quarta-feira, 22 de julho de 2026

FLÁVIO REPETE DISCURSO SOBRE URNAS, ENFRENTA ISOLAMENTO POLÍTICO E ACUMULA DESAFIOS NA CORRIDA PRESIDENCIAL

A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República atravessa um momento de turbulência política. A poucos dias da convenção nacional do PL, marcada para oficializar sua candidatura, o parlamentar voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um encontro com diplomatas em Brasília. Sem apresentar provas, afirmou que os equipamentos utilizados nas eleições brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, informação já desmentida pela Justiça Eleitoral, que reafirma não haver qualquer relação entre os sistemas.

No encontro, Flávio também defendeu que governos estrangeiros enviem o maior número possível de observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras de 2026. A iniciativa remete ao episódio protagonizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que, ainda no exercício do cargo, reuniu embaixadores para fazer críticas ao sistema eleitoral. Aquele episódio foi posteriormente considerado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como um dos elementos que levaram à condenação de Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido da estrutura pública. Embora Flávio não ocupe cargo no Executivo, a estratégia adotada segue a mesma linha de discurso do pai.

Enquanto busca mobilizar sua base eleitoral, o senador enfrenta dificuldades para ampliar sua sustentação política. Lideranças do União Brasil, PP e Republicanos afirmam que as conversas com o pré-candidato avançaram pouco devido à falta de negociações sobre participação em um eventual governo, acordos regionais e composição política. Nos bastidores, dirigentes dessas legendas avaliam que Flávio procurou apoio sem abrir espaço para discutir contrapartidas, dificultando a construção de uma aliança mais ampla.

A situação também se reflete na composição da chapa presidencial. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), apontada como principal nome para ocupar a vice-presidência, recusou o convite. Segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a parlamentar pretende disputar a presidência do Senado na próxima legislatura. Com isso, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), admite que Flávio poderá chegar à convenção sem um candidato a vice definido.

Na tentativa de reverter o isolamento, o senador retomou as conversas com os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, buscando atrair a Federação União Progressista para sua candidatura. A eventual aliança ampliaria o tempo de propaganda eleitoral, fortaleceria a estrutura nacional da campanha e daria maior capilaridade ao PL nos estados. Apesar disso, interlocutores da federação afirmam que ainda há forte resistência interna à composição.

Como se os desafios externos não fossem suficientes, a pré-campanha passou a conviver também com desgastes familiares. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual ela expôs divergências com os enteados e fez críticas a decisões internas do PL. Eduardo classificou a iniciativa como um gesto de "imaturidade" e afirmou que divergências desse tipo deveriam permanecer restritas ao ambiente interno.

Com dificuldades para consolidar alianças, sem vice definido e enfrentando ruídos dentro do próprio grupo político, Flávio Bolsonaro chega à reta final antes da convenção nacional cercado de incertezas. Ao mesmo tempo em que reedita um discurso já conhecido sobre o sistema eleitoral brasileiro, terá de superar obstáculos políticos que podem ser determinantes para a competitividade de sua candidatura na disputa presidencial de 2026.

FEDERAÇÃO UNIÃO PROGRESSISTA EXPÕE DISPUTA INTERNA POR VAGA AO SENADO E ELEVA PRESSÃO SOBRE RAQUEL LYRA

A corrida pelas vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) ganhou um novo capítulo e evidenciou o clima de disputa dentro da Federação União Progressista em Pernambuco. Os dois principais líderes do bloco no Estado, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), marcaram as convenções estaduais de seus respectivos partidos para o mesmo dia, 1º de agosto, e praticamente no mesmo horário, em movimentos que foram interpretados nos bastidores como demonstrações de força política.

Cada legenda deverá homologar seus candidatos proporcionais e reafirmar o apoio à reeleição de Raquel Lyra, mas também indicará seu respectivo nome para a disputa ao Senado. O impasse, entretanto, permanece sem solução. Eduardo da Fonte mantém sua pré-candidatura, enquanto Miguel Coelho também busca consolidar seu nome para integrar a chapa majoritária.

