quarta-feira, 2 de setembro de 2026

TORITAMA DÁ PASSO HISTÓRICO: EDITAL DE R$ 34 MILHÕES PARA A TRAVESSIA URBANA DA BR-104 É PUBLICADO

Da REDAÇÃO
Blog do Edney

O que durante anos foi motivo de cobrança, reuniões e peregrinação por Brasília começa finalmente a sair do papel em Toritama. O Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), publicou nesta quarta-feira (2), no Diário Oficial da União, o edital para contratação da empresa que será responsável pelas obras de pavimentação e melhoria da travessia urbana da BR-104 no município. O investimento previsto ultrapassa R$ 34 milhões e representa uma das intervenções viárias mais aguardadas pela população da Capital do Jeans.

De acordo com o processo licitatório, a Concorrência nº 452/2026 prevê investimento de aproximadamente R$ 34,27 milhões para o trecho compreendido entre os quilômetros 27,73 e 30,60 da BR-104. A abertura das propostas está marcada para o dia 9 de outubro de 2026. O DNIT também abriu contratação específica para a supervisão dos serviços, estimada em cerca de R$ 4,8 milhões.

A obra tem peso estratégico para Toritama porque a BR-104 corta uma das áreas de maior circulação de veículos do município. Em períodos de maior movimento, especialmente durante os dias de feira, o intenso fluxo de carros, ônibus, caminhões e compradores transforma a rodovia em um dos principais gargalos de mobilidade da cidade. A expectativa é que a intervenção melhore as condições de circulação, aumente a segurança viária e dê maior fluidez ao trânsito em uma região diretamente ligada ao funcionamento do Polo de Confecções do Agreste.

A publicação do edital também representa uma vitória política para um grupo que há anos vem tratando a melhoria da BR-104 como prioridade. A articulação envolve o prefeito Sérgio Colin, o ex-prefeito Edilson Tavares e o senador Fernando Dueire, que levaram a demanda ao Governo Federal e ao Ministério dos Transportes, comandado pelo ministro Renan Filho.

A história, portanto, não começou agora. Ainda durante a gestão de Edilson Tavares, a situação da BR-104 já era apresentada como um dos principais problemas de infraestrutura de Toritama. O ex-prefeito buscou apoio político em Brasília e manteve interlocução com o senador Fernando Dueire para tentar destravar os investimentos necessários para o município.

Sérgio Colin deu continuidade à articulação e transformou a travessia urbana em uma das principais pautas de sua agenda administrativa. Mesmo antes de assumir o comando da Prefeitura, participou de discussões sobre a situação da rodovia e, já como prefeito, intensificou as cobranças junto ao Ministério dos Transportes e ao DNIT.

Em diferentes agendas em Brasília, Colin esteve ao lado de Edilson Tavares, Fernando Dueire e outras lideranças políticas para defender a necessidade da intervenção. A estratégia foi manter a pressão institucional até que o projeto avançasse dentro do Governo Federal.

Em maio deste ano, veio um dos sinais mais concretos de que a obra finalmente poderia avançar: a autorização para publicação do edital. Agora, quatro meses depois, o documento foi efetivamente publicado e a obra entra oficialmente na fase de licitação.

Sérgio Colin comemorou a conquista e fez questão de destacar que o resultado é fruto de uma construção política que começou ainda na gestão anterior e que foi mantida pela atual administração.

“Essa é uma das maiores vitórias do nosso mandato. É resultado de muitas idas a Brasília, dando continuidade ao trabalho iniciado por Edilson Tavares e buscando apoio para viabilizar essa demanda histórica de Toritama”, afirmou o prefeito.

A declaração também revela um aspecto político importante: ao reconhecer a participação de Edilson Tavares, Colin evita transformar a conquista em uma bandeira exclusivamente de sua gestão e reforça a ideia de continuidade administrativa. Ao mesmo tempo, o atual prefeito consolida politicamente a obra como uma entrega do seu governo.

