segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

BELO JARDIM ENTRA NO CLIMA DO CARNAVAL COM O 24º BAILE MUNICIPAL NESTE SÁBADO

Belo Jardim já se prepara para uma das noites mais aguardadas do calendário festivo da cidade. O tradicional Baile Municipal chega à sua 24ª edição neste sábado, prometendo reunir cultura, elegância e muita animação no Solar dos Flamboyants, a partir das 20h. O evento, que já faz parte da história do município, reforça o clima carnavalesco e movimenta moradores e visitantes em uma celebração marcada por música e tradição.

Com o tema “Tradição, Cores e Encantos”, a festa deste ano aposta em um repertório diversificado para agradar públicos de diferentes gerações. A Orquestra de Frevo Madre de Deus abre alas com o ritmo que é símbolo de Pernambuco, garantindo o passo acelerado e a energia típica do Carnaval. A Banda Bicho do Mato também sobe ao palco trazendo sua mistura contagiante, enquanto o consagrado Grupo Molejo promete transformar o salão em uma grande roda de samba, relembrando sucessos que atravessam décadas.

Realizado pela Prefeitura de Belo Jardim, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Empreendedorismo, o Baile Municipal é mais do que uma festa: é um símbolo de valorização da cultura popular e de preservação de uma tradição que atravessa gerações. A cada edição, o evento se consolida como um espaço de encontro entre famílias, amigos e foliões, unindo música, alegria e o charme característico dos bailes carnavalescos.

A organização também caprichou na estrutura e na ornamentação, criando um ambiente que dialoga com o tema da festa e reforça a identidade cultural da cidade. Segundo o secretário de Cultura, Turismo e Empreendedorismo, Filipe Vieira, cada detalhe foi pensado para proporcionar uma experiência completa ao público. Ele destaca que a proposta é oferecer uma programação plural, capaz de reunir diferentes estilos musicais e fortalecer o setor cultural local, além de exaltar a tradição e o colorido do evento.

Os ingressos já estão disponíveis para venda em vários pontos da cidade e também de forma on-line. O valor individual é de R$ 50, enquanto as mesas custam R$ 300 e os espaços bistrô saem por R$ 200, com direito a três pulseiras. As vendas presenciais acontecem na sede da Secretaria de Cultura, no Berg Ostenta Bar e na Bodega do Jokka. Já quem prefere garantir a entrada sem sair de casa pode adquirir pelo site https://zticket.com.br ou pelo WhatsApp, através do número (81) 9 9484-7758, com Neide.

Com expectativa de grande público, o 24º Baile Municipal reforça o papel de Belo Jardim como polo cultural do Agreste e dá o tom da festa que antecede o período carnavalesco. A combinação entre tradição, música e confraternização promete fazer da noite de sábado um momento especial na memória de quem participar.

GARANHUNS REFORÇA EDUCAÇÃO INFANTIL COM ENTREGA DE CMEI REQUALIFICADO E ESPAÇO INCLUSIVO PARA CRIANÇAS NEURODIVERGENTES

A manhã desta segunda-feira (2) foi marcada por um importante avanço na educação infantil de Garanhuns. A Secretaria Municipal de Educação realizou a entrega oficial da requalificação do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Girlane Lira, localizado no bairro do Indiano, em uma ação que reforça o compromisso da gestão com a primeira infância e com a educação inclusiva.

A unidade passou por melhorias estruturais que modernizaram os espaços de convivência, salas de aula e áreas de apoio, proporcionando um ambiente mais seguro, acolhedor e adequado ao desenvolvimento das crianças atendidas. A requalificação também contemplou intervenções voltadas ao conforto térmico, melhor iluminação e reorganização dos ambientes pedagógicos, garantindo melhores condições de trabalho para os profissionais da educação e mais qualidade no atendimento aos alunos.

