O rompimento foi confirmado pelo presidente estadual da federação PRD-Solidariedade, Josafá Almeida, que afirmou que a base do entendimento político estava diretamente vinculada à liderança exercida por Álvaro Porto dentro do PSDB. Na época em que o acordo começou a ser discutido, Porto comandava o diretório estadual tucano e conduzia o partido em direção a uma composição política que indicava apoio ao projeto eleitoral do prefeito do Recife, João Campos, para o Governo de Pernambuco.
Com a mudança no comando do PSDB estadual — agora presidido por Ruben Júnior, aliado da governadora Raquel Lyra — o cenário político se alterou completamente. Segundo Josafá Almeida, a reconfiguração interna da legenda retirou o sentido da aliança que estava sendo construída. O dirigente explicou que o compromisso da federação havia sido estabelecido diretamente com a liderança de Álvaro Porto e dentro de um contexto político que agora deixou de existir.
A federação PRD-Solidariedade vinha avaliando a possibilidade de levar seus pré-candidatos para compor uma chapa dentro do PSDB, numa estratégia que buscava ampliar competitividade e garantir maior viabilidade eleitoral para o grupo. Com a saída de Porto e a nova orientação política do partido, a federação passou a reconsiderar seus caminhos e discute agora internamente a possibilidade de montar uma chapa própria para disputar as vagas de deputado estadual em 2026.
Apesar da migração de Álvaro Porto para o MDB, Josafá Almeida descartou a hipótese de a federação seguir o parlamentar e formar uma composição com o novo partido do presidente da Assembleia. De acordo com ele, existem restrições internas relacionadas a alguns nomes, o que inviabilizaria qualquer tentativa de integração entre os grupos neste momento.
Nos bastidores políticos, Josafá também comentou que a perda do controle do PSDB por parte de Álvaro Porto não foi exatamente inesperada. Segundo o dirigente, o domínio de um partido costuma estar ligado à capacidade de organização das chapas para a disputa proporcional, especialmente para deputado federal. Na avaliação dele, a decisão de Porto de apoiar a movimentação política que levou seu filho, Gabriel Porto, a se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) acabou contribuindo para enfraquecer sua posição dentro da legenda tucana.
Enquanto o cenário se reorganiza, a federação PRD-Solidariedade já começa a discutir alternativas para a disputa proporcional. Entre os nomes citados como possíveis pré-candidatos a deputado estadual estão o ex-prefeito e deputado Júnior Matuto, o vereador do Recife Rodrigo Coutinho, além de lideranças como Flávio Gadelha Filho, Manoel Botafogo e Josimar Almeida.
A reviravolta evidencia como as mudanças partidárias continuam influenciando diretamente a formação de alianças e chapas no tabuleiro político pernambucano. Com a proximidade das eleições de 2026, cada movimentação estratégica passa a ter peso decisivo na montagem das estruturas eleitorais e na definição das bases de apoio que sustentarão as disputas tanto proporcionais quanto majoritárias no estado.