Para Toritama, porém, a importância vai muito além da disputa pelos créditos políticos. A BR-104 é uma artéria fundamental para o Polo de Confecções do Agreste e recebe diariamente um enorme fluxo de pessoas que chegam ao município em busca dos produtos comercializados na Capital do Jeans.

Uma melhoria na travessia urbana significa mais segurança para motoristas e pedestres, melhor circulação de mercadorias e, principalmente, menos transtornos para quem precisa atravessar a cidade em períodos de grande movimentação comercial.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção importante: a travessia urbana não é a mesma coisa que a futura variante de Toritama. São projetos diferentes. Enquanto a intervenção agora licitada busca melhorar o trecho urbano da BR-104, a variante tem como objetivo retirar parte do fluxo de veículos do perímetro urbano, especialmente o trânsito pesado que hoje passa pela cidade.

Ou seja, a publicação do edital de R$ 34 milhões representa um avanço gigantesco, mas não encerra a batalha pela mobilidade de Toritama. A variante continua sendo uma demanda estratégica para desafogar definitivamente o trânsito e preparar a cidade para o crescimento econômico que o Polo de Confecções vem apresentando.

Ainda haverá etapas burocráticas até que a população veja máquinas trabalhando. Primeiro virá a disputa entre as empresas, depois o julgamento das propostas, a contratação da vencedora e, posteriormente, a ordem de serviço. Mas há uma diferença fundamental entre o cenário de hoje e o de alguns anos atrás: agora existe um edital oficialmente publicado, com valor definido, trecho delimitado e data para recebimento das propostas.

Toritama, que durante muito tempo ouviu falar em projetos para melhorar a BR-104, agora começa a enxergar a possibilidade concreta de ver a intervenção sair do papel.

E, na política, existe uma regra simples: promessa pode render discurso, fotografia e manchete. Obra, quando começa de verdade, rende resultado.

A Capital do Jeans agora espera justamente a próxima etapa: empresa contratada, ordem de serviço assinada e máquinas na pista. Porque depois de tantos anos de cobrança, o que Toritama quer ver não é mais a obra anunciada.

É a obra acontecendo.

GOVERNO DE PERNAMBUCO ENTREGA NOVA CRECHE EM ITAPISSUMA, NO GRANDE RECIFE

Unidade conta com 324 vagas e amplia o atendimento à primeira infância na Região Metropolitana
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE), entregou, nesta quarta-feira (2), o Centro de Educação Infantil Helena Corrêa de Araújo Cavalcanti Petribu, em Itapissuma, na Região Metropolitana do Recife. A creche tem capacidade para atender até 324 crianças e amplia o número de vagas na educação infantil do município. A obra envolveu também a Secretaria de Projetos Especiais (Sepe) e a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab).

“Esta é uma localidade de extrema vulnerabilidade social, onde muitas mães e famílias precisam de um espaço seguro para deixar seus filhos. Essa entrega faz diferença na vida da comunidade e fortalece o regime de colaboração entre o Estado e os municípios”, destacou o secretário executivo de Articulação Municipal da SEE, Natanael Silva. 

A unidade conta com dez salas de aula para turmas de creche e pré-escola, com atendimento em tempo integral e meio período. A estrutura inclui ainda recepção, direção, secretaria, sala dos professores, sala de amamentação, sala multiuso, banheiros, fraldário, lactário, solário, cozinha, despensa, vestiário e espaço de apoio aos funcionários. Os ambientes foram planejados para favorecer a convivência entre crianças de diferentes idades, com aberturas que ampliam a visibilidade e facilitam o monitoramento dos espaços. Toda a estrutura segue as normas de acessibilidade.

O Governo de Pernambuco é responsável pela construção e por equipar a unidade, além do custeio durante o primeiro ano de funcionamento. Já o município assume a gestão pedagógica e administrativa da creche. 

