sábado, 3 de janeiro de 2026

DISCUSSÃO ENTRE VIZINHOS TERMINA EM MORTE E ELEVA CLIMA DE TENSÃO EM CANHOTINHO

A manhã desta quinta-feira (1º) foi marcada por mais um episódio de violência em Canhotinho, no Agreste de Pernambuco. Um homem de 33 anos foi assassinado no bairro Novo, após uma discussão durante uma confraternização entre vizinhos, ampliando a preocupação com a segurança no município, que já soma três homicídios em menos de 24 horas.

Segundo informações repassadas à Polícia Militar, moradores da localidade estavam reunidos, consumindo bebidas alcoólicas, quando um desentendimento evoluiu para agressão física. No meio da confusão, José Clovis das Neves Cavalcanti foi atingido por golpes de faca. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

O principal suspeito do crime é um vizinho da vítima, identificado como Adeildo Damião. De acordo com a polícia, ele deixou o local logo após o ocorrido e, até o momento, não foi localizado. Buscas estão sendo realizadas na tentativa de capturá-lo.

Ainda conforme os relatos policiais, a filha do suspeito também ficou ferida durante o tumulto. Ela teria sido atingida na cabeça por um golpe de faca desferido por outras pessoas que estavam no local e se revoltaram após a morte de José Clovis. A mulher foi socorrida, recebeu atendimento médico e, segundo os profissionais de saúde, não corre risco de morte.

Após a confirmação do óbito, o corpo de José Clovis foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru, onde passará por exames.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do crime, identificar todos os envolvidos na confusão e localizar o suspeito foragido. A sequência de homicídios em curto intervalo de tempo acende um alerta para as autoridades e para a população de Canhotinho, que vive dias de apreensão diante do aumento da violência.

CABROBÓ NO CENÁRIO DA GUERRA: PERNAMBUCANO SE JUNTA A BRASILEIROS NO CONFLITO DA UCRÂNIA

A guerra que redesenhou o mapa geopolítico da Europa também alcançou o Sertão pernambucano. Natural de Cabrobó, no Sertão do São Francisco, Leandro Siqueira, conhecido como Léo, integra um grupo de brasileiros que desembarcou recentemente na Ucrânia para atuar diretamente no conflito armado contra a Rússia. A milhares de quilômetros de casa, o cabroboense vive uma realidade marcada pelo medo constante, pela destruição visível e por incertezas que fazem parte da rotina de quem está em uma zona de guerra.

Em contato com o Blog do Didi Galvão, parceiro do nosso veículo, Léo descreveu um país profundamente afetado pelos combates. Segundo ele, o cenário vai muito além do que é exibido em vídeos e fotos nas redes sociais ou nos noticiários internacionais. “A tensão é permanente. O barulho, o clima de alerta e a sensação de insegurança fazem parte do dia a dia”, relatou.

Antes de seguir para a Europa Oriental, Leandro atuava no Brasil como detonador de explosivos em obras de grande porte, experiência técnica que pesou em sua decisão de se voluntariar para apoiar as forças ucranianas. De acordo com o cabroboense, a escolha foi motivada pela percepção de que o país enfrenta enormes dificuldades e carece de apoio externo, tanto no aspecto militar quanto no humanitário.

Entre os primeiros obstáculos enfrentados pelos voluntários estrangeiros está a adaptação ao rigoroso inverno europeu. Acostumado ao clima quente do Nordeste, Léo conta que o frio intenso tem sido um desafio adicional, exigindo resistência física e mental. Ainda assim, ele afirma que o grupo segue firme, mesmo diante das condições adversas impostas pelo clima e pela própria guerra.

Leandro não está sozinho. No front de batalha, ele atua ao lado de outros brasileiros e de cidadãos de diferentes países da América Latina, integrando forças internacionais que participam das operações na linha de frente do conflito. A convivência multicultural, segundo ele, reforça o sentimento de solidariedade entre os voluntários, todos movidos por um mesmo propósito.

