quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

BOLSONARO É LEVADO A HOSPITAL SOB ESCOLTA DA PF APÓS MAL-ESTAR E QUEDA EM CELA

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi levado na manhã desta quarta-feira (7) ao hospital DF Star, no Distrito Federal, para a realização de uma bateria de exames de imagem, após apresentar um quadro de mal-estar seguido de queda durante a madrugada. A chegada ao hospital ocorreu por volta das 11h23, em um veículo da Polícia Federal, sob escolta, o que chamou a atenção de funcionários e pacientes da unidade privada de saúde.

Segundo informações apuradas, Bolsonaro será submetido a exames considerados essenciais para avaliação neurológica e clínica: tomografia computadorizada, ressonância magnética e um eletroencefalograma. Os procedimentos têm como objetivo investigar possíveis consequências da queda ocorrida na sala onde o ex-presidente cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O episódio aconteceu na madrugada da última terça-feira (6), quando Bolsonaro teria passado mal repentinamente antes de cair, batendo a cabeça. O fato acendeu um alerta imediato entre agentes responsáveis pela custódia, que acionaram atendimento médico ainda nas primeiras horas do dia. Desde então, o estado de saúde do ex-presidente passou a ser monitorado com maior atenção, culminando na decisão de transferi-lo para um hospital com estrutura mais completa para exames especializados.

Fontes próximas ao caso relatam que, embora o quadro inicial não tenha sido classificado como grave, os médicos optaram por uma investigação aprofundada devido ao histórico clínico do ex-presidente e à natureza do incidente, que envolve possível impacto na região da cabeça. A realização de exames neurológicos busca descartar lesões internas, alterações cerebrais ou qualquer disfunção elétrica no cérebro que possa ter sido provocada pela queda.

A movimentação desta quarta-feira reacende o debate político e jurídico em torno da situação de Bolsonaro, que segue sob custódia da Polícia Federal. A presença do ex-presidente em um hospital de referência, acompanhado por agentes federais, gerou forte repercussão nos meios políticos e nas redes sociais, com apoiadores manifestando preocupação e críticos cobrando transparência nas informações oficiais.

Até o momento, não há divulgação de boletim médico detalhado, e a expectativa é que os resultados dos exames indiquem se Bolsonaro precisará permanecer em observação ou se poderá retornar à Superintendência da PF ainda hoje. A Polícia Federal e a equipe médica mantêm sigilo sobre detalhes mais específicos, informando apenas que os protocolos de segurança e de saúde estão sendo rigorosamente cumpridos.

O caso segue em acompanhamento e novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, à medida que os exames forem concluídos e avaliados pela equipe médica responsável.

“SE CHORAR, MANDA ÁUDIO”: WEINTRAUB EXPÕE RACHADURA NA DIREITA E DESMONTA CRÍTICA DE EDUARDO BOLSONARO SOBRE PCC E CV

Uma troca de farpas pública entre duas figuras centrais do bolsonarismo escancarou divergências internas e reacendeu o debate sobre o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub respondeu de forma dura a uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que havia acusado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ter pavor” de decretar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que Lula evitaria essa classificação por medo de “proteger a sua base eleitoral de criminosos e a si próprio”. A fala, rapidamente compartilhada por aliados e críticos, ganhou novo contorno quando Weintraub decidiu entrar no debate, direcionando o foco não ao atual governo, mas ao passado recente da gestão Bolsonaro.

Sem rodeios, o ex-ministro rebateu o deputado lembrando que o próprio Jair Bolsonaro teve a oportunidade de adotar a medida durante seu mandato. “Teu pai podia ter decretado”, escreveu Weintraub, desmontando o argumento de que a responsabilidade seria exclusiva do governo atual. A resposta ganhou ainda mais peso quando o ex-ministro acusou Eduardo Bolsonaro de mentir e revelou que o tema já havia sido levado diretamente ao ex-presidente.

Segundo Weintraub, em 2021 ele conversou com Jair Bolsonaro sobre o risco de o Brasil caminhar para um “narcoestado” e sobre a possibilidade de enquadrar facções criminosas como grupos terroristas. De acordo com o ex-ministro, a reação foi de desinteresse. “Nem quis ouvir”, afirmou, sugerindo que o assunto não avançou por falta de vontade política dentro do próprio governo bolsonarista.