A unidade homenageia Helena Corrêa de Araújo Cavalcanti Petribú, que desenvolveu iniciativas voltadas aos funcionários e às comunidades do entorno das usinas Petribú e São José. Entre as ações, criou e incentivou projetos de geração de renda, como oficinas de artesanato têxtil, e esteve à frente das escolas das usinas, que chegaram a atender cerca de mil alunos. Helena morreu em 2013, aos 88 anos.

Fotos: Demison Costa/SEE

EM SABATINA DA FIEPE, RAQUEL DESTACA A MELHORA DA COMPETITIVIDADE E DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS DO ESTADO

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), destacou, em sabatina no evento Diálogo da Indústria com os candidatos ao Governo de Pernambuco, nesta quarta-feira (2), na área central do Recife, como o Estado melhorou a sua  competitividade. Ainda no encontro promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Raquel ressaltou as ações que deram uma virada de chave no ambiente de negócios.
"Em 2022, recebi aqui a demanda de vocês que Pernambuco voltasse a crescer. O Estado ficou muito tempo no desalento e desencanto. A gente vira o retrovisor e transforma ele em farol e olha para o futuro. Pernambuco cresceu e se desenvolveu. A gente restabeleceu a confirmação dos empreendedores internos e externos. Permitimos que vocês pudessem ser tratados como parceiros do desenvolvimento. E o Governo como indutor desse processo, tendo a clareza de quem gera emprego e renda em Pernambuco é o setor produtivo do nosso Estado”, disse a candidata da Coligação Pernambuco de Coração.
Acompanhada da vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), Raquel citou o impacto da redução do tempo para os empresários conseguirem uma licença ambiental, o trabalho de digitalização e inteligência dos processos na Secretaria da Fazenda e a mudança de postura em relação ao empreendedor, fazendo o Estado deixar de ser agente punitivo para trabalhar com conformidade. “A gente trata o empreendedor com tapete vermelho estendido”, disse a governadora.
A candidata à reeleição pontuou o investimento de R$ 250 milhões para simplificar processos integrados da gestão estadual e a criação de um Núcleo de Mediação de Conflitos, na qual participa a Sefaz e a Procuradoria-Geral do Estado, evitando a judicialização dos processos e dando melhores condições para empreender. Raquel citou os R$ 26 bilhões em investimentos públicos e R$ 40 bilhões anunciados e em execução pela iniciativa privada.

ROBERTO DE ZÉ CHAGAS DEVE ASSUMIR VAGA DEIXADA POR JOSA MOITA NA CÂMARA DE PARANATAMA

Da REDAÇÃO
Blog do Edney

O falecimento do vereador Josa Moita, ocorrido após um grave acidente, deverá provocar uma mudança na composição da Câmara Municipal de Paranatama. Com a abertura da vaga, o nome que surge como provável sucessor é o do primeiro suplente do MDB, Roberto Roldão Guimarães, conhecido popularmente como Roberto de Zé Chagas.

Roberto foi o primeiro suplente da legenda nas eleições municipais de 2024 e, diante da vacância provocada pelo falecimento de Josa Moita, deverá ser convocado para assumir a cadeira no Legislativo Municipal, conforme os procedimentos legais e regimentais da Câmara.

A chegada de Roberto de Zé Chagas acontece em um momento particularmente delicado para a política de Paranatama. A morte de Josa Moita deixou o município consternado e provocou uma onda de manifestações de pesar entre familiares, amigos, colegas de parlamento e a população.

Josa Moita era uma figura conhecida na política local e sua partida abriu não apenas uma vaga no Legislativo, mas também um capítulo de profunda comoção na história política recente do município.

Agora, a Câmara deverá formalizar os procedimentos para a convocação e posse do suplente. A partir da confirmação, Roberto de Zé Chagas passará a integrar oficialmente o Legislativo de Paranatama e terá pela frente a responsabilidade de ocupar a cadeira deixada por Josa Moita.

A política muda, os mandatos seguem, mas a cadeira que agora será ocupada carrega o peso da ausência de um vereador que partiu deixando sua marca na política de Paranatama.

