quarta-feira, 7 de outubro de 2026

EXPLODE O ÓDIO CONTRA O NORDESTE APÓS O RESULTADO DAS URNAS

O voto é livre. O preconceito não. E as redes sociais voltaram a mostrar, depois de uma eleição, uma face nada bonita do Brasil.

Não adianta esconder debaixo do tapete. O preconceito contra nordestinos existe, é antigo e atravessa gerações. Aparece no sotaque, na origem, na condição social, nas piadas e, de tempos em tempos, ganha uma nova embalagem: a política.

Foi exatamente isso que voltou a acontecer depois do primeiro turno das eleições de 2026.

O mapa das urnas mostrou uma diferença regional bastante clara na disputa presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro no Nordeste, com 63,77% dos votos válidos contra 30,85% do candidato do PL. Lula venceu nos nove estados nordestinos. No restante do país, Flávio teve desempenho superior em boa parte das regiões. 

E foi aí que parte das redes sociais resolveu transformar uma escolha eleitoral em motivo para atacar milhões de brasileiros.

O fenômeno não é exatamente novidade. Depois de eleições anteriores, especialmente em 2014, 2018 e 2022, episódios de xenofobia contra nordestinos foram registrados no ambiente digital. Uma pesquisa acadêmica dedicada às eleições de 2014, por exemplo, identificou a circulação de discursos de ódio contra nordestinos nas redes sociais e relacionou esse comportamento a estereótipos históricos, preconceito regional e desigualdades sociais. 

Em 2018, a própria Assembleia Legislativa de Pernambuco registrou o aumento de manifestações discriminatórias contra nordestinos na internet após o resultado presidencial. Na ocasião, o Observatório da Intolerância Política da OAB-PE havia recebido 195 queixas relacionadas à discriminação por opinião eleitoral, muitas delas envolvendo ataques ao eleitorado nordestino. 

Agora, oito anos depois, a história parece ganhar novos capítulos.

O MOTIVO DA VEZ

Um levantamento que está sendo concluído pela Ativaweb DataLab aponta uma explosão da conversa digital em torno do voto nordestino após o primeiro turno.

Segundo o cientista de dados e CEO da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá, foram capturadas, nas últimas 72 horas, quase 33 milhões de menções, links e compartilhamentos relacionados ao voto nordestino. De acordo com o levantamento preliminar citado pelo pesquisador, 82,2% dessas manifestações apresentavam tom crítico ao voto do Nordeste.

O número ainda precisa ser apresentado pelo laboratório com metodologia, período exato, plataformas monitoradas e critérios de classificação para que possa ser analisado em sua totalidade. Mas a existência de uma avalanche de comentários sobre o comportamento eleitoral nordestino já é perceptível nas redes.

A Ativaweb DataLab tem realizado monitoramentos do ambiente digital durante as eleições de 2026. Levantamentos anteriores do laboratório foram publicados por veículos como VEJA e Revista Nordeste, inclusive com análise de milhões de menções e interações nas plataformas digitais.

O NORDESTINO VOTA. E PAGA A CONTA?

O que chama atenção nessa história é a lógica utilizada por parte dos ataques.

O eleitor nordestino pode votar em Lula. Pode votar em Flávio. Pode votar em Caiado, Zema, Cury, Renan ou em qualquer outro candidato.

Pode mudar de opinião.

Pode votar branco.

Pode anular.

Pode simplesmente não gostar de nenhum.

É democracia.

O problema começa quando alguém olha para o mapa eleitoral e conclui que milhões de pessoas são inferiores, ignorantes, incapazes ou menos brasileiras simplesmente porque vivem ou nasceram em determinada região.

Isso não é debate político.

É preconceito regional.

E o próprio Estado brasileiro já tratou situações semelhantes como casos que podem ultrapassar o limite da liberdade de expressão.

Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal em Pernambuco informou a condenação de um internauta por publicações ofensivas contra nordestinos motivadas por questões político-eleitorais e preconceito de origem regional. A decisão estabeleceu pena de 2 anos e 11 meses de reclusão, substituída por medidas alternativas, além de R$ 20 mil por danos morais coletivos. O caso teve origem em comentários publicados em uma rede social e relacionados a eleitores de Garanhuns. 

