Entre os nomes envolvidos, surge José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”. Empresário com contratos de limpeza urbana na Bahia, sua proximidade com lideranças do União Brasil, como ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, coloca ainda mais pressão sobre o partido. A operação cumpriu 43 mandados de busca e apreensão, 17 de prisão preventiva e ordens de sequestro de bens, espalhando-se por cinco estados – Bahia, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A amplitude geográfica das investigações e os detalhes revelados pela PF compõem um quadro de vasto alcance, onde até mesmo emendas parlamentares teriam sido utilizadas como instrumentos para alimentar a engrenagem corrupta.
Nas primeiras horas da operação, milhões em espécie foram apreendidos: R$ 3,4 milhões, além de veículos, aeronaves, barcos e imóveis que somam um valor aproximado de R$ 162 milhões. O patrimônio confiscado, que inclui também 38 relógios de luxo, é visto como parte de um esquema que direcionava licitações públicas para empresas do grupo investigado. Esses contratos, superfaturados, envolviam obras e serviços que desviavam recursos milionários, enquanto servidores públicos e empresários consolidavam uma rede de influência e vantagens indevidas.
No epicentro político, Luciano Bivar, ex-presidente do União Brasil, não deixou de se manifestar. Com a frase enigmática e contundente – “Eu avisei” – enviada a aliados, Bivar reacendeu críticas à condução do partido. Ao descrever o União Brasil como uma legenda que “não tem mais alma nem ideal”, expressou sua decepção com os desdobramentos do caso. A operação, que lança dúvidas sobre a integridade de membros do partido, também expõe fragilidades estruturais e políticas em um contexto onde ética e transparência se tornam demandas urgentes.
Enquanto os detalhes se desenrolam e a investigação avança, a Operação Overclean permanece como um marco. Não apenas pelos números, mas pelo que eles representam: um retrato de como recursos públicos, destinados ao bem comum, foram tragados por interesses privados e ilegais, em um cenário onde os limites entre poder político e econômico se confundem e se corrompem.
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