terça-feira, 3 de março de 2026

PE NA ESTRADA: GOVERNO DE PERNAMBUCO ANUNCIA MAIS R$ 2 BILHÕES

Maior programa de recuperação de rodovias da história recebe novo investimento. Total chega a R$ 7,1 bilhões
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) e com execução do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), anunciou o aporte de mais R$ 2 bilhões no programa de recuperação de rodovias, o PE na Estrada.

O investimento reforça a política pública de fortalecimento da infraestrutura pernambucana que, nos últimos anos, vem promovendo a recuperação da malha viária estadual em todas as regiões do Estado.

Iniciado em outubro de 2024, o programa já soma R$ 4,6 bilhões em investimentos, considerando obras entregues e em execução, com mais de 1.500 km de estradas recuperadas.

Ao todo, são 54 obras concluídas e 40 em execução neste momento. Entre os investimentos regionais, destacam-se a Região Metropolitana do Recife, com R$ 1,5 bilhão; o Agreste, com R$ 1,2 bilhão; e o Sertão, com R$ 900 milhões.

“Realizamos investimentos importantes ao longo dos últimos meses, e o reforço de R$ 2 bilhões garantidos pela governadora Raquel Lyra vai impulsionar ainda mais a recuperação da nossa malha viária. Conseguimos criar um fluxo mais ágil na entrega de projetos e licitações e, com esses recursos, vamos ampliar ainda mais a requalificação das estradas”, afirmou o secretário da Semobi, André Teixeira Filho.
Entre as rodovias em execução, destacam-se o Arco Metropolitano Viário, com 25 km de extensão, entre Cabo de Santo Agostinho e Moreno; a BR-104, com 90% das obras concluídas; e a PE-015, em Olinda, que conta com investimento de R$ 256 milhões.

JOSAFÁ DIZ QUE MARÍLIA SAI EM COMUM ACORDO E A PALAVRA "EXPULSÃO" É AGRESSIVA

Presidente da Federação PRD/Solidariedade em Pernambuco, Josafá Almeida, informou ao Blog Dantas Barreto, nesta segunda-feira (2), que a pré-candidata ao Senado decidiu “em comum acordo trocar o Solidariedade por outro partido para concorrer”, nas eleições deste ano. Segundo ele, em nenhum momento foi falado sobre expulsão, na reunião de sexta-feira passada, com o presidente nacional do Solidariedade, deputado Paulinho da Força. A outra sigla a qual Josafá se refere é o PDT.

“A palavra expulsão é muito agressiva. Em nenhum momento foi colocado isso. Marília colocou as condições dela para ser candidata pela federação e disse que tinha outro partido para disputar. E nós chegamos ao entendimento. Ela preferiu sair, uma saída em comum acordo. Marília vai seguir o caminho dela e a federação vai seguir o caminho da gente. Ela vai formalizar, creio eu, a adesão a outro partido”, relatou Josafá Almeida.

A assessoria de Marília Arraes foi procurada pelo Blog Dantas Barreto, mas até o fechamento da matéria não houve retorno sobre posicionamento da pré-candidata sobre seu futuro partidário.

Nesse fim de semana, a ex-deputada divulgou vídeo afirmando que será candidata a senadora, que é uma decisão tomada em respeito aos 40% de eleitores que a colocam na liderança das intenções de votos, conforme apontam pesquisas

MARÍLIA ARRAES PODE SE FILIAR AO PDT E TÚLIO GADELHA ADMITE DISPUTA AVULSA AO SENADO EM MEIO A IMPASSE NA FEDERAÇÃO

O cenário político pernambucano ganhou novos contornos nos bastidores de Brasília e do Recife após declarações do deputado federal Túlio Gadelha sobre o futuro partidário de Marília Arraes. Segundo ele, a ex-deputada federal deve oficializar sua filiação ao Partido Democrático Trabalhista até o fim de março, movimento que pode reposicioná-la na disputa pelo Senado Federal, inclusive com a possibilidade de uma candidatura avulsa, fora de uma aliança majoritária tradicional.

