quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CÂMARA DO RECIFE VIRA PALCO DE EMBATE POLÍTICO APÓS PEDIDO DE IMPEACHMENT CONTRA JOÃO CAMPOS

O pedido de impeachment apresentado contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB), provocou forte repercussão política na Câmara de Vereadores e acirrou o clima entre governo e oposição na capital pernambucana. A iniciativa, protocolada pelo vereador Eduardo Moura (Novo), surgiu após a controvérsia envolvendo o resultado de um concurso público para o cargo de procurador municipal, reacendendo debates sobre legalidade, responsabilidade administrativa e o uso político do tema em ano eleitoral.

João Campos reagiu classificando o movimento como “oportunismo eleitoral” e afirmou que não permitirá que uma questão administrativa seja transformada em instrumento de ataque político. Segundo o prefeito, o pedido surge em um momento em que seu nome aparece com destaque nas pesquisas, o que, na avaliação dele, leva adversários a adotarem estratégias de confronto extremo. “Chega ano de eleição, algumas pessoas acham que vale o jogo do vale-tudo. Não é assim. Vou tratar tudo com seriedade, respeito e dentro da legalidade”, declarou.

O gestor municipal fez questão de ressaltar que o tema da inclusão é tratado com sensibilidade pela administração, lembrando que tem um irmão com síndrome de Down. Para João Campos, esse histórico pessoal reforça o compromisso com o respeito às pessoas com deficiência e com a condução responsável de qualquer processo administrativo. O prefeito também demonstrou confiança no Legislativo recifense, afirmando acreditar que a Câmara não se deixará contaminar por disputas eleitorais. “Tenho absoluta confiança de que não haverá espaço para irresponsabilidade”, pontuou.

Enquanto isso, a Câmara Municipal do Recife divulgou nota oficial informando que o pedido de impeachment, da forma como foi apresentado, não atenderia aos requisitos previstos na Lei Orgânica do Município. Segundo o comunicado, a Procuradoria da Casa estaria analisando o material para decidir se haverá ou não tramitação formal do processo. A manifestação buscou sinalizar cautela institucional diante da repercussão do caso.

A versão, no entanto, foi imediatamente contestada pelo autor do pedido. Eduardo Moura afirmou ter ido pessoalmente ao Departamento Legislativo da Câmara e garantiu que o requerimento ainda não foi encaminhado à Procuradoria para análise jurídica. Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador também rebateu a informação de que o pedido não cumpre os critérios legais, sustentando que o documento passa apenas por ajustes formais. “O que está acontecendo agora é uma revisão ortográfica, para avaliar se há termos que precisam ser alterados ou não”, afirmou.

O embate ganhou novos contornos com a entrada da bancada governista na discussão. O líder do PSB na Câmara, vereador Rinaldo Junior, divulgou nota pública em defesa da gestão municipal e criticou duramente a postura da oposição. Para ele, o prefeito conduziu todo o processo relacionado ao concurso dentro dos parâmetros legais e administrativos. “É lamentável que setores da oposição tentem politizar, por puro oportunismo, uma questão que é estritamente administrativa e jurídica”, declarou.

Com versões divergentes, troca de acusações e forte exposição pública, o pedido de impeachment transformou-se em mais um capítulo da disputa política no Recife. O desfecho agora depende da avaliação jurídica da Câmara e da capacidade do Legislativo de separar o debate técnico da pressão eleitoral, em um cenário que promete manter a temperatura elevada nos próximos dias.

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