PROCURADORIA ELEITORAL PEDE PROIBIÇÃO DE IMAGEM DE BOLSONARO EM MATERIAL DE CAMPANHA DE CANDIDATO DO PL

A disputa eleitoral ganhou mais um capítulo jurídico em São Paulo. A Procuradoria Regional Eleitoral recomendou à Justiça Eleitoral que proíba o candidato a deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) de utilizar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em seus materiais de campanha.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o parecer da Procuradoria toma como base uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou restrições à participação de Bolsonaro em manifestações de caráter político-eleitoral realizadas por terceiros.

Na avaliação do Ministério Público Eleitoral, a utilização destacada da imagem do ex-presidente por Bove poderia representar uma forma de manifestação eleitoral indireta, contrariando as restrições estabelecidas pela decisão judicial.

O caso chegou à Justiça Eleitoral por meio de uma ação apresentada pela candidata Duda Hidalgo (PT), que também questionou a instalação de bandeiras em Ribeirão Preto. Nesse segundo ponto, porém, a Procuradoria Regional Eleitoral não identificou irregularidade.

O parecer do Ministério Público ainda não representa uma decisão definitiva. Agora, caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados e decidir se determina ou não a retirada da imagem de Bolsonaro dos materiais utilizados na campanha de Lucas Bove.

A recomendação abre mais uma frente de tensão envolvendo o nome de Bolsonaro no processo eleitoral. Mesmo impedido de participar diretamente de determinadas manifestações político-eleitorais, o ex-presidente continua sendo um dos principais símbolos eleitorais do campo conservador, e sua imagem permanece disputada por candidatos que buscam associar suas campanhas à força política do bolsonarismo.

REGINA DA SAÚDE DEFENDE CONSTRUÇÃO DE HOSPITAL PARA FORTALECER SAÚDE EM ARCOVERDE E REGIÃO

Em encontro realizado com apoiadores, em Arcoverde, nesta terça-feira (1º), a candidata a deputada estadual Regina da Saúde (Podemos) defendeu uma série de medidas voltadas ao fortalecimento da rede pública de saúde e à melhoria do atendimento oferecido à população.

Entre as propostas discutidas estão a construção de um novo hospital regional para abranger as necessidades da região e reduzir a sobrecarga no Hospital Regional Ruy de Barros Correia, algo como está sendo projetado em Garanhuns, com a construção do Hospital Mestre Dominguinhos.

“Não podemos falar em melhorar a saúde apenas colocando mais profissionais no hospital regional. Precisamos estruturar a rede. Como pode uma região como a de Arcoverde apenas com um hospital? Vamos lutar para trazer mais uma unidade de saúde para a região”, afirmou.

Durante o encontro, as mulheres relataram as dificuldades encontradas na saúde de Arcoverde. Uma delas, criticou a falta de assistência na cidade até para parto normal, situação vivenciada por várias mulheres que precisam ser transferidas para outras cidades.

Para Regina, Arcoverde possui uma posição estratégica na rede de saúde do Sertão e precisa ter sua estrutura fortalecida para conseguir atender não apenas a população do município, mas também os pacientes dos municípios que dependem da estrutura regional.

Além de uma nova unidade de saúde, Regina também destacou a necessidade de ampliar as equipes médicas e multiprofissionais e a oferta de consultas e exames especializados, com foco em fortalecer a capacidade de atendimento do Hospital Regional Ruy de Barros Correia.

“Arcoverde precisa ser tratada como um polo regional de saúde cada vez mais forte. Quando fortalecemos a saúde de Arcoverde, estamos fortalecendo também o atendimento de milhares de pernambucanos que chegam aqui em busca de cuidado”, concluiu.

O AVIÃO DE JOÃO, A CONTA DO PSB E O PASSADO QUE A CAMPANHA PREFERE NÃO LEMBRAR

Por trás da promessa de vender avião e helicópteros para pagar IPVA das motos existe uma pergunta que João Campos ainda não respondeu: e os milhões gastos com táxi aéreo pelos governos do próprio PSB?