Um dos destaques da entrega foi a implantação da chamada Sala Azul, um espaço especialmente planejado para atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. O ambiente foi estruturado para oferecer estímulos sensoriais adequados, recursos pedagógicos específicos e acompanhamento direcionado, favorecendo a inclusão e respeitando as particularidades de cada estudante. A iniciativa amplia a rede de suporte educacional do município e fortalece as políticas públicas voltadas à educação especial na perspectiva inclusiva.

Durante a entrega, a gestão municipal ressaltou a importância de investir na base da formação educacional, destacando que a educação infantil é uma etapa decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. A requalificação do CMEI Girlane Lira se soma a outras ações realizadas na rede municipal, que vêm priorizando melhorias na infraestrutura das unidades e a ampliação de serviços especializados.

Localizado na Rua Ebenezer Furtado Gueiros, o CMEI atende famílias do bairro do Indiano e de áreas próximas, cumprindo um papel essencial no apoio à rotina das comunidades e na garantia do direito à educação desde os primeiros anos de vida. Com a nova estrutura e a criação da Sala Azul, a unidade passa a oferecer um atendimento ainda mais humanizado e inclusivo, consolidando-se como referência no cuidado e na educação das crianças da região.

ALEPE REABRE OS TRABALHOS SOB CLIMA DE GUERRA POLÍTICA E TRANSFORMA PLENÁRIO EM CAMPO DE BATALHA ELEITORAL


A Assembleia Legislativa de Pernambuco inicia oficialmente o ano legislativo nesta segunda-feira (2) em um cenário que passa longe da formalidade protocolar que normalmente marca a primeira reunião plenária do ano. A leitura da mensagem da governadora Raquel Lyra, tradição que simboliza a abertura dos trabalhos parlamentares, ocorre em meio a um ambiente de tensão política explícita, onde governo e oposição já não disfarçam o confronto direto que deve pautar 2026.

O embate, que durante o recesso se limitava a declarações em entrevistas, notas públicas e provocações nas redes sociais, agora ganha palco institucional. O retorno das sessões leva a disputa para dentro do plenário da Alepe, transformando a tribuna em extensão do debate eleitoral que, na prática, já começou. O fim de semana foi marcado por trocas de acusações entre Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, hoje o principal nome da oposição estadual e adversário direto da governadora no xadrez político pernambucano.

A temperatura subiu ainda mais com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que determinou a atuação da Polícia Federal para apurar suspeitas de perseguição política dentro da Secretaria de Defesa Social. O episódio caiu como combustível em um cenário já inflamado. Deputados da oposição devem usar o caso como munição para endurecer o discurso contra o Palácio do Campo das Princesas, enquanto governistas prometem reagir, alegando politização de investigações e seletividade nos questionamentos.

O assunto ganha contornos ainda mais complexos porque o próprio Gilmar Mendes também barrou investigações conduzidas pelo Ministério Público de Pernambuco em outras áreas do governo estadual. A dualidade das decisões deve alimentar narrativas opostas: de um lado, a oposição falando em indícios graves; do outro, a base governista sustentando que há exageros e uso político de apurações.

Como se não bastasse, o pedido de impeachment da governadora, protocolado pelo deputado Romero Albuquerque, começa a tramitar justamente no dia da reabertura dos trabalhos. Embora a avaliação predominante nos bastidores seja de que a proposta não deve prosperar, já que Raquel Lyra mantém maioria confortável na Casa, o simples andamento do pedido já serve como instrumento de pressão política e discurso de desgaste.

Diante desse cenário, a mensagem da governadora à Alepe deixa de ser apenas uma prestação de contas e apresentação de prioridades administrativas. O pronunciamento tende a assumir tom estratégico, com recados tanto para os aliados quanto para os adversários. A expectativa é de que Raquel reforce ações de gestão, destaque entregas e sinalize firmeza diante das críticas, buscando ocupar o espaço político antes que a oposição consolide sua narrativa.

Do outro lado, a oposição deve adotar postura combativa desde a primeira sessão, apostando em discursos duros, pedidos de informação e tentativas de pautar temas sensíveis ao governo. A estratégia é clara: manter o ambiente de pressão constante e transformar cada debate legislativo em vitrine para o embate eleitoral que se aproxima.

