Governo impõe derrotas a Bolsonaro - O governo mostrou força na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro e conseguiu aprovar a convocação de nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, evitou que seus integrantes e ex-membros fossem chamados a depor. Entre os que serão convocados inicialmente estão o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid. Além dos dois, serão chamados Braga Netto, ex-ministro da Defesa, do governo Bolsonaro; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); general Dutra, ex-chefe do Comando Militar do Planalto; e Jorge Eduardo Naime Barreto, coronel responsável pelo Departamento Operacional da Polícia Militar do DF. Como pretendido pelo governo, foi rejeitado o requerimento para a convocação do ex-ministro-chefe do GSI na gestão Lula, Gonçalves Dias, e do ministro da Justiça, Flávio Dino. A comissão também refutou ouvir Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça e ex-interventor federal na segurança pública do DF; e Saulo Moura Cunha, ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nomeado pelo atual governo.
Celular do ex-presidente - A CPMI dos atos golpistas apertou o cerco, ontem, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao aprovar o requerimento para ter acesso a dados extraídos pela Polícia Federal (PF) de seu celular. Em outro documento aprovado em bloco, os deputados e senadores conseguiram acesso às informações contidas nos celulares de Mauro Cid e Ailton Barros, que discutiram a aplicação de um golpe em trocas de mensagens após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois requerimentos foram apresentados pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). O parlamentar solicitou ao diretor-geral da PF, Andrei Passos, os dados obtidos pela corporação por meio da Operação Venire, que investiga fraudes nos cartões de vacinação da família Bolsonaro.
O alvo - A quebra de sigilo dos celulares de Jair Bolsonaro é considerada peça-chave para os petistas colocarem o ex-presidente no epicentro dos atos de 8 de janeiro. O PL vai monitorar esse movimento, mas já definiu que esse assunto não cabe à legenda. A ordem entre os deputados do partido é seguir a toada do presidente da Câmara, Arthur Lira, que, ao se referir ao ex-assessor enroscado na operação que investigou compra de kits de robótica, mencionou que cada um cuide do seu CPF. No caso dos atos golpistas, Bolsonaro terá que responder na “pessoa física”.
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