segunda-feira, 26 de outubro de 2026

2026: O ANO QUE MIGUEL COELHO DEVERIA ESQUECER, MAS PRECISA APRENDER A NÃO REPETIR

De uma possível candidatura ao Senado à suplência de deputado federal, o ex-prefeito de Petrolina termina o ano diante de uma lição que vai além das urnas: humildade, respeito às pequenas bases e reconhecimento de quem luta por um projeto político longe dos grandes palanques.

Tem ano que um político gostaria de apagar da memória. Para Miguel Coelho, 2026 tem todos os ingredientes para entrar nessa lista. Mas, antes de virar a página, o ex-prefeito de Petrolina precisa entender o que aconteceu, rever conceitos e, principalmente, olhar para aqueles que muitas vezes ficam esquecidos quando os grandes grupos se movimentam.

Miguel não é uma má pessoa, tampouco precisa ser tratado como um mau político. Tem experiência administrativa, conhece os caminhos da política pernambucana e governou Petrolina por dois mandatos. Construiu uma liderança importante no Sertão e chegou a ser apontado como possível candidato ao Senado. O problema é que a política não vive apenas de passado, sobrenome, estrutura e ambição. Vive também de escolhas, capacidade de articulação e respeito a quem ajuda a construir uma trajetória.

E foi justamente nesse terreno que 2026 deixou perguntas incômodas.

Miguel disputou uma vaga de deputado federal pelo União Brasil, recebeu 102.595 votos e terminou como primeiro suplente da federação União Progressista. Faltaram 8.014 votos para alcançar a última vaga conquistada pela federação. Um resultado expressivo em números absolutos, mas insuficiente para garantir o mandato. 

Para quem chegou a sonhar com uma disputa pelo Senado, a mudança de cenário foi considerável. A questão agora não é apenas lamentar o resultado. É compreender por que um projeto que parecia ter ambições maiores terminou sem conquistar a cadeira pretendida.

A SOBERBA PODE CUSTAR CARO, MAS A HUMILDADE PODE ENSINAR O CAMINHO DE VOLTA

Na política, existe uma armadilha perigosa: começar a acreditar que a força de um grupo é suficiente para garantir resultados. Quando isso acontece, corre-se o risco de dar atenção excessiva aos grandes centros, aos eventos cheios, às lideranças de maior visibilidade e aos aliados que ocupam os espaços mais importantes.

Enquanto isso, gente que trabalha silenciosamente, que abre portas em cidades pequenas, que reúne meia dúzia de apoiadores e que passa meses defendendo um nome acaba ficando em segundo plano.

É aí que mora uma das grandes lições para Miguel Coelho.

Não se trata de afirmar que ele deliberadamente desprezou alguém. Trata-se de reconhecer que qualquer liderança que pretende crescer precisa avaliar se está distribuindo atenção, respeito e capacidade de diálogo de maneira adequada. A derrota é uma oportunidade para essa reflexão, não uma prova automática de que todas as críticas são verdadeiras.

O político precisa entender que uma pequena cidade não é menos importante porque tem menos eleitores. E uma liderança não merece menos respeito porque não consegue reunir uma multidão.

Em Pernambuco, há municípios onde a política é feita no corpo a corpo, na conversa de calçada, na visita à zona rural e no compromisso assumido olho no olho. Não há grandes estruturas, equipes numerosas ou eventos monumentais. Há pessoas que acreditam em determinado projeto e trabalham com os recursos que possuem.

Essas pessoas também enfrentam críticas, colocam a própria reputação em jogo e precisam explicar aos vizinhos por que estão apoiando determinado candidato. Quando chega o dia da eleição, fazem sua parte e esperam, no mínimo, que seu esforço seja reconhecido.

Não é razoável que um grupo político só se lembre dessas bases quando precisa dos votos.

O VOTO DO RECANTO MAIS DISTANTE DE PERNAMBUCO VALE EXATAMENTE O MESMO QUE O VOTO DOS GRANDES CENTROS.

A urna não sabe se o eleitor mora numa avenida movimentada de Petrolina, numa comunidade rural do Agreste ou num pequeno distrito do Sertão. Não existe voto de primeira classe e voto de segunda classe. Não existe eleitor importante porque vive numa cidade grande e eleitor secundário porque mora num município pequeno.

O peso eleitoral pode variar conforme a quantidade de votos de cada localidade, mas o valor democrático de cada voto é igual.

Essa diferença precisa estar muito clara para quem deseja construir uma trajetória política duradoura. Uma pequena base pode não decidir sozinha uma eleição, mas pode representar o início de uma rede de confiança. Um grupo reduzido pode não aparecer nas fotografias dos grandes encontros, mas pode permanecer fiel quando outros já estão procurando novos caminhos.

