segunda-feira, 10 de agosto de 2026

REPUBLICANOS ROMPE COM A BASE DO PREFEITO RAMOS EM PAULISTA E ADOTA POSTURA INDEPENDENTE

Da REDAÇÃO

O diretório municipal do Republicanos em Paulista anunciou, na última sexta-feira, o rompimento com a base de sustentação do prefeito Ramos. A decisão foi comunicada oficialmente na tribuna da Câmara Municipal pela presidente da legenda no município, a vereadora Marcelly da Aquarela, e marca uma mudança importante no posicionamento político do partido dentro do cenário municipal.

Durante o pronunciamento, Marcelly afirmou que a decisão foi tomada depois de um processo de diálogo, reflexão e avaliação do atual momento político e administrativo de Paulista. Segundo ela, o afastamento do grupo governista não está relacionado a questões pessoais, mas é resultado do acúmulo de divergências políticas e administrativas ao longo da gestão.

“Esta decisão não decorre de questões pessoais, mas, sim, de uma incompatibilidade política e administrativa que, ao longo do tempo, tornou inviável a continuidade dessa parceria”, declarou a dirigente.

A presidente do Republicanos também defendeu que a política precisa manter coerência entre discurso e prática. Na avaliação da legenda, deixou de existir convergência suficiente em relação às prioridades e à forma de condução da administração municipal para justificar a permanência do partido na base governista.

“Quando entendemos que já não há convergência de ideias, prioridades e métodos de condução da administração pública, o caminho mais honesto é comunicar essa posição com transparência e respeito”, afirmou Marcelly.

Apesar do rompimento, o Republicanos fez questão de deixar claro que a decisão não significa a adoção de uma oposição automática ao governo Ramos. A legenda anunciou que passará a atuar de forma independente na Câmara Municipal, avaliando individualmente os projetos encaminhados pelo Executivo.

“Continuaremos votando favoravelmente a todos os projetos que forem benéficos para a população, independente de sua origem”, destacou a vereadora.

Na prática, o novo posicionamento coloca o Republicanos em uma posição de independência, com liberdade para apoiar medidas consideradas positivas para Paulista e, ao mesmo tempo, ampliar a fiscalização sobre as ações do Poder Executivo.

Marcelly da Aquarela reforçou ainda que o afastamento da base não representa mudança no compromisso do partido com o município. Segundo a vereadora, a legenda continuará priorizando pautas relacionadas às mulheres, juventude, educação, saúde e proteção das famílias.

O Republicanos também sinalizou que pretende exercer de maneira mais incisiva o papel de fiscalização dos recursos públicos e das ações administrativas da Prefeitura. Para a legenda, a independência entre os poderes é fundamental para o fortalecimento da democracia e para garantir maior transparência na gestão municipal.

O movimento abre uma nova etapa na relação entre o Republicanos e o governo Ramos em Paulista. A partir de agora, o partido deixa de integrar formalmente a base governista e passa a adotar uma postura independente, mantendo aberta a possibilidade de apoiar projetos de interesse da população, mas sem abrir mão da fiscalização e da cobrança sobre a administração municipal.

PRAZO FINAL: PARTIDOS CORREM CONTRA O TEMPO PARA REGISTRAR CANDIDATURAS EM PERNAMBUCO

ELEIÇÕES 2026 — O relógio eleitoral está correndo e o próximo sábado, 15 de agosto, será uma data decisiva para os partidos e federações em Pernambuco. Chega ao fim o prazo para o registro das candidaturas que disputarão as eleições deste ano, encerrando uma etapa fundamental do calendário eleitoral.

Até o momento, segundo dados da Justiça Eleitoral, Pernambuco já contabiliza sete candidaturas ao Governo do Estado, com seus respectivos candidatos a vice-governador. Na disputa pelo Senado, são seis candidatos, cada um acompanhado de seus respectivos suplentes.

A corrida também é intensa para a Câmara Federal. Até aqui, o estado registra 276 candidatos a deputado federal. Para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o número chega a 339 candidaturas para deputado estadual.

Os números ainda podem sofrer alterações até o encerramento do prazo, já que partidos, federações e candidatos seguem ajustando suas chapas e formalizando registros. É justamente nos últimos dias que costumam ocorrer mudanças, substituições e oficializações de nomes que ainda estavam sendo definidos nos bastidores.

Com o prazo chegando ao fim, o cenário eleitoral pernambucano entra definitivamente na fase de campanha oficial, quando os candidatos passam a disputar o voto nas ruas, nas redes sociais, no rádio e na televisão.

