quinta-feira, 19 de março de 2026

MARÍLIA ARRAES MUDA DE PARTIDO, ANTECIPA MOVIMENTO E ENTRA NA DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO

A cena política de Pernambuco ganhou novos contornos nesta quarta-feira (18) com a oficialização da saída de Marília Arraes do Solidariedade e sua filiação ao Partido Democrático Trabalhista. O movimento, que já vinha sendo ventilado nos bastidores, surpreendeu pela antecipação e pelo peso estratégico que carrega no redesenho das forças políticas no estado.

Inicialmente prevista para o fim do mês, em um ato político mais amplo, a filiação foi acelerada diante da iminente apresentação de Marília como pré-candidata ao Senado Federal. A expectativa é que o anúncio ocorra já nesta quinta-feira, integrando a chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos, o que reforça a construção de uma aliança robusta visando as eleições deste ano.

A ficha de filiação foi abonada pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, que destacou o peso político da ex-deputada e sua capacidade de ampliar a presença do PDT em Pernambuco. Segundo ele, a chegada de Marília representa mais do que um reforço eleitoral: trata-se de uma peça-chave para o fortalecimento da sigla em um momento decisivo de articulações e definições de candidaturas majoritárias.

Com a mudança partidária, Marília Arraes se reposiciona no tabuleiro político estadual, reacendendo sua presença em uma disputa de alto nível e influenciando diretamente a formação de alianças. O gesto também sinaliza uma reorganização estratégica dentro do campo político que se opõe à atual gestão estadual, intensificando o clima pré-eleitoral e elevando a temperatura das negociações.

A entrada da ex-deputada no PDT, somada à possibilidade de compor uma chapa competitiva ao Senado, amplia o leque de cenários para as eleições em Pernambuco, indicando que os próximos dias serão decisivos para a consolidação de blocos políticos e definição dos principais protagonistas da corrida eleitoral.

PT CRITICA FORMAÇÃO DA CHAPA DE JOÃO CAMPOS E DENUNCIA FALTA DE DIÁLOGO COM O PARTIDO

O deputado estadual do PT, João Paulo Silva, manifestou nesta quarta-feira profunda insatisfação com a forma como foi estruturada a chapa do prefeito do Recife, João Campos, classificando o processo como “estranho, não democrático nem transparente”. Para ele, o que ocorreu representa um desrespeito ao PT de Pernambuco, que, segundo João Paulo, conquistou este ano o direito de decidir suas próprias alianças no estado.

Durante entrevista, o deputado enfatizou que o partido está em pleno processo de escuta das bases, promovendo plenárias em vários municípios, duas delas programadas para o próximo final de semana. “Ninguém trata assim um aliado, nem muito menos marca o anúncio da chapa sem antes combinar com o partido e com o senador Humberto Costa, que é parte integrante deste processo”, explicou João Paulo.

O parlamentar reforçou que o PT sempre buscou autonomia para definir suas alianças em Pernambuco e lamentou que, neste ano, o partido tenha sido deixado de lado. “Logo este ano, que adquirimos o direito de definir nossas alianças, não foi o PT que definiu a chapa nem participou de sua definição; quem conduziu o processo foi o PSB”, disse.

Sobre a composição da chapa anunciada, João Paulo optou por não comentar os nomes: “não me cabe neste momento falar disso, mas o partido deveria ter sido ouvido e não foi. Independentemente dos nomes convidados a compor a outra vaga do Senado e a vice, o que considero errado é o processo. Se Carlos Veras já havia avisado que a decisão do PT só seria anunciada no final das plenárias, esse prazo deveria ter sido respeitado e não foi”.

A declaração evidencia um clima de tensão dentro da aliança entre PT e PSB no estado, e reforça a necessidade de diálogo e respeito às decisões internas do partido, especialmente em um ano eleitoral crucial para Pernambuco. A polêmica sobre a formação da chapa pode gerar desdobramentos significativos nas articulações políticas locais, com o PT sinalizando que pretende exercer sua autonomia nas próximas definições eleitorais.

HOSPITAL REGIONAL DE ARCOVERDE PROMOVE PALESTRA SOBRE CÂNCER DO COLO DO ÚTERO EM ALUSÃO AO MARÇO LILÁS

O Hospital Regional Ruy de Barros Correia (HRRBC), unidade da rede estadual de saúde localizada em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, realizou na manhã desta quarta-feira (18), uma palestra educativa em alusão à campanha Março Lilás, voltada à prevenção do câncer do colo do útero.


