Durante o ato de filiação, Gilson afirmou que não poderia permanecer em um ambiente onde, segundo ele, não havia alinhamento nem perspectivas concretas de crescimento político. “Eu não vou estar em um lugar que não me cabe. O partido não tem uma prefeitura em Pernambuco. Pelas redes sociais, parece que não temos candidato à Presidência da República. Então, para não criar confusão, preferi sair”, declarou, ao justificar a decisão de deixar o PL.
O ex-ministro também relembrou sua atuação como presidente do partido no Recife, destacando ações realizadas durante sua gestão. Segundo ele, sua destituição do comando municipal ocorreu de forma irregular. “Todo mundo sabe que fui presidente do partido no Recife, fiz várias ações aqui e fui destituído pela mídia e sem assinatura do presidente Bolsonaro”, afirmou, sugerindo que o processo não seguiu os trâmites formais esperados.
Outro ponto central do discurso foi a disputa pelo Senado Federal. Gilson Machado declarou que teria recebido o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer à vaga por Pernambuco, mas acabou sendo preterido pela direção estadual do PL. A decisão, segundo ele, reforçou a percepção de falta de respaldo interno e contribuiu para o afastamento definitivo da legenda.
Já projetando o futuro político, Gilson anunciou que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Podemos. Demonstrando confiança, afirmou que pretende protagonizar uma votação histórica no estado. “Eu vou ser deputado federal aqui em Pernambuco pelo Podemos e vou ser o deputado mais votado da história de Pernambuco, porque eu sou leal, não baixo a cabeça. Sou muito mais útil à causa se tiver um mandato de deputado federal. Então está definido”, declarou, sinalizando que a decisão é irreversível.
Apesar das críticas, o ex-ministro fez questão de afirmar que não torce contra o PL, mas defendeu uma reestruturação interna da sigla em Pernambuco. Ele citou como exemplo a ausência de diretórios municipais ativos, mesmo em cidades onde o partido possui vereadores eleitos. Também criticou o que considera falta de mobilização em torno de lideranças nacionais. “Não faz sentido um partido que tem quatro vereadores eleitos não ter um diretório municipal ativo. Está inativo em ações e não há uma menção a Flávio Bolsonaro, que é candidato à Presidência, depois de três meses de campanha”, pontuou.
A movimentação de Gilson Machado ocorre em um momento de rearranjos no campo conservador pernambucano, com trocas partidárias e redefinições estratégicas de olho nas próximas eleições. Sua ida ao Podemos não apenas altera o xadrez político da direita no estado, como também adiciona um novo elemento de disputa interna entre lideranças que orbitam o bolsonarismo em Pernambuco.
Com discurso de lealdade e enfrentamento, Gilson deixa o PL mirando novos espaços e tentando transformar a insatisfação em capital político. Resta saber como o eleitorado pernambucano reagirá à mudança e se a promessa de uma votação histórica se confirmará nas urnas.