E existe uma crueldade política que muitos só percebem tarde demais: o aliado que hoje parece pequeno pode ser justamente aquele cuja ausência fará falta amanhã.

NÃO SE MENOSPREZAM PEQUENAS BASES. NÃO SE DIMINUI O ESFORÇO DE PEQUENOS GRUPOS. NÃO SE TRATA COMO DESCARTÁVEL QUEM SAIU DE CASA PARA DEFENDER UM PROJETO.

Se 2026 deixou uma lição para Miguel, ela passa necessariamente por aí. É hora de baixar a bola, ouvir mais e compreender que liderança não é apenas ocupar o centro do palco. É saber reconhecer quem ajudou a montar a estrutura, quem carregou o projeto nas costas e quem permaneceu trabalhando mesmo sem receber os holofotes.

A APOSTA PRESIDENCIAL TAMBÉM ENTROU NA CONTA

O ano ainda reservou outro capítulo. No segundo turno presidencial, Miguel declarou apoio a Flávio Bolsonaro, seguindo o posicionamento adotado pelo União Brasil e por integrantes de seu grupo político. A decisão foi justificada publicamente pela defesa de mudanças no país, com ênfase em segurança pública, emprego e responsabilidade fiscal. 

Flávio perdeu a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva, e o cenário nacional passou a exigir dos grupos políticos uma nova leitura. Miguel, na segunda-feira, 26 de outubro, reconheceu a vitória de Lula, parabenizou o presidente eleito e defendeu a continuidade do trabalho por mais recursos, obras e qualidade de vida para Petrolina e Pernambuco. 

É legítimo escolher um lado numa eleição presidencial e também é legítimo reconhecer o resultado das urnas. O desafio está em construir uma relação institucional produtiva depois da disputa. Petrolina precisa continuar buscando investimentos, e a população não pode ser prejudicada por dificuldades de diálogo entre grupos políticos.

Miguel terá de demonstrar capacidade de articulação, sem confundir firmeza com isolamento. A política exige posições, mas exige também diálogo. E diálogo não deve ser confundido com oportunismo: trata-se de reconhecer que governos, partidos e lideranças precisam conviver em favor de interesses públicos.

Ainda assim, a derrota presidencial não explica sozinha o resultado de Miguel para deputado federal. São disputas diferentes, com eleitorados e dinâmicas próprias. O que existe é um conjunto de acontecimentos que torna necessária uma revisão mais ampla de estratégia.

2027 PRECISA SER O ANO DA REVISÃO, NÃO DA ARROGÂNCIA

Miguel Coelho não perdeu sua história. Também não deixou de ter uma base importante em Petrolina. Seus 102.595 votos demonstram que continua existindo um contingente expressivo de eleitores dispostos a apoiar seu projeto. Mas a suplência mostra que essa votação não foi suficiente para assegurar o mandato pretendido. 

O desafio é transformar esse revés em aprendizado. Isso significa avaliar a campanha, rever a relação com lideranças municipais, ouvir quem ficou distante e reconhecer que a política não pode ser conduzida apenas a partir das cidades onde o grupo possui maior força.

Significa também abandonar qualquer impressão de que pequenos aliados devem se contentar com pouco porque representam menos votos. Quem trabalha por uma candidatura merece consideração, independentemente do tamanho da sua cidade ou da influência que exerce nos bastidores.

Humildade não é fraqueza. Não diminui ninguém reconhecer que poderia ter feito diferente. Pelo contrário: a capacidade de ouvir críticas, corrigir comportamentos e valorizar pessoas é uma das características que distinguem uma liderança passageira de uma trajetória que consegue se renovar.

Miguel tem tempo para fazer essa reflexão. Não precisa abandonar suas ambições, tampouco renegar o trabalho que realizou em Petrolina. Precisa compreender que nenhuma liderança é autossuficiente e que o capital político não se resume a votos concentrados em um grande município.

A política pernambucana é feita de cidades grandes e pequenas, de grupos numerosos e reduzidos, de lideranças conhecidas e de pessoas que raramente aparecem na imprensa. Todas fazem parte do processo. Ignorar essa diversidade é correr o risco de enxergar apenas uma parcela da realidade.

A LIÇÃO FINAL: NINGUÉM É GRANDE DEMAIS PARA NÃO PRECISAR DOS PEQUENOS

Talvez Miguel Coelho prefira esquecer 2026. É compreensível. O ano não entregou o resultado que seu projeto político parecia buscar. Mas esquecer sem aprender seria desperdiçar a oportunidade de corrigir a rota.

O ex-prefeito precisa olhar para trás sem procurar culpados em cada esquina. Precisa perguntar se ouviu o suficiente, se valorizou as pessoas certas, se deu atenção às bases que trabalharam longe dos grandes eventos e se compreendeu que respeito não pode ser medido pela quantidade de votos que alguém consegue reunir.