O grande volume de candidaturas também revela o tamanho da disputa que Pernambuco terá pela frente. Além da eleição para governador, a renovação da bancada federal e da Assembleia Legislativa promete ser uma das partes mais acirradas do pleito, com centenas de nomes buscando espaço e votos em todas as regiões do estado.

Agora, a expectativa fica concentrada no fechamento dos registros. Até sábado, muita coisa ainda pode mudar no tabuleiro eleitoral pernambucano.

WILLIAM BRIGIDO OFICIALIZA CANDIDATURA À REELEIÇÃO PARA A ALEPE E PARTE PARA O TERCEIRO MANDATO

Da REDAÇÃO

O deputado estadual William Brigido (PSD) oficializou junto à Justiça Eleitoral o pedido de registro de candidatura à reeleição para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O parlamentar, que já exerce o segundo mandato, busca agora conquistar novamente uma vaga no Legislativo estadual nas eleições de 2026.

O registro ocorre após a aprovação de seu nome em convenção partidária e marca oficialmente mais uma etapa da caminhada eleitoral de Brigido. Com dois mandatos na Alepe, o deputado chega à disputa apresentando como principais marcas do seu mandato a produção legislativa, a atuação em diferentes regiões do Estado e a destinação de emendas parlamentares.

Segundo dados divulgados pelo próprio parlamentar, ao longo dos dois mandatos foram apresentados mais de mil projetos, com mais de 100 leis aprovadas. As emendas destinadas por Brigido também alcançaram municípios de diversas regiões de Pernambuco, contemplando áreas como saúde, educação, inclusão social, agricultura, esporte e infraestrutura.

Na Assembleia, William Brigido também mantém uma atuação voltada para pautas como fortalecimento da família, liberdade religiosa, inclusão das pessoas com deficiência, atenção à população idosa e melhorias na saúde pública.

Além da trajetória política, Brigido tem formação em Gestão Pública e é bispo da Igreja Universal. Antes de chegar à Alepe, desenvolveu trabalhos sociais em comunidades, hospitais, presídios e projetos de assistência, experiência que, segundo ele, ajudou a moldar sua atuação na vida pública.

Com o pedido de registro, o deputado entra oficialmente na corrida por um novo mandato e busca ampliar sua presença política em Pernambuco. A disputa por cadeiras na Alepe deverá ser marcada por uma forte concorrência entre parlamentares que tentarão renovar seus mandatos e novos nomes que chegam ao processo eleitoral.

Ao anunciar a candidatura, William Brigido afirmou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos anos e manter sua atuação próxima da população pernambucana.

“Coloco mais uma vez o meu nome à disposição dos pernambucanos com a disposição de quem sabe que ainda há muito a fazer. Foram anos de trabalho, projetos, leis, emendas e presença junto às pessoas. Quero continuar sendo a voz de quem trabalha, luta e não desiste. Seguimos com fé, responsabilidade e muito trabalho por Pernambuco”, declarou.

A partir da formalização do registro, William Brigido passa a concentrar sua agenda na construção eleitoral para a tentativa de conquistar o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

FOTO NA PISCINA COM POLÍTICOS E ALVO DA PF AGITA BASTIDORES DO CASO INSS; RAMAGEM SE EXPLICA

Uma fotografia registrada em abril de 2023 voltou ao centro dos holofotes e passou a alimentar a repercussão política em torno das investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema envolvendo fraudes contra o INSS. Na imagem, aparecem o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e outros parlamentares ao lado do advogado Willer Tomaz, que foi alvo de uma operação da PF na semana passada.

A fotografia estava armazenada no celular de Weverton Rocha e foi divulgada pela revista Piauí. A repercussão aumentou porque o senador e o advogado estão entre os nomes alcançados pelas investigações da Polícia Federal.

Diante da exposição da imagem, Ramagem decidiu se manifestar. O ex-deputado afirmou que o registro foi feito durante um evento social e ressaltou que esposas e filhos dos participantes também estavam presentes. A tentativa foi contextualizar a fotografia e afastar qualquer interpretação de que o encontro, por si só, representaria uma relação política ou financeira entre os envolvidos.

Além de Ramagem e Weverton, aparecem na fotografia Arthur Lira, Elmar Nascimento, Paulo Azi, Juscelino Filho, Efraim Filho e Ângelo Coronel. A presença de tantos nomes conhecidos da política nacional acabou dando ainda mais repercussão ao episódio.

Ramagem também destacou que Willer Tomaz atua profissionalmente para clientes de diferentes correntes políticas. Segundo ele, o advogado representa parlamentares de direita, esquerda e centro, além de empresas brasileiras e estrangeiras.