Assim, a Alepe deixa de ser apenas a casa das leis para se firmar, já nos primeiros dias do ano, como um dos principais palcos da disputa política em Pernambuco. Com Raquel Lyra e João Campos no centro das atenções, o plenário promete ser menos espaço de conciliação e mais arena de confronto, onde cada discurso, cada requerimento e cada votação terão peso não só administrativo, mas também eleitoral.

REABERTURA DO LEGISLATIVO - AUSENTE NO PALCO, PRESENTE NA CAMPANHA: JOÃO CAMPOS FOGE DA CÂMARA NA HORA DO BALANÇO

A reabertura dos trabalhos legislativos da Câmara do Recife, que tradicionalmente serve como vitrine institucional e momento simbólico de prestação de contas à cidade, ocorreu sem a principal figura do Executivo municipal. O prefeito João Campos (PSB) optou por não comparecer à sessão solene que marcou o início do ano legislativo de 2026, justamente quando o calendário político aponta para sua saída do cargo, em abril, para disputar o Governo de Pernambuco. A cadeira vazia no plenário, porém, falou alto — e virou munição imediata no embate político.

A justificativa oficial veio pela voz do líder do governo na Casa, vereador Samuel Salazar (MDB). Segundo ele, o prefeito estava em Brasília cumprindo agenda com o ministro das Cidades, Renan Filho, em busca de recursos e tratativas consideradas estratégicas para o Recife. A missão institucional, de acordo com o governista, seria prioridade absoluta, sobretudo diante de projetos e investimentos em curso. Salazar ainda tratou de minimizar o peso simbólico da sessão, lembrando que não se tratava de início de legislatura nem de um novo biênio, mas apenas da reabertura anual dos trabalhos.

No lugar do prefeito, quem assumiu a missão de representar o Executivo foi o secretário de Planejamento, Jorge Vieira. Coube a ele levar a palavra oficial da gestão, mas o clima já não era protocolar. Logo nos primeiros momentos da sessão, o presidente da Câmara, Romerinho Jatobá, precisou intervir para pedir desculpas públicas ao secretário, após uma abordagem considerada desrespeitosa por parte de um vereador — em referência a Eduardo Moura. O gesto de Jatobá expôs que, mesmo antes dos discursos políticos mais duros, o ambiente já estava longe da cordialidade institucional.

Se na base governista o discurso foi de normalidade administrativa, na oposição o tom foi de cobrança e indignação. O vereador Felipe Alecrim classificou a ausência de João Campos como um desrespeito ao Poder Legislativo e um gesto de desprestígio à própria cidade. Para ele, a sessão era uma oportunidade crucial para o prefeito ouvir críticas, sugestões e demandas dos parlamentares — inclusive daqueles que não integram sua base de apoio.

Alecrim foi além ao resgatar a lembrança da última abertura de trabalhos, quando, segundo ele, João Campos esteve presente, mas deixou o plenário antes de escutar os pronunciamentos tanto da base quanto da oposição. Na avaliação do vereador, o comportamento reforça uma postura de distanciamento político em relação à Câmara justamente no momento em que o prefeito se prepara para trocar o Palácio Capibaribe pelo palanque estadual.

A crítica central da oposição é que o gesto não atinge apenas adversários políticos, mas a instituição Câmara Municipal como um todo. Em ano pré-eleitoral e às vésperas de deixar o cargo, a ausência foi lida como sintoma de prioridades que já estariam mais voltadas para o mapa de Pernambuco do que para o plenário do Recife.

Nos bastidores, a leitura é clara: enquanto aliados vendem a imagem de um prefeito em Brasília “correndo atrás de recursos”, opositores enxergam um gestor que evita o contraditório e prefere agendas controladas a um plenário onde críticas ecoam sem roteiro prévio. Entre a versão oficial e a percepção política, fica o fato concreto — na sessão que poderia marcar um dos últimos balanços presenciais de sua gestão na Câmara, João Campos não estava lá. E, em política, ausências também fazem discurso.

