O MDB de Pernambuco, outrora uma das siglas mais influentes do estado sob a liderança firme do ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos, vive hoje um de seus períodos mais turbulentos. Dividido em dois grupos antagônicos, o partido não consegue definir qual caminho seguirá na eleição de 2026, criando um clima de instabilidade que já afeta diretamente a formação de chapas proporcionais e o diálogo com potenciais aliados. De um lado está Raul Henry, ex-deputado federal e atual presidente estadual que mantém forte alinhamento com o prefeito do Recife, João Campos, a quem já anunciou apoio para uma futura candidatura ao Governo do Estado. Do outro, o senador Fernando Dueire e o deputado estadual Jarbas Filho, que representam a ala jarbista e defendem a reeleição da governadora Raquel Lyra, atuando tanto no Palácio do Campo das Princesas quanto em Brasília para fortalecer o governo tucano.
A disputa interna, que já se arrastava por anos, explodiu de vez na convenção estadual realizada este ano. Raul Henry, apoiado pelo prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto, e pela deputada federal Iza Arruda, venceu a disputa contra Jarbas Filho, que teve suporte explícito do pai, Jarbas Vasconcelos, além do senador Dueire e de vários prefeitos da legenda no interior. A vitória, no entanto, foi imediatamente questionada pelos diretórios de Gravatá e Bodocó, que ingressaram com ação na Justiça do Distrito Federal alegando irregularidades no processo. A juíza Bruna Bastos, da 6ª Vara Cível do DF, determinou a anulação da convenção e afastou a direção eleita, decisão que manteve mesmo após recursos da ala de Henry.
Inconformado, Raul recorreu ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e conseguiu, nesta sexta-feira, uma vitória provisória. O desembargador Arquibaldo Carneiro entendeu que o partido não pode permanecer acéfalo enquanto o mérito da ação não é julgado e devolveu, temporariamente, os cargos à direção eleita. A decisão deu novo fôlego ao grupo aliado de João Campos, mas não encerrou a crise: ambos os lados seguem sem garantia de que prevalecerão juridicamente, o que trava negociações internas e deixa em aberto quem conduzirá a legenda na reta final da montagem das chapas.
Apesar de contar atualmente com apenas dois parlamentares — a deputada federal Iza Arruda e o deputado estadual Jarbas Filho — o MDB ainda possui peso no tabuleiro estadual, muito por causa da presença de Fernando Dueire no Senado. Sucessor de Jarbas após sua renúncia por motivos de saúde, Dueire se consolidou politicamente no interior, com forte apoio de prefeitos de diversos partidos, graças ao discurso municipalista e à articulação constante em prol de recursos para os municípios. Seu prestígio o transformou em candidato natural à reeleição em 2026 e lhe rendeu a simpatia dos 11 senadores emedebistas, que desejam vê-lo liderando o partido no estado e sendo protagonista na próxima disputa.
Enquanto isso, a ala de Raul Henry insiste na proximidade com João Campos, apostando que o crescimento do prefeito e sua provável candidatura ao Governo de Pernambuco o tornarão o principal polo de aliança do MDB no próximo pleito. A indefinição, porém, corrói a legenda por dentro e impede qualquer planejamento sólido. A depender do andamento da disputa judicial, o partido pode chegar a 2026 sem unidade, sem estrutura e sem clareza sobre que papel desempenhará na campanha — uma situação impensável para quem, por décadas, ditou regras na política pernambucana.
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