Nos bastidores, o gesto de marcar eventos simultâneos reforça a disputa por protagonismo dentro da federação. A convenção do PP acontecerá na sede da Federação União Progressista, reduto político de Eduardo da Fonte, das 11h às 17h. Já o União Brasil realizará seu encontro a partir das 10h, em sua própria sede, reunindo lideranças, prefeitos, parlamentares e filiados para demonstrar a força da legenda.

Apesar das convenções individuais, a definição oficial da candidatura ao Senado pela Federação União Progressista só poderá ocorrer em convenção conjunta. Esse encontro foi convocado por Eduardo da Fonte para o dia 5 de agosto. A decisão, no entanto, provocou insatisfação em Miguel Coelho, que afirmou não ter sido consultado sobre a data nem sobre a condução do processo.

O cenário se torna ainda mais delicado porque a governadora Raquel Lyra realizará a convenção do PSD no dia 2 de agosto, ocasião em que deverá oficializar o deputado federal Túlio Gadêlha como um dos nomes para o Senado na chapa governista. Restará, então, apenas uma vaga a ser ocupada, justamente a que é disputada por Eduardo da Fonte e Miguel Coelho.

Enquanto não há consenso, ambos intensificam a mobilização política para demonstrar capacidade de articulação e influência junto às bases municipais e às lideranças estaduais. Caso a governadora opte por não arbitrar o conflito e um entendimento não seja construído até a convenção conjunta, a decisão poderá ser levada à direção nacional da Federação União Progressista. Nos bastidores, também não está descartada a possibilidade de judicialização da escolha, caso uma das partes conteste o processo de definição da candidatura.

A disputa, que até pouco tempo era tratada de forma reservada, agora ganha contornos públicos e coloca a Federação União Progressista diante de um de seus maiores testes de unidade em Pernambuco, às vésperas da definição da chapa que disputará as eleições de 2026.

JOÃO CAMPOS ENCERRA CICLO DE PLENÁRIAS NO RECIFE E DIZ ESTAR "MAIS PREPARADO DO QUE NUNCA" PARA DISPUTA AO GOVERNO

O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), concluiu, na noite desta terça-feira (21), a série de plenárias do movimento Chega Junto Pernambuco realizadas no Recife. O último encontro aconteceu na Avenida Norte, reunindo lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, sindicalistas e moradores das Regiões Político-Administrativas (RPAs) 1 e 3, encerrando a etapa de escutas populares promovida na capital para a construção do programa de governo da Frente Popular.

Ao longo das últimas semanas, a iniciativa percorreu as seis RPAs do Recife, ouvindo sugestões de lideranças comunitárias e da população. A proposta, segundo a coordenação da pré-campanha, é consolidar um plano de governo elaborado a partir das demandas apresentadas durante os encontros.

Em seu discurso, João Campos afirmou que o encerramento das plenárias marca o início de uma nova fase da pré-campanha e demonstrou confiança para a disputa eleitoral de 2026.

"Hoje a gente completa mais um ciclo importante. É o último encontro regional no Recife da pré-campanha ao Governo de Pernambuco. Daqui a poucos dias estaremos reunidos com a Frente Popular para lançar oficialmente a nossa candidatura. Estou mais preparado do que nunca, mais animado do que nunca e, com muita fé em Deus, vamos vencer. O que nos move é o compromisso com o futuro de Pernambuco", declarou.

Durante a plenária, João também voltou a defender a criação da primeira Unidade de Pronto Atendimento (UPA) especializada em oncologia do Brasil, projeto anunciado durante sua gestão como prefeito do Recife. Segundo ele, o objetivo é garantir diagnóstico e tratamento precoce do câncer, independentemente de qual esfera de governo seja responsável pelo serviço.

"Quem está com câncer não quer saber de quem é a competência. Se o Estado não faz e a prefeitura pode fazer, o importante é garantir atendimento à população", afirmou.

O prefeito do Recife, Victor Marques (PSB), destacou que a mobilização construída nas plenárias fortalece o projeto político da Frente Popular e defendeu que as transformações promovidas na capital possam ser ampliadas para todo o estado.

