O posicionamento do União Brasil foi respaldado pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, e representa o primeiro desdobramento político concreto da mudança na composição da chapa governista. Embora Miguel Coelho tenha divulgado um vídeo nas primeiras horas do dia reafirmando apoio pessoal à reeleição de Raquel Lyra e orientando seu grupo político a permanecer ao lado da governadora, a direção estadual do partido optou por outro caminho.
Em nota oficial, a legenda informou que a convenção aprovou por unanimidade a chapa de candidatos proporcionais que será submetida à Convenção da Federação União Progressista. No entanto, em relação à disputa majoritária, o entendimento foi diferente.
Segundo o comunicado, "diante da retirada da postulação ao Senado Federal e por orientação expressa da Direção Nacional do União Brasil, a Convenção deliberou pela não formação de coligação para os cargos de Governador e Senador no Estado de Pernambuco".
A nota vai além e admite, de forma explícita, o impasse interno vivido pela Federação União Progressista em Pernambuco. "A deliberação evidencia a divergência atualmente existente no âmbito da Federação em Pernambuco. O União Brasil manterá a posição aprovada por sua Convenção Estadual e defenderá esse entendimento perante as instâncias competentes da Federação", diz o documento assinado por Antonio Rueda e pelo secretário-geral do União Brasil em Pernambuco, Carlos Andrade Lima.
A decisão amplia a tensão entre PP e União Brasil dentro da federação, justamente no momento em que Raquel Lyra buscava consolidar um discurso de unidade em torno de sua candidatura. Embora Miguel Coelho mantenha o apoio político à governadora, a posição institucional do União Brasil deixa claro que o partido não acompanhará oficialmente a chapa majoritária, abrindo um novo capítulo nas disputas internas da União Progressista às vésperas do início da campanha eleitoral.