RUMORES DE RACHADURA POLÍTICA SÃO DESMENTIDOS E VICE-PREFEITO REAFIRMA ALIANÇA COM DUGUINHA LINS

Uma intensa movimentação nas redes sociais agitou o cenário político local desde a noite do último domingo (01), após a circulação de informações apontando para um suposto rompimento entre o vice-prefeito Guto Coelho e o prefeito Duguinha Lins. As especulações rapidamente ganharam força em grupos de mensagens e páginas de bastidores da política, levantando dúvidas sobre a estabilidade do grupo que comanda a gestão municipal.

De acordo com os boatos, Guto Coelho teria se distanciado do projeto político liderado pelo prefeito e estaria avaliando novos caminhos eleitorais, o que poderia provocar uma reconfiguração nas alianças visando o pleito de 2026. A narrativa de um possível afastamento gerou repercussão imediata, sobretudo entre lideranças políticas e eleitores atentos aos movimentos que antecedem o próximo ciclo eleitoral.

Diante da repercussão, o vice-prefeito tratou de vir a público para conter o avanço das especulações. Em contato com o Blog do Silvinho, Guto Coelho foi categórico ao negar qualquer tipo de rompimento e classificou os comentários como infundados. Segundo ele, o grupo político permanece coeso e alinhado em torno de um projeto comum.

“Não tem nada de rompimento. Nós estamos todos unidos, eu, Duguinha, junto com Joãozinho Tenório, André Ferreira e Anderson Ferreira”, afirmou o vice-prefeito, reforçando que a aliança segue firme e articulada.

A declaração não apenas afasta, ao menos oficialmente, a ideia de crise interna, como também sinaliza a manutenção de uma frente política ampla, que reúne lideranças com influência regional e peso eleitoral. O gesto público de reafirmação da parceria busca transmitir estabilidade ao grupo e reduzir ruídos que possam comprometer a imagem de unidade construída ao longo dos últimos anos.

Guto Coelho também destacou que o foco segue voltado para a organização política visando as eleições de 2026, quando o grupo pretende marchar unido mais uma vez. A fala demonstra que, apesar das especulações naturais do período pré-eleitoral, a estratégia é manter a coesão como principal ativo político.

Nos bastidores, aliados avaliam que a rápida resposta do vice-prefeito foi decisiva para esfriar o clima de incerteza. Em tempos de redes sociais aceleradas e disputas narrativas, o silêncio poderia alimentar ainda mais teorias sobre divisões internas. Ao optar por uma manifestação direta e objetiva, Guto buscou preservar não apenas a própria posição, mas também a imagem de estabilidade da gestão municipal.

O episódio revela como o ambiente político já começa a se movimentar com intensidade, mesmo a três anos do pleito. Rumores, articulações e testes de alianças fazem parte do jogo, mas, ao menos por ora, a mensagem oficial é clara: não há rompimento, e o grupo liderado por Duguinha Lins segue unido no mesmo palanque político.

VIRADA POLÍTICA EM GRAVATÁ REPOSICIONA PEÇAS E EXPÕE RACHADURA EM ALIANÇA DE PESO

Os bastidores da política em Gravatá ganharam temperatura nos últimos dias com uma movimentação que pode redesenhar alianças e estratégias para 2026. A primeira-dama do município, Viviane Facundes, estaria se articulando para trocar de legenda e ingressar no PSD, com o objetivo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A possível mudança de rumo não é apenas partidária — ela carrega implicações diretas em acordos políticos construídos nos últimos anos.

Viviane, que vem ampliando sua presença em agendas públicas, ações sociais e eventos institucionais ao lado do prefeito Joselito Gomes, passou a ser vista como um nome em ascensão dentro do grupo governista local. Sua eventual candidatura já era tratada como um projeto em construção, mas o caminho partidário parecia, até então, definido: o PL, legenda ligada ao deputado federal André Ferreira, aliado político da gestão municipal.