Ao compartilhar sua experiência, o cabroboense faz questão de destacar que a realidade da guerra é dura, imprevisível e muito mais severa do que se imagina à distância. Seu relato lança luz sobre um conflito que, apesar de ocorrer do outro lado do mundo, agora tem ligação direta com o Sertão pernambucano, por meio da trajetória de um conterrâneo que decidiu enfrentar uma das mais complexas crises internacionais da atualidade.

ALISTAMENTO MILITAR 2026 COMEÇA E AMPLIA PARTICIPAÇÃO FEMININA EM TODO O PAÍS

Teve início na última quinta-feira (1º) o período de Alistamento Militar referente ao ano de 2026, marcando mais uma etapa obrigatória na vida de jovens brasileiros do sexo masculino que completam 18 anos ao longo deste ano. O prazo segue aberto até o dia 30 de junho e contempla também aqueles que residem fora do Brasil. O procedimento é gratuito, mas o não cumprimento dentro do período estabelecido acarreta multa e restrições civis que podem impactar diretamente a vida acadêmica e profissional do cidadão.

Pelo segundo ano consecutivo, o processo também abre espaço para a participação voluntária de mulheres brasileiras que completam 18 anos em 2026 e desejam ingressar nas Forças Armadas. Diferentemente do público masculino, para elas o prazo é improrrogável, o que exige atenção redobrada. A iniciativa faz parte da política do Ministério da Defesa, lançada em 2024, voltada à ampliação da presença feminina no serviço militar e à diversificação dos quadros das Forças Armadas.

O alistamento pode ser feito de forma totalmente digital, por meio do site oficial do Alistamento Online, utilizando login na plataforma Gov.br. Brasileiros que vivem no exterior também podem realizar o procedimento pela internet, sem necessidade de deslocamento ao país. Para quem optar pelo atendimento presencial, as Juntas de Serviço Militar (JSM) passam a atender a partir desta sexta-feira (2), exigindo a apresentação de documentos originais como certidão de nascimento ou casamento, documento oficial com foto ou Carteira de Trabalho e comprovante de residência atualizado.

Após concluir o alistamento, o jovem recebe o Certificado de Alistamento Militar (CAM), documento essencial para acompanhar as próximas etapas do processo. A partir daí, será necessário verificar periodicamente se houve dispensa ou convocação para as fases seguintes, que incluem exames médicos, testes físicos e entrevistas. A incorporação está prevista para 2027, com tempo inicial de serviço de 12 meses, podendo haver prorrogação conforme o interesse do militar e a necessidade das Forças Armadas.

O não alistamento gera uma série de impedimentos legais. Jovens em débito com o serviço militar podem ser barrados na emissão ou renovação de passaporte, na inscrição em concursos públicos, na matrícula em universidades e até na formalização de contratos com órgãos do governo federal.

No caso do serviço militar feminino, estão disponíveis 1.467 vagas para 2026, distribuídas entre as três Forças: o Exército Brasileiro concentra a maior parte, com 1.010 vagas; a Aeronáutica oferece 300; e a Marinha do Brasil, 157. As oportunidades estão espalhadas por 145 municípios de 21 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Após a incorporação, o serviço passa a ser obrigatório pelo período mínimo de um ano.

A abertura do Alistamento Militar 2026 reforça não apenas o cumprimento de um dever constitucional, mas também sinaliza mudanças estruturais importantes nas Forças Armadas, com maior inclusão e novas possibilidades de participação para a juventude brasileira. (Fonte: Agência Brasil)

COLUNA POLÍTICA | ALEPE - DÉBORA SE DESTACA E IMPÕE PODER DO PLENÁRIO| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

DÉBORA ALMEIDA SOBE O TOM NA ALEPE E DEFENDE A SOBERANIA DO PLENÁRIO CONTRA DECISÕES MONOCRÁTICAS

DEPUTADA ASSUME PROTAGONISMO NA DEFESA DO GOVERNO E EXPÕE CONTRADIÇÕES NA CONDUÇÃO DA CASA

A sessão desta sexta-feira (2) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) não foi apenas mais um rito formal do calendário parlamentar. Ela escancarou tensões políticas, revelou estratégias de bastidores e colocou no centro do debate um tema sensível ao funcionamento do Legislativo: quem, de fato, detém o poder de decisão dentro da Casa. Nesse cenário, a deputada Débora Almeida (PSDB) emergiu como uma das vozes mais firmes e articuladas na defesa do governo Raquel Lyra e, sobretudo, da soberania do plenário.