Não é uma sentença contra Miguel. É uma reflexão sobre a política e sobre o que se espera de quem deseja continuar crescendo.

Porque o eleitor que sai de casa numa cidade pequena tem o mesmo direito de ser respeitado que aquele que vota numa grande capital. A liderança que reúne dez pessoas merece ser ouvida com a mesma seriedade com que se escuta quem reúne centenas. E o grupo que se esforçou por uma candidatura não pode ser tratado como se sua contribuição tivesse importância apenas no período eleitoral.

Na política, a soberba pode afastar pessoas que levaram anos para construir confiança. A humildade, por outro lado, abre espaço para recuperar relações e reconstruir pontes.

Miguel Coelho não precisa deixar de ser quem é. Precisa, talvez, rever a maneira como se relaciona com quem caminha ao seu lado. Precisa baixar a bola, olhar para os pequenos municípios com mais atenção e compreender que cada voto carrega uma história, um esforço e uma expectativa.

2026 pode ser o ano que Miguel gostaria de esquecer. Mas a lição que as urnas deixaram é simples: quem sonha em ser grande não pode tratar os pequenos como se não fossem importantes.

Porque, quando chega a hora de contar os votos, a urna não pergunta o tamanho da cidade, o poder da liderança ou a influência do grupo. Ela conta cada voto. E todos têm o mesmo valor.

Edney Souto | Blog do Edney

FLÁVIO BOLSONARO VISITA O PAI EM MEIO À TENSÃO E À PRESSÃO PARA TER O PASSAPORTE RETIDO

A derrota nas urnas ainda nem esfriou e Flávio Bolsonaro já enfrenta um novo capítulo de tensão política e jurídica. O senador visitou o pai, Jair Bolsonaro, na manhã desta segunda-feira (26), em Brasília, um dia depois de perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos bastidores do PL, a preocupação agora envolve a possibilidade de novas medidas judiciais contra o parlamentar, incluindo pedidos para impedir que ele deixe o país.

A visita aconteceu por volta das 11h e ocorre em um momento delicado para a família Bolsonaro. Além do revés eleitoral, Flávio passou a ser alvo de iniciativas anunciadas por parlamentares que defendem restrições à sua saída do Brasil e a retenção de seu passaporte. O assunto ganhou força após o resultado do segundo turno, ampliando a tensão em torno do senador.

A deputada federal Duda Salabert (PSol-MG) afirmou ter solicitado a apreensão do documento. Já Otoni de Paula (PSD-RJ) declarou ter acionado a Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo medidas cautelares que incluem a proibição de saída do território nacional. O deputado Rogério Correia (PT-MG) também anunciou que pretende levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

É importante destacar, porém, que até o momento não havia confirmação pública de uma decisão judicial determinando a apreensão do passaporte de Flávio ou de uma intimação da Polícia Federal relacionada a essa possibilidade. Os pedidos anunciados por parlamentares não significam, por si só, que as medidas tenham sido autorizadas pela Justiça.

A visita a Jair Bolsonaro também tem um contexto jurídico. Flávio voltou a ter autorização para encontrar o pai após o encerramento da suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A restrição havia sido imposta em julho, depois que o senador divulgou nas redes sociais uma carta de Jair Bolsonaro em apoio à sua candidatura presidencial. Na ocasião, Moraes entendeu que a publicação contrariava as medidas cautelares que proibiam o ex-presidente de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.

Em 12 de outubro, o ministro autorizou a retomada dos encontros, mantendo as condições anteriormente estabelecidas. Flávio também está cadastrado como advogado do pai, o que permite visitas nos dias úteis, respeitadas as regras aplicáveis.

Mas o cenário vai além das visitas familiares. Depois de perder a eleição para Lula no domingo (25), Flávio contestou o resultado e afirmou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular a votação. A declaração acrescenta mais um elemento de tensão a uma disputa que terminou nas urnas, mas continua produzindo repercussões políticas.

O senador também aparece em uma investigação sobre suspeitas relacionadas ao financiamento de *Dark Horse*, filme que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.

O momento é de pressão para o parlamentar. Depois de entrar na corrida presidencial como representante do bolsonarismo, Flávio agora precisa lidar com a derrota eleitoral, as divergências dentro do próprio campo político e a possibilidade de novos desdobramentos judiciais. A discussão sobre o passaporte, por enquanto, permanece no campo dos pedidos anunciados, sem confirmação de uma ordem judicial de apreensão.

Na política brasileira, a derrota de domingo abriu uma nova etapa de incertezas para o grupo Bolsonaro. E, enquanto Lula se prepara para mais um mandato, o clã bolsonarista enfrenta o desafio de reorganizar suas forças em meio a uma combinação de desgaste eleitoral, disputas internas e questões judiciais que podem continuar ocupando o centro do debate nacional.