A sinalização de que Viviane pode optar pelo PSD, no entanto, muda o tabuleiro. O gesto é interpretado nos bastidores como um movimento estratégico para buscar maior estrutura partidária estadual, tempo de televisão e uma rede mais ampla de apoios regionais. O PSD, que tem investido na formação de chapas competitivas para a Alepe, aparece como uma sigla com musculatura política e capilaridade municipal — fatores decisivos em disputas proporcionais.

Para André Ferreira, a mudança representa mais que a perda de um nome competitivo. O deputado vinha apostando na candidatura de Viviane pelo PL como peça-chave para fortalecer o partido no Agreste e ampliar a base eleitoral da legenda no interior. A eventual saída dela da órbita liberal é vista como um revés político, especialmente por envolver uma liderança ligada diretamente ao prefeito de Gravatá, aliado estratégico em eleições anteriores.

Dentro do grupo de Joselito Gomes, o clima é de cautela. Publicamente, o discurso é de que ainda não há definições oficiais, mas interlocutores admitem que a primeira-dama tem sido incentivada a buscar um partido que ofereça melhores condições de viabilidade eleitoral. A avaliação é pragmática: uma candidatura à Alepe exige estrutura, recursos e alianças que ultrapassam as fronteiras do município.

A possível filiação ao PSD também pode indicar uma tentativa de posicionamento mais ao centro do espectro político estadual, afastando a imagem de alinhamento automático a um único campo ideológico. Esse reposicionamento pode ampliar o diálogo com prefeitos, vereadores e lideranças de diferentes correntes, algo essencial em uma disputa proporcional pulverizada como a de deputado estadual.

Nos bastidores da Assembleia, o movimento é observado com atenção. A entrada de um nome com forte ligação com a gestão de Gravatá e boa inserção social pode mexer na conta de votos da região. Gravatá, por sua localização estratégica e influência turística e econômica, costuma irradiar apoio para municípios vizinhos — um ativo eleitoral relevante.

Enquanto isso, o silêncio oficial das lideranças envolvidas alimenta as especulações. Nem Viviane, nem Joselito, tampouco André Ferreira, detalharam publicamente os próximos passos. Mas, na política, quando os sinais começam a se acumular, raramente são por acaso.

Se confirmada, a ida de Viviane Facundes para o PSD não será apenas uma troca de sigla. Será um recado claro de que, na corrida por espaço em 2026, lealdades locais podem ceder lugar a estratégias estaduais — e que Gravatá deixou de ser apenas coadjuvante para se tornar peça ativa no xadrez político pernambucano.

ENTRE ACENOS E SINAIS: O ENCONTRO DE RAQUEL LYRA E SILVIO COSTA FILHO QUE REACENDEU LEITURAS POLÍTICAS EM PERNAMBUCO

Acostumado a embates duros, discursos atravessados e gestos calculados até no aperto de mão, o ambiente político pernambucano ganhou um capítulo curioso — e simbólico — na última sexta-feira, durante a assinatura do contrato de dragagem do Porto do Recife. O que deveria ser apenas mais uma agenda administrativa terminou se transformando em combustível para análises, suposições e leituras que ultrapassam o cais e avançam direto para o tabuleiro eleitoral.

A governadora Raquel Lyra e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, dividiram o mesmo espaço, a mesma solenidade e, sobretudo, um clima que destoou das expectativas de quem imaginava frieza ou distanciamento. Não houve tensão visível, não houve constrangimento protocolar, não houve aquela pressa típica de quem cumpre tabela e vai embora. Pelo contrário: o registro foi de diálogo fluido, gestos respeitosos e uma convivência institucional que chamou atenção justamente por parecer natural demais em tempos de polarização.