Em fevereiro, a Justiça Federal também manteve a condenação de um vereador de Caxias do Sul por manifestações xenofóbicas contra trabalhadores nordestinos, especialmente baianos. A decisão determinou o pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos.

Ou seja: não é invenção de quem se sente ofendido. O preconceito regional existe e pode produzir consequências jurídicas.

E TEM NORDESTINO QUE AJUDA A ALIMENTAR O PRECONCEITO

Aqui está uma parte incômoda da história.

O preconceito não vem apenas de quem está fora.

Existe também uma parcela de nordestinos que reproduz os próprios estereótipos contra a região. Gente que sente vergonha do sotaque, que esconde a origem, que trata a própria terra como sinônimo de atraso e que, paradoxalmente, participa da construção do discurso que depois volta contra ela.

É uma contradição brasileira.

O Nordeste é frequentemente lembrado pela cultura, pela música, pela gastronomia, pelo turismo e pela força de seu povo. Mas, na hora da disputa política, uma parte do debate abandona a crítica ao voto e passa a atacar a identidade de quem votou.

E aí o problema deixa de ser Lula ou Flávio.

Deixa de ser esquerda ou direita.

Deixa de ser PT ou PL.

Passa a ser uma questão muito maior: que tipo de país queremos construir quando discordamos uns dos outros?

O MAPA PODE SER VERMELHO, AZUL, VERDE OU DE QUALQUER COR

O mapa eleitoral não pertence a candidato nenhum.

Nem ao Nordeste.

Nem ao Sul.

Nem ao Sudeste.

Nem ao Norte.

Nem ao Centro-Oeste.

Em 2026, o Nordeste votou majoritariamente em Lula. Mas os próprios números mostram que o comportamento regional está longe de ser uniforme ou imutável.

Flávio Bolsonaro, por exemplo, obteve 10,39 milhões de votos no Nordeste, correspondentes a 30,85% dos votos válidos da região. O número representa crescimento em relação à votação de Jair Bolsonaro em 2022: Flávio recebeu cerca de 1,61 milhão de votos a mais que o pai havia obtido no primeiro turno daquele ano na região. 

Portanto, até dentro do Nordeste existe diversidade política.

E muita.

Pernambuco não é a Bahia.

A Bahia não é Alagoas.

Alagoas não é o Piauí.

O Piauí não é o Ceará.

E nenhum desses estados representa sozinho os quase 58 milhões de brasileiros que vivem na região.

O Nordeste não é um bloco eleitoral.

É uma sociedade inteira, formada por diferentes classes sociais, religiões, profissões, cidades, campos políticos e histórias familiares.

O ÓDIO DIGITAL NÃO PODE VIRAR NORMALIDADE

As redes sociais deram voz a milhões de pessoas. Mas também deram velocidade a preconceitos que antes ficavam restritos às conversas privadas.

O problema é que, escondido atrás de uma tela, muita gente perde a noção de que existe uma pessoa do outro lado.

Um nordestino lendo.

Um pernambucano lendo.

Um baiano lendo.

Um cearense lendo.

Um paraibano lendo.

Um maranhense, alagoano, sergipano, potiguar ou piauiense lendo.

E muitos deles vivendo justamente nas regiões que aparecem no mapa pintadas de outra cor.

A Polícia Federal reconhece que expressões historicamente utilizadas contra migrantes nordestinos carregam origem pejorativa e depreciativa e destaca que o Nordeste é uma região plural, com diferentes culturas, sotaques e realidades. 

No fim das contas, o eleitor pode até ser responsabilizado pelo voto que escolheu — politicamente, nas urnas. Mas não pode ser tratado como cidadão de segunda categoria por causa da sua origem.

A urna termina às cinco da tarde.

O preconceito, quando ninguém enfrenta, continua funcionando 24 horas.

E talvez seja essa a parte mais perigosa dessa história: transformar a divergência eleitoral em autorização para desprezar uma região inteira do país.

O Nordeste pode mudar de voto.

O Nordeste pode surpreender.

O Nordeste pode dividir suas escolhas.

O Nordeste pode votar em quem quiser.

Mas continuará sendo Nordeste.

E continuará sendo Brasil.

