A guerra política pela sucessão estadual ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (9). Em entrevista à TV Tribuna, o candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos, voltou a falar sobre as acusações envolvendo a suposta existência de estruturas destinadas a ataques políticos nas redes sociais e classificou as denúncias feitas contra ele como uma “cortina de fumaça”.
João Campos afirmou que, depois da sua reeleição para a Prefeitura do Recife, teria sido montada uma estrutura permanente para atacá-lo, além de atingir familiares e aliados. Segundo o socialista, não se trataria de crítica política, mas de uma ação baseada em “mentira, difamação e calúnia”.
O candidato disse ainda que as denúncias já teriam sido encaminhadas à Polícia Federal, à Justiça Eleitoral e que uma CPI chegou a ser discutida na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Na avaliação de João, existe uma diferença entre o embate natural de uma campanha eleitoral e uma estrutura organizada para atacar adversários.
“É completamente diferente de um ambiente instrumentalizado, de um gabinete do ódio”, afirmou.
O socialista também voltou a citar o ex-servidor Amisadai Andrade da Silva, que teria trabalhado no Governo de Pernambuco. João questionou a nomeação do ex-funcionário e afirmou que ele teria declarado à imprensa nacional que sua atuação tinha como objetivo “desidratar” politicamente o prefeito do Recife.
João Campos elevou o tom ao defender que a própria coligação da governadora Raquel Lyra deveria direcionar eventuais questionamentos contra Amisadai, e não contra sua candidatura.
Na visão do candidato do PSB, as acusações contra ele estariam sendo utilizadas para tirar o foco de explicações que, segundo ele, ainda precisam ser dadas.
“As pessoas do Governo do Estado tentam criar uma cortina de fumaça e não respondem, inclusive, sobre o Amisadai”, afirmou.
A declaração mostra que a disputa entre João Campos e Raquel Lyra deixou de ser apenas uma corrida por votos e passou a envolver também uma verdadeira batalha narrativa. De um lado, o grupo da governadora tenta colocar sob suspeita a estrutura política e digital ligada ao adversário. Do outro, João tenta transformar as acusações em munição contra o próprio Governo do Estado.
É aquela velha regra da política: quem consegue controlar a narrativa, muitas vezes consegue pautar o debate.
SEGURANÇA PÚBLICA
Durante a entrevista, João Campos também foi questionado sobre segurança pública, um dos temas que devem ocupar posição central na eleição.
O candidato prometeu endurecer o combate às facções criminosas, ampliar investimentos nas forças policiais, fortalecer a articulação com o Judiciário e o Ministério Público e apoiar municípios do interior na estruturação e armamento das guardas municipais.
João também aproveitou para fazer uma cobrança política à atual gestão estadual.
Segundo ele, durante seu período como prefeito do Recife, a capital teria sido deixada de fora das discussões do Governo de Pernambuco sobre segurança pública por razões políticas.
“Como prefeito do Recife nunca fui instado a participar do programa. Recife foi retirado da discussão da segurança, simplesmente, porque eu não era da base do Governo”, afirmou.
O socialista disse que, caso seja eleito governador, pretende mudar essa relação com os municípios, especialmente com cidades médias e grandes, defendendo uma atuação mais integrada entre Estado e prefeituras.
A segurança pública, portanto, aparece como mais um campo onde João Campos tenta estabelecer uma diferença entre sua proposta e a gestão Raquel Lyra.
NA LUPA: a entrevista mostra que João Campos decidiu não ficar apenas na defensiva diante das acusações. O socialista tenta devolver o ataque, colocar o Governo do Estado no centro das cobranças e transformar o episódio dos supostos “gabinetes do ódio” em uma disputa sobre quem tem mais a explicar.
A eleição ainda está longe de terminar. E, pelo andar da carruagem, a guerra de narrativas promete esquentar tanto quanto a disputa pelo voto.