O episódio, à primeira vista simples, ganhou contornos maiores porque os dois personagens não orbitam exatamente o mesmo campo político. Silvio é hoje um dos nomes cotados para disputar o Senado na chapa que deverá ser liderada pelo prefeito do Recife, João Campos, principal nome da oposição ao governo estadual. Raquel, por sua vez, comanda o Estado em uma posição que a coloca em rota de enfrentamento indireto com esse mesmo grupo. Ainda assim, diante de câmeras, autoridades e lideranças do setor portuário, o que se viu foi civilidade — algo que, em outros momentos da história política de Pernambuco, nem sempre prevaleceu.

Nos bastidores, os comentários surgiram quase na mesma velocidade das fotos divulgadas. Haveria ali apenas maturidade institucional ou um gesto que poderia abrir brechas para leituras mais ousadas? A política vive de símbolos, e encontros públicos entre figuras de campos distintos raramente passam em branco. Ainda assim, olhando o cenário com lupa, a probabilidade de esse entrosamento ultrapassar o limite administrativo parece restrita.

Silvio Costa Filho tem hoje uma construção política fortemente associada ao projeto de João Campos. Seu nome circula com respaldo importante dentro do PT para compor a vaga ao Senado na chapa da oposição, o que o posiciona com vantagem na disputa interna e reduz a margem para movimentos fora desse eixo. Além disso, sua atuação no governo federal e a proximidade com aliados estratégicos consolidam uma trajetória que, pelo menos neste momento, aponta para um caminho já pavimentado eleitoralmente.

Isso não significa que o gesto ao lado de Raquel Lyra tenha sido vazio. Pelo contrário. Ele sinaliza que, mesmo em lados distintos da disputa, ainda há espaço para relações institucionais equilibradas, especialmente quando o assunto envolve obras estruturadoras, como a dragagem do Porto do Recife, fundamental para a economia do Estado. A mensagem transmitida foi a de que a administração pública pode — e deve — funcionar acima das disputas eleitorais, ainda que elas estejam no horizonte.

Em um ambiente onde cada foto é dissecada e cada aperto de mão vira teoria, o encontro entre Raquel e Silvio serviu como lembrete de que a política também é feita de gestos que preservam pontes, não apenas de movimentos que erguem muros. Se isso terá algum reflexo futuro nas alianças ou estratégias, só os próximos capítulos dirão. Por ora, o que ficou foi a imagem rara de dois atores de campos diferentes dividindo o mesmo palco sem ruído — e isso, em Pernambuco, já é notícia suficiente.

EDUARDO DA FONTE APRESENTA PROJETO QUE FIXA PRAZO MÁXIMO DE 60 DIAS PARA EXAMES NO SUS

O deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UPB) apresentou, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei que estabelece prazo máximo de até 60 dias para a realização de exames essenciais no Sistema Único de Saúde (SUS) e amplia a transparência das filas de espera em todo o país.

A proposta cria um prazo nacional contado a partir da solicitação médica registrada no sistema de regulação. Caso o limite não seja cumprido sem justificativa, o paciente terá garantido o acesso ao exame por meio da rede privada já contratualizada ou credenciada pelo SUS, sem custo adicional.

O texto também prevê a criação de uma fila única e oficial para exames, organizada por tipo de procedimento. As informações deverão ser públicas e atualizadas em painéis eletrônicos, com dados como número de pacientes na fila, tempo médio de espera, critérios de priorização e quantidade de exames realizados, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O prazo de referência será pactuado na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), considerando as realidades regionais. Estados e municípios poderão adotar prazos menores. A proposta se baseia em modelo já aplicado na legislação do tratamento do câncer, que assegura início da terapia em até 60 dias após o diagnóstico.

“O direito à saúde precisa vir acompanhado de prazo e transparência. Nosso objetivo é garantir exames no tempo adequado, com uma fila clara e justa, reduzindo riscos à vida dos pacientes e a judicialização da saúde”, afirmou Eduardo da Fonte.

O projeto ainda prevê sanções administrativas em casos de descumprimento da ordem da fila, como forma de coibir favorecimentos e irregularidades, e reforça a coordenação nacional do Ministério da Saúde, sem retirar a autonomia de estados e municípios.

Foto: Igor Toscano