LULA DA FONTE NÃO TEM PIEDADE E MALTRATA MENDONÇA FILHO COM MONTAGEM SOBRE DERROTAS ELEITORAIS

Deputado do PP aperta o botão da maldade, provoca um adversário experiente e transforma o retrospecto eleitoral de Mendonça em munição política.

Na política pernambucana, tem provocação que é uma simples alfinetada. E tem provocação que chega para tirar o sono do adversário. Lula da Fonte (PP-PE) escolheu a segunda opção e não economizou na maldade ao publicar uma montagem no Instagram classificando Mendonça Filho (União Brasil) como o “maior perdedor da história de Pernambuco”.

O deputado federal não passou a mão na cabeça de ninguém. Pegou o histórico eleitoral do ex-ministro, colocou as disputas numa sequência e deixou a ironia fazer o serviço pesado. Foi um verdadeiro banho de água fria no orgulho de um político que há décadas frequenta os espaços mais importantes do poder pernambucano.

A mensagem de Lula da Fonte é cruel, mas politicamente certeira: ter currículo, ocupar cargos importantes e conhecer os atalhos de Brasília não significa necessariamente saber vencer eleições majoritárias. E é justamente nesse terreno que Mendonça oferece munição aos adversários.

A montagem relembra derrotas em disputas pela Prefeitura do Recife, pelo Governo de Pernambuco e pelo Senado. Entre os episódios mais conhecidos estão a derrota para Eduardo Campos na eleição estadual de 2006, a tentativa frustrada de chegar ao Senado em 2018 e a disputa contra João Campos pela Prefeitura do Recife em 2020. Em 2026, Mendonça voltou a tentar uma vaga no Senado e terminou sem conquistar o mandato.

Lula da Fonte fez o que os adversários adoram fazer: transformou resultados eleitorais em apelido político. E, na era das redes sociais, uma montagem bem calculada pode incomodar mais do que uma hora de discurso na tribuna. A imagem circula, a provocação repercute e o adversário passa a ter de explicar o próprio retrospecto.

É claro que Mendonça Filho tem uma trajetória relevante, com passagens pelo Ministério da Educação, pelo Governo de Pernambuco e pela Câmara dos Deputados. Mas nenhum currículo vem com imunidade contra o deboche. Quem entra repetidamente em disputas eleitorais também fica exposto ao julgamento dos eleitores e à memória dos adversários.

Há um detalhe: a relação de eleições apresentada na montagem contém inconsistências e não deve ser tratada como um levantamento histórico rigoroso sem conferência. Isso não impede Lula da Fonte de explorar politicamente as derrotas efetivas, mas exige cuidado com a contagem divulgada.

Ainda assim, o deputado do PP conseguiu o que pretendia: colocou Mendonça na defensiva e fez do retrospecto eleitoral uma arma de provocação pública. Foi ácido, direto e sem cerimônia.

LULA DA FONTE MALTRATOU! Na política, não existe prêmio por tempo de serviço, medalha por candidatura disputada nem vitória por insistência. O eleitor decide, e os adversários não costumam desperdiçar a oportunidade de lembrar quem perdeu.

Mendonça Filho pode até não gostar do apelido. Mas, depois dessa postagem, vai ter de conviver com uma pergunta incômoda: como um político com tanta experiência acumulou tantas frustrações nas disputas majoritárias?

Lula da Fonte jogou a provocação na praça. Agora, que a política pernambucana faça o resto.

Blog do Edney — a notícia verdade.

RAFAEL FONTELES GANHA FORÇA PARA ASSUMIR A FAZENDA NO GOVERNO LULA E PODE DEIXAR GOVERNO DO PIAUÍ

O tabuleiro político de Brasília começa a se movimentar com uma possibilidade que pode provocar mudanças importantes no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), desponta como um dos nomes mais fortes para assumir o Ministério da Fazenda, segundo informações de aliados e integrantes do governo federal. A possibilidade já teria sido discutida pelo próprio governador com pessoas próximas.

A eventual chegada de Fonteles ao comando da economia brasileira representaria uma mudança de peso na equipe de Lula, especialmente pela experiência do petista na área fiscal e pela relação política que construiu com o presidente. Matemático de formação, Rafael Fonteles comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022, período em que ganhou projeção na administração pública e consolidou sua atuação na área econômica.

Além da experiência técnica, o governador também teve participação importante na articulação política em favor de Lula, sendo um dos principais coordenadores da campanha presidencial no segundo turno. Essa proximidade com o projeto político petista pode pesar na escolha de um nome para uma das pastas mais estratégicas do governo federal.

Mas uma eventual indicação teria consequências diretas no Piauí. Para assumir o Ministério da Fazenda, Fonteles precisaria renunciar ao governo estadual, abrindo caminho para que o vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), assumisse o comando do Executivo.

