O instituto vai ouvir 2.520 eleitores em todo o país. A pesquisa terá margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02949/2026. O levantamento será especialmente importante porque terá como ponto de partida não mais as projeções feitas antes da votação, mas o resultado efetivamente produzido pelas urnas no último domingo (4).
E foi justamente aí que a eleição ganhou uma nova configuração. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença foi de apenas 1,87 ponto percentual, mas suficiente para colocar o candidato do PL na dianteira da disputa pela Presidência da República.
O cenário chama ainda mais atenção quando comparado com a última pesquisa Datafolha divulgada antes da eleição. Na simulação de segundo turno, Lula aparecia com 47% das intenções de voto contra 46% de Flávio Bolsonaro, configurando empate técnico dentro da margem de erro. No levantamento anterior, divulgado em 1º de outubro, o presidente aparecia com 48% contra 45% do adversário.
Agora a pergunta que movimenta os bastidores políticos é simples, mas pode definir o rumo da eleição: a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro nas urnas será transformada em vantagem nas pesquisas ou Lula conseguirá reagir imediatamente e recuperar a dianteira?
A resposta estará no novo Datafolha.
O segundo turno começa com uma característica completamente diferente da primeira etapa. Não existem mais vários candidatos disputando espaço. O eleitor agora terá apenas duas opções para escolher quem comandará o país pelos próximos quatro anos. Isso significa que os votos obtidos por candidatos que ficaram pelo caminho passam a ter enorme importância.
Eleitores de nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury serão cortejados pelas duas campanhas. Antes do primeiro turno, o próprio Datafolha já havia identificado uma vantagem de Flávio entre eleitores das candidaturas alternativas. Naquele levantamento, 43% desse grupo afirmavam preferência pelo candidato do PL em uma eventual segunda rodada, enquanto 30% declaravam voto em Lula.
Mas existe uma diferença fundamental entre aquela pesquisa e o momento atual: agora o eleitor viu o resultado das urnas. Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado do país no primeiro turno e chega à segunda etapa carregando esse argumento político.
A campanha bolsonarista deverá explorar a dianteira para tentar construir a percepção de que existe uma onda favorável à candidatura do PL. Do outro lado, o grupo de Lula deverá apostar na pequena diferença entre os dois candidatos para sustentar que a eleição está completamente aberta e que pouco mais de dois milhões de votos separam os dois concorrentes.
Outro elemento que pode pesar é o mapa eleitoral produzido no primeiro turno. Lula manteve uma enorme força no Nordeste, onde venceu nos nove estados da região. Flávio Bolsonaro, entretanto, terminou na frente nas demais quatro regiões do país e também liderou em 14 estados e no Distrito Federal.
É justamente nessa divisão regional que estará uma das principais batalhas do segundo turno. Lula precisará preservar sua vantagem no Nordeste e tentar recuperar terreno em estados onde ficou atrás. Flávio, por sua vez, terá de consolidar o desempenho obtido no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, além de buscar uma parcela significativa dos votos dos candidatos eliminados.
Pernambuco e o Nordeste, portanto, voltam a ganhar peso estratégico. A região continua sendo o principal reduto eleitoral de Lula, mas a disputa nacional será definida pela capacidade de cada campanha ampliar sua votação fora de suas áreas tradicionais de força.
Outro fator que pode fazer diferença é a abstenção. Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, em uma taxa que ficou acima de 21%. Em uma eleição tão apertada, conseguir levar esse eleitor de volta às urnas pode ser tão importante quanto convencer quem já votou em outro candidato a mudar de lado.
A partir da próxima sexta-feira (9), Lula e Flávio também voltarão ao horário eleitoral gratuito em condições iguais de tempo. Cada candidato terá 12 minutos e 30 segundos nas propagandas em rede, além das inserções durante a programação das emissoras. A televisão e o rádio voltarão a ser utilizados de maneira intensa, agora com uma disputa muito mais direta e sem espaço para a pulverização de votos típica do primeiro turno.
A expectativa em torno do novo Datafolha, portanto, não está apenas nos percentuais de Lula e Flávio. O que os partidos querem descobrir é para onde estão migrando os votos dos candidatos derrotados, qual é o tamanho do eleitorado ainda disposto a mudar de posição, como está o comportamento dos votos brancos e nulos e, principalmente, se a vantagem conquistada por Flávio nas urnas representa o início de uma virada ou apenas uma diferença circunstancial dentro de uma eleição extremamente apertada.
O fato é que o resultado do primeiro turno mudou a narrativa da eleição. Durante boa parte da campanha, Lula aparecia numericamente à frente nas principais pesquisas. No momento decisivo, porém, Flávio Bolsonaro terminou na liderança. Agora, os institutos terão a missão de medir se essa mudança é real e sustentável ou se o eleitorado continuará dividido praticamente ao meio.
O próximo Datafolha será, portanto, muito mais do que uma simples pesquisa eleitoral. Será o primeiro teste de força das duas campanhas depois de conhecidos os votos das urnas.
A eleição que começou com vários candidatos terminou reduzida a dois nomes. Lula quer permanecer no Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro quer tirar o PT do poder e levar o bolsonarismo novamente ao comando do país.
A diferença de menos de dois pontos percentuais no primeiro turno deixou o Brasil diante de uma disputa que promete ser decidida no detalhe.
Agora é esperar o Datafolha colocar os números na mesa.
E aí começa, de fato, a guerra pelo segundo turno.