A atividade foi conduzida pelas residentes do segundo ano de Enfermagem Obstétrica, Beatriz Vieira e Vitória Oliveira, e reuniu profissionais da unidade em um momento de aprendizado e conscientização. Durante o encontro, foram abordados temas essenciais como formas de transmissão, prevenção, diagnóstico e as atualizações do Ministério da Saúde sobre a doença.

A ação reforça a importância da informação como ferramenta de cuidado, especialmente na promoção da saúde da mulher e na prevenção de doenças que ainda apresentam altos índices no país.

Para a residente Beatriz Vieira, o momento também representa uma oportunidade de troca e fortalecimento do cuidado dentro da unidade:

“Para nós residentes em Enfermagem Obstétrica, compartilhar nosso conhecimento é extremamente gratificante. Tanto pela devolutiva ao serviço que nos acolheu, quanto pela oportunidade de levar saúde para as mulheres/servidoras e suas famílias. Fazer parte de uma instituição que reconhece a importância desses momentos permite que tenhamos esperança na redução dos índices de morbimortalidade das pessoas com útero, seja por violências ou neoplasias,” destacou Beatriz Vieira.

A iniciativa integra a programação do mês de conscientização sobre o câncer do colo do útero e destaca o compromisso do Hospital Regional de Arcoverde com a educação em saúde e a valorização da vida.


Assessoria de Comunicação do HRRBC

GOVERNO DE PERNAMBUCO CELEBRA DESTAQUE NACIONAL NO PRÊMIO FINEP DE INOVAÇÃO 2025

O Porto Digital foi premiado na categoria Ambiente de Inovação por iniciativa realizada em parceria com o Estado
Reconhecendo o protagonismo do Governo de Pernambuco no cenário nacional de inovação, o projeto de consolidação do Armazém da Criatividade do Porto Digital conquistou o Prêmio Finep de Inovação 2025. A iniciativa, instalada no município de Caruaru, no Agreste, é resultado do maior investimento já destinado ao polo tecnológico, no valor de R$ 44,5 milhões, fruto do contrato de gestão firmado entre o Governo de Pernambuco e o Porto Digital, por meio do programa Inova PE. A premiação, promovida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ocorreu nesta terça-feira (17), em Brasília.

"Por meio do Inova PE, estamos fortalecendo o ecossistema de inovação, ao mesmo tempo em que descentralizamos a geração de oportunidades por meio da tecnologia. Parabenizo o Porto Digital por esta conquista que chega como resultado da parceria com o Governo de Pernambuco. Em Caruaru, o Porto Digital fica instalado no histórico prédio da Fábrica Caroá, reunindo mais de 150 empresas para ampliar a força da nossa economia criativa", destacou a governadora Raquel Lyra.

Premiado na categoria Ambiente de Inovação, o Armazém da Criatividade é um hub de inovação gerido pelo Porto Digital com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O espaço funciona na nova sede do Porto Digital em Caruaru, inaugurada em agosto de 2025, contando com laboratórios, auditório, salas de treinamento, coworking, estúdios e ambientes empresariais.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Mauricélia Montenegro, destacou o papel estratégico do Governo do Estado na conquista. "Esse reconhecimento nacional reforça que estamos no caminho certo ao investir na interiorização da inovação. O Armazém da Criatividade é resultado de uma política pública consistente do Governo de Pernambuco, que acredita no potencial dos territórios e na formação de talentos", disse.

Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, o prêmio representa o impacto transformador da iniciativa. "Essa é mais do que uma vitória, é um testemunho do potencial do Armazém da Criatividade para Caruaru e todo o Agreste. É resultado de muito trabalho e do compromisso com o futuro", pontuou.
PREMIAÇÃO- Promovido pela Finep, o prêmio foi retomado após 10 anos e reconhece iniciativas que impulsionam a inovação sustentável e aumentam a competitividade do país. A etapa nacional reuniu 40 projetos finalistas, selecionados ao longo de cinco etapas regionais realizadas entre setembro e novembro de 2025.

Fotos: Hesíodo Góes/Secom

VIRADA DE CHAVE NA ALEPE: ADVERSÁRIOS DE RAQUEL LYRA ACELERAM VOTAÇÕES E INDICAM REPOSICIONAMENTO POLÍTICO

Recife viveu, nesta terça-feira, um daqueles movimentos silenciosos, mas altamente reveladores, que costumam redefinir os rumos da política. Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), dois dos mais duros críticos da governadora Raquel Lyra protagonizaram uma mudança de postura que chamou atenção nos bastidores e levantou suspeitas de um realinhamento político em curso.