A avaliação de Túlio ocorre em meio a um ambiente de incertezas que envolve não apenas o destino de Marília, mas também o seu próprio futuro partidário. O parlamentar confirmou que recebeu convite para ingressar no PDT e levar consigo o grupo político que o acompanha, ampliando a musculatura da legenda no Estado. No entanto, ele tem adotado cautela. Em conversas reservadas, reafirmou que pretende aguardar as definições envolvendo sua atual sigla, a Rede Sustentabilidade, antes de tomar qualquer decisão definitiva.

O impasse gira em torno das articulações nacionais para a formação de federações partidárias. Ainda não há definição se o Partido Socialismo e Liberdade vai formalizar uma federação com o Partido dos Trabalhadores, o que poderia alterar significativamente a correlação de forças no campo da esquerda em Pernambuco. Caso essa federação se consolide e a Rede acompanhe o movimento, o espaço de manobra de Túlio dentro do atual arranjo político tende a ficar ainda mais restrito.

Hoje, na federação formada entre Rede e PSOL, os socialistas possuem maioria de votos, o que limita a capacidade de Túlio de impor ou conduzir um projeto majoritário próprio. O deputado defende a construção de uma chapa encabeçada pelo reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Gomes, proposta que esbarra justamente na hegemonia do PSOL dentro da federação. Sem maioria interna, o parlamentar encontra dificuldades para consolidar essa estratégia e garantir que seu grupo político tenha protagonismo na formação da chapa.

Nesse contexto, a possível ida de Marília Arraes para o PDT surge como elemento de reorganização do tabuleiro. Caso confirme a filiação e opte por uma candidatura ao Senado de forma independente, ela poderá provocar uma fragmentação ainda maior no campo progressista, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas composições e alianças de última hora. Para Túlio, o movimento pode representar tanto uma oportunidade quanto um desafio, especialmente se houver convergência de projetos dentro da mesma legenda.

Nos bastidores, lideranças acompanham com atenção os próximos passos, cientes de que as decisões partidárias tomadas nas próximas semanas terão impacto direto na formação das chapas majoritárias e na disputa por vagas estratégicas no Congresso Nacional. Até lá, o discurso público é de prudência, mas as articulações seguem intensas, indicando que o xadrez político em Pernambuco está longe de uma definição final.

A VERDADE É QUE CONSEGUIRAM TOSTAR MIGUEL ANTES DA LARGADA

A pré-candidatura do ex-prefeito de Miguel Coelho (União Brasil) ao Senado Federal em 2026 entrou em zona de turbulência após a deflagração da Operação Vassalos, conduzida pela Polícia Federal. Embora a investigação esteja em fase inicial e ainda não haja denúncia formal ou condenação, o abalo político foi imediato e profundo. Nos bastidores, aliados admitem que o projeto sofreu um impacto que pode redefinir completamente o cenário eleitoral.

A operação apura suspeitas de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares e possíveis irregularidades em processos licitatórios. O alcance das investigações ultrapassou o campo administrativo e alcançou o núcleo político da família Coelho, atingindo também o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o deputado federal Fernando Filho (União Brasil). A presença de integrantes centrais do grupo no inquérito ampliou o desgaste e reforçou a percepção de que não se trata de um episódio isolado, mas de uma crise com efeitos estruturais.

No plano jurídico, prevalece a presunção de inocência, princípio constitucional que assegura o direito de defesa e o devido processo legal. No plano político, porém, a dinâmica é outra. Em disputas majoritárias, especialmente para o Senado, a imagem pública e a confiança do eleitorado são ativos estratégicos. Quando o nome de um pré-candidato passa a figurar associado a uma investigação por suspeita de corrupção, o dano reputacional tende a se antecipar às decisões judiciais.