OITO MANDATOS E VOTAÇÃO RECORDE: ANTÔNIO MORAES ESTICA SUA MARCA E SE CONSOLIDA COMO UM DOS GIGANTES DA ALEPE

Antônio Moraes não apenas venceu mais uma eleição. Ele ampliou uma marca que já entrou para a história da política pernambucana.

Aos 4 de outubro, o deputado estadual do PSD voltou às urnas, recebeu 67.808 votos e garantiu o oitavo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

A nova vitória coloca Moraes em uma prateleira reservada para poucos. Com oito mandatos seguidos, ele chega à próxima legislatura como um dos parlamentares mais longevos da história recente da Alepe, carregando uma experiência acumulada ao longo de décadas de atuação política.

E há um detalhe que torna o resultado ainda mais expressivo: 67.808 votos foi a maior votação da carreira de Antônio Moraes. Ou seja, aos invés de perder força com o passar dos anos, o deputado conseguiu ampliar sua marca justamente em uma eleição marcada por disputas acirradas e renovação de nomes no cenário político estadual.

O resultado também escancara a força de uma estrutura política construída município por município. Antônio Moraes mantém uma base especialmente sólida na Mata Norte, região onde consolidou alianças com prefeitos, vereadores, lideranças e grupos políticos que atravessaram diferentes ciclos eleitorais.

É justamente essa capacidade de sobreviver às mudanças de vento da política que ajuda a explicar a longevidade de Moraes. Ele atravessou governos, mudanças partidárias, novas gerações de lideranças e diferentes conjunturas eleitorais sem deixar de ocupar espaço no Legislativo pernambucano.

Agora, com o oitavo mandato garantido e uma votação recorde no currículo, Antônio Moraes chega à nova composição da Alepe com algo que poucos parlamentares conseguem reunir: tempo de Casa, experiência, conhecimento dos bastidores e uma base eleitoral consolidada.

A eleição de 2026, portanto, não foi apenas mais uma vitória para o deputado. Foi a confirmação de que a marca Antônio Moraes continua viva e forte nas urnas.

Oito mandatos depois, o veterano segue no jogo — e agora com uma votação que bateu o próprio recorde

DE BODOCÓ PARA BRASÍLIA: ERLANIO XAVIER VENCE NO MARANHÃO E LEVA O ARARIPE PARA A CÂMARA FEDERAL

FILHO DO SERTÃO DO ARARIPE, ERLANIO XAVIER É ELEITO DEPUTADO FEDERAL PELO MARANHÃO COM 127.715 VOTOS

O Sertão do Araripe ganhou mais um motivo para comemorar. Natural de Bodocó, onde nasceu e cresceu, Erlanio Xavier (PDT) foi eleito deputado federal pelo Maranhão nas eleições de 2026 e agora prepara as malas para Brasília. Com 127.715 votos, ele conquistou a oitava maior votação entre os deputados federais eleitos pelo Maranhão, consolidando uma trajetória política que começou longe de sua terra natal, mas nunca apagou suas raízes sertanejas.

A história de Erlanio Xavier é daquelas que atravessam fronteiras. Filho de Bodocó, no Sertão pernambucano, foi no Maranhão que construiu sua carreira política, chegando à Prefeitura de Igarapé Grande e posteriormente à presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).

No meio político maranhense, Erlanio passou a ser reconhecido pela capacidade de articulação, pelo trânsito entre diferentes grupos e pela habilidade de construir alianças. Uma experiência que agora será colocada à prova em um cenário bem maior: o Congresso Nacional.

A eleição para a Câmara dos Deputados representa um novo capítulo de uma trajetória marcada pela política municipalista. Ao deixar a experiência de gestor e articulador estadual para assumir um mandato federal, Erlanio chega a Brasília com uma bagagem construída diretamente nos municípios.

E há um detalhe que chama atenção: embora eleito pelo Maranhão e com toda sua trajetória política construída naquele estado, Erlanio não esconde a ligação com Bodocó e com o Sertão do Araripe. É uma história que começou no interior de Pernambuco, ganhou força no Maranhão e agora chega ao centro das decisões políticas do país.

A votação expressiva também demonstra a força política construída ao longo dos anos. São 127.715 votos que colocam o pernambucano de nascimento entre os nomes mais votados para a Câmara Federal no Maranhão.

