No confronto promovido pela TV Jornal, nesta quinta-feira (1º), Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) repetiram propostas já conhecidas do eleitorado, mas o momento de maior tensão apareceu logo no primeiro bloco, quando Raquel e João decidiram partir para o confronto direto envolvendo seus companheiros de chapa.
Raquel abriu a rodada questionando João Campos sobre uma informação publicada pela revista Veja envolvendo Carlos Costa, candidato a vice na chapa do socialista. Segundo a publicação citada no debate, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria determinado a manutenção de um pagamento mensal de R$ 100 mil à empresa de Costa.
João Campos reagiu defendendo seu vice e afirmou que Carlos Costa trabalha desde 2019 para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), além de prestar serviços para instituições financeiras.
“É impressionante como você não deseja debater o futuro de Pernambuco”, rebateu João, ao tentar deslocar o foco da acusação para as propostas de governo.
Mas o contra-ataque veio na mesma resposta. João Campos colocou Priscila Krause, vice-governadora de Raquel, no centro da discussão ao levantar questionamentos sobre recursos destinados à Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, instituição ligada ao marido da vice-governadora.
O candidato do PSB afirmou que Priscila deveria prestar esclarecimentos sobre investigações envolvendo órgãos federais e mencionou uma auditoria do Ministério da Saúde que teria apontado supostas irregularidades em procedimentos de tratamento de câncer e hemodiálise.
A resposta de Raquel Lyra foi imediata e mudou o tom do embate. A governadora afirmou que o caso já havia sido esclarecido e sustentou que a auditoria do Ministério da Saúde apresentava problemas.
Segundo Raquel, a decisão judicial suspendeu os efeitos da auditoria diante de indícios que, conforme sua declaração, apontariam para direcionamento e má-fé na condução do procedimento.
“Essa suposta fraude que você fala do Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, que serve ao governo há 55 anos, passando por 15 governadores, ela foi anulada, suspensa, por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde”, afirmou a governadora.
O episódio expôs uma estratégia que marcou boa parte da campanha: em vez de apenas apresentar propostas, os dois principais candidatos passaram a explorar os flancos existentes nas chapas adversárias.
De um lado, João Campos tentou transformar as questões envolvendo a maternidade de Garanhuns em um problema político para Raquel Lyra e Priscila Krause. Do outro, Raquel levou ao palco do debate as informações envolvendo Carlos Costa e a relação profissional dele com o setor bancário.
O curioso é que os dois candidatos terminaram fazendo dos próprios vices personagens centrais de um dos momentos mais duros do debate.
E, na reta final, quando cada voto passou a ser disputado no detalhe, o recado ficou evidente: ninguém entrou naquele palco disposto a deixar munição adversária sem resposta.
No fim das contas, o eleitor recebeu menos novidade em propostas e mais uma amostra da temperatura da disputa entre Raquel Lyra e João Campos. Agora, com a campanha entrando na reta decisiva, as acusações, respostas e decisões judiciais que envolvem os dois grupos devem continuar ocupando espaço no debate público de Pernambuco.