A informação surgiu inicialmente em reportagem do jornal O Globo e passou a circular amplamente em veículos de comunicação. Segundo os relatos, Moraes utilizava um número específico no período em que as mensagens teriam sido enviadas por Vorcaro, e posteriormente realizou a troca da linha telefônica no início de fevereiro deste ano. A alteração aconteceu semanas antes de as conversas atribuídas ao empresário começarem a ser divulgadas e discutidas publicamente.
As mensagens que desencadearam a controvérsia foram encontradas pela Polícia Federal durante a análise de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido em investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os registros recuperados pelos investigadores estavam anotações e prints que indicariam contatos feitos pelo empresário com autoridades. Parte desse material aponta para mensagens enviadas em 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez em uma operação policial.
De acordo com informações reveladas a partir da perícia no aparelho, Vorcaro teria enviado mensagens por aplicativos de comunicação e também mantido registros de contatos em seus próprios blocos de notas. Os dados indicariam que o empresário prestava informações sobre negociações envolvendo o banco e sobre movimentações jurídicas relacionadas a investigações que estavam em andamento.
Após a repercussão das reportagens, o gabinete de Moraes divulgou uma nota oficial negando que as mensagens encontradas no celular do banqueiro tenham sido enviadas ao seu número. Segundo a manifestação do Supremo Tribunal Federal, uma análise técnica dos dados telemáticos do aparelho de Vorcaro indicaria que os prints divulgados estavam vinculados a pastas de outros contatos presentes na agenda do empresário, e não ao telefone do ministro.
A nota acrescenta que as mensagens de “visualização única” enviadas pelo banqueiro no dia de sua prisão não aparecem associadas ao contato de Moraes nos arquivos examinados. Segundo o tribunal, os registros analisados mostram que os prints estavam armazenados em diretórios ligados a outros números telefônicos presentes no computador ou no celular de Vorcaro, o que, na interpretação do STF, indicaria que o ministro não era o destinatário das comunicações.
Mesmo com a negativa oficial, a revelação de que Moraes trocou o número do celular em 9 de fevereiro de 2026 ampliou o debate político e jurídico em torno do episódio. O momento da mudança passou a ser analisado no contexto das investigações e da divulgação das mensagens atribuídas ao empresário. Para analistas e observadores da cena política, o episódio acabou adicionando mais um elemento à controvérsia que envolve o caso do Banco Master e as apurações conduzidas pelas autoridades.
O caso continua repercutindo em Brasília e permanece cercado por questionamentos sobre a autenticidade dos registros encontrados no celular do banqueiro, a interpretação técnica dos dados recuperados e o alcance das conexões políticas mencionadas no material apreendido durante as investigações.