Erlanio Xavier agora terá quatro anos para transformar a experiência adquirida nos municípios em atuação nacional, defendendo pautas que envolvem desenvolvimento regional, investimentos, infraestrutura e fortalecimento das cidades.

A trajetória ganha um novo endereço, mas mantém a mesma origem.

De Bodocó para o Maranhão. Do Maranhão para Brasília. E com o nome do Sertão do Araripe atravessando as fronteiras de Pernambuco

HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO CONVIDA DOADORES DE SANGUE PARA REFORÇAR ESTOQUES DA UNIDADE

Principal referência em trauma e emergências da rede estadual de Saúde precisa de doações

O Hospital da Restauração (HR) Governador Paulo Guerra, no Recife, reforça a mobilização e a importância da doação de sangue diante da redução dos estoques disponíveis para atender aos pacientes da unidade. A principal referência em trauma e emergência ligada à Secretaria de Saúde de Pernambuco, o HR utiliza sangue e hemocomponentes diariamente em diferentes situações de assistência, tornando a manutenção dos estoques fundamental para a continuidade do atendimento 

“Atualmente, estamos com estoques reduzidos de sangue A negativo e O negativo, então, existe a necessidade real para que aumente as doações de sangue, de qualquer tipo. Devido ao perfil do HR, a transfusão de sangue faz parte da rotina deste hospital, inclusive com pacientes graves que realizam transfusão maciça”, explica a médica hematologista e hemoterapeuta e coordenadora da Agência Transfusional do Hospital da Restauração, Audrey Vasconcelos.

O HR conta com uma unidade de coleta de sangue que funciona de domingo a domingo, das 7h15 às 12h e das 13h às 17h. A unidade tem capacidade para receber cerca de 30 doadores por dia. O atendimento pode ser feito de forma espontânea, mas também é possível agendar previamente o horário da doação pelo telefone (81) 3181-5722.

Grupos de doadores também podem se organizar para realizar a doação. A iniciativa contribui para reforçar os estoques de sangue e manter a assistência aos pacientes que necessitam de transfusão durante o internamento hospitalar

Para ser um doador de sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar no mínimo 50 kg e ter idade a partir de 16 anos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados do responsável legal. Candidatos acima de 61 anos podem doar se forem doadores regulares, e pessoas com mais de 70 anos podem doar após avaliação médica. O candidato deve estar alimentado e apresentar documento oficial com foto. Para doadores acima de 60 anos, o intervalo entre as doações é de seis meses.


Fotos: Vivian Ramos/SES-PE

MATUTOS DA MUDANÇA MAIS QUE DOBRAM VOTAÇÃO DE DÉBORA ALMEIDA E ACENDEM ALERTA NA POLÍTICA DE JUCATI

Por Blog do Edney

Em Jucati, no Agreste de Pernambuco, a eleição deixou um recado que a política local não poderá ignorar. E quem deu o recado foi justamente quem, durante a campanha, muitos poderiam imaginar que teria pouca força para incomodar.

Conhecido como “Matutos da Mudança”, o grupo liderado pelo comerciante e agricultor Cláudio Cardoso mais que dobrou a votação da deputada estadual Débora Almeida (PSD) no município e colocou a oposição novamente no radar da disputa política local.

Débora saiu de 720 votos na eleição anterior para 1.660 votos agora. Foram 940 votos a mais, um crescimento de aproximadamente 131%. O número, por si só, já chama atenção. Mas o peso político da votação aumenta quando se observa que o grupo trabalhou com uma estrutura considerada enxuta, poucos recursos e apostando principalmente no corpo a corpo com o eleitor.

Foi na conversa, na visita, na presença e na mobilização das bases que os chamados “matutos” construíram o resultado.

E tem mais.

A votação de Débora ficou a apenas 375 votos do candidato apoiado pelo governo municipal, uma diferença que mostra que a oposição não está tão distante quanto alguns imaginavam. Na Vila Neves, a deputada foi majoritária, outro dado que reforça a capacidade de penetração eleitoral construída pelo grupo.

O resultado também ganha outro significado diante do tamanho da estrutura política do bloco governista, que conta com a maioria dos vereadores e um conjunto de lideranças ligadas à administração municipal.

Mesmo assim, os “Matutos da Mudança” conseguiram entregar uma votação expressiva e, principalmente, mostrar que existe uma parcela do eleitorado disposta a ouvir uma alternativa.

