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terça-feira, 8 de abril de 2025

PROTESTO CONTRA TÍTULO DE CIDADÃO PARA BOLSONARO ACONTECE NA CÂMARA DE OLINDA

Na manhã desta terça-feira (8), a Câmara Municipal de Olinda tornou-se palco de um protesto que paralisou temporariamente os trabalhos legislativos. O motivo da manifestação foi a proposta de concessão do Título de Cidadão Olindense ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), iniciativa apresentada pelo vereador Alessandro Sarmento, também do Partido Liberal. A proposta gerou forte reação de um grupo de manifestantes liderados pela vereadora Eugênia Lima, do Partido dos Trabalhadores (PT), que desde as primeiras horas da manhã ocupam a entrada da Casa Legislativa, expressando veementemente a sua contrariedade à homenagem ao ex-chefe do Executivo federal.

O clima no entorno do prédio legislativo é de tensão e resistência. Com cartazes, palavras de ordem e megafone, os manifestantes argumentam que Bolsonaro não possui vínculo com a cidade nem deixou legado concreto que justifique a honraria. Eugênia Lima, que já vinha se posicionando de forma crítica em relação à atuação do ex-presidente, assumiu a linha de frente da mobilização e, acompanhada por apoiadores e militantes de movimentos sociais, busca impedir a votação do projeto que, segundo ela, representa um desrespeito à história democrática e cultural de Olinda. A vereadora afirma que conceder esse título é ignorar o sofrimento de milhares de olindenses durante a pandemia e a postura do ex-presidente em relação às minorias e ao meio ambiente.

O projeto, protocolado por Sarmento, alega que Bolsonaro teria prestado relevantes serviços ao município durante seu mandato, embora não detalhe de forma objetiva quais seriam esses feitos. Apesar da falta de clareza sobre os benefícios diretos à cidade, o vereador parece confiante na aprovação da proposta, sustentando que a maioria da Casa tende a votar favoravelmente. A Câmara de Olinda é composta por 17 parlamentares e, nos bastidores, circula a informação de que homenagens desse tipo geralmente passam com tranquilidade, muitas vezes para evitar atritos entre os colegas de mandato.

Enquanto isso, a sessão plenária, que já deveria ter começado, segue suspensa. Os servidores aguardam o desenrolar da manifestação para retomar os trabalhos, e a presidência da Casa ainda não se manifestou publicamente sobre o impasse. A movimentação em frente ao prédio atraiu a atenção de moradores, curiosos e da imprensa, que acompanha o desenrolar do episódio. A presença da Guarda Municipal é discreta, e não houve, até o momento, confrontos físicos, mas o embate ideológico se acirra conforme o relógio avança. A possibilidade de adiamento da votação ou até mesmo de retirada da pauta não está descartada, embora ainda não tenha sido confirmada oficialmente. Nos corredores da Câmara, vereadores se reúnem em pequenos grupos, avaliando os desdobramentos políticos do episódio, enquanto o protesto segue firme, com gritos de ordem e resistência ecoando pelas ruas históricas de Olinda.

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