quinta-feira, 29 de outubro de 2026

TCE-PE RECOMENDA APROVAÇÃO DAS CONTAS DE JANJÃO E OS NÚMEROS FALAM MAIS ALTO QUE A TORCIDA CONTRÁRIA

Bom Jardim fechou 2025 com superávit de R$ 27,37 milhões, resultado financeiro positivo de R$ 42,76 milhões e investimentos em educação e saúde acima dos mínimos constitucionais
Tem gente que prefere a narrativa, mas a contabilidade pública tem números. E, quando os números entram em cena, muita conversa perde força. O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) emitiu parecer prévio recomendando a aprovação com ressalvas das contas de governo de 2025 da Prefeitura de Bom Jardim, último ano da gestão do então prefeito João Francisco da Silva Neto, o Janjão (PSD).

A decisão foi tomada por unanimidade pela Primeira Câmara do Tribunal e traz indicadores que merecem ser colocados na mesa, sem maquiagem, sem torcida e sem aquela velha mania de transformar divergência política em sentença antecipada.

O dado mais expressivo está no caixa da Prefeitura: Bom Jardim encerrou 2025 com superávit orçamentário de R$ 27,37 milhões e resultado financeiro positivo de R$ 42,76 milhões. Não é pouca coisa. São números que ajudam a dimensionar a situação fiscal deixada pela administração e desmontam qualquer tentativa de ignorar os resultados apresentados nas contas públicas.

Na educação, Janjão aplicou 26,64% das receitas vinculadas, acima do mínimo constitucional de 25%. Na saúde, foram destinados 18,73%, também superando o percentual mínimo obrigatório de 15%. Já a aplicação dos recursos do Fundeb na remuneração dos profissionais do magistério chegou a 73,32%, atendendo à exigência legal.

E tem mais: as despesas com pessoal do Poder Executivo ficaram em 44,09% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O Tribunal também registrou regularidade nos repasses à Câmara Municipal e nas contribuições previdenciárias.

É claro que o parecer apontou recomendações de aperfeiçoamento no planejamento e na execução orçamentária. A questão, porém, é não misturar as coisas para produzir manchetes convenientes. O próprio TCE-PE não considerou as falhas identificadas graves o suficiente para recomendar a rejeição das contas. Também registrou que a extrapolação do percentual inicialmente previsto para créditos suplementares não resultou em abertura de créditos sem autorização legislativa nem comprometeu o equilíbrio fiscal.

A diferença entre uma ressalva técnica e uma rejeição de contas não é detalhe: é o básico que qualquer debate sério precisa respeitar. Quem quiser criticar tem todo o direito. O que não pode é distorcer a conclusão do órgão de controle para fazer política com informação pela metade.

O processo nº 26100552-2, relatado pelo conselheiro Dirceu Rodolfo de Melo Júnior, seguirá para a Câmara Municipal de Bom Jardim, responsável pelo julgamento definitivo das contas de governo.

Janjão deixou a Prefeitura depois de dois mandatos e foi eleito deputado estadual em 4 de outubro. Agora, o parecer do Tribunal acrescenta um elemento importante ao balanço de sua passagem pelo Executivo municipal: indicadores financeiros positivos, cumprimento dos principais limites legais e recomendação técnica pela aprovação das contas.

NA LUPA: Na política, adversários podem levantar suspeitas, fabricar versões e tentar transformar qualquer apontamento técnico em escândalo. Mas existe uma diferença entre fazer barulho e apresentar fatos. Em Bom Jardim, o parecer do TCE-PE recomenda a aprovação das contas de Janjão. As ressalvas existem, precisam ser observadas e corrigidas, mas não autorizam ninguém a vender a ideia de que o Tribunal recomendou a rejeição. A política tem sua disputa; os números têm sua própria linguagem.

