A polêmica envolve o prefeito Edimilson da Bahia (PT), acusado por adversários e por servidores ligados à própria gestão de tentar inviabilizar a atuação da carreta no município. Segundo relatos internos, a Prefeitura teria tomado conhecimento da vinda do equipamento por meio das redes sociais e, a partir disso, optado por não firmar parceria institucional com o Governo do Estado para a realização dos atendimentos, mesmo diante da existência de uma fila que ultrapassaria a marca de cem mulheres aguardando exames.
A alternativa apresentada pela gestão municipal, de acordo com esses servidores, teria sido limitar o acesso das pacientes, levando grupos de apenas vinte mulheres por vez para realizarem os procedimentos em Garanhuns. A proposta foi considerada insuficiente, burocrática e incapaz de atender à demanda reprimida do município. Para críticos, a medida soou como uma tentativa clara de esvaziar a ação estadual e manter o controle político sobre o serviço, em uma prática classificada como atrasada e típica do velho coronelismo.
Apesar da resistência, a estratégia não prosperou. Contra a vontade do prefeito e de seu grupo político, a Carreta da Mulher chegou a Correntes por volta das 22h e foi instalada em local central, ao lado da igreja, área de fácil acesso para a população. A chegada foi recebida com entusiasmo por moradores, especialmente pelas mulheres que aguardavam há meses por exames preventivos. O que deveria ser apenas a instalação de uma unidade móvel de saúde acabou se transformando em um ato simbólico, marcado por fogos de artifício e manifestações espontâneas de alívio.
Diante do clima de tensão política e das tentativas de interferência, a ação passou a contar com proteção da Polícia Militar, com segurança garantida 24 horas por dia. A presença da PM tem como objetivo assegurar que os atendimentos ocorram sem qualquer tipo de pressão, constrangimento ou nova tentativa de obstrução, garantindo tranquilidade para os profissionais de saúde e, principalmente, para as pacientes.Descrita por quem acompanhou a chegada como uma estrutura simples, sem luxo ou aparato extraordinário, a carreta representa, ainda assim, uma oportunidade concreta de diagnóstico precoce e cuidado com a saúde de dezenas de mulheres. Os atendimentos estão programados para ocorrer entre os dias 12 e 14 de janeiro, contemplando todas aquelas que procurarem os serviços disponibilizados no período.
O episódio escancara como disputas políticas menores podem se sobrepor a interesses coletivos quando o tema é saúde pública. Para muitos moradores de Correntes, a tentativa de barrar a ação foi vista como uma atitude mesquinha, desconectada da realidade de quem depende do SUS para realizar exames básicos e garantir prevenção.
No desfecho, a mensagem foi clara e direta: os serviços serão realizados, querendo ou não a administração municipal, pelo bem do povo. A Carreta da Mulher permanecerá em funcionamento, garantindo atendimento, prevenção e dignidade à população feminina, enquanto o desgaste político recai sobre quem tentou transformar saúde pública em instrumento de disputa de poder.