Nos bastidores, a eleição já começou a produzir as primeiras provocações. Nas redes sociais, integrantes da oposição reagiram a uma tentativa de comparar a votação de Débora com a soma de candidatos apoiados por diferentes setores do grupo governista. A resposta foi direta: para os oposicionistas, cada candidato precisa ser analisado pela votação que efetivamente recebeu nas urnas.

E é justamente aí que mora o incômodo político.

Porque quando uma oposição pequena consegue sair de 720 para 1.660 votos, não se trata apenas de uma votação parlamentar. É um sinal de que existe organização, militância e espaço para crescimento.

Cláudio Cardoso e seus aliados saem da eleição com um ativo político que antes não tinham: números.

Agora, o grupo terá que transformar essa votação em organização permanente, ampliar alianças e mostrar que o desempenho eleitoral não foi um episódio isolado. Se conseguir fazer isso, a conversa sobre a política de Jucati poderá mudar de tom nos próximos meses.

Por enquanto, fica o aviso deixado pelas urnas.

Podem chamar de “Matutos da Mudança”.

Mas, como resumiu um integrante do grupo, numa frase que já circula nos bastidores políticos de Jucati: “podem até chamar a gente de matutos, mas de bestas a gente não tem nada.”

E as urnas, pelo visto, resolveram assinar embaixo.

MARÍLIA ARRAES ESTREIA NO SENADO E RECEBE ACENO DE ALCOLUMBRE: “CONTRIBUIRÁ MUITO”


A senadora eleita por Pernambuco, Marília Arraes, deu nesta terça-feira (6) os primeiros passos no novo endereço político que passará a ocupar oficialmente a partir de fevereiro de 2027. Em visita ao Senado Federal, Marília foi recebida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que fez questão de destacá-la durante a sessão. 

A eleição de Marília foi confirmada no último domingo (4), quando Pernambuco escolheu também a permanência de Humberto Costa (PT) no Senado. Com 100% das urnas apuradas, Marília recebeu cerca de 25% dos votos válidos e garantiu uma das duas cadeiras pernambucanas em disputa. O mandato terá duração de oito anos, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035. 

Durante a sessão, Alcolumbre destacou justamente a trajetória política da futura senadora e fez referência à disposição de Marília para enfrentar disputas e desafios na vida pública.

“Queria cumprimentar a senadora Marília Arraes, senadora eleita pelo estado de Pernambuco. É uma figura que todos nós conhecemos, pela coragem de enfrentar desafios. Especialmente as mulheres, aquelas que têm coragem de enfrentar a política… Eu imagino, no Nordeste brasileiro, o que isso significa”, afirmou o presidente do Senado.

O gesto de Alcolumbre ocorre poucos dias depois da eleição e coloca Marília no radar da articulação política nacional antes mesmo da posse. A futura senadora chega à Casa com experiência acumulada em diferentes cargos eletivos: foi vereadora do Recife por três mandatos e deputada federal entre 2019 e 2023. Também disputou a Prefeitura do Recife, em 2020, e o Governo de Pernambuco, em 2022. 

Alcolumbre também afirmou que espera uma participação efetiva da pernambucana no Legislativo.

“Deus e o povo de Pernambuco te abençoaram e te deram a vitória no último dia 4 de outubro, e eu tenho certeza absoluta, senadora eleita Marília, de que Vossa Excelência contribuirá muito, e nós estamos precisando disso aqui no Senado Federal. Eu sei, pela história de Vossa Excelência, que engrandecerá muito o Senado da República”, declarou.

A chegada de Marília acontece em um momento de renovação importante do Senado. Das 54 cadeiras que estavam em disputa nas eleições de 2026, 12 foram conquistadas por mulheres — o maior número de senadoras eleitas em um único pleito desde a redemocratização. Com as parlamentares que permanecem na Casa, a bancada feminina deverá chegar a 18 integrantes em 2027. 

Para Pernambuco, a composição a partir do próximo ano será formada por Marília Arraes e Humberto Costa. Marília terá pela primeira vez a responsabilidade de representar o estado no Senado, depois de uma trajetória marcada por disputas eleitorais de grande visibilidade e pela atuação no Legislativo federal.