De acordo com aliados, a possibilidade de deixar o cargo não seria vista como um obstáculo pelo governador. A relação de confiança entre os dois é antiga: Fonteles e Bandeira são amigos desde os tempos de escola, fator que ajudaria a dar tranquilidade política a uma eventual transição.

Por enquanto, a movimentação permanece no campo das articulações e das possibilidades, sem confirmação oficial de convite ou nomeação. Ainda assim, o fato de Rafael Fonteles aparecer entre os cotados revela que seu nome está no radar do governo Lula para uma função central na condução da política econômica nacional.

Se a escolha for confirmada, Fonteles trocará o comando do Piauí por um dos postos mais desafiadores da Esplanada dos Ministérios. A decisão também abrirá uma nova etapa na política piauiense, com Washington Bandeira diante da possibilidade de assumir o governo estadual.

Blog do Edney

LULA REELEITO: LÍDERES MUNDIAIS CUMPRIMENTAM PRESIDENTE BRASILEIRO E DESTACAM FORÇA DA DEMOCRACIA

VITÓRIA NAS URNAS REPERCUTE INTERNACIONALMENTE, COM MENSAGENS DE MACRON, SÁNCHEZ, MODI E OUTROS CHEFES DE ESTADO QUE DEFENDEM O FORTALECIMENTO DAS RELAÇÕES COM O BRASIL

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou repercussão internacional poucos momentos depois da confirmação do resultado das urnas. Líderes de diferentes continentes utilizaram as redes sociais para parabenizar o presidente brasileiro, destacar a importância do processo democrático e sinalizar disposição para ampliar parcerias políticas, econômicas e ambientais com o Brasil.

A vitória de Lula não ficou restrita ao debate político nacional. As manifestações de chefes de Estado e representantes de importantes instituições internacionais demonstram que o resultado brasileiro também é acompanhado de perto por governos interessados no papel do país nas discussões sobre comércio, meio ambiente, democracia e cooperação global.

Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, ressaltou a amizade histórica entre os dois países e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica franco-brasileira. Para Macron, Brasil e França têm espaço para construir iniciativas conjuntas diante dos desafios internacionais, com o objetivo de contribuir para um mundo mais justo.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, comemorou o resultado e associou a vitória de Lula à perspectiva de fortalecimento das forças progressistas no cenário internacional. A mensagem teve um tom político mais evidente, com Sánchez afirmando que a retomada progressista global estaria apenas começando.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou, destacando a democracia e o multilateralismo como vencedores do processo eleitoral brasileiro. Na mesma linha, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, enfatizou a importância da relação entre a União Europeia e o Brasil e defendeu o aprofundamento da cooperação entre os dois lados.

A sinalização europeia tem peso estratégico. O Brasil ocupa posição relevante nas discussões sobre mudanças climáticas, comércio internacional, segurança alimentar e relações diplomáticas. A manutenção de canais de diálogo com o governo brasileiro interessa tanto à União Europeia quanto aos países que buscam ampliar suas relações comerciais com a maior economia da América Latina.

Do outro lado do mundo, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, cumprimentou Lula e se referiu ao presidente brasileiro como “caro amigo”, reforçando a importância do relacionamento entre as duas nações. A manifestação amplia a lista de lideranças de grandes economias que reconheceram a vitória do petista.

Na América do Norte, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, destacou o significado da vitória para o povo brasileiro. Já o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, demonstrou interesse em ampliar o comércio e a cooperação ambiental entre os dois países.

Na América Latina, as mensagens também vieram de diferentes governos. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, saudou Lula e ressaltou o caráter democrático da eleição. Os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino, defenderam a continuidade da cooperação regional. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também cumprimentou Lula e o povo brasileiro pela jornada eleitoral.

O conjunto das manifestações revela uma primeira fotografia diplomática do resultado: governos de diferentes regiões do planeta reconheceram a vitória brasileira e aproveitaram o momento para sinalizar interesse na continuidade ou no aprofundamento das relações com Brasília.

Para Lula, a reeleição abre uma nova etapa de articulação internacional, com desafios que vão além dos cumprimentos protocolares. O governo terá de transformar as mensagens de apoio em acordos, investimentos, cooperação concreta e resultados para a população brasileira.

A repercussão internacional também reforça o peso político do Brasil no cenário global. Com sua dimensão econômica, territorial e ambiental, o país permanece como interlocutor importante em debates que envolvem o futuro do comércio, a preservação ambiental e o equilíbrio entre as principais forças internacionais.

No fim das contas, a mensagem que chega de diferentes capitais é clara: a escolha feita pelos brasileiros terá consequências que ultrapassam as fronteiras nacionais. Agora, o desafio de Lula será transformar o reconhecimento internacional em resultados concretos para o Brasil.

Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade.