O ex-deputado aproveitou ainda para reafirmar que defende investigações consideradas sérias, mas disse que continuará contestando aquilo que entender como errado ou sem respaldo legal.

O caso ganhou uma dimensão ainda maior porque documentos da Polícia Federal apontam supostos pagamentos realizados pelo escritório de Willer Tomaz à Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa do senador Weverton Rocha. A PF investiga a origem e a movimentação desses recursos dentro de uma apuração que envolve suspeitas de ocultação ou dissimulação de valores relacionados a possíveis crimes antecedentes.

A fotografia, entretanto, não comprova, por si só, qualquer participação dos demais políticos que aparecem no registro nas irregularidades investigadas. A imagem passou a chamar atenção principalmente pelo contexto em que veio a público e pela presença de um advogado que atualmente está no radar da Polícia Federal.

Ramagem está nos Estados Unidos após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado à trama golpista. Na manifestação sobre a fotografia, também afirmou que muitos dos políticos presentes deverão participar da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026.

O episódio coloca novamente nos holofotes uma fotografia antiga que, até então, poderia ser vista apenas como um registro de um encontro social. Agora, diante das investigações envolvendo um dos participantes, a imagem ganhou novo significado político e passou a circular intensamente nos bastidores de Brasília.

Blog do Edney | Política em Pernambuco e no Brasil

JULIANA DE CHAPARRAL REFORÇA DEFESA DAS MULHERES E PROMETE “VOZ FIRME” NA CÂMARA FEDERAL

Da REDAÇÃO

Em meio às discussões sobre o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres, a candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil) aproveitou os 20 anos da Lei Maria da Penha para reafirmar seu posicionamento em defesa do enfrentamento à violência doméstica. A declaração foi publicada nas redes sociais na sexta-feira (7), data que marcou duas décadas da criação de uma das principais legislações brasileiras voltadas à proteção das mulheres.

Juliana afirmou que, caso conquiste uma vaga na Câmara dos Deputados, pretende transformar a pauta em uma das frentes de sua atuação parlamentar. Segundo ela, a defesa das mulheres precisa ocupar espaço permanente dentro da agenda política e não apenas ganhar destaque em datas simbólicas.

“Há 20 anos, a Lei Maria da Penha se tornou um marco na luta contra a violência doméstica e na proteção das mulheres. Na Câmara, minha voz será firme para defender as mulheres”, declarou a candidata.

A postulante também destacou a necessidade de ampliar mecanismos de proteção e garantir políticas públicas capazes de oferecer suporte às mulheres vítimas de violência. Para Juliana, o poder público precisa atuar de forma mais efetiva para evitar que mulheres em situação de vulnerabilidade tenham de enfrentar sozinhas processos que envolvem violência, proteção e busca por justiça.

“Vou lutar por mais proteção, justiça e políticas públicas que garantam que nenhuma mulher enfrente a violência sozinha”, afirmou.

Ao abordar os 20 anos da Lei Maria da Penha, Juliana também procurou vincular o tema à responsabilidade dos agentes públicos. Na avaliação da candidata, combater a violência contra a mulher exige não apenas legislação, mas também compromisso político, estrutura de atendimento e ações permanentes de proteção.

“Essa luta também é responsabilidade da política. E eu estou pronta para defendê-la”, pontuou.

A manifestação coloca a defesa das mulheres entre as pautas que Juliana de Chaparral pretende levar para o debate eleitoral e, caso eleita, para sua atuação no Congresso Nacional. A candidata busca consolidar seu nome na disputa por uma cadeira na Câmara Federal apresentando uma agenda que inclui a defesa de políticas públicas voltadas à proteção e à garantia de direitos das mulheres.

PATRIMÔNIO DE NIKOLAS FERREIRA SALTA DE R$ 36 MIL PARA R$ 3,8 MILHÕES DURANTE PRIMEIRO MANDATO

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou uma expressiva evolução em seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral ao longo do primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Segundo dados divulgados na sexta-feira (7), o patrimônio informado pelo parlamentar passou de cerca de R$ 36 mil, em 2022, para R$ 3,8 milhões neste ano.

A maior parte do patrimônio atual está concentrada em um imóvel financiado, declarado pelo deputado no valor de R$ 2.231.664,61. Os outros aproximadamente R$ 1,6 milhão aparecem distribuídos entre aplicações financeiras, investimentos, ações e participações empresariais.

Na eleição de 2022, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, Nikolas havia declarado apenas depósitos bancários, investimentos em renda fixa e valores mantidos em caderneta de poupança. Considerando a inflação do período, os R$ 36 mil declarados naquela ocasião equivaleriam atualmente a aproximadamente R$ 43,5 mil.