Os deputados Alberto Feitosa e Antonio Coelho, que presidem respectivamente as comissões de Justiça e de Administração, destravaram a tramitação dos vetos da governadora à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), matérias que estavam há meses paradas nas comissões — o que, na prática, impedia que chegassem ao plenário, onde o Governo possui maioria consolidada.

O gesto foi interpretado como uma verdadeira “virada de chave”. Na Comissão de Justiça, Alberto Feitosa surpreendeu ao designar, por iniciativa própria, o deputado João Paulo Silva, integrante da base governista, como relator da análise dos vetos. A decisão contrariou parlamentares da oposição, que defendiam a escolha por sorteio — procedimento tradicional em matérias de maior sensibilidade política. O clima ficou tenso entre os presentes, evidenciando o desconforto com a condução do processo.

Já na Comissão de Administração, o movimento foi ainda mais veloz e simbólico. Antonio Coelho conduziu uma reunião relâmpago, com presença majoritária de deputados governistas. Em cerca de um minuto e meio, apresentou parecer favorável aos projetos do Executivo — relatados por ele próprio — e colocou em votação, garantindo aprovação unânime. A rapidez arrancou até comentários bem-humorados, como o do vice-líder do Governo, Joãozinho Tenório, que brincou: “Está apressadinho, hein?”, em meio a risadas no colegiado.

Nos bastidores, porém, o tom era menos descontraído. Nos corredores da Alepe, Antonio Coelho teria confidenciado a colegas que seu grupo político deve caminhar ao lado da governadora Raquel Lyra, o que ajuda a explicar a celeridade das decisões e o esforço para concluir as votações antes da chegada de deputados do PSB à comissão.

A sequência de ações, considerada incomum até mesmo para os padrões da dinâmica legislativa, reforça a percepção de que o cenário político estadual está em plena reconfiguração. Mais do que destravar projetos, os movimentos desta terça-feira sinalizam que alianças podem estar sendo redesenhadas — e que antigos adversários podem, rapidamente, se transformar em novos aliados quando os ventos mudam de direção.

ALTA DO DIESEL ACENDE ALERTA E CAMINHONEIROS AMEAÇAM PARAR O PAÍS

A nova disparada no preço do diesel já começa a provocar reflexos diretos nas estradas brasileiras e reacende um fantasma conhecido: a possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros. Em diferentes regiões do país, motoristas e lideranças da categoria intensificaram as discussões sobre paralisações como forma de pressionar por medidas que aliviem o custo da atividade.

O combustível, que representa a maior fatia das despesas do transporte rodoviário, voltou a subir e colocou muitos profissionais em uma situação considerada insustentável. Segundo relatos de caminhoneiros, o aumento não tem sido acompanhado por reajustes nos valores dos fretes, o que compromete a renda e, em muitos casos, inviabiliza a continuidade das viagens. Na prática, trabalhar tem significado, para alguns, operar no prejuízo.

Diante desse cenário, o discurso de mobilização ganhou força. Há grupos que já defendem ações mais incisivas, como bloqueios de rodovias e paralisações coordenadas. A estratégia, segundo esses motoristas, seria chamar atenção para a crise enfrentada pela categoria e forçar uma resposta rápida das autoridades.

Por outro lado, entidades representativas adotam um tom mais cauteloso. Embora reconheçam a gravidade do momento, ainda não há consenso sobre a deflagração de uma greve geral. Nos bastidores, a avaliação é de que uma paralisação precisa ser amplamente articulada para evitar prejuízos ainda maiores, tanto para os trabalhadores quanto para a economia.

O receio de um efeito em cadeia também cresce. Uma eventual interrupção no transporte rodoviário pode impactar rapidamente o abastecimento em todo o país, atingindo desde combustíveis até alimentos e produtos básicos. A lembrança de crises anteriores, que provocaram filas em postos e prateleiras vazias, reforça a tensão em torno do tema.

Enquanto o impasse persiste, o clima entre os caminhoneiros é de apreensão e insatisfação. A categoria cobra medidas concretas que garantam condições mínimas de trabalho e alertam que, sem uma solução, o país pode voltar a enfrentar dias de incerteza nas estradas.