JOÃO CAMPOS GANHA FÔLEGO COM MAIS UM MANDATO DE LULA, MAS O ESPAÇO EM BRASÍLIA AINDA É UMA INCÓGNITA

A derrota para Raquel Lyra mudou o cenário político de João Campos em Pernambuco. Agora, com Lula reeleito para um novo mandato, o ex-prefeito do Recife ganha uma oportunidade de reorganizar seu projeto político, buscar espaço em Brasília e tentar recuperar terreno para enfrentar a governadora. Mas uma coisa é ter o apoio de Lula. Outra, bem diferente, é conseguir transformar essa relação em poder político de verdade.

João atravessou um período de dificuldades depois da vitória de Raquel Lyra. A governadora conquistou uma reeleição que surpreendeu parte do meio político e fortaleceu sua posição no estado. O resultado também teve reflexos no Recife, onde a disputa foi apertada e mostrou que o capital eleitoral de João não se converteu automaticamente em força suficiente para derrotar a adversária.

As dificuldades de relacionamento com setores do PT também pesam nessa equação. Durante o segundo turno presidencial, João manteve distância da linha de frente da mobilização em Pernambuco, enquanto o senador Humberto Costa assumiu protagonismo na articulação estadual em torno de Lula. O movimento ajudou a consolidar uma operação política que reuniu lideranças, prefeitos e militantes em diversas regiões do estado.

Humberto teve papel importante na construção dessa mobilização, no diálogo com gestores municipais e na defesa de medidas para facilitar o acesso dos eleitores às urnas, incluindo o transporte gratuito. O trabalho de articulação com os municípios ganhou importância em uma eleição na qual a participação popular e a capacidade de mobilização das bases eram peças fundamentais.

A ausência de João também foi percebida durante a passagem de Lula por Petrolina, na semana anterior à votação. Na ocasião, quem apareceu ao lado do presidente foi a senadora eleita Marília Arraes, reforçando sua presença no cenário político pernambucano justamente quando o ex-prefeito estava fora do centro das articulações estaduais.

Agora, com Lula garantido para mais quatro anos no Palácio do Planalto, João Campos pode encontrar uma porta aberta em Brasília. A possibilidade de ocupar um ministério ou assumir outra função de destaque no governo federal passa a ser uma alternativa para manter sua projeção política, ampliar sua interlocução com prefeitos e lideranças e continuar presente no debate pernambucano, mesmo sem comandar a Prefeitura do Recife.

A comparação com Eduardo Campos, seu pai, é inevitável. Ex-governador de Pernambuco, Eduardo também ocupou espaço no governo federal, à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia, antes de construir uma trajetória nacional que o levou novamente ao governo estadual. João, porém, terá de construir seu próprio caminho e demonstrar que consegue transformar uma eventual posição no governo Lula em influência política concreta.

O desafio não será pequeno. Raquel Lyra entra em uma nova etapa de seu governo com força política, presença no interior e uma base expressiva na Assembleia Legislativa. A continuidade dos investimentos estaduais e os indicadores de crescimento econômico de Pernambuco também fazem parte do cenário que João terá de enfrentar para reorganizar a oposição.

Mas existe uma questão que não pode ser ignorada: até que ponto Lula estará disposto a abrir espaço para João Campos em seu governo? E, caso esse espaço exista, qual será o tamanho da influência que o pernambucano poderá exercer?

O caso de Marília Arraes merece atenção nessa análise. Em 2022, ela disputou o segundo turno pelo governo de Pernambuco contra Raquel Lyra e saiu daquela eleição com expressiva votação. Apesar de sua proximidade com Lula e de sua atuação política no campo progressista, não conquistou um espaço ministerial no governo federal. Agora eleita senadora, Marília volta a ocupar uma posição estratégica no tabuleiro pernambucano e esteve ao lado de Lula em Petrolina.

A trajetória de Marília mostra que a proximidade política com o presidente e o desempenho eleitoral não garantem, por si sós, um cargo de destaque na Esplanada dos Ministérios. Não há como afirmar que João enfrentará o mesmo cenário, mas o precedente serve de alerta. A composição de um governo envolve alianças nacionais, equilíbrio entre partidos, compromissos políticos e escolhas pessoais do presidente.

Também será necessário observar como Lula pretende administrar os interesses de seus aliados em Pernambuco. João Campos tem peso político, pertence a uma família de forte tradição no estado e mantém interlocução com setores importantes da esquerda. Ao mesmo tempo, Humberto Costa demonstrou capacidade de articulação durante a campanha presidencial, enquanto Marília Arraes chega ao Senado com capital eleitoral próprio. São forças que podem cooperar, mas também disputar protagonismo.

Para João, um ministério poderia representar mais do que um cargo. Seria uma oportunidade de circular pelo estado, participar da entrega de obras, anunciar investimentos e manter uma agenda de aproximação com os municípios. Isso lhe daria instrumentos para sustentar a oposição a Raquel Lyra e preparar os próximos movimentos eleitorais.

