Bolsonaro estava custodiado na sede da Polícia Federal em Brasília desde o dia 22 de novembro, quando teve a prisão preventiva decretada após tentar violar a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial. O episódio foi considerado pelo STF uma afronta direta às medidas cautelares impostas anteriormente e acelerou o endurecimento das decisões judiciais contra o ex-presidente.
Três dias após a prisão, o processo em que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado chegou ao fim no Supremo, sem possibilidade de novos recursos. Com isso, passou a valer imediatamente a pena de 27 anos e três meses de reclusão, uma das mais severas já aplicadas a um ex-presidente da República na história democrática do país. A condenação também envolveu outros crimes relacionados aos atos que atentaram contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito.
A decisão de Alexandre de Moraes autorizou a transferência para uma unidade que oferece condições diferenciadas de custódia, respeitando prerrogativas previstas em lei para ex-chefes de Estado, como a permanência em instalações especiais, fora do convívio com presos do sistema comum. Ainda assim, a mudança não altera o regime de cumprimento da pena, que segue sob rígido controle do Judiciário.
Nos bastidores, a defesa de Bolsonaro vinha pressionando por alternativas, incluindo pedidos de prisão domiciliar, alegando questões de saúde e dificuldades no período em que ele permaneceu na Polícia Federal. Os pedidos, no entanto, foram rejeitados pelo ministro, que entendeu não haver respaldo legal para a concessão do benefício neste momento, além de afirmar que o Estado possui condições de garantir assistência médica adequada ao detento.
A transferência para a Papudinha ocorre em meio a forte repercussão política e jurídica. Aliados do ex-presidente classificam a decisão como excessiva, enquanto integrantes do meio jurídico avaliam que o STF busca dar uma resposta firme e definitiva aos crimes contra a democracia, reforçando a mensagem de que não há distinção de tratamento diante de atentados às instituições.
Com a mudança, o caso Bolsonaro entra em uma fase mais estável do ponto de vista processual, mas segue no centro do debate nacional. A execução da pena de um ex-presidente da República, sob determinação direta do Supremo Tribunal Federal, consolida um dos momentos mais simbólicos e tensionados da história política recente do Brasil.