Já o pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), ressaltou que a construção do programa de governo tem sido baseada no diálogo com a população durante as agendas pelo interior e pela Região Metropolitana. Segundo ele, a receptividade encontrada nas visitas demonstra o desejo de mudança e fortalece o projeto liderado por João Campos.

O encontro contou ainda com a presença do presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, dos deputados Francismar Pontes, Eriberto Filho e Pedro Campos, da senadora Teresa Leitão (PT), da candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) e do senador Humberto Costa (PT), que disputa a reeleição. A plenária marcou o encerramento da etapa recifense do Chega Junto Pernambuco, antes da oficialização da candidatura da chapa da Frente Popular ao Governo do Estado.

ELEITORES TEM ATÉ 20 DE AGOSTO PARA SOLICITAR VOTO EM TRÂNSITO

Os eleitores que pretendem votar fora do município de seu domicílio eleitoral nas Eleições 2026 têm até o dia 20 de agosto para solicitar a habilitação para o voto em trânsito. A modalidade é destinada a eleitoras e eleitores com situação regular no Cadastro Eleitoral que estarão em outra cidade brasileira no dia da votação.

O pedido pode ser feito de duas formas: pelo Autoatendimento Eleitoral, disponível nos portais da Justiça Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral ou Central de Atendimento ao Eleitor, mediante apresentação de um documento oficial com foto. Durante o mesmo período, também é possível alterar ou cancelar a solicitação. Após 20 de agosto, nenhuma modificação poderá ser realizada.

As regras para o voto dependem do local escolhido. Quem solicitar o voto em trânsito em um município localizado no mesmo estado do domicílio eleitoral poderá votar em todos os cargos em disputa. Já quem estiver em outro estado poderá votar apenas para presidente e vice-presidente da República.

A Justiça Eleitoral alerta que, uma vez habilitado para o voto em trânsito, o eleitor não poderá votar em sua seção eleitoral de origem. Caso não compareça ao local escolhido no dia da eleição, será necessário justificar a ausência. Após o pleito, o título retorna automaticamente ao local de votação original, sem necessidade de novo pedido.
 

COMEÇANDO HOJE O TARIFAÇO DO TRUMP CONTRA O BRASIL

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta 4ª feira (22.jul.2026). A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) na semana passada, atinge cerca de 3.000 itens e é cobrada dos importadores norte-americanos no momento da entrada das mercadorias no país.

Entre os principais itens preservados da taxação estão petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Já máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio passam a sofrer a cobrança.

A nova tarifa é resultado de uma investigação do USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão fez críticas a políticas brasileiras relacionadas ao Pix, regulação de plataformas digitais, acordos comerciais, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção. No relatório, o USTR classificou algumas medidas do Brasil como “irracionais” ou “restritivas” ao comércio bilateral.

O governo brasileiro classificou a decisão como um “marco lastimável” e afirmou que acionará a Lei da Reciprocidade Econômica, mas ainda não anunciou medidas práticas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chamou a tarifa de “injusta e descabida”, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que “não cabe falar em retaliação” neste momento. A estratégia do Planalto é manter a negociação diplomática e evitar uma escalada comercial.

O governo prepara medidas para reduzir os impactos da tarifa, incluindo linhas de crédito para empresas afetadas e ações de diversificação de mercados por meio da ApexBrasil. Também há a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, por causa de uma investigação sobre importações ligadas a trabalho forçado. Caso seja aplicada, a cobrança total poderia chegar a 37,5%

JUSTIÇA REVOGA PRISÃO DOMICILIAR DE PADRE AIRTON E RELIGIOSO PASSARÁ A RESPONDER EM LIBERDADE

A Justiça de Pernambuco decidiu revogar a prisão domiciliar do padre Airton Freire, determinando que o religioso passe a responder em liberdade aos processos criminais que ainda tramitam contra ele. A decisão representa uma nova etapa em um dos casos de maior repercussão no Estado nos últimos anos e foi fundamentada no entendimento de que a longa duração da prisão cautelar já não se mostrava compatível com o estágio atual da ação penal.