O tom da resposta foi além da crítica política e entrou no campo pessoal. Ao chamar Eduardo Bolsonaro de “mentiroso”, Weintraub encerrou a publicação com uma frase irônica que rapidamente viralizou: “Vocês só mentem. Se chorar, manda áudio”. A expressão, comum na linguagem das redes sociais, foi interpretada como um deboche direto e um sinal claro de rompimento com parte do discurso adotado pela família Bolsonaro.

O episódio revela não apenas uma disputa de narrativas sobre segurança pública, mas também fissuras internas em um campo político que, até pouco tempo, se apresentava de forma mais coesa. Ao expor conversas de bastidores e cobrar coerência do discurso bolsonarista, Weintraub desloca o debate da crítica ao governo Lula para a cobrança de ações concretas que não foram tomadas quando Bolsonaro estava no poder.

Enquanto isso, a polêmica reacende uma discussão complexa e sensível: a eficácia e as implicações legais e diplomáticas de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Mais do que uma divergência sobre políticas públicas, o embate público entre Weintraub e Eduardo Bolsonaro evidencia que, no campo da direita, a disputa agora também é por memória, responsabilidade e protagonismo político.

DÉBORA ALMEIDA DESTACA QUEDA HISTÓRICA DA VIOLÊNCIA E REFORÇA PAPEL DA ALEPE NO FORTALECIMENTO DA SEGURANÇA EM PERNAMBUCO

A deputada estadual Débora Almeida ganhou protagonismo ao celebrar o resultado histórico alcançado por Pernambuco na área da segurança pública. O estado registrou a menor taxa de mortes violentas dos últimos 22 anos, um marco que evidencia a eficácia das políticas públicas adotadas e o alinhamento entre o Poder Executivo e o Legislativo na construção de um ambiente mais seguro para a população.

Para Débora Almeida, a expressiva redução da violência é reflexo de um trabalho sério, planejado e comprometido com a proteção da vida. A parlamentar fez questão de parabenizar a governadora Raquel Lyra pela condução da política de segurança pública, destacando os investimentos realizados, a integração entre as forças policiais e o cuidado especial com as áreas e populações mais vulneráveis do estado.

A deputada também enfatizou o empenho diário das forças de segurança, que atuam na linha de frente do combate à criminalidade. Segundo ela, os profissionais da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e demais órgãos têm papel fundamental na consolidação dos avanços, muitas vezes colocando suas próprias vidas em risco para garantir a tranquilidade dos pernambucanos.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Débora Almeida ressaltou que tem atuado de forma responsável para assegurar as condições necessárias à continuidade desses avanços. A parlamentar lembrou que seu mandato tem sido decisivo na aprovação de empréstimos e operações de crédito que possibilitam ao Governo do Estado ampliar investimentos, modernizar equipamentos, fortalecer o efetivo policial e implementar novas estratégias de segurança.

Ao celebrar os números históricos, Débora Almeida reforçou que a redução da violência não é apenas um dado estatístico, mas o reflexo direto de políticas públicas que salvam vidas. Para ela, o resultado alcançado deve servir de estímulo para que o estado siga avançando, consolidando Pernambuco como referência em segurança pública e reafirmando o compromisso com o bem-estar da população.

GOVERNO DE PERNAMBUCO INICIA 2026 COM REDE DE COZINHAS COMUNITÁRIAS FORTALECIDA E PRONTO PARA EXPANDIR COZINHAS SOLIDÁRIAS