A aprovação da convocação extraordinária solicitada pela governadora, com o quórum mínimo de 25 deputados assegurado pela base governista, foi um movimento cirúrgico do Executivo para destravar matérias consideradas estratégicas, entre elas mudanças pontuais, mas relevantes, na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Não se trata apenas de números ou dispositivos técnicos: está em jogo a recomposição de trechos do orçamento originalmente propostos pelo governo e retirados por emendas parlamentares — uma disputa clássica entre Executivo e Legislativo, mas que ganhou contornos políticos mais profundos.

PRESIDÊNCIA ISOLADA, PLENÁRIO ESVAZIADO E O RECADO DA BASE

Chamou atenção o fato de, pela oposição, apenas o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), estar presente em plenário. Sua decisão de não votar acabou ampliando o isolamento político do campo oposicionista e reforçou a leitura de que a base governista conseguiu impor sua maioria de forma clara e objetiva. Mais do que uma derrota numérica, foi uma derrota simbólica da oposição, que optou por não enfrentar o debate no voto.

É justamente nesse ponto que a crítica ganha densidade política. Ao informar que os projetos seriam previamente submetidos à Procuradoria da Casa, sem prazo definido para os pareceres, a Presidência da Alepe reacendeu um embate antigo: até que ponto o setor jurídico pode ou deve interferir no ritmo e no mérito das decisões legislativas?

DÉBORA ALMEIDA: DISCURSO DURO, ARGUMENTO INSTITUCIONAL

Foi nesse contexto que Débora Almeida demonstrou desenvoltura, firmeza e clareza política. Sua declaração foi direta, sem rodeios, e carregada de significado institucional. Ao afirmar que o presidente “pode consultar quem quiser, mas não pode usurpar a competência e o poder do Plenário”, a deputada tocou no nervo exposto da crise: a tentativa de transferir decisões políticas para pareceres técnicos, como forma de diluir responsabilidades.

Débora foi além ao criticar o que classificou como decisões autoritárias disfarçadas de tecnicidade. Ao destacar que não se pode “não assumir o ônus das decisões”, ela aponta para um problema recorrente na política contemporânea: governar — ou presidir uma Casa Legislativa — exige assumir custos, enfrentar divergências e respeitar a regra básica da democracia representativa, que é a decisão colegiada.

Nesse ponto, a deputada tem razão. A Procuradoria é órgão de assessoramento, não de substituição da vontade soberana dos deputados. Quando pareceres passam a ser usados como escudo político, o debate deixa de ser jurídico e passa a ser essencialmente político — e é exatamente isso que Débora denunciou.

BASE GOVERNISTA ALINHADA E UM RECADO CLARO À PRESIDÊNCIA

A reação da bancada governista foi imediata e coesa. Ao rechaçar a interferência do órgão jurídico no processo legislativo, os deputados da base reforçaram que o período extraordinário existe justamente para permitir o rito regimental completo: comissões, debates e, por fim, decisão em plenário. Qualquer tentativa de travar esse fluxo soa menos como zelo institucional e mais como estratégia política.

Débora Almeida, ao se posicionar de forma clara, não apenas defendeu o governo Raquel Lyra, mas também se colocou como defensora de um Legislativo forte, que decide à luz do debate político e não sob a tutela excessiva de pareceres técnicos. É uma postura que agrada ao Palácio do Campo das Princesas e, ao mesmo tempo, dialoga com deputados que veem no plenário o espaço máximo de decisão.

