Foto: Reprodução/Redes Sociais
Um menino de oito anos morreu no Hospital Geral de Areias, na Zona Oeste do Recife, na terça-feira (7), após passar por três unidades de saúde. A família aponta negligência médica e conta que Benjamin Leite Costa só recebeu diagnóstico da doença após o óbito.
Adejair Pereira da Costa, pai da criança, relata que o filho se queixou de dor de cabeça e ânsia de vômito durante uma viagem a Gravatá, no Agreste de Pernambuco, na sexta (3). No mesmo dia, o menino deu entrada na UPA de Gravatá, onde recebeu medicação e foi liberado.
A família voltou para casa, em Pau Amarelo, no município Paulista, no Grande Recife, e socorreu a criança no dia seguinte para a UPA de Jardim Paulista Baixo. De acordo com o relato, além dos sintomas persistirem, o menino passou a apresentar manchas vermelhas no corpo.
Na unidade, Benjamin teria recebido duas injeções para controlar o quadro e foi, mais uma vez, liberado sem realizar nenhum exame. Segundo pai da criança, equipe médica não soube informar qual a doença de Benjamin.
Sem o filho apresentar melhora, Adejair conta que o socorreu ao Hospital do Recife, recém-inaugurado no bairro de Areias, na Zona Oeste da capital. No local, um vigilante teria comunicado que a unidade só recebe casos encaminhados por outro hospital e não poderia atender o menino.
“Ele disse que lá não tem emergência, só atende através de regulação, se tiver encaminhado de um outro hospital. Se eu soubesse de uma coisa dessa, eu ia sair de Pau Amarelo para a Avenida Recife para trazer meu filho para morrer?”, disse o pai em conversa com o vereador Eduardo Moura (Novo).
Após a negativa, Adejair conta que foi andando com o filho ao Hospital Geral de Areias, onde a criança foi submetida à primeira coleta de sangue. Nesse ponto, a equipe médica suspeitava de dengue, mas optou fazer mais duas coletas para confirmar o diagnóstico. O pai aponta que o mesmo exame foi repetido porque a máquina que analisa o material estava com defeito.
Depois de horas na unidade de saúde, o menino seguiu de cadeira de rodas para fazer um raio-x por conta de suspeita de meningite. Após o novo exame, Benjamin foi colocado em uma “UTI improvisada”, denuncia o pai.
“Quando eu cheguei no leito improvisado, de UTI, chegou o médico e disse: ‘vou aplicar um antibiótico no seu filho porque tá com suspeita de meningite'”, contou.
“Depois dessa medicação, meu filho apagou. Meu filho começou a ficar roxo, as placas no braço dele começaram a ficar muito vermelhas, como se tivesse dado um efeito contrário”, apontou o pai.
Ainda conforme o relato, a criança precisou ser intubada e teve a morte confirmada antes de conseguir a transferência para o Hospital da Criança, cerca de 24h após a tentativa de dar entrada na unidade.
“Quando vieram disponibilizar uma ambulância para levar meu filho, meu filho não resistiu lá mesmo naquela UTI improvisada que fizeram“, afirmou Adejair.
Sem diagnóstico definido, a família só teve a confirmação da causa da morte ao receber o atestado de óbito, que indicava meningite purulenta.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que investiga o caso. A pasta ainda acrescenta que o protocolo de Doença Meningocócica não orienta fechamento de escolas em virtude de casos suspeitos, sendo a quimioprofilaxia feita de maneira seletiva, ainda, nos contatos mais próximos do paciente.
A Secretaria de Saúde do Recife não se pronunciou sobre a denúncia