A sucessão de Álvaro Porto já movimenta os bastidores da Assembleia. Raquel fala em consenso, mas o Blog do Edney apurou que Antônio Moraes aparece como o nome de sua preferência para comandar o Legislativo pernambucano.
A eleição ainda está distante no calendário, mas, nos bastidores da política pernambucana, a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) já começou. E tem um detalhe que merece atenção: Antônio Moraes (PSD) é apontado como o preferido da governadora Raquel Lyra (PSD) para assumir o comando da Casa em 2027. A informação é exclusiva do Blog do Edney.
Na entrevista concedida à Rádio CBN nesta terça-feira (13), Raquel Lyra adotou o discurso do entendimento e afirmou que pretende construir um consenso entre os deputados aliados até 1º de fevereiro de 2027, quando está prevista a eleição da nova Mesa Diretora.
“ Nós vamos construir consenso. A gente já teve reuniões sobre esse tema. Vamos continuar tratando para construir consenso. A Assembleia, na sua maioria, foi parceira durante esse governo”, declarou a governadora.
Na política, porém, consenso não aparece por decreto. É construído com conversa, composição e capacidade de reunir votos. E é justamente nesse terreno que a sucessão de Álvaro Porto (MDB), atual presidente da Alepe, começa a ganhar temperatura.
ANTÔNIO MORAES NO CENTRO DO JOGO Antônio Moraes está entre os nomes colocados na mesa para a sucessão. Além dele, aparecem Débora Almeida, Joãozinho Tenório e Aglailson Victor, todos do PSD, além de France Hacker (PP) e Gustavo Gouveia (Podemos).
A preferência atribuída a Moraes pela governadora coloca seu nome no centro das articulações. Mas há uma diferença importante entre ter a simpatia do Palácio e conseguir reunir o apoio necessário dentro da Assembleia. A disputa exigirá diálogo com os demais parlamentares e capacidade de acomodar os interesses da base.
Raquel quer evitar uma divisão entre os aliados justamente no momento em que começa a organizar o próximo ciclo de seu governo. A presidência da Alepe tem peso político e institucional, influencia a relação entre Executivo e Legislativo e ocupa posição estratégica na condução da agenda estadual.
A pergunta que fica nos bastidores é direta: os demais pretendentes aceitarão a construção em torno de Antônio Moraes ou a governadora terá de administrar uma disputa interna mais acirrada?
Por enquanto, Raquel fala em consenso. O nome de sua preferência, segundo a apuração exclusiva do Blog do Edney, está posto. A próxima etapa será transformar essa preferência em entendimento político.
A ELEIÇÃO QUE RAQUEL VENCEU, MAS O RECIFE NÃO ENTREGOU
Na mesma entrevista, a governadora comentou o resultado de sua reeleição. Apesar da vitória estadual sobre João Campos (PSB), com uma diferença superior a 445 mil votos, o desempenho na capital pernambucana foi mais apertado: Raquel terminou cerca de três pontos percentuais atrás do ex-prefeito do Recife.
A governadora afirmou que a receptividade que encontrou nas ruas não correspondia aos números apresentados por parte das pesquisas eleitorais.
“Eu sempre senti um calor imenso, um acolhimento muito grande do povo. E esse sentimento não batia com as pesquisas, do que eu via na rua, o que a pesquisa apresentava”, disse.
Raquel também criticou o ambiente das campanhas eleitorais e defendeu mudanças na forma como pesquisas e redes sociais participam do debate público. Para ela, é necessário elevar o nível de civilidade durante as disputas.
ANDRÉ TEIXEIRA DE VOLTA AO GOVERNO
A governadora informou ainda que André Teixeira está reassumindo a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura. Ele havia se afastado temporariamente para coordenar a campanha de reeleição de Raquel e foi substituído durante o período por Pedro Henrique Neves de Holanda.
Com a eleição encerrada, o governo começa a reorganizar suas peças. E, na Assembleia, outra partida já está em andamento.
Na Política na Lupa, o recado é este: a sucessão de Álvaro Porto será mais do que uma escolha administrativa. Será um teste de articulação para Raquel Lyra, que precisará conciliar a preferência por um nome com a necessidade de reunir sua base em torno de uma decisão comum.
Antônio Moraes está no radar e conta com a preferência atribuída à governadora. Agora, o desafio será saber se essa articulação conseguirá virar consenso dentro da Alepe.