Miguel Coelho vinha estruturando sua pré-candidatura sobre três pilares: o legado administrativo construído em Petrolina, a força política do grupo familiar e a articulação com setores do centro político em Pernambuco. A Operação Vassalos atinge diretamente esses fundamentos. O discurso de eficiência administrativa passa a dividir espaço com questionamentos; a musculatura do grupo familiar vira alvo de escrutínio; e as alianças, antes tratadas como expansão estratégica, passam a ser reavaliadas com cautela por possíveis parceiros.

A mudança de narrativa é um dos efeitos mais visíveis. Até poucos dias atrás, o foco estava na projeção estadual do ex-prefeito, na consolidação de apoios e na construção de uma candidatura competitiva para 2026. Agora, o noticiário policial e jurídico domina o debate. Em um ambiente político moldado pela velocidade das redes sociais, pela repercussão instantânea e pela formação acelerada de opinião pública, crises dessa natureza costumam produzir desgaste prolongado — mesmo sem desfecho judicial imediato.

Nos bastidores, analistas avaliam que o impacto da operação pode provocar rearranjos no tabuleiro eleitoral. Pré-candidatos que aguardavam definições passam a observar o cenário com mais atenção, enquanto adversários encontram espaço para reforçar discursos de ética e renovação. Em eleições majoritárias, a contaminação de imagem em grupos políticos costuma gerar efeitos mais profundos do que crises individuais, justamente porque amplia o alcance do desgaste.

A verdade é que, politicamente, Miguel Coelho enfrentará um desafio que vai além da arena jurídica. A reconstrução de narrativa, a preservação de alianças e a manutenção da viabilidade eleitoral exigirão estratégia, comunicação eficiente e capacidade de reação rápida. Em disputas ao Senado, onde o eleitorado é estadual e a exposição é máxima, o timing é decisivo.

Se conseguirá reverter o impacto e retomar o ritmo da pré-campanha, apenas o desenrolar dos fatos dirá. Mas, no momento, a avaliação predominante nos bastidores é direta e dura: antes mesmo da largada oficial, o projeto sofreu um baque significativo. E, na política, muitas vezes o desgaste começa muito antes da urna ser aberta.

MINISTRO DA EDUCAÇÃO ANUNCIA R$ 20 MILHÕES EM INVESTIMENTOS E LANÇA NOVAS OBRAS NA UFAPE EM GARANHUNS

O município de Garanhuns viverá uma manhã histórica nesta quarta-feira (4) com a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, que cumpre agenda oficial a partir das 9h na Universidade Federal do Agreste de Pernambuco. A presença do ministro foi confirmada pelo reitor da instituição, professor doutor Airon Melo, e marca o lançamento das pedras fundamentais de novas estruturas que irão transformar a realidade acadêmica do campus, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.

A visita simboliza mais do que um ato administrativo. Representa um novo ciclo de expansão e consolidação da universidade, que vem ampliando seu protagonismo no Agreste Meridional e em todo o Estado. O pacote de investimentos anunciado soma aproximadamente R$ 20 milhões e contempla a construção de um moderno bloco de salas de aula com auditório para cerca de 500 pessoas, ampliando significativamente a capacidade de eventos científicos, aulas magnas, congressos e atividades institucionais. Também será implantado um bloco exclusivo para a pós-graduação, reforçando o compromisso com a formação continuada e com o avanço da produção científica regional.

Além das novas estruturas acadêmicas, o ministro deverá visitar as obras do Restaurante Universitário, que já estão em andamento e entram agora em fase decisiva. O espaço, aguardado com grande expectativa pela comunidade acadêmica, já conta com câmaras frias em fase de montagem e outros equipamentos adquiridos que serão instalados conforme o avanço da construção. A conclusão do restaurante representará um importante reforço na política de permanência estudantil, garantindo alimentação de qualidade a preços acessíveis para centenas de alunos.