*Fonte: Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).*

NA LUPA 🔎 | OBAMA VOLTA À GUERRA CONTRA TRUMP, PODE LIDERAR DERROTA DA EXTREMA DIREITA E SONHO DA CASA BRANCA GANHA OUTRO CAMINHO

Ex-presidente democrata assume protagonismo na reta final das eleições legislativas e tenta transformar a insatisfação com Trump em força política. Uma vitória democrata pode mudar o equilíbrio de poder nos Estados Unidos, mas Obama não pode disputar novamente a Presidência.
Barack Obama voltou à linha de frente da política americana e escolheu Donald Trump como principal adversário de seus discursos. Quase uma década depois de deixar a Casa Branca, o ex-presidente democrata está percorrendo estados estratégicos, mobilizando eleitores e defendendo candidatos de seu partido na disputa pelas eleições legislativas de 3 de novembro.

O movimento tem uma ambição clara: enfraquecer politicamente Trump, impedir que os republicanos mantenham o controle do Congresso e reconstruir as condições para que os democratas voltem a comandar Washington. Obama não está apenas fazendo aparições simbólicas. Ele se tornou um dos principais nomes da campanha democrata nesta reta final, com críticas diretas ao presidente e apelos para que os eleitores transformem insatisfação em votos.

A comparação com Lula aparece na capacidade de Obama de continuar mobilizando uma parcela expressiva do eleitorado mesmo depois de deixar a Presidência. Assim como o presidente brasileiro manteve influência política após seus mandatos, Obama segue como uma das vozes mais conhecidas do Partido Democrata.

A diferença é que, nos Estados Unidos, a Constituição impede que alguém seja eleito presidente mais de duas vezes. Obama já cumpriu dois mandatos e não pode voltar à Casa Branca pelo caminho eleitoral convencional.

A PRIMEIRA BATALHA É CONTRA TRUMP NO CONGRESSO

As eleições de 3 de novembro podem representar um divisor de águas para o governo republicano. Os democratas tentam conquistar maioria na Câmara dos Representantes e avançar no Senado, enquanto Trump percorre estados decisivos para defender seus aliados.

Se os democratas assumirem o controle de uma ou das duas casas legislativas, o presidente poderá enfrentar investigações parlamentares, negociações orçamentárias mais difíceis e obstáculos para aprovar parte de sua agenda. Isso não retiraria Trump da Presidência, mas poderia reduzir sua liberdade de ação política.

Obama sabe que a disputa não se resolve apenas com discursos. A estratégia passa por ajudar candidatos competitivos, mobilizar eleitores e convencer o país de que o Congresso precisa funcionar como contrapeso ao poder presidencial.

O LULA DOS ESTADOS UNIDOS?

A comparação com Lula ajuda a entender o peso político que Obama ainda exerce, mas precisa ser feita com cuidado. Os dois ex-presidentes preservaram presença nacional e capacidade de influenciar o debate público depois de deixarem o governo. Ambos continuam sendo referências importantes para seus respectivos campos políticos.

Obama, entretanto, não pode concorrer novamente à Presidência. Seu caminho é outro: fortalecer os democratas, ajudar a formar novas lideranças e influenciar a escolha do próximo candidato do partido.

É nesse ponto que a disputa contra Trump pode ganhar dimensão histórica. Se os democratas avançarem no Congresso e conseguirem construir uma candidatura competitiva para 2028, Obama poderá ser uma das figuras centrais na reorganização da oposição americana.

A EXTREMA DIREITA PODE PERDER ESPAÇO?

Trump transformou o movimento MAGA em uma das principais forças da direita americana. Obama, por sua vez, tenta reunir diferentes setores democratas em torno de uma reação às políticas do atual presidente.

Uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas seria um revés importante para Trump, mas não significaria automaticamente o fim do movimento conservador que o sustenta. A disputa política americana continuará dependendo da economia, da participação eleitoral, das candidaturas e das alianças construídas para os próximos pleitos.

O que está em jogo agora é a capacidade de Obama de transformar sua popularidade em resultados concretos para o Partido Democrata.