Pernambuco começa 2026 dando um grande salto de qualidade em sua política de combate à insegurança alimentar. O Governo do Estado mais do que quadruplicou o número de cozinhas comunitárias - eram 55 no final de 2022 e agora são 252 unidades - e, por meio do programa Bom Prato já serviu, desde o início de 2023, mais de 20,5 milhões de refeições a famílias em situação de vulnerabilidade social. Apenas no ano passado, foram investidos mais de R$ 60 milhões para cofinanciar a abertura e manutenção desses equipamentos. Este ano, também entram em ação as 100 cozinhas solidárias que terão apoio do Governo de Pernambuco.
"Sabemos que quem tem fome tem pressa e por isso investimos de maneira muito firme no programa Bom Prato, assegurando cozinhas comunitárias em todas as regiões de Pernambuco. Em 2026, com as cozinhas solidárias, vamos continuar cuidando de quem mais precisa, com alimentos de qualidade e atenção, além de fortalecer outras importantes iniciativas assistenciais", afirmou a governadora Raquel Lyra.
A meta para 2026 é chegar ao total de 300 cozinhas comunitárias. Já o investimento de até R$ 12,96 milhões em 100 cozinhas solidárias irá reforçar a rede de proteção social e alimentar para os pernambucanos. Até o momento, entidades selecionadas por meio de edital já assinaram seus Termos de Fomento com o Governo do Estado para a implantação das primeiras 62 cozinhas solidárias.
Investimentos - Por meio da Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), a gestão estadual transferiu, em 2025, mais de R$ 107,4 milhões aos cofres dos 184 municípios pernambucanos e ao Distrito Estadual de Fernando de Noronha para fortalecimento das políticas públicas de Assistência Social e de Segurança Alimentar e Nutricional.

Do total repassado, R$ 52,6 milhões foram destinados às diversas modalidades de cofinanciamento da política de assistência social, assegurando a manutenção e a ampliação de serviços essenciais nos territórios. Já R$ 54,8 milhões foram aplicados no custeio e investimento das cozinhas comunitárias, no âmbito da política estadual de combate à fome, garantindo o direito humano à alimentação e nutrição adequadas à população em situação de vulnerabilidade.

“O Governo de Pernambuco escreve uma nova história, recuperando a confiança dos municípios e mostrando o que é orçamento garantido de verdade para a assistência social e para o combate à fome”, disse o secretário de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas, Carlos Braga.

Os recursos repassados garantem a continuidade de serviços como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Centros POP, serviços de acolhimento institucional e familiar, benefícios eventuais, medidas socioeducativas, ações de abordagem social, além da expansão e manutenção das cozinhas comunitárias do programa Bom Prato.

CHOQUE ELÉTRICO EM PISCINA DE COBERTURA PROVOCOU MORTE DE MÃE E FILHO EM POUSADA DE LUXO EM MARAGOGI

Uma tragédia ocorrida no último domingo (4) em uma pousada de alto padrão em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, ganhou novos e alarmantes contornos após a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal (IML). Diferente da hipótese inicial de afogamento, exames periciais confirmaram que mãe e filho morreram vítimas de choque elétrico, enquanto estavam na piscina localizada na cobertura da Almaré Pousada Exclusiva, empreendimento inaugurado recentemente e situado à beira-mar.

As vítimas, a empresária Luciana Klein Helfstein, de 39 anos, e o filho Arthur Klein Helfstein Alves, de apenas 11 anos, eram turistas de São Paulo e passavam o fim de semana no local. De acordo com o IML, ambos apresentavam “sinais claros da passagem de corrente elétrica pelos corpos”, o que afastou definitivamente a possibilidade de morte por afogamento.

Segundo informações apuradas, mãe e filho foram encontrados desacordados dentro da piscina pelo pai da criança e marido de Luciana. No momento do ocorrido, ele estava fora do quarto tentando resolver um problema no chuveiro elétrico do apartamento, que já apresentava falhas. As vítimas ainda chegaram a ser socorridas e levadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi, mas não resistiram.

A conclusão do IML reforça a avaliação preliminar feita ainda no dia da tragédia por um perito criminal que esteve na pousada. Com a confirmação da causa das mortes, a investigação entra agora em uma fase mais técnica e sensível: identificar onde e como ocorreu a falha elétrica que teria energizado a piscina da cobertura.

Peritos da Polícia Científica de Alagoas devem retornar ao local para uma nova e minuciosa vistoria, desta vez com o apoio de um especialista em engenharia elétrica. A análise incluirá as condições das instalações, possíveis irregularidades no sistema elétrico, fiações expostas, aterramento inadequado e a integração da piscina com outros equipamentos elétricos da pousada.

Além disso, imagens das câmeras de segurança estão sendo examinadas para ajudar a reconstituir a dinâmica do acidente e os momentos que antecederam a morte das vítimas. Todo o material técnico e pericial será anexado ao inquérito conduzido pela Polícia Civil, que irá apurar se houve negligência, imperícia ou responsabilidade criminal por parte dos responsáveis pelo empreendimento.

