domingo, 11 de janeiro de 2026

CARRETA DA MULHER É INSTALADA EM CORRENTES APÓS TENTATIVA DE BARRAR AÇÃO, ESTÁ AO LADO DA IGREJA E FICA SOB PROTEÇÃO DA PM

Uma queda de braço política acabou expondo, de forma direta e sem disfarces, como disputas de poder ainda interferem no acesso da população a serviços básicos de saúde no interior de Pernambuco. Em Correntes, no Agreste Meridional, a chegada da Carreta da Mulher — unidade móvel voltada à realização de exames preventivos e atendimentos destinados ao público feminino — foi marcada por resistência política, tensão nos bastidores e, ao final, por um desfecho simbólico: a vitória do interesse público sobre a disputa partidária.

A polêmica envolve o prefeito Edimilson da Bahia (PT), acusado por adversários e por servidores ligados à própria gestão de tentar inviabilizar a atuação da carreta no município. Segundo relatos internos, a Prefeitura teria tomado conhecimento da vinda do equipamento por meio das redes sociais e, a partir disso, optado por não firmar parceria institucional com o Governo do Estado para a realização dos atendimentos, mesmo diante da existência de uma fila que ultrapassaria a marca de cem mulheres aguardando exames.

A alternativa apresentada pela gestão municipal, de acordo com esses servidores, teria sido limitar o acesso das pacientes, levando grupos de apenas vinte mulheres por vez para realizarem os procedimentos em Garanhuns. A proposta foi considerada insuficiente, burocrática e incapaz de atender à demanda reprimida do município. Para críticos, a medida soou como uma tentativa clara de esvaziar a ação estadual e manter o controle político sobre o serviço, em uma prática classificada como atrasada e típica do velho coronelismo.

Apesar da resistência, a estratégia não prosperou. Contra a vontade do prefeito e de seu grupo político, a Carreta da Mulher chegou a Correntes por volta das 22h e foi instalada em local central, ao lado da igreja, área de fácil acesso para a população. A chegada foi recebida com entusiasmo por moradores, especialmente pelas mulheres que aguardavam há meses por exames preventivos. O que deveria ser apenas a instalação de uma unidade móvel de saúde acabou se transformando em um ato simbólico, marcado por fogos de artifício e manifestações espontâneas de alívio.

Diante do clima de tensão política e das tentativas de interferência, a ação passou a contar com proteção da Polícia Militar, com segurança garantida 24 horas por dia. A presença da PM tem como objetivo assegurar que os atendimentos ocorram sem qualquer tipo de pressão, constrangimento ou nova tentativa de obstrução, garantindo tranquilidade para os profissionais de saúde e, principalmente, para as pacientes.

Descrita por quem acompanhou a chegada como uma estrutura simples, sem luxo ou aparato extraordinário, a carreta representa, ainda assim, uma oportunidade concreta de diagnóstico precoce e cuidado com a saúde de dezenas de mulheres. Os atendimentos estão programados para ocorrer entre os dias 12 e 14 de janeiro, contemplando todas aquelas que procurarem os serviços disponibilizados no período.

O episódio escancara como disputas políticas menores podem se sobrepor a interesses coletivos quando o tema é saúde pública. Para muitos moradores de Correntes, a tentativa de barrar a ação foi vista como uma atitude mesquinha, desconectada da realidade de quem depende do SUS para realizar exames básicos e garantir prevenção.

No desfecho, a mensagem foi clara e direta: os serviços serão realizados, querendo ou não a administração municipal, pelo bem do povo. A Carreta da Mulher permanecerá em funcionamento, garantindo atendimento, prevenção e dignidade à população feminina, enquanto o desgaste político recai sobre quem tentou transformar saúde pública em instrumento de disputa de poder.

“OUTRO LADO: PREFEITO DE CORRENTES ADMITE CRITÉRIO POLÍTICO EM PARCERIA E DEFENDE CONTROLE DAS VAGAS DA CARRETA DA MULHER”

Após a forte repercussão causada pela não formalização da parceria entre a Prefeitura de Correntes e o Governo de Pernambuco para a atuação da Carreta da Mulher no município, o prefeito Edmilson da Bahia (PT) veio a público apresentar sua versão dos fatos. Em vídeo divulgado nas redes sociais e em nota oficial, o gestor negou ter proibido a ação, mas deixou claro que recusou a parceria nos moldes propostos pelo Estado, alegando divergências sobre o critério de distribuição das vagas de atendimento.