A trajetória patrimonial do parlamentar começou ainda antes da chegada ao Congresso. Em 2020, Nikolas Ferreira foi eleito vereador de Belo Horizonte pelo então PRTB. No primeiro pleito que disputou, entretanto, não havia declarado bens à Justiça Eleitoral.

Quatro anos depois, os números apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral mostram uma realidade patrimonial bastante diferente. O patrimônio declarado de R$ 3,8 milhões representa uma multiplicação expressiva em relação ao valor informado na eleição anterior.

É importante destacar que a declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral registra o patrimônio informado pelo candidato no momento do registro de candidatura e não significa, por si só, irregularidade. A composição e a origem dos recursos podem ser analisadas pelos órgãos competentes dentro dos mecanismos de fiscalização eleitoral.

As informações sobre a evolução patrimonial foram divulgadas pelo jornal O Globo.

RÔMULO “PÃO COM OVO” AMPLIA ARTICULAÇÃO NA MATA SUL E FECHA APOIO A JANJÃO E IZA ARRUDA

Ex-prefeito de Primavera mira fortalecimento político em Primavera e Amaraji e aposta em nomes com os quais mantém alinhamento para as eleições de 2026

O ex-prefeito de Primavera Rômulo César, conhecido popularmente como “Rômulo Pão com Ovo”, começa a desenhar de forma mais clara sua atuação política para as eleições de 2026. Em entrevista concedida ao programa Panorama Político, da Rádio Líder FM, de Chã Grande, na última quinta-feira, o ex-gestor confirmou os nomes que pretende apoiar para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Para deputado federal, Rômulo reafirmou seu apoio à deputada Iza Arruda (MDB), que disputará a reeleição. A parceria não é nova. O ex-prefeito já havia caminhado com a parlamentar em 2022, quando Iza Arruda disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados.

Segundo Rômulo, a atuação de Iza em Brasília tem atendido às expectativas e contribuído para a chegada de ações e investimentos que refletem diretamente na população. A manutenção do apoio demonstra que a aliança construída na eleição passada permanece de pé e agora entra em uma nova fase, com o desafio de ampliar a votação da deputada na região.

Já para deputado estadual, a escolha foi pelo ex-prefeito de Bom Jardim, Janjão, que disputa pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A decisão representa uma mudança em relação a 2022, quando Rômulo apoiou João de Nadegi, a quem fez questão de elogiar e demonstrar respeito pelo trabalho realizado.

Desta vez, o ex-prefeito afirmou estar alinhado ao projeto político de Janjão, principalmente pela identificação com pautas voltadas para o interior e para o setor agrícola. Rômulo também destacou a administração de Janjão em Bom Jardim como uma referência de gestão eficiente.

Com dois mandatos à frente da Prefeitura de Primavera e integrante de uma família com forte presença na política local — sua mãe, Naza Pão com Ovo, foi a primeira mulher a comandar o município — Rômulo construiu ao longo dos anos uma rede de relações políticas que ultrapassa os limites de Primavera.

Atualmente morando em Amaraji, o ex-prefeito mantém presença política e atuação social no município, o que amplia o alcance de sua movimentação para as eleições do próximo ano.

A estratégia, portanto, passa por dois municípios importantes para sua trajetória: Primavera, onde construiu sua carreira política, e Amaraji, onde atualmente reside e mantém articulações. A expectativa de Rômulo é transformar essa presença regional em votos para Iza Arruda e Janjão.

A movimentação mostra que, mesmo fora do comando da Prefeitura, Rômulo “Pão com Ovo” continua ativo nos bastidores e pretende usar sua influência política para participar diretamente da formação das bancadas que representarão a região na Câmara Federal e na Alepe a partir de 2027.y

SENADO EM PERNAMBUCO VIRA GUERRA DE VOTO A VOTO E AUMENTA A TENSÃO ENTRE CANDIDATOS E PARTIDOS

A eleição para o Senado em Pernambuco entrou definitivamente no centro do jogo político de 2026. O que durante muito tempo foi tratado como uma disputa secundária, quase sempre puxada pelos candidatos ao Governo do Estado, agora ganhou vida própria, movimentando prefeitos, lideranças, partidos e redes sociais.

O cenário é considerado um dos mais imprevisíveis dos últimos anos. Com duas vagas em disputa e vários nomes competitivos, a margem para erros diminuiu consideravelmente. Cada apoio anunciado, cada prefeito que muda de posição e cada movimento de bastidor pode representar alguns milhares de votos na reta final.