NA LUPA: QUANDO A VOZ FIRME FAZ DIFERENÇA

No tabuleiro político da Alepe, a sessão desta sexta-feira deixou lições importantes. Uma delas é que o governo sabe jogar com o regimento e garantir maioria quando necessário. Outra, talvez mais relevante, é que vozes firmes como a de Débora Almeida fazem diferença num ambiente cada vez mais marcado por disputas de narrativa.

Ao defender a soberania do plenário e criticar decisões monocráticas, a deputada não apenas marcou posição — ela se consolidou como uma das principais articuladoras políticas na defesa do governo dentro da Casa. E, em tempos de tensão institucional, isso não é pouco. É política em estado puro, passada na lupa.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TRAGÉDIA NO RECIFE: MORTE DE SOGRO DE PEDRO CAMPOS COMOVE FAMÍLIA E AMIGOS

Uma tragédia marcou o início da noite desta sexta-feira (2) e abalou profundamente a família do deputado federal Pedro Campos (PSB). Augusto Carneiro, de 56 anos, sogro do parlamentar, morreu após se envolver em um grave acidente de motocicleta na Avenida Cruz Cabugá, uma das vias mais movimentadas da área central do Recife. A colisão ocorreu por volta das 17h30, nas imediações do supermercado Mix Mateus, no bairro de Santo Amaro.

De acordo com informações colhidas no local, Augusto pilotava sua motocicleta quando colidiu com outra moto, ocupada por um casal. O impacto foi violento. O condutor da segunda motocicleta, um homem de 48 anos, também não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na avenida. A mulher que estava na garupa, de 47 anos, enfermeira do Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), foi socorrida com vida e encaminhada para atendimento médico.

A cena do acidente atraiu a atenção de quem passava pelo local e mobilizou equipes de resgate e segurança. Familiares de Augusto Carneiro chegaram pouco depois e acompanharam, consternados, os procedimentos realizados na via. Uma das irmãs precisou ser amparada diante do choque da notícia, assim como um irmão que também esteve presente no local.

Pai de Augusta Carneiro, conhecida como “Guta”, esposa do deputado Pedro Campos, Augusto teve o óbito confirmado ainda no local do acidente. Imagens exibidas pela TV Guararapes registraram o momento da colisão e o trabalho das equipes de socorro, reforçando a comoção causada pela tragédia em plena via pública.

Testemunhas relataram à imprensa que a suspeita inicial é de que os dois motociclistas teriam tentado desviar de um pedestre que atravessava a avenida, o que teria provocado a colisão. A versão, no entanto, ainda será analisada pelas autoridades. Uma equipe da Polícia Civil esteve na área, isolou o trecho e iniciou os levantamentos necessários para apurar as circunstâncias exatas do acidente.

A morte de Augusto Carneiro repercutiu entre amigos, familiares e pessoas próximas ao deputado, evidenciando mais um episódio de violência no trânsito recifense e reacendendo o debate sobre segurança viária em avenidas de grande fluxo.

MOTORHOME DESGOVERNADO VAI PARAR NO RIO SÃO FRANCISCO E CHOCA MORADORES EM PIRANHAS, NO SERTÃO DE ALAGOAS

Quem circulava pela cidade histórica de Piranhas, no Sertão de Alagoas, foi surpreendido por uma cena incomum e impressionante às margens do Rio São Francisco. Um motorhome — veículo adaptado como casa sobre rodas — acabou parcialmente submerso nas águas do Velho Chico após um erro cometido pelo condutor, chamando a atenção de moradores, pescadores e turistas que estavam na região.

De acordo com o relato de um pescador local, que presenciou o ocorrido, o motorista teria se confundido no momento de manobrar o veículo, engatando a marcha errada. O descuido foi suficiente para que o motorhome avançasse em direção ao rio e despencasse na água, gerando momentos de tensão e apreensão entre as pessoas que acompanhavam a cena.

O impacto poderia ter sido ainda mais grave, não fosse um detalhe decisivo. Antes de ficar completamente submerso, o veículo colidiu com um catamarã que estava próximo à margem, o que acabou funcionando como uma espécie de barreira improvisada. Essa colisão impediu que o motorhome afundasse por completo e fosse levado pela correnteza do São Francisco.