O VOO MAIS ALTO DE OBAMA

Obama não precisa voltar à Presidência para voltar ao centro do poder. Se ajudar os democratas a conquistar o Congresso, influenciar a escolha do próximo candidato presidencial e construir uma oposição capaz de disputar o governo em 2028, terá papel decisivo no futuro político dos Estados Unidos.

A batalha imediata é contra Trump nas urnas legislativas. A disputa seguinte será pela sucessão presidencial.

Obama pode não voltar à Casa Branca como presidente, mas pode ajudar a definir quem chegará lá depois de Trump. E essa talvez seja a forma mais importante de seu retorno ao jogo político americano.

CEDRO ABRE AS PORTAS AOS ROMEIROS E FORTALECE A DEVOÇÃO A PADRE CÍCERO

A fé que move multidões também ajuda a construir histórias, aproximar cidades e valorizar tradições. Em Cedro, no Sertão pernambucano, a devoção a Padre Cícero ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (28), quando a prefeita Riva Bezerra recebeu um grupo de romeiros de Cabrobó que segue de bicicleta em peregrinação até Juazeiro do Norte, no Ceará.

Os ciclistas fizeram uma parada no município para conhecer a Praça Padre Cícero e a estátua em homenagem ao sacerdote cearense, uma das figuras mais populares da religiosidade nordestina. Durante a recepção, Riva desejou aos peregrinos uma viagem tranquila, com saúde, proteção divina e segurança ao longo do caminho.

A gestora também ressaltou que Cedro está de portas abertas para acolher os devotos que atravessam a cidade em suas jornadas de fé, reforçando o espírito de hospitalidade que marca as tradições do povo sertanejo.

**FÉ QUE TAMBÉM MOVIMENTA O TURISMO**

A passagem dos romeiros reforça a importância da Praça Padre Cícero como espaço de devoção, convivência e visitação. Desde a reinauguração do equipamento público e a inauguração da estátua do religioso, em agosto de 2025, o local passou a integrar o roteiro de pessoas que mantêm viva a tradição de homenagear o chamado Padim Ciço.

Além do significado religioso, a iniciativa abre espaço para o fortalecimento do turismo, a valorização da cultura popular e a divulgação de Cedro para visitantes de outras cidades e regiões.

Em um Nordeste onde a fé atravessa gerações e faz parte da identidade do povo, acolher os romeiros é também reconhecer a força de uma tradição que continua movimentando comunidades e mantendo vivas as histórias de devoção.

Cedro, assim, busca transformar sua ligação com Padre Cícero em uma oportunidade de valorizar suas raízes, receber visitantes e ampliar sua presença no mapa da religiosidade popular pernambucana.

2ª TENENTE AURITA, A PRIMEIRA MULHER PILOTO DE AERONAVES DE ASAS ROTATIVAS (HELICÓPTEROS) DA POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO

A Polícia Militar de Pernambuco anuncia a formação da primeira mulher da corporação a se tornar piloto de aeronaves de asas rotativas (helicópteros). A 2ª Tenente Aurita também passa a integrar o Grupamento Tático Aéreo (GTA) da Secretaria de Defesa Social do Estado.

Em comunicado à imprensa, o órgão classifica a formação como "um marco histórico na aviação policial pernambucana". Segundo as informações da PM, para se tornar piloto, a policial passou por um ano de preparação até alcançar a formação. Ela foi coroada após 85 dias de curso, com atividades teóricas e práticas. 

“A conquista representa não apenas a realização de um objetivo profissional, mas também um avanço significativo para a presença feminina na aviação de segurança pública, que exige treinamento constante e rigorosa preparação para apoiar operações policiais, ações de salvamento e outras missões aéreas”, diz a corporação. 

A Polícia Militar afirma que a Tenente Aurita faz parte da história do órgão, com o reconhecimento de uma trajetória de esforço e dedicação. 