A visita desta terça-feira, portanto, teve também um simbolismo político: antes mesmo de tomar posse, Marília já começa a circular pelos corredores do Senado e a estabelecer contato com quem estará no comando da Casa. A nova fase da carreira política da pernambucana começa oficialmente em fevereiro, mas a articulação, pelo visto, já começou. 

UNIÃO PROGRESSISTA FECHA COM FLÁVIO BOLSONARO E CAIADO ENTRA EM CAMPO NO 2º TURNO

A eleição presidencial entrou oficialmente em uma nova fase — e os apoios que ficaram escondidos no primeiro turno começam a sair da toca. A União Progressista, federação formada por União Brasil e PP, decidiu abandonar a neutralidade e declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi oficializada nesta segunda-feira (6), durante reunião da bancada da federação no Congresso Nacional. A mudança de postura revela que, passado o primeiro turno, as duas siglas resolveram escolher um lado na disputa que será decidida no dia 25 de outubro.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) confirmou publicamente a decisão e afirmou que a estrutura dos partidos será colocada em campo para tentar garantir a vitória do candidato do PL.

“Declaramos apoio ao presidente Bolsonaro e também houve um fechamento de questões. Então, União Brasil e Progressistas vamos trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro”, afirmou a senadora.

Participaram da reunião os presidentes nacionais do União Brasil e do Progressistas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, além do senador eleito e ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).

A posição chama atenção porque representa uma mudança significativa em relação ao primeiro turno. Naquela etapa da eleição, a federação optou pela neutralidade, numa estratégia que permitia preservar espaço político independentemente do resultado das urnas.

Agora, com Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente, a conta mudou.

A cúpula da União Progressista decidiu colocar seu peso político à disposição do candidato do PL, abrindo caminho para uma aproximação mais direta com o campo bolsonarista.

CAIADO TAMBÉM FECHA COM FLÁVIO

E não foi apenas a União Progressista que mudou de posição.

Em Goiânia, o ex-governador de Goiás e candidato derrotado à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), também anunciou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno.

Caiado, que construiu sua candidatura presidencial em uma linha política própria e chegou a protagonizar confrontos com setores do bolsonarismo durante a disputa, agora decidiu entrar na campanha do candidato do PL.

“Pode contar com nosso apoio. Estamos à sua disposição para entrar onde for no nosso país e dizer que o Estado brasileiro não se curva ao crime e à bandalheira”, declarou.

O ex-governador também fez questão de resgatar sua relação política com Jair Bolsonaro, destacando os anos de convivência entre os dois no Congresso Nacional.

“Bolsonaro foi meu colega de Congresso por mais de 20 anos. Dois homens que nunca aceitaram cabresto, sempre com muito respeito, de maneira honesta. Essa sempre foi minha postura na vida e devemos muito a ele”, afirmou Caiado.

O movimento coloca mais uma liderança de peso no palanque de Flávio Bolsonaro e amplia a movimentação dos partidos de centro-direita em torno da disputa presidencial.

A fotografia do segundo turno começa a ficar bem diferente daquela vista no primeiro. Quem preferiu ficar em cima do muro agora está sendo obrigado a escolher um lado.

E, neste momento, União Brasil, Progressistas e Ronaldo Caiado já disseram de que lado pretendem jogar.

A guerra eleitoral, que já era grande, promete ficar ainda mais pesada até 25 de outubro.

1,3 MILHÃO FORA DA URNA: O ELEITOR QUE FICOU EM CASA AGORA ENTRA NO RADAR DE LULA E FLÁVIO EM PERNAMBUCO

A eleição em Pernambuco deixou uma conta que nenhum dos dois lados pode ignorar. Mais de 1,3 milhão de eleitores pernambucanos estavam aptos a votar, mas simplesmente não apareceram para registrar seu voto no primeiro turno. E agora, com a disputa presidencial reduzida a Lula e Flávio Bolsonaro, esse eleitorado ausente ganha um novo peso na estratégia das campanhas.

Pernambuco registrou 18,18% de abstenção no primeiro turno de 2026, o equivalente a mais de 1,3 milhão de eleitores. O percentual ficou abaixo da média nacional, que chegou a 21,08%, mas colocou o estado diante de um fenômeno que merece atenção: uma parcela gigantesca do eleitorado não participou da escolha feita em 4 de outubro.

