A debandada envolve nomes com peso político no município: Ancelmo Coelho, Avelar Gomes, Corrinha da Saúde, Jerônimo do Sindicato, Paizinha Coelho e Paulo Macedo. O gesto coletivo não apenas simboliza um reposicionamento estratégico, mas também sinaliza um enfraquecimento considerável da sustentação política da chefe do Executivo, que iniciou o mandato em uma posição confortável, com ampla maioria entre os parlamentares.
O rompimento ocorre em meio a um contexto de tensão já evidente nos bastidores da política local. Um dos episódios que antecederam a crise foi o apoio público desses vereadores à pré-candidatura de Josimara Cavalcanti, mesmo após o rompimento político entre a prefeita e a liderança estadual. A atitude foi interpretada como um gesto de independência e também como um sinal claro de divergência com os rumos adotados pela gestão municipal.
Até então, Corrinha contava com o respaldo integral dos 11 vereadores eleitos para a legislatura 2025-2028, sendo nove deles filiados ao PSB e eleitos na mesma chapa da prefeita, além de dois parlamentares do União Brasil que, nos primeiros ամիս de governo, passaram a integrar a base aliada. Esse cenário de hegemonia política, no entanto, começou a ruir gradativamente, culminando agora na consolidação de um bloco oposicionista robusto e articulado.
Com a nova configuração, a prefeita passa a contar com o apoio direto de apenas quatro vereadores: Lomanto Ferreira, Dr. Gabriel e Nandinho Coelho, todos do PSB, além de Jackson Reis, do União Brasil. Já o vereador Zezinho do Povão, também do UB, mantém uma postura independente, mas alinhada à oposição, o que reforça ainda mais o isolamento político da gestora dentro do Legislativo.
A mudança no equilíbrio de forças dentro da Câmara Municipal deve impactar diretamente a governabilidade, especialmente na tramitação de projetos de interesse do Executivo. Com maioria oposicionista, a tendência é de maior rigor na fiscalização, debates mais intensos e possíveis entraves na aprovação de matérias estratégicas para a administração municipal.
Nos bastidores, aliados e adversários já se movimentam de olho nas eleições futuras e na redefinição de alianças políticas no município. A ruptura coletiva dos vereadores não apenas altera o presente da gestão, mas também projeta um novo cenário para o futuro político de Dormentes, marcado por disputas mais acirradas, reposicionamentos estratégicos e uma Câmara mais independente e protagonista.