“Sua conquista simboliza o avanço profissional das mulheres na segurança pública e reafirma que novos horizontes podem ser alcançados com preparo, perseverança e compromisso com a missão de servir à sociedade”, conclui a PM

PLANALTO ACENDE ALERTA COM ARTICULAÇÃO DE INDULTO OU ANISTIA PARA BOLSONARO

Integrantes do Palácio do Planalto e aliados do presidente Lula no Senado Federal acenderam alerta diante da possibilidade de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) propor indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca de apoio à sua reeleição.

A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pela coluna junto a aliados do chefe da Casa Alta.

Segundo interlocutores do petista, há consenso sobre a necessidade de buscar entendimento e pacificação entre as instituições. A avaliação é de que Lula pretende conquistar um quarto mandato sem turbulências políticas.

Na terça-feira (27/10), aliados do presidente no Senado procuraram parlamentares da oposição para abrir um canal de diálogo. Na avaliação desses interlocutores, o afastamento da família Bolsonaro do centro das discussões pode criar condições para a construção de um consenso.

Apesar das articulações, auxiliares de Lula no Palácio do Planalto descartam a possibilidade de o presidente apoiar um eventual benefício ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O que quer Alcolumbre?
Além de buscar apoio à própria reeleição, Alcolumbre teria, na avaliação de aliados do governo, interesse em conter o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo Alexandre de Moraes. (Via: Metrópoles)

MASTERBOI PARTICIPA DO PROGRAMA TRABALHO, JUSTIÇA E CIDADANIA EM PERNAMBUCO

Iniciativa reuniu estudantes e educadores em uma cerimônia com apresentações culturais e premiações no Recife

A Masterboi marcou presença na edição 2026 do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania (TJC), cuja cerimônia de encerramento foi realizada no auditório do Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), no Recife. A iniciativa reuniu estudantes, educadores e representantes do Judiciário em uma solenidade marcada por apresentações culturais e premiações, celebrando o papel da educação na formação cidadã.

Representando a Masterboi, a diretora de Cultura e Pessoas, Hellen Teles, participou da culminância do projeto. Como uma das apoiadoras do programa, a empresa contribuiu para ampliar o conhecimento dos estudantes sobre direitos, deveres e o funcionamento da Justiça, reafirmando seu compromisso com a responsabilidade social e com a valorização das pessoas, em sintonia com os valores da Masterboi.

Coordenado em Pernambuco pela Dra. Carmen Varejão Richlin, o TJC tem como um de seus objetivos contribuir para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres e capazes de compreender como exercê-los. Durante a cerimônia, o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 6ª Região (Amatra VI), Rafael Val, destacou, em mensagem em vídeo, o engajamento dos alunos e educadores e agradeceu aos parceiros, apoiadores e patrocinadores do projeto.

A programação cultural teve destaque na abertura. Estudantes da Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Alfredo Freyre apresentaram trechos do musical Tropicália, enquanto o Grupo de Dança Cultura Pernambucana, da ETE Alcides do Nascimento Lins, levou ao palco referências ao Movimento Mangue e ao frevo.

Nesta edição, oito escolas técnicas estaduais participaram do programa. Os trabalhos dos estudantes foram reconhecidos nas categorias texto escrito/charge, videoclipe e jogo teatral. Além dos prêmios destinados aos alunos e professores, as instituições receberam placas de participação e troféus, em reconhecimento ao envolvimento com a iniciativa.

Ao apoiar o TJC, a Masterboi fortalece sua contribuição para a educação, a cultura e a formação cidadã dos jovens pernambucanos.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

TRUMP LAVA AS MÃOS, SE AFASTA DE FLÁVIO BOLSONARO E DIZ QUE NÃO VAI SE ENVOLVER NA CRISE PÓS-ELEIÇÃO

Presidente dos Estados Unidos evita endossar a autoproclamação de Flávio como presidente eleito, diz que não pretende se envolver na situação e mantém críticas ao processo eleitoral brasileiro.

