Enquanto o prefeito do Recife, João Campos, avançava publicamente na construção de alianças e na busca por nomes para o Senado, Raquel manteve-se discreta, gerando incertezas até mesmo entre aliados próximos. Esse cenário começou a mudar de forma concreta há cerca de 15 dias, quando a governadora recebeu, em um encontro reservado no Palácio do Campo das Princesas, o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual da Federação União Progressista. A conversa ocorreu em um sábado, longe dos holofotes, mas com um tema central evidente: o desenho político de 2026.
O tom do encontro ficou claro nas palavras que Eduardo da Fonte confidenciou posteriormente a aliados. Segundo ele, foi “a melhor de todas as conversas” que já teve com Raquel Lyra. Embora o conteúdo não tenha sido detalhado publicamente, os reflexos apareceram rapidamente. Deputados estaduais do PP passaram a defender, quase diariamente na imprensa, a candidatura de Eduardo ao Senado, algo que até então era tratado apenas nos bastidores. O movimento não foi espontâneo e indicou alinhamento político após o diálogo com a governadora.
Paralelamente, Raquel Lyra também intensificou a aproximação com o senador Fernando Dueire, do MDB. O gesto mais simbólico dessa reaproximação ocorreu nesta semana, quando a governadora participou de um almoço político no apartamento do ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos. À mesa estavam, além de Dueire, o deputado estadual Jarbas Filho, a vice-governadora Priscila Krause e o ex-governador Gustavo Krause. O encontro teve forte peso político, pois reuniu o núcleo emedebista que hoje se contrapõe ao grupo liderado por Raul Henry, que já declarou apoio a João Campos.
A presença de Raquel nesse ambiente foi interpretada como um sinal claro de alinhamento com o grupo de Dueire e Jarbas, reforçando a leitura de que a governadora busca consolidar apoios robustos para o Senado em seu campo político. Eduardo da Fonte e Fernando Dueire surgem, assim, como nomes com potencial real para compor a chapa majoritária ao lado de Raquel Lyra, oferecendo musculatura partidária e capilaridade eleitoral.
Eduardo da Fonte levaria para o palanque governista a força da Federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, dois partidos com forte presença no estado e ampla base municipal. Dueire, por sua vez, aguarda o desfecho de uma disputa judicial interna no MDB de Pernambuco. Caso seu grupo saia vitorioso, a governadora ganharia não apenas o partido, mas também o apoio de dezenas de prefeitos que já se comprometeram com o senador.
A sintonia entre os dois possíveis postulantes ao Senado ficou ainda mais evidente nesta segunda-feira, quando Eduardo da Fonte e Fernando Dueire se reuniram longamente no escritório político do senador. O encontro foi registrado em fotografias, em um gesto que deixou claro que o diálogo está aberto e avançado.
Ambos, no entanto, enfrentam desafios. Eduardo da Fonte precisa lidar com a pressão interna na Federação União Progressista, especialmente com as pretensões do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, filiado ao União Brasil e alinhado ao projeto político de João Campos. Ainda assim, como presidente estadual da federação, Eduardo tem influência decisiva sobre os rumos do grupo. Já Dueire segue aguardando a definição judicial no MDB, mesmo tendo recebido convites de outras legendas. Ele, porém, mantém-se firme no partido, contando com o apoio unânime dos senadores da sigla para disputar a vaga.
O que se desenha no horizonte é um novo momento da governadora Raquel Lyra, agora claramente disposta a fazer política com mais intensidade, costurando alianças estratégicas e sinalizando que não pretende deixar espaço para que o debate de 2026 seja ocupado apenas por seus adversários. A largada foi dada, e o jogo, definitivamente, começou.
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