João Campos resolveu colocar o avião no palanque.

Em discurso durante agenda política em Xexéu, na Mata Sul, o candidato do PSB ao Governo de Pernambuco afirmou que poderá vender um avião e dois helicópteros pertencentes ao Estado para ajudar a financiar sua promessa de isenção do IPVA para motocicletas utilizadas por trabalhadores.

A frase é forte. O apelo popular é evidente. Afinal, quem está na ponta, pagando combustível, manutenção, prestação da moto e trabalhando de sol a sol, certamente gostaria de ouvir que o dinheiro economizado pelo Governo será utilizado para aliviar seu bolso.

Mas, quando João Campos fala em vender aeronaves oficiais, surge uma pergunta que não pode ser escondida debaixo do tapete eleitoral:

onde estava essa preocupação com os gastos aéreos quando o PSB governava Pernambuco?

É aí que a história começa a ficar interessante.

Um levantamento baseado em dados do Portal da Transparência apontou que as administrações de Eduardo Campos e Paulo Câmara, ambos do PSB, gastaram cerca de R$ 33 milhões com locação e fretamento de aeronaves durante os períodos analisados. Somente na gestão Paulo Câmara, entre 2015 e 2022, o levantamento aponta aproximadamente R$ 10,69 milhões destinados a esse tipo de despesa.

Agora João Campos aparece no palanque dizendo que pode vender avião para pagar IPVA.

Convenhamos: a régua mudou ou simplesmente mudou o lado de quem está sentado na cadeira?

Porque quando o PSB estava no comando do Palácio do Campo das Princesas, aeronave oficial não parecia ocupar o mesmo espaço no discurso político que ocupa agora.

E aqui não se está dizendo que todo gasto com aeronave é desperdício. Seria irresponsabilidade afirmar isso.

Helicópteros e aviões podem ser fundamentais para segurança pública, operações policiais, transporte de equipes, resgate, atendimento aeromédico, defesa civil e outras atividades de Estado.

A questão é outra.

Se vender aeronaves é apresentado hoje como uma solução inteligente para colocar dinheiro no bolso do trabalhador, por que João Campos não apresenta também uma revisão crítica dos gastos realizados pelos governos do próprio PSB?

Essa é a pergunta que incomoda.

João Campos não é um político recém-chegado à vida pública. É herdeiro de uma das mais tradicionais estruturas políticas de Pernambuco e pertence ao partido que governou o Estado por quase duas décadas, considerando os governos de Eduardo Campos e Paulo Câmara.

Portanto, quando ele fala em “vender os danados” para pagar o IPVA das motos, não está falando de uma máquina pública que surgiu ontem.

Existe uma história administrativa por trás desse discurso.

E nessa história estão justamente os governos do PSB.

A campanha eleitoral, porém, parece ter descoberto uma fórmula conveniente: quando uma aeronave é comprada pela adversária, ela vira símbolo de desperdício. Quando o assunto é lembrar quanto o próprio grupo político gastou com táxi aéreo, o silêncio parece ganhar altitude.

E silêncio, em política, também comunica.

João diz que vai andar de carro, moto, bicicleta, cavalo e até jumento.

Tudo muito popular.

Mas Pernambuco precisa de mais do que frases de efeito. Precisa saber quanto custa a promessa.

Quanto o Estado deixará de arrecadar com a isenção do IPVA das motocicletas?

Quantas motos serão beneficiadas?

Qual será o impacto anual nas contas públicas?

Quanto efetivamente poderá ser arrecadado com a venda das aeronaves?

E, depois da venda, quem fará as operações que atualmente dependem desses equipamentos?

São perguntas simples. Mas fundamentais.

Porque vender patrimônio público para financiar uma despesa permanente ou recorrente exige uma conta muito bem explicada.