E aqui está o detalhe que pode movimentar os bastidores da campanha até 25 de outubro: quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo.

Ou seja, aquela multidão que não apareceu na primeira fotografia eleitoral ainda pode entrar na segunda.

E não é pouca gente.

Em Pernambuco, são mais de 1,3 milhão de eleitores. Não existe, evidentemente, como colocar esse contingente inteiro em uma caixinha política. Quem faltou pode ser eleitor de Lula, de Flávio Bolsonaro, de outro candidato que ficou pelo caminho ou simplesmente alguém que decidiu não participar da eleição naquele momento.

Mas é justamente essa incerteza que transforma a abstenção em um dos assuntos mais importantes da nova fase da disputa.

O desafio de Lula, especialmente, passa por mobilizar eleitores que não foram às urnas. O presidente terminou o primeiro turno com ampla vantagem em Pernambuco, alcançando 63,45% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 31,03%.

A pergunta que começa a circular nos bastidores é direta: quantos daqueles que ficaram em casa podem ser convencidos a sair de casa no segundo turno?

Não se trata de afirmar que o eleitor ausente votaria em Lula. Os números não permitem essa conclusão. Mas existe um fato político objetivo: se uma parcela significativa desses eleitores resolver participar, o tamanho do eleitorado efetivamente votante aumenta e a composição dos votos válidos pode mudar.

E Flávio Bolsonaro também olha para essa conta.

Depois de terminar o primeiro turno atrás de Lula em Pernambuco, a campanha bolsonarista terá de disputar não apenas os eleitores que já escolheram um candidato, mas também aqueles que não apareceram para votar. A segunda etapa da eleição começa, portanto, com um universo de eleitores que ainda não colocou seu voto na urna.

É aí que a eleição ganha uma nova dinâmica.

Não basta contar quem votou. Agora é preciso olhar para quem não votou.

Nas eleições municipais de 2024, Pernambuco teve 17,53% de abstenção. Em 2022, nas eleições gerais, foram 18,21%. O índice de 2026, de 18,18%, ficou muito próximo do registrado quatro anos atrás e acima do observado no último pleito municipal.

No Brasil inteiro, a fotografia foi ainda mais expressiva. Mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, correspondendo a 21,08% do eleitorado.

Pernambuco, portanto, não está sozinho nessa equação. Mas, por aqui, a quantidade de ausentes chama atenção justamente porque o estado será palco de uma nova votação presidencial no dia 25.

E há outro detalhe importante: o eleitor que faltou no primeiro turno e não justificou a ausência ainda pode regularizar a situação dentro do prazo previsto pela Justiça Eleitoral e, desde que esteja apto, participar do segundo turno.

No campo político, entretanto, o problema é outro.

É preciso convencer esse eleitor a voltar para a urna.

Porque uma coisa é o eleitor estar habilitado a votar. Outra, completamente diferente, é decidir que vale a pena sair de casa, enfrentar deslocamento, fila e toda a rotina de uma eleição para registrar novamente sua escolha.

É justamente nessa distância entre “poder votar” e “querer votar” que as campanhas devem concentrar parte da sua estratégia.

Lula chega ao segundo turno em Pernambuco carregando os números do primeiro turno e uma votação expressiva no estado. Flávio Bolsonaro começa a segunda etapa tentando ampliar seu espaço. E, entre os dois, existe um enorme contingente de eleitores que ainda não colocou seu voto na conta.

A eleição agora é outra.

Os votos já dados continuam contabilizados. Os candidatos derrotados ficaram pelo caminho. Mas mais de 1,3 milhão de pernambucanos ainda podem decidir que, desta vez, vão aparecer.

E talvez seja essa a pergunta que mais incomode os estrategistas das duas campanhas nas próximas semanas:

quem são esses eleitores, por que não votaram e, principalmente, quem conseguirá levá-los novamente às urnas no dia 25?

Porque no segundo turno, enquanto Lula e Flávio disputam voto a voto o eleitorado que já participou da eleição, existe uma outra disputa acontecendo silenciosamente: a disputa pelo eleitor que até agora preferiu ficar em casa.

E essa conta, em Pernambuco, passa de 1,3 milhão.