Por Edney Souto
A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) aproveitou a sabatina promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), nesta quarta-feira (2), para apresentar ao setor produtivo um balanço das medidas adotadas pelo Governo do Estado e defender que Pernambuco está mais preparado para receber novos investimentos.
Diante de empresários e representantes da indústria, Raquel afirmou que sua gestão atacou entraves históricos para quem deseja empreender no Estado, principalmente nas áreas tributária, ambiental e de infraestrutura. Segundo ela, a estratégia foi criar um ambiente com mais segurança jurídica e menos burocracia.
“A gente fez toda uma modificação de legislação tributária para permitir que quem empreende em Pernambuco possa ter estabilidade jurídica. É tudo que eles sonham”, afirmou.
A governadora destacou ainda a digitalização dos processos de licenciamento ambiental. De acordo com Raquel, o prazo para conclusão dos procedimentos teria caído de cerca de seis meses para 34 dias.
Outro ponto apresentado foi o decreto de liberdade econômica, que, segundo a governadora, alcança quase mil atividades econômicas que deixaram de precisar de licença estadual para funcionar.
Na avaliação de Raquel, a redução da burocracia já teria produzido reflexos na abertura de novos negócios. Ela afirmou que 76 mil empresas foram abertas em Pernambuco somente neste ano, resultado que atribuiu às mudanças implementadas pelo Estado.
Mas a governadora reconheceu que facilitar a abertura de empresas não é suficiente. Para ela, o próximo desafio é garantir infraestrutura para acompanhar o crescimento econômico.
Foi justamente nesse ponto que Raquel enumerou uma série de obras e projetos em andamento ou planejados. Entre eles estão intervenções no sistema viário da Região Metropolitana, a PE-15, terminais integrados, investimentos em mobilidade, além da tarifa única no transporte público com o fim do Anel B.
Raquel também citou a duplicação da BR-232, com a previsão de avanço até Serra Talhada, além dos investimentos nos aeroportos de Caruaru e Serra Talhada. A governadora destacou ainda a inclusão dos aeroportos de Araripina e Garanhuns na concessão federal e a expansão do aeroporto de Petrolina.
Na área portuária, a avaliação foi ainda mais enfática. “Os nossos portos estão prontos”, afirmou.
DISPUTA POR INVESTIMENTOS
Ao falar diretamente aos empresários, Raquel sustentou que Pernambuco voltou a ocupar posição de destaque no Nordeste quando o assunto é investimento e geração de empregos.
A governadora defendeu que o crescimento econômico precisa acontecer de forma descentralizada, permitindo que as diferentes regiões do Estado tenham condições de gerar emprego e renda sem depender exclusivamente da Região Metropolitana do Recife.
“Permitir que as pessoas que moram em Pernambuco e com potência econômica em cada uma das regiões tenham a capacidade de ficar lá, se desenvolver, garantir o emprego, a renda circule na economia local e as pessoas sejam felizes no seu chão”, afirmou.
A declaração também funciona como uma sinalização política para o interior, onde a disputa eleitoral deste ano promete ser acirrada. A capacidade de atrair empresas, gerar empregos e levar investimentos para o Agreste, Sertão, Zona da Mata e demais regiões deverá continuar sendo um dos principais argumentos utilizados pela governadora durante a campanha.
FIM DA ESCALA 6X1
Outro tema que provocou atenção durante a sabatina foi o fim da escala de trabalho 6x1. Apesar de o setor industrial demonstrar resistência à proposta, Raquel declarou ser favorável à mudança.
A governadora, porém, fez questão de destacar que a adoção de uma nova jornada precisará considerar a realidade das empresas e preservar a competitividade do setor produtivo.
“Sei dos desafios que tem porque vai precisar, provavelmente, ter uma necessidade de subsídio que possa garantir competitividade para os nossos negócios”, declarou.
Raquel afirmou que acompanha as discussões em Brasília e classificou o assunto como um tema que terá impacto direto sobre o ambiente econômico brasileiro.
A participação na Fiepe colocou frente a frente duas questões que deverão marcar o debate econômico da eleição: de um lado, a necessidade de ampliar investimentos, empregos e infraestrutura; do outro, a pressão do setor produtivo por redução de custos e maior competitividade.
Para Raquel Lyra, o discurso é claro: o Estado já teria feito a sua parte na redução da burocracia e agora precisa acelerar a infraestrutura para transformar as condições criadas em novos investimentos, empregos e desenvolvimento regional.