segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

TRAGÉDIA NA BR-232: COLISÃO FRONTAL EM SANHARÓ DEIXA DOIS MORTOS E FERIDOS

Um grave acidente registrado no fim da tarde do domingo (2) transformou um trecho da BR-232, no Agreste de Pernambuco, em cenário de dor e comoção. A colisão frontal entre dois veículos de passeio, um Honda Civic e um Jeep Compass, ocorreu por volta das 16h50, no quilômetro 191 da rodovia, no município de Sanharó, e resultou na morte de duas pessoas.

Segundo informações repassadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o impacto foi violento. Uma das vítimas fatais era passageira do Jeep Compass e morreu ainda no local do acidente, antes mesmo da chegada do socorro. Outras duas pessoas que também estavam no utilitário ficaram feridas e foram socorridas para uma unidade de saúde da região, onde receberam atendimento médico. O estado de saúde delas não foi detalhado.

No Honda Civic, o motorista foi retirado com vida e encaminhado para atendimento hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

Equipes da PRF atuaram na ocorrência, realizando o isolamento da área, o controle do tráfego e os primeiros levantamentos sobre a dinâmica da colisão. O fluxo de veículos na rodovia ficou parcialmente comprometido durante o atendimento da ocorrência, exigindo atenção redobrada dos motoristas que passavam pelo trecho.

O Instituto de Criminalística (IC) esteve no local para realizar a perícia técnica, que deverá ajudar a esclarecer as causas do acidente. Já o Instituto de Medicina Legal (IML) foi acionado para a remoção dos corpos e os procedimentos legais.

As circunstâncias da colisão ainda serão investigadas pela Polícia Civil, que irá apurar os fatores que contribuíram para o acidente. A BR-232 é uma das principais rodovias de Pernambuco e concentra tráfego intenso, especialmente aos fins de semana, o que reforça o alerta das autoridades para a importância da prudência e do respeito às normas de trânsito.

TRAGÉDIA NO SÃO FRANCISCO: MORTE DE JOVEM CRAQUE DO FUTSAL ABALA CABROBÓ E O ESPORTE DO SERTÃO

A cidade de Cabrobó amanheceu mergulhada em tristeza neste domingo (2) com a notícia da morte do jogador de futsal Kauan Araújo Soares, de 25 anos, conhecido carinhosamente como Vela. O atleta se afogou nas águas do rio São Francisco, na zona rural do município, e não resistiu. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que trata o ocorrido como um afogamento acidental.

A partida precoce de Vela provocou forte comoção entre desportistas, amigos e moradores da região, onde ele era reconhecido não apenas pelo talento em quadra, mas também pela personalidade leve e agregadora. Dono de um estilo de jogo vibrante e competitivo, ele vinha construindo uma trajetória promissora no futsal, carregando o sonho de transformar a paixão pelo esporte em profissão.

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira aconteceu em 2025, quando marcou o terceiro gol na vitória por 3 a 0 que garantiu à equipe de Cabrobó o título da Série Ouro da Copa TV Grande Rio de Futsal. O lance ficou eternizado na memória dos torcedores e simbolizou o protagonismo que ele começava a assumir dentro do cenário esportivo regional.

Responsável pela Seleção de Cabrobó, o técnico Stênio Bola falou com emoção sobre o atleta, destacando não só o jogador dedicado, mas o ser humano generoso que conquistava todos ao redor. Segundo ele, Kauan vivia um dos momentos mais importantes da vida, com a chance concreta de atuar fora do estado. O jovem já estava acertado com a equipe de Campo Largo, no Piauí, onde buscaria realizar o sonho de viver do futsal.

A história de Vela no esporte começou a ganhar forma em 2020, quando ele foi campeão pernambucano Sub-20 defendendo a Acaf-Cabrobó. Desde então, seu crescimento foi constante, sempre marcado por disciplina nos treinos, espírito coletivo e uma alegria contagiante, lembrada por todos que conviveram com ele.

Nas redes sociais, a Seleção de Cabrobó publicou uma nota de pesar descrevendo o atleta como alguém que ia além das quatro linhas. A homenagem ressaltou a garra, o comprometimento e o amor à camisa demonstrados em cada partida, além do respeito e da amizade que ele cultivava fora das quadras. A mensagem destacou ainda que sua ausência deixa um vazio profundo no esporte cabroboense, mas que o legado de dedicação e paixão permanece vivo na memória da equipe e dos torcedores.