Segundo o prefeito, o impasse ocorreu porque o Governo do Estado teria sugerido que apenas 50% das vagas fossem reguladas pela Secretaria Municipal de Saúde, enquanto o restante ficaria “sem critérios técnicos definidos”. Na avaliação de Edmilson, esse modelo abriria espaço para o uso político da ação, beneficiando pessoas ligadas à oposição. A declaração, no entanto, acabou provocando ainda mais críticas, já que, para muitos, o discurso soou como a defesa de um controle político sobre quem teria ou não acesso aos exames.

Na tentativa de conter o desgaste, a Prefeitura ressaltou que não houve veto à chegada da Carreta da Mulher e que, mesmo sem ofício formal prévio — procedimento administrativo considerado padrão pela gestão municipal —, foi autorizada, de forma excepcional, a instalação do equipamento no centro da cidade, ao lado da igreja. O governo municipal argumenta que a organização do espaço urbano é de competência do Executivo local e que a ausência dessa comunicação oficial justificaria cautela quanto à parceria.

Edmilson da Bahia afirma que sua gestão apoia toda iniciativa voltada à saúde da mulher, desde que respeite os “fluxos institucionais” do município e a regulação da rede local. Para o prefeito, o atendimento deveria priorizar mulheres já cadastradas e acompanhadas pelo sistema municipal de saúde, garantindo, segundo ele, justiça, equidade e transparência. Ainda assim, o próprio discurso do gestor, ao associar as vagas “soltas” à oposição, reforçou a percepção de que o critério político pesou na decisão.

Como forma de demonstrar compromisso com a pauta, a Prefeitura destacou outras ações realizadas em parceria com o Governo Federal. De acordo com a nota, 120 mulheres de Correntes já foram encaminhadas para exames e consultas especializadas na unidade móvel do programa “Agora Tem Especialistas”, em Garanhuns, com foco na prevenção e diagnóstico do câncer de mama e do colo do útero.

Mesmo com os esclarecimentos, o episódio reacendeu o debate sobre práticas políticas consideradas ultrapassadas no interior do Estado. Críticos apontam que, ao questionar o atendimento de mulheres que não estariam vinculadas à base governista, o prefeito acabou oferecendo um argumento que lembra o velho coronelismo, onde o acesso a políticas públicas passa pelo filtro da conveniência política.

Ao final da nota, Edmilson da Bahia afirma que a Prefeitura de Correntes permanece aberta a parcerias com o Governo do Estado e outras instituições, desde que, segundo ele, estejam livres de interesses políticos e tenham como objetivo exclusivo o bem-estar da população. A controvérsia, porém, deixa claro que, no embate entre saúde pública e disputa política, o episódio da Carreta da Mulher ainda deverá render novos capítulos e aprofundar a cobrança por critérios verdadeiramente universais no acesso aos serviços de saúde.

Confira a nota oficial 

NOTA OFICIAL — PREFEITURA DE CORRENTES

A Prefeitura de Correntes vem a público esclarecer informações equivocadas que estão sendo divulgadas acerca da chegada e do funcionamento da Carreta da Saúde da Mulher no Município.

É inverídica a afirmação de que a Prefeitura de Correntes teria proibido ou vetado a vinda da Carreta da Mulher. Em nenhum momento a Gestão Municipal impediu a realização da ação. Ao contrário, mesmo sem o recebimento prévio de Ofício formal por parte do Governo do Estado solicitando autorização para uso de espaço público, procedimento administrativo necessário, uma vez que a organização das vias e espaços urbanos é de competência do Poder Executivo Municipal, a Prefeitura autorizou, de forma excepcional, a instalação da Carreta no Centro da Cidade, onde atualmente se encontra, ao lado da Igreja.

A Gestão Edimilson da Bahia reafirma que toda iniciativa que traga benefícios diretos à população correntina, especialmente às mulheres, será sempre apoiada pela Prefeitura, desde que conduzida com responsabilidade, organização e respeito aos fluxos Institucionais do Município.

No entanto, é importante esclarecer que não houve formalização de parceria entre o Município e o Estado devido a divergências quanto ao modelo de atendimento proposto, que previa a destinação de apenas 50% das vagas à regulação da Secretaria Municipal de Saúde, deixando o restante sem critérios técnicos definidos. 