O caso causa ainda mais perplexidade pelo fato de a pousada ser recém-inaugurada, tendo iniciado suas atividades no segundo semestre do ano passado. Mesmo assim, apresentou problemas elétricos tanto no apartamento ocupado pela família quanto, agora, na área comum da piscina. Com diárias que variam entre R$ 740 e R$ 1.300 durante a alta temporada de janeiro, o estabelecimento se define, em seu material promocional, como “sofisticado, acolhedor e pensado nos mínimos detalhes para oferecer conforto, exclusividade e uma experiência memorável”.

Em nota divulgada nas redes sociais na segunda-feira (5), antes da confirmação oficial da causa das mortes, a Almaré Pousada Exclusiva afirmou sentir “profundo pesar pelo trágico incidente” e se solidarizou com familiares e amigos das vítimas. O comunicado, assinado por três advogados pernambucanos, também garantiu que a pousada irá colaborar integralmente com as investigações, colocando-se à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Enquanto a investigação avança, o caso reacende o alerta sobre segurança elétrica em áreas molhadas, especialmente em empreendimentos turísticos de alto padrão, onde a expectativa de segurança é proporcional ao valor cobrado. A tragédia, que chocou moradores e turistas da região, pode resultar em responsabilizações criminais e civis, além de aprofundar o debate sobre fiscalização e manutenção em estabelecimentos de hospedagem no litoral nordestino.

SÃO BENTO DO UNA REALIZA A MAIOR PROCISSÃO RELIGIOSA DE PERNAMBUCO EM HOMENAGEM AO BOM JESUS DOS POBRES AFLITOS

São Bento do Una voltou a ser o epicentro da fé católica em Pernambuco na última terça-feira (6), ao realizar mais uma edição da tradicional Procissão do Bom Jesus dos Pobres Aflitos. Reconhecida como a maior procissão religiosa do Estado, a celebração transformou as ruas do município em um verdadeiro rio humano de devoção, reunindo milhares de fiéis vindos de diversas regiões.

A manifestação religiosa, que atravessa quase dois séculos de história, é muito mais do que um ritual litúrgico. Trata-se de um acontecimento que une espiritualidade, identidade cultural e memória coletiva. Ao longo do percurso, marcado por orações, cânticos e expressões emocionadas de fé, devotos acompanharam a imagem do padroeiro movidos por sentimentos de gratidão pelas graças alcançadas e esperança por novos tempos.

A cada ano, a procissão reafirma seu papel como um dos maiores eventos religiosos do Nordeste e do Brasil, atraindo filhos da terra que retornam ao município especialmente para vivenciar esse momento singular. Famílias inteiras, gerações distintas e visitantes se encontram em um ambiente de comunhão, reforçando laços comunitários e mantendo viva uma tradição que é orgulho do povo são-bentense.

Após a caminhada de fé, os fiéis participaram da Santa Missa campal celebrada na Praça da Matriz, ponto alto da programação religiosa. A celebração eucarística foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Aguinaldo Timóteo, e concelebrada pelo bispo de Sobral, Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, com a presença dos párocos locais, Padre Marcelo Protázio Alves e Padre Tony. O momento foi marcado por reflexões sobre a vivência cristã, o compromisso com o próximo e a importância da fé como guia na vida cotidiana.

A solenidade também contou com a presença de autoridades políticas e lideranças locais, demonstrando a relevância social e cultural do evento. Entre os participantes estavam a ex-prefeita de São Bento do Una e atual deputada estadual Débora Almeida, o deputado federal e ex-ministro da Educação Mendonça Filho e o empresário e ex-vice-prefeito José de Almeida.

Em declaração, a deputada Débora Almeida destacou o valor simbólico e emocional da procissão. “Com o coração cheio de fé e gratidão, participei de mais um ano da Procissão do Bom Jesus dos Pobres Aflitos, uma tradição que há 188 anos emociona, fortalece e une o povo de São Bento do Una. É um dos maiores patrimônios religiosos de Pernambuco e um momento de agradecer pelo ano que passou e pedir proteção para o que se inicia”, afirmou.

O deputado federal Mendonça Filho também ressaltou a dimensão espiritual do evento. “Começar o ano em um ato de fé tão grandioso como este é uma bênção. Ao lado do povo de São Bento do Una, vivenciamos um momento de devoção, encontro e esperança, que renova nossa caminhada e fortalece nossa fé”, declarou.