Após ser retirado do rio, o corpo de Kauan foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Petrolina. O velório será realizado no SAF de Cabrobó, embora a família ainda não tenha divulgado o horário. Em meio à dor, a cidade se une para se despedir de um jovem que fez do futsal sua maior alegria e que, com talento e humildade, escreveu seu nome na história do esporte local.

RAQUEL LYRA ENFRENTA PRESSÃO, VAI À ALEPE E ASSUME PROTAGONISMO EM MEIO À TEMPESTADE POLÍTICA

Em um dos momentos mais delicados de sua trajetória à frente do Governo de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) decidiu não recuar. Em vez de se afastar do embate político que se intensificou nas últimas semanas, ela fez o caminho inverso: foi pessoalmente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nesta segunda-feira (2), para participar da abertura oficial do ano legislativo. A presença firme, ao lado de seu secretariado, foi lida nos bastidores como um gesto claro de enfrentamento e confiança em meio a um cenário de fortes pressões da oposição.

A chegada da governadora à Casa de Joaquim Nabuco teve simbolismo. Cercada por auxiliares e recebida por parlamentares que a acompanharam da escadaria até o plenário, Raquel mostrou que pretende manter diálogo institucional, mas sem deixar de marcar posição. O gesto ganhou ainda mais peso político diante da ausência de João, que não compareceu à sessão, ampliando o contraste entre posturas num momento considerado decisivo para a relação entre Executivo e Legislativo.

O ambiente na Alepe está longe de ser protocolar. O clima é de tensão crescente, alimentado principalmente pelo pedido de impeachment protocolado pelo deputado Romero Albuquerque (UB). A iniciativa tem como base denúncias sobre supostas irregularidades na prestação de serviço de transporte intermunicipal por uma empresa de ônibus ligada ao pai da governadora. A acusação elevou a temperatura do debate político, embora aliados de Raquel sustentem que não há ilegalidade e classificam o movimento como tentativa de desgaste político.

Mesmo sob esse cenário adverso, a governadora optou por não se esconder atrás de notas oficiais ou articulações reservadas. Sua ida ao Legislativo foi interpretada como demonstração de coragem política e disposição para enfrentar a crise de frente, olhando nos olhos de aliados e adversários. A mensagem implícita foi de que o governo não se considera acuado e seguirá defendendo sua agenda administrativa e suas ações.

Do outro lado da Praça da República, o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), também sinaliza que o Legislativo terá protagonismo. Ainda que os discursos tenham evitado ataques diretos, a leitura geral é de que as falas foram carregadas de recados indiretos, em um jogo político em que cada palavra é medida e cada gesto tem destinatário certo. A sessão deixou no ar a sensação de que o diálogo institucional continuará, mas sob vigilância e com espaço aberto para confrontos mais duros.

A tensão deve aumentar já nesta terça-feira (3), quando a Casa analisará a admissibilidade do pedido de impeachment. O tema promete mobilizar corredores, gabinetes e plenário, testando a base do governo e a força de articulação da oposição. Nesse contexto, a presença de Raquel Lyra na abertura dos trabalhos legislativos não foi apenas um ato protocolar, mas uma declaração política em si: a de que pretende resistir, disputar narrativa e sustentar sua posição mesmo sob forte turbulência.

Ao escolher comparecer e discursar diante de um Parlamento dividido, a governadora transforma um momento de fragilidade em palco de afirmação. A cena que se desenha em Pernambuco é a de uma legislatura que começa sob alta voltagem, com embates duros no horizonte. E, no centro desse tabuleiro, uma governadora que decidiu não baixar a cabeça diante da tempestade.

PREFEITO DE SERRITA ADERE AO PSD E REFORÇA BASE POLÍTICA DE RAQUEL LYRA NO SERTÃO

O tabuleiro político pernambucano ganhou um novo movimento de peso no Sertão Central. O prefeito de Serrita, Aleudo Benedito, oficializou sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), legenda comandada no estado pela governadora Raquel Lyra, ampliando a presença da sigla entre os gestores municipais e fortalecendo o alinhamento político em torno do Palácio do Campo das Princesas.

A chegada de Aleudo ao partido não é apenas um gesto simbólico. Ela se insere em um contexto de consolidação da base governista no interior, onde a articulação política tem caminhado lado a lado com a agenda administrativa. Ao anunciar a filiação, o prefeito destacou o que considera sintonia entre a gestão estadual e as demandas de Serrita, município conhecido nacionalmente por sediar a tradicional Missa do Vaqueiro. Segundo ele, integrar o partido da governadora representa a oportunidade de ampliar parcerias e acelerar entregas para a população.

