CARLOS BOLSONARO SACODE A DIREITA EM SANTA CATARINA: PROVOCA RACHA QUE PODE MUDAR AS ELEIÇÕES DE 2026
Nas eleições de 2026, a pré‑candidatura de Carlos Bolsonaro (PL‑RJ) ao Senado Federal por Santa Catarina tem gerado mais que polêmica: provocou um verdadeiro racha dentro da direita catarinense, afetando alianças, partidos e até a estratégia eleitoral do próprio PL no estado. Em um território tradicionalmente bolsonarista, a presença de um candidato “de fora” expõe fissuras políticas profundas e abre uma disputa por representação que vai muito além das urnas.A CANDIDATURA QUE SURGIU FORA DO RADAR LOCAL
Carlos Bolsonaro anunciou sua pré‑candidatura ao Senado por Santa Catarina depois de renunciar ao mandato de vereador no Rio de Janeiro, onde atuou por 25 anos. A decisão foi apresentada como uma escolha pessoal de ligação com o estado e com o bolsonarismo, mas políticos locais a classificaram como imposição de uma liderança nacional ao cenário estadual — algo que muitos não digeriram bem.
CRÍTICAS DE LÍDERES REGIONAIS: “NÃO É REPRESENTATIVO”
Figuras importantes da política em SC, como o prefeito Leonel Pavan (PSD‑SC) e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL‑SC), criticaram a candidatura por falta de vínculo real com Santa Catarina. Pavan considerou a movimentação oportunista, sem conexão com a realidade do eleitorado catarinense, e Campagnolo afirmou que a entrada de Carlos “bagunça” o plano eleitoral do partido local.
DIVISÃO DENTRO DO PRÓPRIO PL
Internamente, o PL catarinense vive tensão intensa. A deputada federal Caroline de Toni (PL‑SC), forte liderança local e possível candidata ao Senado, chegou a considerar deixar o partido diante da definição de Carlos como candidato. Já havia acordos que consideravam nomes locais para as duas vagas ao Senado em disputa, e a entrada de Carlos rompeu essas negociações, criando um clima de mal‑estar generalizado.
ROMPIMENTO COM ALIANÇAS DO CENÁCULO
A articulação em torno da candidatura de Carlos Bolsonaro mexeu também com aliados tradicionais do PL. Partidos do Centrão e até o MDB catarinense se afastaram da base de sustentação do governador Jorginho Mello (PL) em resposta à movimentação, o que pode enfraquecer a coalizão governista nas eleições gerais de 2026.
PESQUISAS MOSTRAM CENÁRIOS CONFRONTADOS
Levantamentos eleitorais refletem esse cenário dividido. Uma pesquisa recente mostrou que Carlos Bolsonaro lidera intenções de voto para o Senado em SC com cerca de 45%, à frente de outras opções como Caroline de Toni, mas há outro estudo que aponta liderança da deputada em cenário sem Carlos — o que indica que sua presença muda fortemente o tabuleiro eleitoral.
A DEFESA DO PL NACIONAL
Enquanto líderes locais reagem com resistência, a cúpula do PL nacional, representada pelo presidente Valdemar Costa Neto, saiu em defesa da candidatura, afirmando que Carlos tem vínculos pessoais com Santa Catarina e que sua presença agregaria à chapa. A narrativa busca minimizar a percepção de imposição e reforçar a estratégia de manter influência bolsonarista no Congresso.
IMPACTOS PRÁTICOS NO XADREZ ELEITORAL
A divisão não é apenas discursiva: ela afeta negociações por tempo de TV, alianças partidárias e composição de chapas majoritárias. A disputa pode enfraquecer candidatos que buscavam apoio dentro de um projeto conjunto e até beneficiar adversários mais organizados — tanto dentro quanto fora da direita — em um estado que já foi reduto conservador sólido.
O DESAFIO DO “FORA DO ESTADO”
Um dos maiores pontos de rejeição apontados em pesquisas é a ideia de que Santa Catarina não precisa “importar” candidatos sem raízes locais. Parte significativa do eleitorado vê com ressalvas figuras que não construíram trajetória política no estado, o que pode se tornar um trunfo para adversários regionais e até levar a fragmentação de votos da direita.
BOMBA RELÓGIO
O caso da pré‑candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina caiu como uma bomba política no estado. Mais do que uma simples disputa por uma vaga no Congresso, a movimentação expôs contradições internas, disputas por poder e uma guerra de narrativas dentro da própria direita. Em um cenário eleitoral cada vez mais competitivo, o racha político pode ser tão decisivo quanto o resultado das urnas — influenciando alianças, mudando estratégias e redesenhando o mapa político catarinense rumo a 2026.