A Prefeitura de Correntes defende que o atendimento em saúde deve obedecer à Regulação Municipal, garantindo prioridade às mulheres já cadastradas e acompanhadas pela rede pública local, assegurando justiça, transparência e equidade no acesso aos serviços e não sendo usado de forma politiqueira por grupos oposicionistas.

Ainda assim, a Prefeitura reforça que não criou obstáculos à realização da ação e deseja que todas as Mulheres atendidas pela Carreta sejam beneficiadas com qualidade e segurança, assim como já vem realizando em parceria com o Governo Federal, com o encaminhamento de 120 mulheres corentinas para realização de exames e consultas especializadas com foco na prevenção e diagnóstico de câncer de mama e de colo do útero, na unidade móvel do programa Agora tem Especialistas, localizada em Garanhuns.    


Sob a liderança do prefeito Edimilson da Bahia, a Prefeitura de Correntes segue de portas abertas para parcerias e ações do Governo do Estado de Pernambuco e de qualquer outra Instituição, desde que livres de interesses políticos e voltadas exclusivamente ao bem-estar da população.


Edimilson da Bahia Prefeito de Correntes

CARUARU DÁ LARGADA AO IPTU 2026 COM DESCONTOS QUE CHEGAM A 30% E FACILIDADES AO CONTRIBUINTE

A Prefeitura de Caruaru iniciou oficialmente o calendário do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2026, colocando em marcha a produção e a entrega dos carnês que garantem ao contribuinte a possibilidade de economizar e manter a regularidade fiscal junto ao município. A ação é coordenada pela Secretaria da Fazenda (Sefaz) e marca o começo de um período decisivo para quem deseja aproveitar os maiores abatimentos oferecidos pela gestão municipal.

O modelo adotado para este exercício mantém a política de estímulo ao pagamento antecipado. Quem optar pela quitação em cota única poderá obter descontos progressivos, de acordo com a data escolhida para o pagamento. O maior benefício, de 30%, está reservado aos contribuintes que realizarem o pagamento até o dia 30 de janeiro de 2026. Para aqueles que preferirem um prazo um pouco maior, o desconto será de 20% até 27 de fevereiro, caindo para 10% nos pagamentos efetuados até 31 de março.

Além da tradicional entrega dos carnês físicos, que já estão em fase de produção e devem começar a chegar às residências a partir da primeira semana de janeiro, a Prefeitura reforça o uso das ferramentas digitais. O boleto do IPTU 2026 pode ser emitido de forma rápida e prática pelo Portal do Contribuinte, disponível no site oficial de tributos do município, permitindo que o cidadão resolva tudo sem sair de casa.

Para quem ainda prefere o atendimento presencial ou precisa de orientação direta, a Secretaria da Fazenda mantém atendimento na Rua Mestre Pedro, nº 74, no bairro Nossa Senhora das Dores. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, com equipes preparadas para esclarecer dúvidas e auxiliar na emissão dos boletos.

A Sefaz alerta que o cumprimento dos prazos é fundamental não apenas para garantir os descontos, mas também para evitar juros, multas e outras penalidades futuras. O pagamento do IPTU representa uma das principais fontes de arrecadação do município e é revertido em investimentos em áreas essenciais como infraestrutura, saúde, educação e serviços urbanos.

Com a antecipação do calendário e a oferta de diferentes canais de acesso, a Prefeitura de Caruaru aposta na organização e na conscientização dos contribuintes para assegurar um início de ano mais tranquilo, tanto para o cidadão quanto para a administração pública.

SDS APERTA O CERCO E COBRA REGULARIZAÇÃO PARA GARANTIR SEGURANÇA NO CARNAVAL DE PERNAMBUCO

Com a virada do calendário e a contagem regressiva para o Carnaval, o Governo de Pernambuco acende o sinal de alerta para organizadores de blocos, agremiações e eventos culturais que pretendem ocupar as ruas nas próximas semanas. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) reforçou que o reforço policial só será garantido aos eventos que cumprirem rigorosamente os prazos e exigências legais para a folia que se estende de 2 de janeiro a 1º de março.

A medida, segundo a SDS, não é apenas burocrática, mas estratégica. O planejamento das forças de segurança depende diretamente da regularização prévia dos eventos, o que permite mapear áreas de maior concentração de público, dimensionar efetivos, organizar patrulhamento e prevenir ocorrências. Por isso, os produtores culturais têm até o dia 14 de fevereiro para solicitar o apoio da segurança pública estadual, respeitando a antecedência mínima obrigatória de 15 dias antes da realização da festa.