Com quase dois séculos de história, a Procissão do Bom Jesus dos Pobres Aflitos segue crescendo e reafirmando sua importância não apenas para São Bento do Una, mas para todo o Estado. Um testemunho vivo de fé que atravessa gerações e continua a mover multidões.

Crédito das fotos: Matheus Augusto

NOVO RESPALDA VEREADOR EDUARDO MOURA E IMPEACHMENT CONTRA JOÃO CAMPOS AQUECE BASTIDORES DA POLÍTICA DO RECIFE

A iniciativa do vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) de protocolar um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB) provocou forte repercussão política e ganhou o respaldo formal do Partido Novo em Pernambuco. A legenda anunciou apoio integral à denúncia apresentada pelo parlamentar, classificando a ação como um exercício legítimo do mandato e uma resposta necessária diante de supostas irregularidades administrativas envolvendo um concurso público municipal.

Eduardo Moura, líder do Novo na Câmara Municipal do Recife, apresentou a denúncia sob a acusação de infração político-administrativa, tendo como foco um concurso público para o cargo de procurador municipal. Segundo o vereador, houve favorecimento indevido na nomeação de um candidato aprovado originalmente na 63ª colocação geral, mas que acabou sendo empossado em 1º lugar na lista destinada a pessoas com deficiência (PCD). De acordo com a denúncia, o candidato realizou as provas em condições regulares, sem qualquer adaptação, e somente declarou a condição de deficiência cerca de dois anos após o certame.

Em nota oficial, o Partido Novo Pernambuco afirmou que a atuação do vereador está alinhada ao que a legenda define como princípios “inegociáveis”: legalidade, transparência, isonomia, impessoalidade e respeito rigoroso às normas que regem a Administração Pública. Para o partido, esses valores devem nortear qualquer gestão pública que se pretenda republicana e comprometida com o interesse coletivo.

O comunicado do Novo vai além do caso específico e faz uma crítica mais ampla ao cenário político do Estado. A legenda destaca que Pernambuco convive historicamente com estruturas de poder concentradas em grupos políticos e familiares que se revezam no comando do Estado e ocupam posições estratégicas na máquina pública. Para o partido, esse modelo é ultrapassado, antirrepublicano e distante das reais necessidades da população, além de gerar privilégios, desigualdades e recorrentes questionamentos quanto à legalidade dos atos administrativos, inclusive no âmbito municipal.

No caso concreto, a denúncia também menciona que o candidato beneficiado seria filho de um juiz e de uma procuradora que atuariam em processos envolvendo a Prefeitura do Recife, o que, segundo o vereador, reforça suspeitas de favorecimento e conflito de interesses. Após a repercussão das denúncias, o prefeito João Campos recuou do ato administrativo, mas, para Eduardo Moura, o recuo não elimina a gravidade do ocorrido nem afasta a necessidade de responsabilização. O parlamentar sustenta que houve violação às normas que regem concursos públicos e prejuízo ao princípio da isonomia, uma vez que outros candidatos teriam sido preteridos de forma indevida.

Ao declarar apoio institucional à iniciativa, o Partido Novo reforçou que a denúncia possui caráter técnico e fundamentação jurídica, tendo como objetivo central a defesa do interesse público, a preservação da lisura dos concursos públicos e a garantia de igualdade de condições entre os cidadãos que disputam vagas no serviço público.

Apesar do impacto político e do debate gerado, o pedido de impeachment enfrenta um obstáculo matemático na Câmara Municipal do Recife. Para que a denúncia seja aceita e avance para tramitação, são necessárias 13 assinaturas de vereadores. Atualmente, a oposição soma apenas 11 parlamentares. Mesmo que todos assinem o pedido, ainda seriam necessárias mais duas assinaturas de vereadores da base governista, o que torna o avanço do processo pouco provável neste momento.

Ainda assim, a iniciativa de Eduardo Moura e o apoio público do Partido Novo colocam o tema no centro do debate político da capital pernambucana, ampliam a pressão sobre a gestão municipal e reforçam o discurso da legenda contra o que classifica como práticas tradicionais e pouco republicanas no exercício do poder. Mesmo sem perspectivas concretas de prosperar no plenário, o pedido de impeachment já cumpre um papel simbólico e político relevante, ao tensionar a relação entre governo e oposição e reacender discussões sobre transparência, meritocracia e legalidade na administração pública do Recife.