Ao analisar o processo, o magistrado responsável pelo caso avaliou que a demora na conclusão da instrução processual não decorreu de manobras da defesa, mas de fatores inerentes à complexidade da ação, como remarcações de audiências, necessidade de repetição de depoimentos e dificuldades relacionadas à produção das provas. Diante desse cenário, concluiu que a manutenção da prisão preventiva havia perdido sua proporcionalidade.

Preso preventivamente em 2023 e posteriormente transferido para prisão domiciliar, padre Airton permaneceu quase três anos submetido às restrições impostas pela Justiça. Durante esse período, segundo a decisão judicial, não houve qualquer registro de descumprimento das medidas determinadas.

Apesar de recuperar a liberdade, o sacerdote continuará sujeito a uma série de determinações judiciais. Ele está proibido de manter contato com a denunciante, não poderá exercer atividades religiosas nem utilizar redes sociais para comentar os processos. Além disso, permanece afastado das funções sacerdotais e segue impedido de exercer o ministério religioso por decisão da Diocese de Pesqueira.

A defesa recebeu a decisão como um reconhecimento de que a prisão já não encontrava respaldo jurídico diante da evolução do processo. Os advogados sustentam que as provas produzidas ao longo da instrução reforçam a tese de inocência do religioso e afirmam que continuarão trabalhando para obter sua absolvição nas ações ainda pendentes.

O caso teve início após denúncias apresentadas pelo Ministério Público de Pernambuco, que acusa padre Airton de participação em um estupro que teria ocorrido durante um suposto acompanhamento espiritual em uma propriedade localizada no município de Buíque, no Agreste. Segundo a acusação, o motorista e segurança do religioso teria praticado a violência por determinação do sacerdote. A denúncia reúne diferentes elementos investigativos, enquanto a defesa contesta a interpretação das provas e nega qualquer participação do padre nos fatos.

Em uma das ações penais relacionadas ao caso, padre Airton e o corréu já foram absolvidos neste ano. Na sentença, a Justiça concluiu que as provas periciais produzidas não confirmavam aspectos centrais da acusação naquele processo específico. No entanto, outras ações continuam em tramitação e ainda serão apreciadas pelo Poder Judiciário.

A decisão que revogou a prisão domiciliar não representa absolvição nem encerra as investigações. O mérito das acusações seguirá sendo analisado pela Justiça, enquanto o religioso responderá aos processos em liberdade, observando todas as medidas cautelares impostas pelo Judiciário.

ARCOVERDE VIRA REFERÊNCIA NO COMBATE À FOME E RECEBE MISSÃO DOS GOVERNOS FEDERAL E ESTADUAL

Arcoverde voltou a se destacar no cenário das políticas públicas de assistência social ao receber, nesta semana, representantes dos governos Federal e Estadual para uma agenda técnica voltada ao fortalecimento das ações de segurança alimentar. A visita reforça o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo município no enfrentamento da fome e na garantia do direito à alimentação para famílias em situação de vulnerabilidade.

A comitiva foi formada pela secretária nacional de Segurança Alimentar e Combate à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), Valéria Burity, e pelo secretário executivo de Combate à Fome de Pernambuco, Felipe Medeiros, que cumpriram uma série de visitas aos equipamentos municipais responsáveis pela execução das políticas de assistência alimentar.

Recebidos pela secretária municipal de Assistência Social, Neila Lira, os representantes conheceram de perto o funcionamento das Cozinhas Solidárias e Comunitárias, espaços que diariamente oferecem refeições gratuitas e acolhimento a pessoas e famílias em situação de insegurança alimentar. Durante a agenda, a equipe técnica apresentou a metodologia de trabalho, os critérios de atendimento e os resultados alcançados pelo município ao longo dos últimos anos.

A visita também serviu para promover uma troca de experiências entre as equipes dos três níveis de governo. O objetivo foi identificar boas práticas que possam ser fortalecidas e até replicadas em outras cidades brasileiras, ampliando o alcance das políticas públicas voltadas à erradicação da fome e à proteção social.

As Cozinhas Solidárias têm desempenhado um papel estratégico na rede de assistência de Arcoverde, funcionando não apenas como espaços de oferta de alimentação, mas também como pontos de acolhimento e integração com outros serviços sociais, aproximando a população de programas de geração de renda, qualificação profissional e acompanhamento socioassistencial.