A avaliação de especialistas de que governadores bem avaliados normalmente conseguem eleger seus candidatos ao Senado continua sendo utilizada como argumento pela base da governadora Raquel Lyra. O senador Ciro Nogueira, inclusive, destacou recentemente a força da aprovação da governadora ao defender a tese de que um chefe do Executivo estadual com elevado índice de aprovação possui condições de eleger sua chapa completa.

Na prática, porém, Pernambuco apresenta uma realidade mais complexa.

Raquel Lyra tem Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha como nomes de sua composição para o Senado. Do outro lado, João Campos também possui um palanque competitivo e trabalha para manter seus aliados alinhados. No meio desse confronto surgiu uma candidatura capaz de mexer profundamente no tabuleiro: a de Mendonça Filho pelo PL.

Mendonça decidiu entrar na disputa sem estar vinculado a uma candidatura ao Governo do Estado. A estratégia abriu uma terceira via na corrida pelo Senado e passou a atrair prefeitos e lideranças que não necessariamente querem seguir a lógica dos dois principais palanques estaduais.

O movimento provocou preocupação entre os grupos políticos. A governadora Raquel Lyra passou a reforçar publicamente que Mendonça Filho não integra sua chapa e intensificou as conversas com prefeitos para consolidar os apoios a Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha.

A cobrança por manifestações públicas de apoio também aumentou. A lógica é simples: em uma eleição apertada, não basta apenas declarar voto nos bastidores. Os grupos querem demonstrações públicas de força para evitar que seus aliados sejam atraídos pelos adversários.

Enquanto isso, o tabuleiro também começa a produzir efeitos sobre a chapa de João Campos.

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto, rompeu politicamente com Marília Arraes e passou a ser apontado como possível aliado de candidaturas que disputam uma das duas cadeiras do Senado. O movimento demonstra como a eleição parlamentar já começou a provocar rearranjos que ultrapassam os limites das próprias candidaturas.

No campo petista, a situação de Humberto Costa também exige atenção. O senador busca a reeleição e possui apoios importantes no interior, mas o avanço da articulação de Raquel Lyra entre prefeitos pode dificultar a manutenção de parte dessas alianças.

É justamente nesse ponto que a eleição começa a ganhar contornos nacionais.

O PT deverá tentar ampliar a participação do presidente Lula na construção da estratégia eleitoral de Humberto. Ao mesmo tempo, existe o interesse de evitar que a disputa presidencial interfira negativamente nos palanques municipais e estaduais, principalmente em uma eleição na qual muitos prefeitos podem optar por dividir seus votos entre diferentes candidaturas ao Senado.

E é exatamente aí que mora o perigo para todos os candidatos.

Com duas vagas abertas, o eleitor não precisa necessariamente votar em uma chapa fechada. Pode escolher dois nomes de grupos políticos diferentes. Isso transforma a eleição em uma espécie de grande quebra-cabeça, no qual alianças locais, relações pessoais, influência de prefeitos, redes sociais e estruturas partidárias podem pesar tanto quanto os palanques estaduais.

A eleição de 2026 também acontece em um ambiente no qual Senado e Câmara ganharam ainda mais importância dentro da estratégia dos partidos. As emendas parlamentares, o tamanho das bancadas e a disputa pelo controle político de Brasília colocaram o Legislativo no centro das atenções.

No caso do Senado, existe ainda um componente adicional: a expectativa de que a Casa tenha papel decisivo em grandes embates institucionais a partir de 2027.

Por isso, a disputa pernambucana deixou de ser apenas uma eleição para duas cadeiras.

Virou uma batalha estratégica.

Raquel Lyra precisa demonstrar que sua força política e sua rede de prefeitos serão suficientes para eleger seus dois candidatos. João Campos precisa impedir que seu palanque perca espaço e, ao mesmo tempo, administrar os movimentos dos aliados. Mendonça Filho tenta transformar sua candidatura independente em uma alternativa competitiva. Humberto Costa busca preservar seu capital político e manter o apoio conquistado no interior.

E, enquanto os partidos fazem contas, os candidatos correm atrás de prefeitos, vereadores, lideranças e eleitores, o que se desenha é uma eleição na qual poucos votos podem separar um vencedor de um derrotado.

Em Pernambuco, o Senado deixou de ser coadjuvante.

Em 2026, pode ser justamente a eleição que vai definir quem sai fortalecido para comandar o jogo político do Estado a partir de 2027.

Baseado no conteúdo publicado por Terezinha Nunes do Blog Dellas no JC deste Domingo