FACÇÃO VENEZUELANA EXPANDE TENTÁCULOS NO BRASIL E ACENDE ALERTA NACIONAL

A presença do Tren de Aragua, considerada a maior e mais violenta facção criminosa da Venezuela, deixou de ser um problema restrito às fronteiras e passou a preocupar autoridades brasileiras em diferentes regiões do país. Investigações das forças de segurança apontam que integrantes do grupo já atuam em pelo menos seis estados brasileiros, com maior concentração em Roraima, porta de entrada de milhares de refugiados venezuelanos nos últimos anos.

A expansão da facção ocorre em paralelo a um cenário de tensão internacional. O nome do Tren de Aragua voltou ao centro do debate após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que citou diretamente a organização criminosa ao justificar ações contra o governo venezuelano. Segundo autoridades norte-americanas, o suposto envolvimento do presidente Nicolás Maduro com o grupo estaria entre as motivações para a prisão dele e da primeira-dama, Cilia Flores, no último sábado (3/1). O casal foi levado para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York.

Maduro foi indiciado por um grande júri federal dos Estados Unidos por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A acusação sustenta que ele teria liderado, por mais de duas décadas, uma engrenagem criminosa instalada no alto escalão do Estado venezuelano, utilizando instituições públicas, forças de segurança, aeroportos, portos e até canais diplomáticos para viabilizar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos. As penas previstas podem variar de 20 anos de prisão à prisão perpétua.

Em discurso contundente, Trump afirmou que Maduro teria facilitado a atuação de gangues extremamente violentas em território norte-americano. Entre elas, citou o Tren de Aragua, acusado de invadir complexos residenciais, cometer mutilações e impor o terror em comunidades inteiras. “Eles foram brutais. Não serão mais”, declarou o presidente.

No Brasil, o avanço da facção ocorre de forma silenciosa, mas estratégica. De acordo com a Polícia Civil de Roraima, já há integrantes classificados como “diplomáticos” do Tren de Aragua em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em São Paulo e no Rio, os venezuelanos teriam firmado alianças com as duas maiores facções do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ampliando o alcance de suas operações criminosas.

Roraima se tornou o principal ponto de fixação do grupo no Brasil. Segundo o delegado Wesley Costa Oliveira, titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), a infiltração começou de forma discreta, por volta de 2016. Criminosos entravam no país se passando por refugiados, misturando-se à população vulnerável que fugia da crise humanitária venezuelana. Com o tempo, ganharam confiança e passaram a disputar territórios em Boa Vista, o que provocou uma escalada da violência.

Os números refletem esse avanço. Dados oficiais indicam que os homicídios na capital roraimense saltaram de 90 em 2020 para 127 em 2021, período em que o Tren de Aragua consolidou pontos de venda de cocaína. Uma vez estabelecido, o grupo fortaleceu conexões com facções brasileiras, tornando-se fornecedor de armas e responsável pelo transporte de grandes cargas de drogas oriundas da Colômbia, atravessando o território venezuelano.

Além do tráfico de drogas e armas, a facção mantém um esquema brutal de tráfico humano, especialmente de mulheres. De acordo com a Polícia Civil, venezuelanas em situação de extrema pobreza são aliciadas com promessas de uma vida melhor no Brasil. Ao chegar, acabam exploradas sexualmente em casas de prostituição controladas pelo Tren de Aragua, onde passam a acumular dívidas impostas pelos próprios criminosos.

“A situação é extremamente cruel. Muitas dessas mulheres acabam se viciando em drogas, o que aumenta ainda mais a dependência e a dívida com a facção. Quando não conseguem pagar, algumas são assassinadas para servir de exemplo”, relatou o delegado Wesley Costa Oliveira.

A dimensão da barbárie veio à tona no fim de 2024, quando a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino ligado ao Tren de Aragua em Boa Vista. No local, foram encontrados dez corpos, entre eles o de cinco mulheres com sinais de desmembramento, evidenciando o nível de violência empregado pelo grupo.

O avanço do Tren de Aragua no Brasil revela um novo e preocupante capítulo do crime organizado transnacional, exigindo integração entre forças de segurança, vigilância nas fronteiras e ações coordenadas para conter uma facção que já demonstrou não reconhecer limites geográficos nem humanos.