictícios Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz, sendo preservados todos dados pessoais de registro civil junto aos órgãos oficiais", disse o comandante logístico do Hospital das Forças Armadas, Rui Yutaka Matsuda.
Ação descoordenada contra pandemia
Recursos ainda estão travados
Programas não deslancharam

Dos R$ 500 bilhões, equivalentes a 7% do PIB, que o governo do presidente Jair Bolsonaro anunciou destinar ao combate dos impactos sanitários, sociais e econômicos da pandemia da covid-19, nem 10% já chegaram ao bolso dos beneficiários. Não alcança, proporcionalmente, a metade do aplicado por outros países, e, além disso, está saindo a conta-gotas.
No enfrentamento da pandemia, o desempenho brasileiro tem sido pífio, ainda mais se comparado com as ações desenvolvidas em outros países, inclusive vizinhos sul-americanos. O resultado é a escala nacional no indesejado ranking dos países com maior número de infectados e mortos.
De quebra, essa inação está dando corda para a obsessiva batalha de Bolsonaro pelo fim do isolamento social, a forma conhecida mais eficiente por enquanto de conter, mesmo parcialmente, o contágio da doença, a pressão sobre o sistema de saúde e as mortes daí decorrentes.
Não se trata de nada original, muito ao contrário. É um clássico dos governos desarticulados, sem projeto definido para o país, infestado em seus escalões intermediários de gente escolhida não pela qualidade técnica, mas por ardor ou subserviência ideológica. Coisa potencializada, no caso brasileiro, por um presidente que só pensa em se manter no poder e safar os filhos de investigações policiais.
A fórmula usada é das mais simples e primitivas, mas não se pode negar sua eficácia. Ao não entregar o dinheiro que prometeu e anunciou, o governo consegue não só economizar recursos, mas também forçar o pretendido fim do isolamento. O problema é que a economia não vai esperar para afundar.
Essa “solução” traz outras vantagens para os cofres públicos. Forçando o relaxamento em relação aos cuidados contra o contágio, potencializando os riscos de disseminar infecções graves na população, o governo Bolsonaro tira o corpo fora e deixa aos cidadãos a opção de se virarem para sobreviver —seja ao vírus, seja à perda de renda.
Naquilo que diz respeito aos aspectos econômicos, são quatro os grandes grupos de ações que os demais governos estão adotando para enfrentar a pandemia. Começa com a garantia de financiamento a empresas; segue com reposição temporária de renda de empregados, trabalhadores informais e vulneráveis; continua com apoio a estados e municípios; e termina com o fornecimento de recursos para os sistemas de saúde, incluindo a estruturação de regras claras para quando for possível flexibilizar o isolamento.
O governo brasileiro ainda não acertou o passo em nenhum desses quatro grupos de programas. O crédito não deslanchou, o auxílio emergencial, concebido e aprovado no Congresso, travou na partida, os estados e municípios em lugar de recursos recebem ameaças e, no suporte ao sistema de saúde, reina a descoordenação. Nem mesmo o básico do básico —disponibilidade de testes em massa e de equipamentos de proteção individual para o pessoal da linha de frente dos hospitais— foi garantido.
No caso do auxílio emergencial, foram repassados até agora R$ 35,5 bilhões, de um total previsto de quase R$ 100 bilhões, para 50 milhões de beneficiários. Nada mais, porém, aconteceu desde 30 de abril. São duas longas semanas em que nenhum dos restantes 40 milhões de inscritos teve acesso aos R$ 600 da primeira das três parcelas definidas pelo Congresso.
Em compensação, já ficaram na lembrança as enormes filas para regularizar CPFs, a concessão em grande parte indevida do benefício a 70 mil militares e a exclusão, desumana e sem base legal, de parentes elegíveis de presidiários. Quanto às duas parcelas restantes do auxílio, depois do não cumprimento das datas de pagamento previstas, tudo o que se sabe é a existência de uma promessa de que a segunda parcela será paga “na próxima semana”.
Se os procedimentos de transferência do auxílio emergencial aos favorecidos não têm sido sem percalços, pior ainda é o desempenho dos programas de concessão de crédito a empresas. O primeiro desses programas, que previa gastos de R$ 40 bilhões para financiamento de folhas de pagamento, mesmo com 85% de garantia do Tesouro, não conseguiu colocar até agora mais de R$ 400 milhões, ou 1% do total prometido.
Cabe ao governo, nesse tipo de situação excepcional, assegurar os recursos para manter as empresas de pé. Duas linhas para capital de giro foram anunciadas, mas com baixo comprometimento do governo. Assim, os juros cobrados pelos bancos e as garantias exigidas praticamente inviabilizaram o “socorro”, principalmente às pequenas empresas, muitas das quais informais ou quase informais, as mais necessitadas.
O acesso ao crédito, que já era difícil em tempos normais, se deixado por conta do mercado, em tempos de pandemia, se tornará praticamente inexistente. Como querer que bancos facilitem a vida de empreendimentos com risco de inadimplência aumentado?
Sem uma ação pública mais firme e focada, na contramão do que a maior parte dos demais países está promovendo, a pressão pela reabertura dos negócios e pelo relaxamento do isolamento será crescente. Isso pode servir aos objetivos imediatos de Bolsonaro, mas, diferentemente do que ele e seus apoiadores imaginam, condenará o país ao agravamento da crise social e econômica.
É insana a ideia de que se pode eliminar um gravíssimo problema econômico, causado por um forte choque simultâneo de oferta e demanda, por simples decreto. Todas as evidências comprovam que as atuais perdas econômicas e sociais não são causadas pelas medidas de isolamento, mas por um vírus altamente contagioso e perigosamente letal.
Vírus não obedecem a decretos, e só são contidos, na falta de vacinas que impeçam sua disseminação, com planos completos, detalhados e sustentados por recursos públicos, de convivência com eles. O Brasil, envolto numa terrível múltipla crise —sanitária, social, econômica e política— está longe de tudo isso.