Todo o processo deve ser feito exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no site oficial da SDS, conforme estabelece a Portaria nº 7.088, publicada no Boletim Geral da Secretaria. Solicitações feitas fora desse padrão ou com informações incompletas não entram na programação operacional.

Para que o pedido seja analisado, os organizadores precisam detalhar cada aspecto do evento. A SDS exige informações precisas sobre local, tipo de festividade, estimativa de público, percurso, horários de início e término, além do número de trios elétricos, palcos, camarotes, carros de apoio e demais estruturas. Também é obrigatória a identificação dos responsáveis pelo evento e a indicação de postos médicos e ambulâncias, reforçando a preocupação com a segurança e a capacidade de resposta em situações de emergência.

A análise dos pedidos segue critérios técnicos e cronológicos. O histórico da festa, o impacto no espaço público, o público estimado e os registros de ocorrências em edições anteriores pesam na decisão. O porte do evento também influencia diretamente na capacidade de atendimento das forças de segurança, o que significa que nem toda solicitação resulta, automaticamente, em reforço policial.

Outro ponto destacado pela SDS é a articulação com os municípios. A autorização da prefeitura para a realização do evento deve ser apresentada ao Batalhão da Polícia Militar responsável pela área com até oito dias de antecedência. Sem esse aval, o processo de liberação fica comprometido.

Quando o assunto envolve palcos, trios elétricos e estruturas temporárias, a atenção precisa ser redobrada. As vistorias devem ser solicitadas ao Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), também por meio eletrônico. A gerente de Articulação e Segurança de Grandes Eventos da SDS, tenente-coronel Rafaela Veiga, reforça que qualquer camarote, trio ou estrutura provisória exige vistoria técnica e emissão de atestado pelos Bombeiros.

Segundo ela, o planejamento antecipado é decisivo para o sucesso da festa. Manter todas as regularizações em dia não apenas assegura a proteção dos foliões, mas também dos trabalhadores envolvidos e da população em geral. Eventos que ignorarem essas etapas, alerta a SDS, simplesmente não serão considerados no planejamento da segurança pública.

Com o Carnaval se aproximando, o recado do Estado é claro: quem quer festa nas ruas precisa, antes de tudo, cumprir as regras. Segurança, neste ano, começa muito antes do primeiro acorde do frevo.

ADMINISTRAÇÃO DE CORRENTES TENTA BARRAR A SAÚDE DAS MULHERES, MAS CARRETA DESAFIA PREFEITO E CHEGA À CIDADE SOB APLAUSOS

Uma queda de braço política acabou expondo, de forma crua, como disputas de poder ainda interferem diretamente no acesso da população a serviços básicos de saúde no interior de Pernambuco. Em Correntes, no Agreste Meridional, a chegada da Carreta da Mulher — unidade móvel voltada à realização de exames preventivos e atendimentos destinados ao público feminino — foi marcada por resistência política, tensão nos bastidores e, por fim, comemoração popular.

A polêmica envolve o prefeito Edimilson da Bahia (PT), acusado por adversários e por servidores ligados à própria gestão de adotar uma postura de enfrentamento ao Governo do Estado ao tentar inviabilizar a atuação da carreta no município. Segundo relatos internos, a Prefeitura teria sido informada da vinda do equipamento por meio das redes sociais e, a partir disso, decidiu não firmar parceria institucional para a realização dos atendimentos, mesmo diante da existência de uma fila que ultrapassaria a marca de cem mulheres aguardando exames.

A alternativa apresentada pela gestão municipal, de acordo com esses servidores, foi limitar o acesso das pacientes, levando grupos de apenas vinte mulheres por vez para realizarem os procedimentos na cidade de Garanhuns. A proposta, vista como insuficiente e burocrática, acabou sendo interpretada como uma tentativa de esvaziar a ação estadual e manter o controle político sobre o serviço, em uma prática que críticos classificam como atrasada e típica do velho coronelismo.

Apesar da resistência, a estratégia não prosperou. Contra a vontade do prefeito e de seu grupo político, a Carreta da Mulher chegou a Correntes por volta das 22h, sendo recebida com entusiasmo por moradores. O que deveria ser apenas a instalação de uma unidade móvel de saúde acabou se transformando em um ato simbólico, comemorado com fogos de artifício e manifestações de alívio por parte da população feminina, cansada de esperar por exames preventivos.