Uma aeronave pode ser vendida uma única vez. O benefício do IPVA, se permanente, gera impacto todos os anos.

A matemática eleitoral não pode ser diferente da matemática do governo.

E há outro detalhe que merece atenção: os valores citados por João Campos durante o discurso — R$ 63 milhões pelo avião e R$ 35 milhões por cada helicóptero — precisam ser confrontados com os valores oficiais de aquisição e com o real valor de mercado dos equipamentos. Afinal, patrimônio público não pode ser tratado como se fosse carro usado colocado à venda em classificado.

No fundo, João Campos abriu uma porta.

Ao prometer vender aeronaves para economizar dinheiro público, ele colocou em debate não apenas os aviões da atual gestão, mas todo o modelo de utilização de aeronaves pelos governos de Pernambuco.

E se essa discussão for realmente levada a sério, ela precisa olhar para frente e também para trás.

Precisa olhar para Raquel Lyra.

Mas precisa olhar também para Eduardo Campos e Paulo Câmara.

Porque não dá para querer governar Pernambuco prometendo cortar despesas do adversário enquanto se passa uma borracha seletiva sobre os gastos do próprio partido.

O eleitor pode até gostar da ideia de pagar menos IPVA. O trabalhador pode até aplaudir. Mas também pode perguntar quem pagou a conta do táxi aéreo durante os anos em que o PSB esteve no poder.

E essa pergunta, João Campos, não se responde com avião.

Responde-se com números.

NA LUPA: a campanha colocou o avião no centro do palanque. Agora falta colocar a lupa sobre a conta. E, quando a lupa é colocada sobre o passado, o problema é que ela não escolhe partido.

Ela mostra tudo.

E Pernambuco está olhando.

QUANDO O POLÍTICO TROCA PALANQUE POR CALÇADA E TRANSFORMA CAMPANHA EM ROTEIRO DE ESCUTA POR PERNAMBUCO

Depois do Derby, candidato a deputado federal Maurício Rands, passou por Brasília Teimosa, Marco Zero e Camocim em uma agenda que aposta menos em discursos e mais em conversas com quem vive a realidade das ruas

Mais do que pedir voto, ouvir. Maurício Rands tem levado para diferentes pontos de Pernambuco uma dinâmica de campanha baseada no contato direto com a população, transformando ruas, praças e calçadas em espaços de conversa sobre os problemas e as expectativas de quem vive o cotidiano das cidades.

A movimentação começou ainda nos sinais do Derby e ganhou novos territórios nos últimos dias. Rands já percorreu Brasília Teimosa; foi ao Marco Zero e chegou nesta segunda-feira a Camocim de São Félix, no Agreste. Em cada parada, a orientação tem sido a mesma: abordar, conversar e, principalmente, deixar as pessoas falarem.

“Campanha não pode ser apenas o candidato falando e o eleitor ouvindo. Eu quero inverter um pouco essa lógica. Quero chegar perto, perguntar, ouvir o que as pessoas estão vivendo e entender quais são as prioridades delas. Quem pretende representar Pernambuco em Brasília precisa conhecer Pernambuco também pela voz de quem está nas ruas”, afirma Rands.

A proposta é fazer da circulação pelo Estado uma espécie de roteiro permanente de escuta, aproximando a construção das pautas do mandato das demandas que surgem nas conversas com trabalhadores, comerciantes, jovens, aposentados e moradores das comunidades visitadas. Segurança, emprego, transporte, educação, saúde e custo de vida aparecem entre os temas espontaneamente levantados durante esses encontros.

“É na rua que a gente percebe aquilo que muitas vezes não aparece em relatório nem em reunião. Eu quero fazer uma campanha com os pés no chão e os ouvidos abertos”, acrescenta. Para Rands, a escolha também dialoga com o tipo de mandato que pretende exercer. “Quero que essa proximidade continue no mandato. Representar é também prestar atenção, voltar aos lugares, ouvir de novo e transformar essa escuta em ação política”, conclui