Só que o cargo, por si só, não resolverá seus problemas. João precisará reconstruir pontes com o PT, fortalecer relações com lideranças do interior e mostrar que continua tendo capacidade de mobilização fora da capital. A disputa pernambucana não será decidida apenas pelas relações em Brasília, mas também pela força das alianças locais e pelos resultados que a governadora conseguir apresentar.

Lula reeleito representa, portanto, uma nova oportunidade para João Campos. Não significa, porém, que seu caminho esteja livre ou que um ministério já esteja garantido. O ex-prefeito ganha fôlego, mas ainda depende das escolhas de Lula, da composição do governo e da capacidade de transformar prestígio político em presença efetiva no estado.

Em Pernambuco, a pergunta que fica é direta: João Campos conseguirá usar o novo mandato de Lula para voltar ao centro do jogo político ou terá de assistir, de longe, à consolidação de Raquel Lyra como principal força do estado? A resposta dependerá menos das expectativas criadas em torno de Brasília e mais das decisões que serão tomadas nos próximos meses.

Edney Souto | Blog do Edney 

FLÁVIO FALOU DOS VOTOS DE LULA EM PRESÍDIOS, MAIS GANHOU DE LULA NA PAPUDINHA

Em uma mudança em relação ao primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu mais votos que o presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o local tinha 185 eleitores aptos a votar. Desse total, 160 compareceram às urnas. Além dos votos destinados aos dois candidatos, houve um voto em branco e quatro nulos.

No primeiro turno, Lula havia ficado à frente, com 74 votos, contra 70 de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, Ronaldo Caiado (PSD) recebeu seis votos; Renan Santos, quatro; e Augusto Cury (Avante), dois. Foram registrados ainda três votos em branco e três nulos.

Na eleição para o governo do Distrito Federal, Celina Leão (PL) também concentrou a maioria dos votos no local. A governadora reeleita recebeu 84 votos, enquanto Leandro Grass (PT) obteve 40.

Papudinha reúne presos conhecidos

Localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, a Papudinha é conhecida por abrigar políticos, policiais e outras figuras públicas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneceu preso na unidade antes de passar ao regime domiciliar.

Atualmente, entre os nomes de destaque custodiados no local estão Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro; Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal durante a mesma gestão; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no governo Lula. (Foto: Reprodução/Google Maps)


Por Opinião em Pauta com informações do UOL

COMO O PAI, FLÁVIO BOLSONARO NÃO ACEITA DERROTA E AMEAÇA CONTESTAR VITÓRIA DE LULA; PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO FEITO POR SUA PRÓPRIA CAMPANHA EXPÕE CONTRADIÇÃO

Derrotado nas urnas, senador questiona o processo eleitoral e promete recorrer à Justiça. Mas a própria campanha pediu a ampliação do horário de votação em determinadas localidades, fato que enfraquece o discurso adotado depois da derrota.
O roteiro parece conhecido. Quando as urnas não entregam o resultado desejado, a derrota deixa de ser uma decisão soberana do eleitor e passa a ser tratada como motivo para questionar o processo eleitoral. Foi assim com Jair Bolsonaro em 2022 e, agora, a postura de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), reacende o mesmo debate. Depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República, o senador anunciou que pretende recorrer à Justiça para contestar o resultado e colocou em dúvida a legitimidade da eleição. A diferença é que, desta vez, há uma contradição que precisa ser explicada: a própria campanha de Flávio também solicitou a ampliação do horário de votação em municípios onde eleitores enfrentavam dificuldades para chegar às seções eleitorais.

A reação do candidato derrotado prolonga uma disputa que deveria entrar em uma nova fase depois da apuração. Em vez de reconhecer o resultado e organizar a oposição ao governo eleito, Flávio optou por questionar as circunstâncias da votação e anunciar uma ofensiva jurídica. O direito de recorrer à Justiça é garantido a qualquer candidato, mas existe uma diferença fundamental entre apresentar questionamentos respaldados por provas e transformar a insatisfação com a derrota em suspeita generalizada contra o sistema eleitoral.

A comparação com Jair Bolsonaro é inevitável. Em 2022, depois de perder para Lula, o então presidente permaneceu mais de 44 horas sem se pronunciar publicamente sobre o resultado. Quando finalmente falou, não reconheceu expressamente a vitória do adversário nem o parabenizou. Autorizou o início da transição de governo e afirmou que continuaria cumprindo a Constituição, enquanto apoiadores mantinham manifestações contrárias ao resultado das urnas. O Supremo Tribunal Federal interpretou a autorização para a transição como reconhecimento do resultado eleitoral.