AUDIÊNCIA PÚBLICA DETALHA PROJETO DE MINERAÇÃO NO MUNICÍPIO DE FLORESTA

O projeto de mineração Serrote da Pedra Preta foi o tema da Audiência Pública, realizada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), nesta quarta-feira (18), na cidade de Floresta (438 Km do Recife), Sertão pernambucano. Coordenado pelo presidente da CPRH, José de Anchieta, o evento reuniu, no auditório Dom Francisco Xavier, centro da cidade, representantes da população, da Igreja Católica, povos indígenas, quilombolas e estudantes da região, para apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). 

Na primeira parte da audiência o tempo foi dividido para as apresentações da Ativa Mineração, responsável pelo empreendimento, e a empresa Ferreira Rocha, que fez a consultoria ambiental. Foram explanados o EIA/RIMA mostrando as principais características do empreendimento, com seus impactos, ações mitigadoras e compensatórias.  Também estavam presentes a vice-prefeita de Floresta, Bia Numeriano, representantes do Ministério Público, secretários e vereadores do município.

O projeto Serrote da Pedra Preta prevê a produção de dois tipos de produtos: concentrado de titânio (ilmenita) e minério de ferro com vanádio. O primeiro é utilizado como matéria-prima na fabricação de pigmentos. Já o ferro com vanádio é usado na produção de aços, ligas metálicas e em baterias especiais. O empreendimento fica a aproximadamente 17 km do centro de Floresta. A exploração da área tem duração prevista de 10 anos, quando esgota a capacidade de extração.  

A segunda parte da audiência ficou reservada para a participação popular. Momento para questionamentos, tirar dúvidas e fazer sugestões. As manifestações ocorreram de duas formas: enviadas escritas e com microfone aberto. O diretor-presidente da CPRH, José de Anchieta, considera que o procedimento é importante por "dar visibilidade ao processo, coletar informações e sugestões, além de possibilitar perceber qual a percepção da população com relação ao empreendimento e suas perspectivas". No caso do Serrote da Pedra Preta, as perguntas foram voltadas para preservação ambiental, situação das comunidades próximas e destino dos rejeitos. 

A realização da audiência não encerra a participação popular. Quem tiver interesse em conhecer com mais detalhes o projeto pode acessar o EIA/RIMA no portal da CPRH (www.cprh.pe.gov.br/estudos-e-relatorios-2025). E para sugestões ou questionamentos, basta enviar para o e-mail: licenciamento.aia@cprh.pe.gov.br até o dia 28 de março.

COLUNA POLÍTICA | INVENCIBILIDADE NAS URNAS ESTARÁ EM JOGO | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO


QUEM PERDERÁ A INVENCIBILIDADE? RAQUEL E JOÃO EM UM DUELO SEM FAVORITO EM PERNAMBUCO

A eleição para o Governo de Pernambuco em 2026 se desenha como uma das mais equilibradas e simbólicas da história recente do estado. De um lado, a governadora Raquel Lyra, que chega com a força da máquina pública e um volume crescente de entregas. Do outro, o prefeito do Recife, João Campos, que carrega popularidade, comunicação eficiente e forte identificação com o eleitorado.

A análise fria do cenário aponta para um raro empate técnico político: não há hoje um favorito claro. O que existe é um confronto de forças distintas, que se equilibram — e que inevitavelmente levará um dos dois a experimentar a primeira derrota da carreira.

UMA ELEIÇÃO SEM ZONA DE CONFORTO PARA NINGUÉM


Diferente de disputas tradicionais, em que um nome desponta com vantagem consolidada, o cenário atual é de total imprevisibilidade. João Campos já não apresenta a mesma folga inicial observada no início da pré-campanha, enquanto Raquel Lyra conseguiu atravessar o período mais desafiador do seu governo e entra agora em uma fase mais favorável, com ações mais visíveis.

Isso cria um ambiente onde nenhum dos dois pode errar. Qualquer movimento mal calculado, seja na comunicação ou na articulação política, pode alterar o rumo da disputa. É uma eleição em que não há espaço para acomodação — apenas para estratégia e execução precisa.

FORÇA DA GESTÃO CONTRA FORÇA DA IMAGEM

Raquel Lyra constrói sua candidatura com base na gestão. Ao longo do tempo, seu governo passou a apresentar um volume significativo de entregas em diversas regiões do estado, o que fortalece sua presença no interior e consolida bases políticas. Essa capilaridade tende a gerar um voto mais silencioso, porém consistente.