A carreta, descrita por quem acompanhou a chegada como uma estrutura simples, sem qualquer luxo ou aparato extraordinário, representa, ainda assim, a chance concreta de diagnóstico precoce e cuidado com a saúde de dezenas de mulheres. O atendimento ocorrerá entre os dias 12 e 14 de janeiro, contemplando todas aquelas que procurarem os serviços disponibilizados.

O episódio escancara como disputas políticas menores podem se sobrepor a interesses coletivos, especialmente quando o tema é saúde pública. Para muitos moradores, a tentativa de barrar a ação foi vista como uma atitude mesquinha, bairrista e descolada da realidade de quem depende do SUS para realizar exames básicos. No fim das contas, a carreta chegou, os atendimentos serão realizados e o desgaste político ficou concentrado em quem tentou transformar prevenção e cuidado em instrumento de disputa de poder.

sábado, 10 de janeiro de 2026

TRUMP ROMPE COM A ORDEM GLOBAL E PROMOVE O MAIOR AFASTAMENTO DOS EUA DE ACORDOS INTERNACIONAIS DESDE A SEGUNDA GUERRA

Washington viveu nesta semana um dos momentos mais emblemáticos e controversos da política externa norte-americana nas últimas décadas. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que determina a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações, convenções e tratados internacionais, muitos deles diretamente ligados ao sistema das Nações Unidas. O gesto, classificado por analistas como um verdadeiro terremoto diplomático, redesenha o papel dos EUA no cenário mundial e aprofunda a guinada isolacionista defendida por Trump desde seu primeiro mandato.

Entre as entidades das quais os Estados Unidos estão se desligando, ao menos 31 fazem parte da estrutura da ONU, incluindo acordos ambientais, organismos voltados aos direitos humanos, igualdade de gênero, saúde global e cooperação científica. O impacto mais simbólico recai sobre o campo ambiental: ao abandonar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, os EUA passam a ser a única grande potência fora do principal pacto climático global, responsável por orientar metas de redução de emissões e ações conjuntas contra o aquecimento do planeta. Também foi confirmado o desligamento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, responsável por consolidar dados científicos que embasam políticas ambientais em todo o mundo.

A decisão atinge ainda programas voltados a mulheres e populações vulneráveis. A saída do ONU Mulheres e do Fundo de População das Nações Unidas implica o corte imediato de recursos destinados a iniciativas de igualdade de gênero, planejamento familiar e saúde reprodutiva em países em desenvolvimento. Especialistas alertam que, além do impacto financeiro direto, a medida enfraquece redes internacionais de cooperação construídas ao longo de décadas.

Em declaração oficial, Trump adotou um tom nacionalista e confrontacional. Segundo ele, não é mais aceitável que o contribuinte norte-americano continue financiando instituições que, na sua avaliação, operam contra os interesses dos Estados Unidos. “Chega de enviar o nosso sangue e o nosso suor para sustentar o resto do mundo”, afirmou o presidente, reforçando o discurso de que o país deve priorizar acordos bilaterais e decisões soberanas, sem submeter-se a organismos multilaterais.

Enquanto apoiadores comemoram o que chamam de “independência americana” e o fim de compromissos considerados onerosos, a reação internacional foi imediata. Líderes europeus, representantes da ONU e organizações como a Anistia Internacional classificaram a decisão como imprudente e vingativa, alertando para o risco de um colapso na cooperação global em áreas sensíveis como clima, direitos humanos e segurança internacional. Há também o temor de que o vazio deixado pelos Estados Unidos seja rapidamente ocupado por potências como a China, que tende a ampliar sua influência dentro dessas instituições e a ditar novas regras do jogo mundial.

Apesar do discurso duro, especialistas lembram que nem todos os itens da lista são tratados de paz no sentido clássico, como frequentemente se tem divulgado nas redes sociais. O pacote inclui acordos ambientais, conselhos técnicos, agências especializadas e fóruns multilaterais diversos. Ainda assim, o volume e a abrangência das retiradas tornam a decisão inédita na história recente da diplomacia norte-americana.

Para além dos bastidores de Washington, os efeitos desse rompimento já começam a preocupar governos, empresas e cidadãos comuns. O afastamento dos EUA de pactos globais pode influenciar o preço da energia, o ritmo das transições ambientais, a resposta a crises humanitárias e até o equilíbrio geopolítico em regiões instáveis. Com os Estados Unidos fora da mesa de negociações, a ordem internacional construída no pós-guerra entra em uma nova fase, marcada por incertezas e disputas de liderança.