Quatro anos depois, o filho segue por outro caminho, mas com uma consequência política semelhante: mantém a contestação mesmo depois de encerrada a votação. Jair Bolsonaro deixou o silêncio marcar sua reação; Flávio escolheu o discurso público e a promessa de judicialização. Nos dois casos, o comportamento levanta uma questão que ultrapassa os interesses de uma família política: até que ponto os candidatos estão dispostos a respeitar o resultado quando a vontade popular não corresponde às suas expectativas?

O episódio ganha contornos ainda mais delicados quando se observa a discussão sobre a prorrogação do horário de votação. Flávio questionou a ampliação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, diante de dificuldades enfrentadas por eleitores em determinadas localidades. A medida foi apresentada como um dos argumentos para contestar o processo eleitoral. Entretanto, a própria campanha do senador havia solicitado a extensão do horário em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando problemas de deslocamento relacionados a condições climáticas, alagamentos e bloqueios de vias. A campanha de Lula também apresentou solicitações relacionadas às dificuldades enfrentadas por eleitores.

Eis a contradição que enfraquece a narrativa do candidato derrotado. Se a ampliação do horário era necessária para permitir que cidadãos impedidos de chegar às seções eleitorais pudessem votar, por que a medida passa a ser tratada como suspeita quando o resultado final não favorece quem também a solicitou? Flávio precisa explicar a diferença entre a providência defendida por sua própria campanha e a crítica apresentada depois da apuração.

É importante separar os fatos. O pedido feito pela campanha não significa, por si só, que Flávio tenha solicitado exatamente a mesma extensão nacional posteriormente adotada pelo ministro. A decisão judicial foi mais abrangente do que os pedidos iniciais. Essa distinção precisa ser considerada para que a crítica seja rigorosa. Ainda assim, o envolvimento da própria campanha na defesa de medidas para garantir o acesso dos eleitores às urnas torna politicamente contraditório apresentar a ampliação do horário, isoladamente, como motivo suficiente para deslegitimar toda a eleição.

Também não basta apontar que parte dos votos foi registrada depois do horário originalmente previsto para concluir que houve fraude ou alteração do vencedor. Uma alegação dessa gravidade exige demonstração objetiva de irregularidades, de sua dimensão e de seu impacto sobre o resultado. Até o momento das declarações noticiadas, não havia comprovação pública de que a prorrogação tivesse alterado o vencedor da disputa.

A eleição terminou com Lula à frente de Flávio Bolsonaro. Os números oficiais da apuração devem ser considerados em qualquer análise sobre a dimensão da vitória, enquanto eventuais questionamentos precisam ser examinados pelas autoridades competentes. O que não se pode fazer é substituir provas por suspeitas ou tratar a derrota como evidência automática de que alguma coisa saiu errada.

A postura de Flávio também traz consequências para o próprio campo político. O senador pode manter sua base mais radicalizada mobilizada ao contestar o resultado, mas corre o risco de afastar eleitores que esperam uma oposição firme, capaz de fiscalizar o governo, apresentar propostas e respeitar as regras democráticas. Uma candidatura presidencial não se resume à campanha eleitoral. Também é medida pela responsabilidade demonstrada quando chega a hora de aceitar o resultado e reconhecer que milhões de brasileiros fizeram uma escolha diferente.

O direito de recorrer à Justiça não está em discussão. Qualquer candidato pode apresentar provas, questionar procedimentos e pedir providências. O que precisa ser esclarecido é se os argumentos apresentados têm consistência suficiente para sustentar a contestação. E, nesse caso, a participação da própria campanha de Flávio em pedidos de ampliação do horário de votação torna ainda mais necessária uma explicação coerente.

O Brasil não precisa que candidatos derrotados concordem com seus adversários ou comemorem o resultado. Precisa que respeitem as regras do jogo democrático e apresentem provas quando levantam acusações. O Judiciário decidirá sobre eventuais recursos, mas nenhuma declaração transforma automaticamente uma suspeita em fato comprovado.

No fim, a comparação com Jair Bolsonaro volta a assombrar o bolsonarismo. O pai saiu derrotado em 2022 e não reconheceu expressamente a vitória de Lula em sua primeira manifestação. Agora, o filho anuncia que pretende contestar a eleição que também perdeu para o petista. E a contradição envolvendo a prorrogação do horário de votação coloca uma pergunta incômoda no centro do debate: se a própria campanha de Flávio defendia medidas para permitir que mais eleitores votassem, como essa mesma ampliação pode ser transformada, depois da derrota, em argumento contra a legitimidade do resultado?

A democracia não funciona sob medida para satisfazer candidatos. O voto pertence ao eleitor, a apuração segue as regras estabelecidas e as contestações precisam ser sustentadas por provas. Na política, perder faz parte do jogo. O que não pode virar regra é aceitar as urnas apenas quando elas entregam a vitória.