Aleudo afirmou que a decisão foi tomada com foco no desenvolvimento local e na continuidade de ações estruturadoras. Ele ressaltou que vê no PSD um espaço de fortalecimento político e institucional para o município, associando a filiação ao modelo de gestão que, em suas palavras, vem impulsionando obras e movimentando a economia em Pernambuco.

Com o ingresso do prefeito de Serrita, o PSD alcança a marca de 75 prefeitos filiados em todo o estado, número que evidencia a capilaridade da legenda e sua estratégia de expansão, especialmente fora da Região Metropolitana. A governadora Raquel Lyra comemorou a adesão, destacando o perfil administrativo de Aleudo e sua atuação à frente do Executivo municipal. Para ela, a filiação reforça a presença do partido no Sertão Central e amplia o conjunto de gestores alinhados ao projeto político que defende para Pernambuco.

Nos bastidores, a movimentação é vista como parte de um redesenho gradual das forças políticas locais, com reflexos diretos nas articulações futuras. A aproximação entre prefeitura e governo estadual tende a abrir caminho para novas parcerias institucionais, investimentos e ações conjuntas, em um cenário em que a relação entre os municípios e o Estado ganha cada vez mais peso nas estratégias de governabilidade e desenvolvimento regional.

A filiação de Aleudo Benedito ao PSD, portanto, vai além de uma troca de partido. Ela simboliza o avanço de uma estratégia política que combina gestão, presença territorial e fortalecimento de alianças, com impactos que devem se refletir tanto na dinâmica partidária quanto na condução administrativa de Serrita nos próximos anos.

BELO JARDIM ENTRA NO CLIMA DO CARNAVAL COM O 24º BAILE MUNICIPAL NESTE SÁBADO

Belo Jardim já se prepara para uma das noites mais aguardadas do calendário festivo da cidade. O tradicional Baile Municipal chega à sua 24ª edição neste sábado, prometendo reunir cultura, elegância e muita animação no Solar dos Flamboyants, a partir das 20h. O evento, que já faz parte da história do município, reforça o clima carnavalesco e movimenta moradores e visitantes em uma celebração marcada por música e tradição.

Com o tema “Tradição, Cores e Encantos”, a festa deste ano aposta em um repertório diversificado para agradar públicos de diferentes gerações. A Orquestra de Frevo Madre de Deus abre alas com o ritmo que é símbolo de Pernambuco, garantindo o passo acelerado e a energia típica do Carnaval. A Banda Bicho do Mato também sobe ao palco trazendo sua mistura contagiante, enquanto o consagrado Grupo Molejo promete transformar o salão em uma grande roda de samba, relembrando sucessos que atravessam décadas.

Realizado pela Prefeitura de Belo Jardim, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Empreendedorismo, o Baile Municipal é mais do que uma festa: é um símbolo de valorização da cultura popular e de preservação de uma tradição que atravessa gerações. A cada edição, o evento se consolida como um espaço de encontro entre famílias, amigos e foliões, unindo música, alegria e o charme característico dos bailes carnavalescos.

A organização também caprichou na estrutura e na ornamentação, criando um ambiente que dialoga com o tema da festa e reforça a identidade cultural da cidade. Segundo o secretário de Cultura, Turismo e Empreendedorismo, Filipe Vieira, cada detalhe foi pensado para proporcionar uma experiência completa ao público. Ele destaca que a proposta é oferecer uma programação plural, capaz de reunir diferentes estilos musicais e fortalecer o setor cultural local, além de exaltar a tradição e o colorido do evento.

Os ingressos já estão disponíveis para venda em vários pontos da cidade e também de forma on-line. O valor individual é de R$ 50, enquanto as mesas custam R$ 300 e os espaços bistrô saem por R$ 200, com direito a três pulseiras. As vendas presenciais acontecem na sede da Secretaria de Cultura, no Berg Ostenta Bar e na Bodega do Jokka. Já quem prefere garantir a entrada sem sair de casa pode adquirir pelo site https://zticket.com.br ou pelo WhatsApp, através do número (81) 9 9484-7758, com Neide.

Com expectativa de grande público, o 24º Baile Municipal reforça o papel de Belo Jardim como polo cultural do Agreste e dá o tom da festa que antecede o período carnavalesco. A combinação entre tradição, música e confraternização promete fazer da noite de sábado um momento especial na memória de quem participar.