O mundo observa atento. A decisão de Trump não é apenas um movimento administrativo, mas um sinal claro de que as engrenagens da cooperação global estão sendo desafiadas — e, possivelmente, reescritas — em tempo real.

MANOEL CARLOS MORRE AOS 92 ANOS: O LEGADO DO HOMEM QUE TRANSFORMOU A TELEDRAMATURGIA BRASILEIRA

O Brasil ficou de luto neste sábado, 10 de janeiro de 2026, com a confirmação da morte de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, conhecido como Manoel Carlos ou “Maneco”, um dos mais influentes autores de novelas da televisão brasileira. Ele faleceu aos 92 anos, no Rio de Janeiro, onde estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, em tratamento contra a Doença de Parkinson, que já vinha comprometendo sua mobilidade e funções cognitivas nos últimos anos

Segundo a família e a produtora Boa Palavra, o falecimento ocorreu por volta das 20h desta sábado. A causa oficial não foi divulgada, e o velório será restrito a familiares e amigos íntimos, em respeito à privacidade dos entes queridos do escritor.

UMA VIDA DEDICADA À ARTE E À TV BRASILEIRA

Nascido em 14 de março de 1933, em São Paulo, Manoel Carlos começou no universo artístico ainda jovem — atuando, escrevendo e dirigindo desde a adolescência, e trabalhando em várias emissoras antes de consolidar sua carreira na TV Globo, a partir da década de 1970. Sua estreia na emissora foi como diretor-geral do “Fantástico” em 1972, mas foi na dramaturgia que construiu seu legado mais duradouro. 

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Manoel Carlos escreveu mais de 15 novelas que marcaram gerações. Entre seus trabalhos mais icônicos estão:

  • “Laços de Família”

  • “Por Amor”

  • “Mulheres Apaixonadas”

  • “Baila Comigo”
    e a novela de encerramento da sua trajetória em 2014, “Em Família”

Sua obra ficou conhecida principalmente pelo retrato sensível da classe média brasileira, especialmente no contexto do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, que muitas vezes funcionava como mais do que um cenário — era um personagem dentro das tramas.

O MARCO DAS “HELENAS”

Uma das marcas registradas de Manoel Carlos era a criação e reinvenção de personagens femininas fortíssimas batizadas de Helena. Essas protagonistas, interpretadas por algumas das maiores atrizes do País, tornaram-se símbolos da televisão brasileira por sua profundidade emocional e humanidade. 

Em suas novelas, Manoel explorava temas sociais e familiares com uma sensibilidade rara, trazendo debates sobre amor, ética, conflitos humanos e questões contemporâneas para o centro da dramaturgia popular — um dos motivos pelos quais seu trabalho atravessou gerações de espectadores. 

FAMÍLIA E DESPEDIDA

O autor deixa sua esposa, Elisabety Gonçalves de Almeida, e duas filhas:

  • Júlia Almeida, atriz e protagonista em várias produções, e

  • Maria Carolina, roteirista que colaborou em suas tramas. 

Manoel Carlos enfrentou nos últimos anos os desafios de sua saúde debilitada pela doença de Parkinson, que o afastou progressivamente da vida pública e criativa. 

UMA AUSÊNCIA IRREPARÁVEL

A notícia da morte de Manoel Carlos representa não apenas o fim da vida de um artista consagrado, mas também o encerramento de um capítulo importante na história da teledramaturgia brasileira. Sua obra influenciou profissionais, telespectadores e a forma como histórias humanas são contadas na televisão no Brasil. 

O legado de Maneco, com seus personagens memoráveis e sua capacidade de traduzir emoções cotidianas em narrativas envolventes, permanecerá vivo na memória cultural do País.

REFAZENDO A ROTA: MIGUEL COELHO APOSTA EM RAQUEL LYRA E SE ARTICULA COM EDUARDO DA FONTE PARA O SENADO EM 2026

Miguel Coelho voltou a se colocar no centro do tabuleiro político pernambucano ao reafirmar que trabalha para ser o candidato da Federação União Progressista ao Senado Federal em 2026. A declaração, feita durante evento partidário em Jaboatão dos Guararapes, foi mais do que um gesto de pré-campanha: soou como um aviso de que o ex-prefeito de Petrolina está em movimento calculado, revendo alianças, reposicionando discursos e transformando o capital político acumulado na disputa pelo Governo do Estado em 2022 em um projeto viável para a Câmara Alta.