De acordo com o reitor Airon Melo, os processos licitatórios já foram concluídos e as empresas responsáveis pelos projetos foram oficialmente contratadas. A previsão é de que os projetos executivos sejam finalizados nos próximos três a quatro meses, permitindo que as obras tenham início ainda este ano. A expectativa é de que, após concluídas, as novas estruturas elevem o padrão de infraestrutura da universidade, consolidando a UFAPE como um dos principais polos de ensino superior e pesquisa do interior pernambucano.

Durante a agenda, o ministro também conhecerá de perto projetos de pesquisa que vêm colocando a universidade em evidência nacional. Entre eles, estudos inovadores sobre o leite de jumenta, que despertam interesse científico pelo seu potencial nutricional e terapêutico; pesquisas voltadas à produção de uvas no município, que contribuíram para a consolidação do conceito de vinho produzido em Garanhuns; e investigações sobre o cultivo do girassol, recentemente premiadas no Prêmio Jovem Cientista. Outro destaque será a apresentação das iniciativas relacionadas ao café cultivado no Agreste, que têm ampliado a valorização da produção regional e aberto novas perspectivas econômicas para agricultores locais.

As atividades ocorrerão dentro do próprio campus, incluindo visitas a laboratórios e à área experimental conhecida como “fazendinha”, espaço onde são desenvolvidas atividades práticas e pesquisas de campo. A programação é aberta ao público e deve reunir autoridades políticas, representantes acadêmicos, estudantes e lideranças regionais, transformando o evento em um grande encontro em defesa da educação pública.

A passagem do ministro Camilo Santana por Garanhuns reforça o olhar estratégico do Governo Federal para o interior do Nordeste e evidencia o papel da UFAPE como motor de desenvolvimento social, científico e econômico. Com novos investimentos, ampliação estrutural e fortalecimento da pesquisa, a universidade consolida-se como peça fundamental no futuro do Agreste pernambucano.

EM PERNAMBUCO DE PONTA A PONTA, JANJÃO ACELERA PRÉ-CAMPANHA À ALEPE E AMPLIA BASES EM TODAS AS REGIÕES DE PERNAMBUCO

O prefeito de Bom Jardim, Janjão, tem transformado a pré-campanha rumo à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em uma verdadeira maratona política. Pré-candidato ao parlamento estadual, ele vem intensificando agendas em todas as regiões do Estado, consolidando apoios e ampliando sua presença territorial de forma estratégica e silenciosa, mas com efeitos visíveis nos bastidores.

Com um estilo discreto, longe de grandes holofotes, Janjão tem apostado no corpo a corpo, nas conversas reservadas e nas articulações diretas com lideranças locais. O ritmo acelerado tem chamado atenção até de adversários políticos. A expressão repetida por aliados — de que ele “praticamente dorme no carro” — traduz a intensidade da agenda que vem cumprindo semanalmente, cruzando Pernambuco de ponta a ponta.

Na última semana, o roteiro foi emblemático do momento que vive. Em Brasília, o prefeito tratou de pautas administrativas e buscou encaminhamentos institucionais importantes para Bom Jardim, reforçando a imagem de gestor que não abandona as responsabilidades municipais mesmo em meio à pré-campanha. No Recife, compromissos políticos e administrativos deram sequência às articulações com lideranças da Região Metropolitana e representantes de órgãos estaduais.

Já no interior, a agenda ganhou contornos mais políticos. No Sertão, no Agreste e na Zona da Mata, Janjão participou de encontros com vereadores, ex-prefeitos, lideranças comunitárias e representantes de segmentos produtivos. Em cada parada, o discurso tem sido pautado na interiorização do desenvolvimento e na necessidade de fortalecer a representatividade das regiões menos assistidas na Assembleia Legislativa.

Mesmo com a agenda intensa no interior, o pré-candidato ainda encontrou espaço para visitar bases no Litoral Norte, ampliando o raio de atuação e sinalizando que sua construção política não ficará restrita à sua região de origem. A estratégia é clara: consolidar Bom Jardim como vitrine administrativa, mas construir uma candidatura de alcance estadual.