GARANHUNS REFORÇA EDUCAÇÃO INFANTIL COM ENTREGA DE CMEI REQUALIFICADO E ESPAÇO INCLUSIVO PARA CRIANÇAS NEURODIVERGENTES

A manhã desta segunda-feira (2) foi marcada por um importante avanço na educação infantil de Garanhuns. A Secretaria Municipal de Educação realizou a entrega oficial da requalificação do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Girlane Lira, localizado no bairro do Indiano, em uma ação que reforça o compromisso da gestão com a primeira infância e com a educação inclusiva.

A unidade passou por melhorias estruturais que modernizaram os espaços de convivência, salas de aula e áreas de apoio, proporcionando um ambiente mais seguro, acolhedor e adequado ao desenvolvimento das crianças atendidas. A requalificação também contemplou intervenções voltadas ao conforto térmico, melhor iluminação e reorganização dos ambientes pedagógicos, garantindo melhores condições de trabalho para os profissionais da educação e mais qualidade no atendimento aos alunos.

Um dos destaques da entrega foi a implantação da chamada Sala Azul, um espaço especialmente planejado para atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. O ambiente foi estruturado para oferecer estímulos sensoriais adequados, recursos pedagógicos específicos e acompanhamento direcionado, favorecendo a inclusão e respeitando as particularidades de cada estudante. A iniciativa amplia a rede de suporte educacional do município e fortalece as políticas públicas voltadas à educação especial na perspectiva inclusiva.

Durante a entrega, a gestão municipal ressaltou a importância de investir na base da formação educacional, destacando que a educação infantil é uma etapa decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. A requalificação do CMEI Girlane Lira se soma a outras ações realizadas na rede municipal, que vêm priorizando melhorias na infraestrutura das unidades e a ampliação de serviços especializados.

Localizado na Rua Ebenezer Furtado Gueiros, o CMEI atende famílias do bairro do Indiano e de áreas próximas, cumprindo um papel essencial no apoio à rotina das comunidades e na garantia do direito à educação desde os primeiros anos de vida. Com a nova estrutura e a criação da Sala Azul, a unidade passa a oferecer um atendimento ainda mais humanizado e inclusivo, consolidando-se como referência no cuidado e na educação das crianças da região.

ALEPE REABRE OS TRABALHOS SOB CLIMA DE GUERRA POLÍTICA E TRANSFORMA PLENÁRIO EM CAMPO DE BATALHA ELEITORAL


A Assembleia Legislativa de Pernambuco inicia oficialmente o ano legislativo nesta segunda-feira (2) em um cenário que passa longe da formalidade protocolar que normalmente marca a primeira reunião plenária do ano. A leitura da mensagem da governadora Raquel Lyra, tradição que simboliza a abertura dos trabalhos parlamentares, ocorre em meio a um ambiente de tensão política explícita, onde governo e oposição já não disfarçam o confronto direto que deve pautar 2026.

O embate, que durante o recesso se limitava a declarações em entrevistas, notas públicas e provocações nas redes sociais, agora ganha palco institucional. O retorno das sessões leva a disputa para dentro do plenário da Alepe, transformando a tribuna em extensão do debate eleitoral que, na prática, já começou. O fim de semana foi marcado por trocas de acusações entre Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, hoje o principal nome da oposição estadual e adversário direto da governadora no xadrez político pernambucano.

A temperatura subiu ainda mais com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que determinou a atuação da Polícia Federal para apurar suspeitas de perseguição política dentro da Secretaria de Defesa Social. O episódio caiu como combustível em um cenário já inflamado. Deputados da oposição devem usar o caso como munição para endurecer o discurso contra o Palácio do Campo das Princesas, enquanto governistas prometem reagir, alegando politização de investigações e seletividade nos questionamentos.

O assunto ganha contornos ainda mais complexos porque o próprio Gilmar Mendes também barrou investigações conduzidas pelo Ministério Público de Pernambuco em outras áreas do governo estadual. A dualidade das decisões deve alimentar narrativas opostas: de um lado, a oposição falando em indícios graves; do outro, a base governista sustentando que há exageros e uso político de apurações.

Como se não bastasse, o pedido de impeachment da governadora, protocolado pelo deputado Romero Albuquerque, começa a tramitar justamente no dia da reabertura dos trabalhos. Embora a avaliação predominante nos bastidores seja de que a proposta não deve prosperar, já que Raquel Lyra mantém maioria confortável na Casa, o simples andamento do pedido já serve como instrumento de pressão política e discurso de desgaste.