Após o acidente, moradores e trabalhadores da área agiram rapidamente para evitar que a situação se agravasse. Cordas foram utilizadas para amarrar o motorhome, garantindo que ele permanecesse próximo à margem e não fosse arrastado pelo rio. A operação improvisada ajudou a estabilizar o veículo até que medidas mais seguras pudessem ser tomadas.

Apesar do susto e do cenário impactante, ninguém ficou ferido. O episódio terminou apenas com danos materiais e muita curiosidade por parte de quem passava pelo local, transformando o acidente em um dos assuntos mais comentados do dia em Piranhas.

O caso serve de alerta para os cuidados redobrados na condução de veículos de grande porte, especialmente em áreas próximas a rios e locais turísticos, onde qualquer erro pode resultar em situações de risco e prejuízos significativos.

CORONEL DEMITIDO POR BOLSONARO É O AUTOR DA DENÚNCIA QUE LEVOU À PRISÃO DE FILIPE MARTINS

Um personagem afastado do governo Jair Bolsonaro ainda nos primeiros meses de gestão voltou ao centro do noticiário político nacional cinco anos depois, agora como peça-chave em um episódio que culminou na prisão preventiva do ex-assessor presidencial Filipe Martins. Trata-se do coronel aviador da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) Ricardo Wagner Roquetti, ex-dirigente do Ministério da Educação (MEC), cuja trajetória no início do bolsonarismo foi marcada por disputas internas e uma exoneração determinada diretamente pelo então presidente da República.

Roquetti ocupava o cargo de diretor de programa da Secretaria Executiva do MEC em 2019, durante a breve e conturbada gestão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez. À época, era visto como um dos principais auxiliares do ministro e integrava o grupo de militares que passou a disputar espaço e influência dentro da pasta com servidores alinhados ao filósofo Olavo de Carvalho, um dos principais ideólogos do bolsonarismo naquele momento.

O embate interno rapidamente ganhou proporções públicas. De um lado, militares defendiam uma gestão técnica e hierarquizada; de outro, olavistas acusavam o grupo fardado de tentar aparelhar o ministério e afastar aliados do filósofo. Roquetti tornou-se um dos alvos centrais dessa disputa, sendo acusado por seguidores de Olavo de promover perseguições internas. O conflito se agravou a ponto de chegar ao Palácio do Planalto.

Em março de 2019, Jair Bolsonaro interveio diretamente e solicitou a exoneração do coronel. A saída de Roquetti foi celebrada publicamente por Olavo de Carvalho, que comemorou o afastamento nas redes sociais. O episódio simbolizou a crise instalada no MEC e expôs a guerra interna que marcou os primeiros meses do governo Bolsonaro, contribuindo para o desgaste e posterior queda do ministro Vélez Rodríguez.

Cinco anos depois, Roquetti voltou a aparecer em um episódio de forte repercussão institucional. No dia 29 de dezembro do ano passado, ele encaminhou um e-mail ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatando que seu perfil na rede social LinkedIn havia sido visualizado por Filipe Martins. À época, o ex-assessor presidencial cumpria prisão domiciliar e estava submetido a medidas cautelares que o proibiam de acessar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.

Na mensagem enviada ao Supremo, Roquetti afirmou não manter qualquer tipo de relação pessoal ou profissional com Filipe Martins e sustentou que a visualização de seu perfil poderia indicar um descumprimento da decisão judicial imposta ao ex-auxiliar do Palácio do Planalto. O coronel solicitou ainda que sua identidade fosse preservada, mas o conteúdo do e-mail acabou sendo anexado a um despacho do ministro Alexandre de Moraes, tornando público o nome do denunciante.

