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terça-feira, 8 de abril de 2025

MST INTENSIFICA OCUPAÇÕES E PREPARA MARCHA AO PALÁCIO NO ABRIL VERMELHO EM PERNAMBUCO

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) intensificou sua mobilização no mês de abril, dentro da tradicional jornada do Abril Vermelho, com a ocupação de oito propriedades rurais em diferentes regiões de Pernambuco. Segundo os integrantes do movimento, os imóveis não estariam cumprindo a função social exigida pela Constituição Federal, que determina que a terra deve atender a critérios de produtividade e beneficiar a coletividade. As ações fazem parte de uma estratégia nacional do MST para pressionar o poder público por avanços concretos na política de reforma agrária. Em Pernambuco, a mobilização ganha força com o apoio de parlamentares ligados às pautas do campo, como a deputada estadual Rosa Amorim (PT), que é uma das vozes mais atuantes na Assembleia Legislativa em defesa da agricultura familiar e dos assentamentos rurais. De acordo com a deputada, outras ocupações podem ocorrer ao longo do mês, reforçando a dimensão política do Abril Vermelho como um momento de denúncia e reivindicação. No próximo dia 15, o MST promete ocupar as ruas do Recife com uma grande marcha que terá início na Praça do Derby e seguirá até o Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco. A mobilização busca abrir um canal de diálogo direto com a governadora Raquel Lyra (PSDB) e sua equipe, cobrando medidas concretas para fortalecer a produção de alimentos saudáveis nos assentamentos e garantir dignidade às famílias camponesas. Entre as pautas centrais da manifestação está a exigência de que 30% da merenda escolar da rede pública estadual seja adquirida diretamente de produtores da agricultura familiar. A demanda se baseia em uma diretriz da Política Nacional de Alimentação Escolar, que prevê a priorização de compras junto aos pequenos agricultores como forma de valorizar a produção local e estimular a economia das comunidades rurais. No entanto, a Secretaria Estadual de Educação alega que os índices de aquisição estão dentro do que determina a legislação, o que é contestado pela deputada Rosa Amorim, que afirma haver distorções nos dados apresentados pela pasta. Segundo ela, muitos contratos não envolvem agricultores organizados em associações e cooperativas, o que enfraquece a rede de produção e comercialização da agricultura familiar. A deputada defende uma reestruturação nos mecanismos de compra institucional do Estado, com mais transparência e participação dos movimentos sociais do campo. A marcha do dia 15 também vai reivindicar investimentos em infraestrutura para os assentamentos, como estradas, escolas, postos de saúde e acesso à água. Para o MST, garantir esses direitos básicos é fundamental para fixar as famílias no campo e combater o êxodo rural. A presença do movimento nas ruas da capital simboliza não apenas a resistência histórica do MST, mas também a cobrança por compromissos firmes do poder público com a transformação da realidade agrária no estado.

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