Diante desse cenário, a mensagem da governadora à Alepe deixa de ser apenas uma prestação de contas e apresentação de prioridades administrativas. O pronunciamento tende a assumir tom estratégico, com recados tanto para os aliados quanto para os adversários. A expectativa é de que Raquel reforce ações de gestão, destaque entregas e sinalize firmeza diante das críticas, buscando ocupar o espaço político antes que a oposição consolide sua narrativa.

Do outro lado, a oposição deve adotar postura combativa desde a primeira sessão, apostando em discursos duros, pedidos de informação e tentativas de pautar temas sensíveis ao governo. A estratégia é clara: manter o ambiente de pressão constante e transformar cada debate legislativo em vitrine para o embate eleitoral que se aproxima.

Assim, a Alepe deixa de ser apenas a casa das leis para se firmar, já nos primeiros dias do ano, como um dos principais palcos da disputa política em Pernambuco. Com Raquel Lyra e João Campos no centro das atenções, o plenário promete ser menos espaço de conciliação e mais arena de confronto, onde cada discurso, cada requerimento e cada votação terão peso não só administrativo, mas também eleitoral.

REABERTURA DO LEGISLATIVO - AUSENTE NO PALCO, PRESENTE NA CAMPANHA: JOÃO CAMPOS FOGE DA CÂMARA NA HORA DO BALANÇO

A reabertura dos trabalhos legislativos da Câmara do Recife, que tradicionalmente serve como vitrine institucional e momento simbólico de prestação de contas à cidade, ocorreu sem a principal figura do Executivo municipal. O prefeito João Campos (PSB) optou por não comparecer à sessão solene que marcou o início do ano legislativo de 2026, justamente quando o calendário político aponta para sua saída do cargo, em abril, para disputar o Governo de Pernambuco. A cadeira vazia no plenário, porém, falou alto — e virou munição imediata no embate político.

A justificativa oficial veio pela voz do líder do governo na Casa, vereador Samuel Salazar (MDB). Segundo ele, o prefeito estava em Brasília cumprindo agenda com o ministro das Cidades, Renan Filho, em busca de recursos e tratativas consideradas estratégicas para o Recife. A missão institucional, de acordo com o governista, seria prioridade absoluta, sobretudo diante de projetos e investimentos em curso. Salazar ainda tratou de minimizar o peso simbólico da sessão, lembrando que não se tratava de início de legislatura nem de um novo biênio, mas apenas da reabertura anual dos trabalhos.

No lugar do prefeito, quem assumiu a missão de representar o Executivo foi o secretário de Planejamento, Jorge Vieira. Coube a ele levar a palavra oficial da gestão, mas o clima já não era protocolar. Logo nos primeiros momentos da sessão, o presidente da Câmara, Romerinho Jatobá, precisou intervir para pedir desculpas públicas ao secretário, após uma abordagem considerada desrespeitosa por parte de um vereador — em referência a Eduardo Moura. O gesto de Jatobá expôs que, mesmo antes dos discursos políticos mais duros, o ambiente já estava longe da cordialidade institucional.

Se na base governista o discurso foi de normalidade administrativa, na oposição o tom foi de cobrança e indignação. O vereador Felipe Alecrim classificou a ausência de João Campos como um desrespeito ao Poder Legislativo e um gesto de desprestígio à própria cidade. Para ele, a sessão era uma oportunidade crucial para o prefeito ouvir críticas, sugestões e demandas dos parlamentares — inclusive daqueles que não integram sua base de apoio.

Alecrim foi além ao resgatar a lembrança da última abertura de trabalhos, quando, segundo ele, João Campos esteve presente, mas deixou o plenário antes de escutar os pronunciamentos tanto da base quanto da oposição. Na avaliação do vereador, o comportamento reforça uma postura de distanciamento político em relação à Câmara justamente no momento em que o prefeito se prepara para trocar o Palácio Capibaribe pelo palanque estadual.

A crítica central da oposição é que o gesto não atinge apenas adversários políticos, mas a instituição Câmara Municipal como um todo. Em ano pré-eleitoral e às vésperas de deixar o cargo, a ausência foi lida como sintoma de prioridades que já estariam mais voltadas para o mapa de Pernambuco do que para o plenário do Recife.

Nos bastidores, a leitura é clara: enquanto aliados vendem a imagem de um prefeito em Brasília “correndo atrás de recursos”, opositores enxergam um gestor que evita o contraditório e prefere agendas controladas a um plenário onde críticas ecoam sem roteiro prévio. Entre a versão oficial e a percepção política, fica o fato concreto — na sessão que poderia marcar um dos últimos balanços presenciais de sua gestão na Câmara, João Campos não estava lá. E, em política, ausências também fazem discurso.