Aliados avaliam que o diferencial de Janjão está justamente na combinação entre gestão ativa e pré-campanha estruturada. Enquanto amplia adesões ao projeto, ele mantém presença constante no município, equilibrando compromissos administrativos com articulações políticas. Essa postura tem contribuído para fortalecer sua imagem de gestor comprometido e político em ascensão.

Nos bastidores, o volume de apoios já formalizados surpreende. Embora evite divulgar números ou antecipar alianças de forma ostensiva, interlocutores próximos confirmam que o crescimento tem sido consistente, sobretudo em municípios onde o sentimento é de busca por renovação na representação estadual.

A pré-campanha de Janjão, portanto, ganha corpo em ritmo acelerado. Entre estradas, aeroportos e reuniões estratégicas, o prefeito de Bom Jardim constrói, passo a passo, uma candidatura que se apresenta como regional, mas com ambição estadual. Em um cenário político cada vez mais competitivo, ele aposta no trabalho contínuo, na presença física e na construção silenciosa para chegar forte à disputa por uma cadeira na Alepe.

RICARDO TEOBALDO AMPLIA BASE EM OROBÓ E RECEBE APOIO DE VEREADORES E LIDERANÇAS LOCAIS

O cenário político de Orobó ganhou novos contornos nesta semana com a consolidação de um importante reforço ao projeto liderado por Ricardo Teobaldo no município. Declararam apoio público à sua articulação o vereador Paulo Brito, o vereador Neo, o ex-vereador Lívio Aguiar e a jovem liderança Pedro Brito, ampliando o grupo que defende uma agenda de desenvolvimento e fortalecimento regional.

A movimentação é vista nos bastidores como estratégica e representa a formação de um bloco político com presença tanto na Câmara Municipal quanto entre lideranças comunitárias. O apoio simultâneo de parlamentares em exercício, de um ex-vereador com trajetória consolidada e de uma liderança jovem sinaliza a construção de uma frente que busca unir experiência e renovação.

De acordo com Ricardo Teobaldo, a união do grupo amplia a capacidade de articulação para garantir recursos e investimentos estruturantes para Orobó. Entre as prioridades destacadas estão a destinação de verbas para melhorias na infraestrutura urbana, fortalecimento de políticas públicas e ações direcionadas à população mais vulnerável. “Quando a gente soma forças, o trabalho rende mais e os resultados chegam mais rápido para quem precisa”, afirmou.

Nos bastidores políticos da cidade, a adesão é interpretada como um passo importante na consolidação de uma base sólida em Orobó, reforçando a presença do grupo em debates locais e na construção de projetos voltados ao crescimento econômico e social do município.

A expectativa agora é de que novas agendas conjuntas sejam realizadas, com visitas às comunidades e definição de prioridades a partir das demandas apresentadas pela população. Para aliados, o momento simboliza não apenas um alinhamento político, mas a construção de uma frente comprometida em garantir avanços concretos para Orobó e toda a região.

OSMAR ROMPE COM JOÃO CAMPOS, DENUNCIA PERSEGUIÇÃO E AVISA: “VOU VOLTAR MAIS ROXINHO DO QUE NUNCA”

O clima político no Recife esquentou de vez. A relação entre o presidente municipal do PT, vereador Osmar Ricardo, e o prefeito João Campos (PSB) chegou ao ponto de ruptura pública, com direito a acusações de perseguição, promessa de oposição dura e um recado direto ao Palácio do Capibaribe: “vou voltar mais roxinho do que nunca”.

O estopim foi o anúncio de que Osmar deixará a Câmara do Recife a partir desta terça-feira (3), retornando à condição de suplente. A vaga será reassumida pelo secretário de Direitos Humanos e Juventude, Marco Aurélio Filho (PV), que volta ao mandato parlamentar. Nos bastidores, a movimentação foi interpretada como uma resposta direta ao fato de Osmar ter assinado o pedido de instalação da CPI do chamado “fura-fila” — investigação que atingiu o coração da gestão municipal.