O apoio de Donald Trump tem limites. Depois de Flávio Bolsonaro transformar a derrota para Lula em uma nova frente de confronto político, o presidente dos Estados Unidos deixou claro nesta quarta-feira (28) que não pretende se envolver diretamente na situação do senador brasileiro. Questionado sobre a carta em que Flávio se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, Trump evitou endossar a afirmação e afirmou que não entraria na disputa.

“Demos a ele uma autorização para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, declarou Trump a jornalistas, segundo reportagem do UOL. Na mesma resposta, voltou a classificar a eleição brasileira como “muito estranha” e disse considerar que os envolvidos foram tratados de maneira injusta, sem apresentar provas de fraude eleitoral.

A declaração expõe a distância entre permitir a entrada de Flávio nos Estados Unidos e assumir a responsabilidade política por sua estratégia depois da derrota nas urnas.

UMA COISA É RECEBER, OUTRA É COMPRAR A BRIGA

Trump havia sinalizado anteriormente que aprovaria a entrada de Flávio nos Estados Unidos e demonstrado simpatia pelo senador e por sua família. Também criticou aspectos da eleição brasileira, especialmente a ampliação do horário de votação em determinadas localidades.

Agora, diante da repercussão da carta em que Flávio se autoproclamou presidente eleito, o republicano preferiu não assumir compromisso com a iniciativa do brasileiro.

A mensagem é clara: o governo americano pode autorizar a entrada de Flávio no país, mas isso não significa que Trump esteja disposto a endossar todas as suas declarações ou transformar a crise política brasileira em uma responsabilidade pessoal.

O presidente americano também reiterou que não tomou partido na eleição. Apesar disso, voltou a questionar o processo eleitoral e a dizer que considera injusto o tratamento dispensado aos Bolsonaro.

FLÁVIO MUDOU A CARTA, MAS A CRISE CONTINUOU

A declaração de Trump ocorre depois de Flávio publicar uma carta em que se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, o senador retirou essa expressão da versão revisada do documento e passou a se definir como “líder do Brasil”.

A mudança não encerrou a controvérsia. Flávio manteve críticas às instituições brasileiras e acusações contra o processo eleitoral, sem apresentar provas de fraude capazes de alterar o resultado oficial.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi definida nas urnas no segundo turno de domingo (25). A contestação política do resultado, por si só, não transforma o candidato derrotado em presidente eleito.

Ao evitar endossar a autoproclamação, Trump também se distancia de uma declaração que poderia ampliar a tensão diplomática entre Washington e Brasília.

A DERROTA BRASILEIRA NÃO VIROU UMA DISPUTA DE TRUMP

O episódio mostra os limites da aproximação política entre o trumpismo e o bolsonarismo. Embora o presidente americano tenha feito críticas à eleição brasileira e manifestado simpatia pela família Bolsonaro, não anunciou qualquer medida para interferir no resultado ou apoiar a reivindicação de Flávio à Presidência.

A posição tem peso político porque o senador tenta construir sua atuação pós-eleitoral a partir dos Estados Unidos. Sem um compromisso explícito de Trump com sua narrativa, Flávio terá de sustentar sua estratégia principalmente com os próprios aliados e apoiadores brasileiros.

Também é importante separar os fatos: Trump não declarou rompimento com Flávio. O que afirmou foi que não pretende se envolver na situação, ao mesmo tempo que manteve suas críticas ao processo eleitoral.

O RECADO DE WASHINGTON

Depois de uma carta que provocou repercussão no Brasil, Flávio encontrou em Trump uma resposta bem mais cautelosa do que um endosso público à sua reivindicação.

O presidente americano autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos, mas não comprou a tese de que ele seria o verdadeiro presidente eleito. Preferiu manter distância da iniciativa e deixar a crise política brasileira sob responsabilidade dos próprios brasileiros.

No fim, a declaração de Trump estabelece uma diferença importante: simpatia política não significa compromisso irrestrito. E, quando o assunto envolve a contestação de uma eleição presidencial, o presidente dos Estados Unidos não demonstrou disposição para assumir a briga de Flávio Bolsonaro.

