De acordo com o relatório, o ex-mandatário apresenta hipertensão arterial e obesidade clínica, duas condições que, associadas, elevam o risco cardiovascular e exigem acompanhamento médico contínuo. O laudo também aponta a presença de doença do refluxo gastroesofágico, problema que afeta o sistema digestivo e pode provocar inflamações persistentes no esôfago, além de uma Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono em grau grave, caracterizada por cerca de 30 pausas respiratórias por hora durante o sono, comprometendo a oxigenação do organismo e a qualidade do descanso.
Outro ponto destacado é a aterosclerose sistêmica, enfermidade inflamatória marcada pelo acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias, condição que pode resultar em complicações cardíacas e vasculares. O documento médico também registra a existência de aderências, conhecidas como bridas intra-abdominais, formações de tecido cicatricial decorrentes das múltiplas cirurgias às quais Bolsonaro foi submetido ao longo dos últimos anos. Soma-se a isso o diagnóstico de queratose actínica, lesão de pele considerada pré-maligna, associada à exposição prolongada ao sol e que demanda vigilância dermatológica constante.
Além dessas enfermidades, os médicos da Polícia Federal apontaram sinais que podem indicar alterações neurológicas, capazes de aumentar o risco de quedas, motivo pelo qual recomendaram a realização de novos exames e avaliações especializadas para um diagnóstico mais preciso.
A divulgação do laudo teve repercussão imediata no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o conteúdo do relatório, o que pode influenciar decisões futuras relacionadas ao cumprimento da pena e às condições de custódia do ex-presidente.
Bolsonaro está preso há cerca de seis meses. Entre 18 de julho e 22 de novembro, cumpriu prisão domiciliar por determinação do próprio ministro Alexandre de Moraes. A partir de 22 de novembro, foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal, onde iniciou o cumprimento da pena de 27 anos e três meses, após condenação no processo relacionado à chamada trama golpista. Desde 15 de janeiro deste ano, o ex-presidente está detido no Complexo da Papuda, em Brasília, em uma ala conhecida como “Papudinha”.
O laudo médico agora se soma ao conjunto de elementos que cercam o caso e reforça a atenção do Judiciário às condições de saúde do ex-chefe do Executivo, em meio a um dos episódios mais emblemáticos e controversos da política brasileira recente.