A assinatura do petista foi decisiva: a 13ª, número que garantiu o encaminhamento do pedido à Presidência da Casa. Para Osmar, o preço por ter exercido o que chama de “liberdade de opinião” foi alto demais.

Em entrevista ao Blog Dantas Barreto, o vereador não poupou palavras. Disse que fará um movimento contra o prefeito por perseguição política e prometeu usar o peso de sua dupla liderança — no PT do Recife e no Sindicato dos Servidores Municipais — para endurecer o discurso. “Ele vai sentir o trabalho e a força de quem é presidente municipal do PT e do Sindicato dos Servidores do Recife. Vai ver o que é oposição de verdade”, disparou.

O tom adotado pelo parlamentar é de rompimento definitivo. Osmar lembrou que esteve ao lado de João Campos, inclusive defendendo sua eleição, mas afirma que agora paga o preço por não se submeter. “Votei nele, caminhei com a bandeira do PSB, mas me libertei desse povo chamado Campos”, declarou, numa referência direta ao grupo político do prefeito. A crítica foi além, atingindo o que ele classificou como “oligarquia” que, segundo suas palavras, perderá espaço tanto no Governo do Estado quanto no Recife.

A menção ao Governo do Estado não é por acaso. O cenário estadual, comandado por Raquel Lyra (PSD), também entra na equação. Osmar já projeta seu retorno à Câmara caso se confirme a nomeação da vereadora Flávia de Nadegi para uma secretaria estadual. Flávia, eleita na aliança da Frente Popular, rompeu com a base de João Campos no ano passado e passou a integrar o campo de oposição.

Segundo articulações que circulam nos bastidores, a possível ida de Flávia para o Governo do Estado abriria espaço para que Osmar reassumisse o mandato. Ele não esconde a expectativa: “Se acontecer isso, serei muito grato”, afirmou, confiante de que seu retorno é questão de tempo.

A crise expõe fissuras profundas na antiga aliança entre PT e PSB no Recife. O que antes era parceria estratégica virou embate público, com troca de acusações e ameaça de enfrentamento direto. A CPI do “fura-fila”, que começou como um movimento parlamentar, transformou-se em divisor de águas político.

Osmar sustenta que não agiu por acordo oculto, mas por convicção. Ainda assim, há quem diga que sua assinatura na CPI teria feito parte de uma engenharia política mais ampla, envolvendo rearranjos na Câmara e aproximações com o Palácio do Campo das Princesas. Oficialmente, ele nega qualquer barganha e afirma que a decisão foi tomada por responsabilidade com a população.

No meio desse tabuleiro, os servidores municipais tornam-se peça-chave. Como presidente do sindicato da categoria, Osmar sinaliza que poderá transformar o desgaste político em mobilização social. A promessa é clara: endurecer a oposição, fiscalizar cada passo da gestão e dar voz às insatisfações acumuladas.

Se antes dizia que o “PT estava roxinho”, em referência à cor que também remete ao campo político da governadora, agora o discurso ganha outro significado. Para Osmar, o roxo simboliza resistência e enfrentamento. A saída momentânea da Câmara, ao invés de enfraquecê-lo, é apresentada como combustível.

A pergunta que ecoa nos corredores do Legislativo é simples: João Campos calculou o tamanho da reação? Ao tentar reorganizar a base, pode ter dado palco a um adversário interno disposto a transformar a mágoa em bandeira.

Nos próximos dias, a movimentação em torno de Flávia de Nadegi e do Governo do Estado será decisiva. Se a nomeação se concretizar, Osmar retorna com discurso inflamado e capital político renovado entre setores descontentes. Se não, a crise seguirá como ferida aberta.

Uma coisa é certa: a paz entre o PT recifense e o prefeito socialista ficou no passado. E Osmar Ricardo faz questão de avisar que não pretende sair de cena em silêncio. Pelo contrário — promete voltar mais roxinho do que nunca.