TRAPALHÃO - FLÁVIO BOLSONARO APAGA CARTA EM QUE SE AUTOPROCLAMAVA PRESIDENTE ELEITO E TROCA TÍTULO POR “LÍDER DO BRASIL”

Senador recuou poucos minutos depois da publicação inicial, retirou as declarações em que reivindicava a Presidência e manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.

O discurso mudou antes mesmo de a repercussão esfriar. Depois de divulgar uma carta em que se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, Flávio Bolsonaro (PL) retirou os trechos da publicação e divulgou uma versão revisada do documento nesta quarta-feira (28). No lugar da autoproclamação, passou a reivindicar para si o papel de “líder do Brasil”.

A mudança aconteceu poucas horas depois de o senador desembarcar nos Estados Unidos, para onde viajou após deixar o território brasileiro. A carta original circulou nas redes sociais por meio de aliados e continha declarações que colocavam em dúvida o resultado da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no último domingo (25).

Na primeira versão, Flávio afirmava que se dirigia aos brasileiros e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Mais adiante, repetia a declaração e acusava adversários e integrantes das instituições de terem roubado a eleição. Na versão revisada, as referências à condição de presidente eleito foram substituídas pela palavra “líder”.

A alteração foi registrada por veículos como Folha de S.Paulo, Veja, Terra e Metrópoles. As reportagens também destacaram que as acusações de fraude apresentadas pelo senador não vieram acompanhadas de provas que demonstrassem irregularidades capazes de alterar o resultado da votação.

RECUO DEPOIS DA REPERCUSSÃO

A retirada das expressões mais contundentes ocorreu em meio à repercussão da carta, que apresentou Flávio como vencedor de uma eleição cujo resultado oficial apontou a vitória de Lula.

O episódio também chamou atenção por um detalhe da primeira versão: o brasão reproduzido no documento trazia a expressão “Estados Unidos do Brazil”, com a letra Z. O arquivo foi substituído por outra versão com um símbolo diferente.

A mudança no texto, entretanto, não significou abandono da contestação política. Flávio continuou questionando o resultado eleitoral e atribuindo a vitória de Lula a supostas irregularidades, sem apresentar evidências que comprovassem suas acusações.

ACUSAÇÕES CONTRA O JUDICIÁRIO

Na carta revisada, o senador manteve críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também voltou a questionar a extensão do horário de votação em determinadas localidades no segundo turno.

A alegação precisa ser colocada em perspectiva: questionar decisões judiciais é legítimo, mas acusações de fraude eleitoral exigem provas. Até o momento da publicação das reportagens consultadas, não havia evidências apresentadas por Flávio que demonstrassem que a medida mencionada tenha alterado o resultado nacional.

A diferença entre as duas versões está justamente na forma como o senador se apresenta. Primeiro, reivindicou o título de presidente eleito; depois, retirou a afirmação e passou a se definir como líder político.

OPOSIÇÃO A PARTIR DOS ESTADOS UNIDOS

Apesar da alteração, Flávio manteve a intenção de liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Na carta, agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, e afirmou que pretende continuar se dirigindo aos brasileiros, além de organizar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores.

O senador também negou que sua saída do país represente uma fuga e justificou a decisão com alegações de perseguição política e falta de segurança jurídica no Brasil.

A viagem e a carta abrem uma nova etapa de sua atuação política, agora com a promessa de comandar aliados à distância. A estratégia deverá ser acompanhada pelos próximos movimentos do PL, de parlamentares da oposição e das lideranças que apoiaram sua candidatura.

Por enquanto, o fato concreto é que a declaração mais explícita da carta original não permaneceu na versão revisada. Flávio retirou a autoproclamação de presidente eleito, mas manteve o discurso de contestação ao resultado das urnas.

A troca de palavras encerra a publicação inicial, mas não a disputa política que o senador pretende manter depois da derrota eleitoral.