Para a secretária Neila Lira, a presença das equipes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e do Governo de Pernambuco representa o reconhecimento de um trabalho construído de forma integrada, com foco na dignidade das famílias e na garantia de direitos. Segundo ela, o município vem investindo continuamente na ampliação das ações de segurança alimentar, buscando atender quem mais precisa.

A agenda reafirma ainda a importância da parceria entre União, Estado e municípios na implementação de políticas públicas capazes de reduzir os índices de insegurança alimentar. Em um cenário em que o combate à fome continua sendo uma das principais prioridades sociais do país, iniciativas como as desenvolvidas em Arcoverde demonstram que a articulação entre os entes federativos pode produzir resultados concretos na vida da população.

Com a visita, Arcoverde consolida sua posição como uma das cidades pernambucanas que vêm se destacando pela estruturação de uma rede de segurança alimentar eficiente, tornando-se referência para gestores públicos e fortalecendo o compromisso com a inclusão social, a cidadania e a promoção da dignidade humana.

NA LUPA | QUANDO A SIMPLEX ERA BOA... E QUANDO DEIXOU DE SER

Há uma velha máxima na política: pesquisa boa é aquela que confirma aquilo que o candidato quer ouvir. Quando deixa de confirmar, o problema nunca é o desempenho nas ruas. O problema passa a ser o instituto.

Foi exatamente isso que aconteceu em Pernambuco.

Durante cinco pesquisas consecutivas da Simplex Consultoria, João Campos apareceu liderando a disputa pelo Governo do Estado. Nesse período, reinou um silêncio absoluto sobre metodologia, amostragem, margem de erro e credibilidade. Nenhuma nota de repúdio. Nenhuma suspeita. Nenhuma acusação. A Simplex servia perfeitamente para embasar discursos, alimentar redes sociais e sustentar a narrativa de que a eleição estava praticamente decidida.

Veio a sexta pesquisa. O cenário mudou. A vantagem desapareceu e deu lugar a um empate técnico com Raquel Lyra.

Como num passe de mágica, a Simplex deixou de prestar.

O instituto que era confiável passou a ser tratado como suspeito. Militantes foram acionados, ataques ganharam as redes sociais e surgiu uma tentativa quase desesperada de desacreditar um levantamento que, curiosamente, utilizou a mesma metodologia das pesquisas anteriores.

A pergunta continua sem resposta: se a Simplex era séria nas cinco primeiras pesquisas, por que deixou de ser justamente na sexta?

Ou será que a credibilidade de um instituto passou a depender exclusivamente de quem aparece na frente?

O episódio revela muito mais do que uma simples discordância com números. Revela nervosismo. Revela incômodo. Revela que o empate técnico mexeu onde mais dói: na narrativa de uma eleição supostamente definida.

É curioso observar que ninguém questionava a qualidade da pesquisa quando ela colocava João Campos em vantagem confortável. Bastou os números apontarem uma disputa equilibrada para começar uma verdadeira caça às bruxas. Não contra os adversários, mas contra quem teve a ousadia de divulgar um retrato diferente do desejado.

A democracia não funciona assim. Pesquisa não foi criada para agradar candidatos. Foi criada para medir o humor do eleitor em determinado momento. Se o retrato muda, talvez seja a realidade que esteja mudando — e não o instituto.

Ao atacar a Simplex apenas porque o resultado deixou de ser conveniente, setores do PSB acabam prestando um desserviço ao debate público e, de quebra, passam um recibo de insegurança política. A mensagem transmitida é cristalina: enquanto a pesquisa favorece, ela é verdade; quando deixa de favorecer, vira fraude, manipulação ou incompetência.

O eleitor percebe esse tipo de comportamento. E costuma ser implacável com quem troca a coerência pela conveniência.

No fim, fica apenas uma pergunta, simples e direta: a Simplex mudou ou foi apenas o resultado que deixou de agradar?

Essa é uma daquelas perguntas que, até agora, ninguém do outro lado conseguiu responder.