João Campos, por outro lado, opera com um ativo diferente: a imagem. Com forte presença digital, comunicação moderna e alta aprovação no Recife, ele mantém uma conexão direta com o eleitor. Sua narrativa é mais leve, mais acessível e dialoga com diferentes públicos.

No fim, trata-se de dois modelos que funcionam — e que, neste momento, se equivalem em potencial eleitoral.

HERANÇAS POLÍTICAS QUE PESAM E ORGANIZAM O JOGO

Não se pode ignorar o peso das origens políticas de ambos. João Campos é herdeiro direto do capital político de Eduardo Campos, uma das lideranças mais influentes da história recente do estado. Já Raquel Lyra traz consigo a tradição de João Lyra Neto, com forte inserção no interior.

Essas heranças não são apenas simbólicas — elas estruturam redes de apoio, facilitam alianças e ajudam a consolidar bases eleitorais. Em uma disputa equilibrada, esse tipo de capital político pode fazer diferença nos bastidores.

CAPITAL E INTERIOR: O VERDADEIRO CAMPO DE BATALHA

A geografia eleitoral será decisiva. João Campos tem vantagem clara na capital e na Região Metropolitana, onde sua gestão é mais visível e sua popularidade é elevada. Já Raquel Lyra cresce com mais consistência no interior, onde a presença do governo estadual tende a ter maior impacto direto na vida da população.

O ponto central da eleição está justamente na capacidade de cada um avançar fora de sua zona de conforto. Se João conseguir ampliar sua presença no interior, equilibra o jogo. Se Raquel crescer na Região Metropolitana, pode virar a disputa. Hoje, nenhum dos dois completou esse movimento de forma definitiva.

O PESO PSICOLÓGICO DA INVENCIBILIDADE

Tanto Raquel quanto João construíram suas trajetórias sem derrotas eleitorais. Isso não é apenas um dado estatístico — é um ativo político. A imagem de invencibilidade fortalece candidaturas, atrai aliados e transmite segurança ao eleitor.

Mas há um outro lado: a pressão. Quanto mais se aproxima o momento decisivo, maior o peso de manter essa trajetória intacta. E, desta vez, não há saída — um dos dois terá que lidar, pela primeira vez, com o impacto de uma derrota.

LULA COMO INFLUÊNCIA, MAS NÃO COMO FATOR DECISIVO

O apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será, sem dúvida, um elemento relevante na disputa. Ambos os lados buscam se aproximar desse capital político, reconhecendo sua força no estado.

No entanto, Pernambuco já demonstrou em eleições recentes que o voto não é definido exclusivamente por alinhamentos nacionais. O eleitor tende a considerar fatores locais, desempenho administrativo e identificação com os candidatos. Lula pode influenciar — mas dificilmente decidirá sozinho.

UMA CAMPANHA MAIS TÉCNICA DO QUE IDEOLÓGICA

A tendência é de uma disputa menos marcada por embates ideológicos e mais focada em gestão, resultados e comparação de perfis. Tanto Raquel quanto João transitam no campo político de centro, o que reduz a polarização tradicional e amplia o espaço para uma campanha mais pragmática.

Isso deve elevar o nível do debate, mas também tornar a eleição mais imprevisível. Sem um antagonismo claro, o eleitor tende a avaliar com mais atenção quem apresenta melhor desempenho e maior capacidade de governar.

DETALHES VÃO DEFINIR UMA ELEIÇÃO APERTADA

Em um cenário de equilíbrio, são os detalhes que decidem. Alianças bem construídas, presença territorial, desempenho em debates, capacidade de reação a crises e eficiência na comunicação serão fatores determinantes.

Não há indicativo de vitória folgada para nenhum dos lados. A tendência é de uma eleição decidida voto a voto, com variações ao longo da campanha e possibilidade real de reviravoltas.

UM DUELO QUE VAI MARCAR A POLÍTICA PERNAMBUCANA

A disputa entre Raquel Lyra e João Campos reúne todos os elementos de uma eleição histórica: equilíbrio, força política, legado e ambição.

Não há favorito absoluto. Há dois projetos viáveis, duas lideranças competitivas e um cenário completamente aberto.

E, acima de tudo, há uma certeza inevitável:

QUEM PERDERÁ A INVENCIBILIDADE?

Porque, desta vez, mais do que vencer, será preciso provar que se consegue continuar forte mesmo diante da primeira derrota.