O plano de Miguel se ancora em números. Ao longo do último ano, pesquisas de opinião o colocaram entre os nomes mais competitivos para o Senado em Pernambuco, sustentando a convicção de que há espaço eleitoral real para sua candidatura. Ao colocar seu nome à disposição não apenas do União Brasil, mas de toda a federação formada com o PP, Miguel busca se apresentar como um nome de amplitude, capaz de agregar forças, dialogar com diferentes campos políticos e dar densidade eleitoral a uma composição majoritária.

A fala em tom seguro de que uma das vagas ao Senado será da União Progressista revela mais do que otimismo. Mostra a intenção de elevar o patamar das negociações desde já, aproveitando o calendário acelerado do ano eleitoral. Nos bastidores, o entendimento é de que Miguel não quer ser apenas mais um pré-candidato, mas sim uma peça indispensável em qualquer arranjo competitivo para 2026.

Ao analisar o cenário estadual, Miguel adotou um discurso pragmático. Reconheceu a tradição de disputas duras em Pernambuco e apontou a polarização crescente entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos. Embora mantenha afinidade política e histórica com João, o ex-prefeito evitou amarras definitivas. A postura é vista como estratégica: ao tratar o embate de forma objetiva, ele mantém portas abertas e preserva seu projeto ao Senado acima das disputas locais, algo essencial para quem precisa construir votos em todas as regiões do Estado.

Esse posicionamento ganha ainda mais peso quando se observa o desenho das chapas. Na Frente Popular, a tendência é de que exista, na prática, apenas uma vaga competitiva ao Senado, já que Humberto Costa desponta como candidato natural à reeleição na aliança entre PT e PSB. No campo governista, por outro lado, o cenário é mais elástico. Há espaço para a formação de uma chapa com duas vagas fortes, o que abre caminho para a consolidação de nomes como Eduardo da Fonte e o próprio Miguel Coelho, contemplando integralmente a Federação União Progressista.

É nesse ponto que o cálculo político de Miguel se torna mais firme. Nos bastidores, cresce a leitura de que o ex-prefeito de Petrolina caminha de forma cada vez mais decidida para o lado da governadora Raquel Lyra. A avaliação é simples e objetiva: ao lado de Raquel, Miguel enxerga um ambiente mais favorável para viabilizar sua candidatura ao Senado, com menos restrições políticas e maior clareza na composição da chapa. A presença de Eduardo da Fonte, presidente do PP em Pernambuco e um dos principais articuladores da federação, surge como elemento-chave desse movimento. Juntos, Miguel e Eduardo formariam uma dobradinha capaz de unificar a União Progressista, fortalecer o palanque governista e ocupar de forma plena o espaço do centro-direita no Estado.

Apesar das negativas públicas do grupo petrolinense, informações de bastidores indicam que o diálogo entre Miguel Coelho e Raquel Lyra foi retomado. Há quem afirme, inclusive, que a conversa vai além do Senado e envolve a ampliação da influência política do grupo, com a possibilidade de aliados ocuparem espaços estratégicos no secretariado estadual. Esse avanço silencioso reforça a percepção de que o ex-prefeito trabalha com múltiplos cenários, evitando isolamento e mantendo seu nome no centro das articulações.

Em paralelo, cresce o incômodo de Miguel com a falta de definições da Frente Popular. Embora tenha acenado diversas vezes para o projeto de João Campos, o ex-prefeito estaria desconfortável com declarações internas de que não há espaço para seu grupo político na chapa majoritária, sob o argumento de que ele apoiou os governos Temer e Bolsonaro. A combinação entre indefinição, resistência interna e prioridade dada à reeleição de Humberto Costa ajudou a acelerar o reposicionamento de Miguel.

Ao manter bom desempenho nas pesquisas, não fechar portas e avançar no diálogo com Raquel Lyra e Eduardo da Fonte, Miguel Coelho transforma sua pré-candidatura ao Senado em um dos eixos centrais das articulações de 2026. Mais do que recalcular a rota, o ex-prefeito de Petrolina busca assumir o papel de protagonista em uma disputa que promete redesenhar o mapa político de Pernambuco.