Diante da comunicação, Moraes determinou que a defesa de Filipe Martins prestasse esclarecimentos. Após analisar as informações apresentadas, o ministro decidiu pela decretação da prisão preventiva do ex-assessor, entendendo haver indícios de violação das medidas cautelares impostas anteriormente. Filipe Martins já havia sido condenado no processo que apura a chamada trama golpista, mas ainda aguarda o esgotamento de recursos judiciais.

O caso reacende debates sobre os desdobramentos das investigações envolvendo o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e também traz à tona personagens que marcaram, de forma turbulenta, os primeiros passos do governo. A trajetória de Ricardo Wagner Roquetti, que vai da exoneração por ordem presidencial à condição de denunciante em um processo de grande impacto político, ilustra como conflitos do passado continuam ecoando no presente da cena política brasileira.

EMBATE COM A PF APÓS PERDA DO MANDATO COLOCA EDUARDO BOLSONARO NO CENTRO DE NOVA CONTROVÉRSIA

A perda do mandato parlamentar por excesso de faltas abriu um novo capítulo na trajetória política e funcional de Eduardo Bolsonaro (PL). Nesta sexta-feira (2), o ex-deputado federal recorreu às redes sociais para criticar duramente a determinação da Polícia Federal que exige seu retorno ao cargo de escrivão, função para a qual é concursado desde 2010. A manifestação pública elevou o tom do embate e reacendeu o debate sobre dever funcional, responsabilidade pública e limites institucionais.

Em uma publicação de forte teor político e simbólico, Eduardo afirmou que não abriria mão do que chamou de “honra” para se submeter à estrutura administrativa da corporação. O ex-parlamentar declarou que não teria renunciado aos privilégios do mandato para, agora, se sujeitar a decisões que classificou como arbitrárias, dirigindo críticas diretas à cúpula da Polícia Federal. Em outro trecho, utilizou uma comparação com a polícia secreta da Alemanha nazista, afirmando que não trocaria sua posição pessoal por um cargo na burocracia estatal. As declarações foram divulgadas inicialmente pela CNN.

Eduardo Bolsonaro está fora do país desde março de 2025, vivendo nos Estados Unidos. A situação funcional, no entanto, tornou-se mais sensível após a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarar a perda de seu mandato em 18 de dezembro de 2025. A decisão ocorreu depois que ele ultrapassou o limite constitucional de ausências em sessões deliberativas do plenário. Ao longo de aproximadamente dez meses, foram contabilizadas 59 faltas não justificadas, número superior ao permitido pela Constituição Federal.

Durante o período em que exerceu o mandato de deputado federal, Eduardo permaneceu oficialmente afastado da Polícia Federal, sem receber remuneração como servidor, uma vez que optou pela dedicação exclusiva à atividade parlamentar. Com a cassação do mandato por faltas, esse vínculo institucional volta ao centro da discussão. Para retomar qualquer tipo de remuneração no serviço público, o ex-deputado precisa se reapresentar formalmente à corporação.

A Polícia Federal, por sua vez, deixou claro que a ausência sem justificativa pode resultar em sanções administrativas, incluindo a possibilidade de demissão. A exigência de retorno, segundo normas internas e a legislação vigente, não está associada a juízo político, mas ao cumprimento das regras que regem o funcionalismo público federal.

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal em 2010, lotado inicialmente no estado de Rondônia. Atuou como escrivão até 2015, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez. Desde então, construiu sua carreira política vinculada ao bolsonarismo, tornando-se um dos principais porta-vozes do grupo no Congresso Nacional e nas redes sociais.

O impasse atual expõe uma encruzilhada inédita na trajetória do ex-parlamentar: de um lado, a obrigação legal de se reapresentar ao cargo para o qual prestou concurso; de outro, a postura pública de enfrentamento às instituições que, segundo ele, representam um sistema que rejeita. Caso mantenha a decisão de não retornar, Eduardo poderá perder definitivamente o vínculo com a Polícia Federal, encerrando também sua carreira no serviço público.

Enquanto isso, o episódio segue repercutindo no meio político e jurídico, alimentando discussões sobre responsabilidade institucional, dever funcional e os limites entre discurso político e obrigações legais.