José Arimatéa Francisco Prazeres, de 69 anos, foi resgatado pelo GOE após horas sob poder de criminosos. Pai de candidato a deputado estadual, ele foi retirado de casa em Limoeiro e levado até uma área rural do Cabo de Santo Agostinho
O sequestro de José Arimatéa Francisco Prazeres, de 69 anos, pai do candidato a deputado estadual Janjão (PSD), ganhou contornos ainda mais delicados nesta segunda-feira (28). O caso terminou com o resgate da vítima com vida, mas deixou uma série de perguntas que agora estão nas mãos da Polícia Civil de Pernambuco.
José Arimatéa estava em casa, em Limoeiro, no Agreste, acompanhado da esposa, identificada como Onilda, quando criminosos invadiram o imóvel durante a madrugada. O casal foi retirado da residência e levado pelos sequestradores.
Segundo relatos da família divulgados ao longo do dia, os criminosos procuravam dinheiro e objetos de valor. A residência de Limoeiro teria sido completamente revirada. Depois, o grupo seguiu para outro imóvel da família, em Bom Jardim, onde também realizou buscas.
O deslocamento das vítimas por diferentes municípios aumenta a complexidade do caso. Depois de passar pelos imóveis da família, José Arimatéa e a esposa foram levados para a Região Metropolitana do Recife e acabaram abandonados em uma área rural próxima à Usina Bom Jesus, no Cabo de Santo Agostinho.
O Setor de Inteligência da Secretaria de Defesa Social acionou a Guarda Municipal por volta das 9h20. Equipes especializadas foram mobilizadas e o Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, participou do resgate.
José Arimatéa foi encontrado com vida, apresentando escoriações nos braços. Segundo familiares, ele também sofreu agressões durante o período em que esteve sob poder dos criminosos. Após o resgate, recebeu atendimento médico no Cabo de Santo Agostinho e, posteriormente, foi encaminhado ao GOE para prestar depoimento. Janjão acompanha o pai durante os procedimentos.
A Polícia Civil informou que não houve pagamento de resgate e instaurou investigação para identificar os responsáveis e esclarecer todas as circunstâncias do crime. As autoridades também trabalham com imagens de câmeras de segurança para tentar reconstruir o trajeto utilizado pelos criminosos e identificar veículos envolvidos na ação.
E é justamente neste ponto que surge uma das principais perguntas do caso.
A possibilidade de motivação política não pode ser descartada neste momento.
Janjão não é apenas um ex-prefeito de Bom Jardim. Ele é uma figura política em ascensão no Agreste, deixou a Prefeitura para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco e está atualmente em plena campanha eleitoral. O candidato tem ampliado fortemente sua presença política na região e, nos últimos dias, participou de grande mobilização ao lado de lideranças como a governadora Raquel Lyra.
Isso, por si só, não significa que o sequestro tenha motivação política. Até o momento, não há informação oficial da Polícia Civil apontando essa hipótese como causa do crime. A possibilidade precisa ser investigada juntamente com as demais linhas, inclusive a hipótese de uma ação motivada exclusivamente por interesse financeiro.
Mas há elementos que justificam que nenhuma possibilidade seja descartada prematuramente: a vítima é pai de um candidato em plena disputa eleitoral, o crime ocorreu a poucos dias da eleição, houve invasão de mais de uma residência da família e o casal foi retirado de sua cidade e levado para outra região do Estado.
Também chama atenção o fato de os criminosos terem realizado buscas nos imóveis antes de abandonar as vítimas em uma área rural distante do local onde tudo começou.
A pergunta central agora é: os criminosos estavam atrás apenas de dinheiro ou havia algum outro objetivo por trás da escolha da vítima?
Essa resposta ainda não existe oficialmente.
A Polícia Civil deverá cruzar os depoimentos de José Arimatéa e da esposa com imagens de câmeras, informações sobre os veículos utilizados, movimentações registradas durante a madrugada e demais elementos reunidos pela investigação.
O próprio fato de não ter ocorrido pagamento de resgate torna ainda mais importante esclarecer qual era o objetivo dos criminosos. Se a motivação era financeira, os investigadores precisarão descobrir o que levou o grupo a escolher aquela família e por que a ação tomou o caminho entre Limoeiro, Bom Jardim e o Cabo de Santo Agostinho.
Se outras circunstâncias forem identificadas, inclusive relacionadas à atividade política de Janjão, caberá à investigação estabelecer se existe alguma conexão ou se tudo não passou de coincidência.
Por enquanto, o dado mais importante é que José Arimatéa está vivo, recebeu atendimento médico e está sob os cuidados da família. O restante ainda precisa ser esclarecido pelas autoridades.
O caso, entretanto, ultrapassou os limites de uma ocorrência policial comum e passou a ser acompanhado com atenção em todo o Agreste, justamente porque envolve um candidato em plena campanha eleitoral e uma ação criminosa cuja motivação permanece desconhecida.
O sequestro terminou. A investigação, agora, começa a responder a pergunta mais difícil: por quê?