O relato não é genérico nem superficial. André Neto detalha passo a passo o que teria acontecido dentro da unidade hospitalar. De acordo com ele, a paciente apresentava sinais claros de comprometimento neurológico, sintomas amplamente conhecidos até por leigos como indicativos de AVC. Ainda assim, após passar pelo atendimento médico, a orientação foi o retorno para casa, sem exames de imagem e sem o encaminhamento imediato para um centro com maior capacidade diagnóstica.
O que transforma o caso em denúncia pública não é apenas o erro em si, mas o que ele representa. AVC não é dor de cabeça comum, não é mal-estar passageiro, não é algo que permita o luxo da dúvida prolongada. Na medicina de urgência, existe um princípio repetido à exaustão: “tempo é cérebro”. Cada minuto sem diagnóstico e sem tratamento pode significar perda irreversível de funções, sequelas permanentes ou até a morte. Ignorar sinais clínicos compatíveis com AVC não é falha burocrática; é, no mínimo, negligência assistencial.
No vídeo divulgado, André Neto adota um tom duro, direto e, por vezes, ácido. Questiona se o hospital segue protocolos básicos de atendimento, se há preparo da equipe para reconhecer emergências neurológicas e se a população de Bom Conselho está, de fato, segura quando precisa recorrer ao serviço público de saúde. A crítica não se limita a um profissional específico, mas atinge o sistema como um todo, levantando dúvidas sobre estrutura, capacitação e responsabilidade.
Dias após o atendimento em Bom Conselho, a família buscou ajuda em Garanhuns. Lá, a paciente foi submetida a exames de imagem, incluindo tomografia, que confirmaram o AVC. O diagnóstico tardio escancarou a gravidade da situação e reforçou a pergunta que atravessa toda a denúncia: e se o atendimento adequado tivesse ocorrido desde o primeiro momento? Quantos danos poderiam ter sido evitados? Quantas sequelas não teriam sido minimizadas?
O caso, segundo o comunicador, não deve ser tratado como episódio isolado nem resolvido com notas genéricas ou explicações protocolares. Ele cobra apuração, revisão de condutas e, sobretudo, respeito à população que depende exclusivamente do SUS municipal. Em sua fala, André Neto também faz um apelo para que outras famílias não passem pelo mesmo drama, transformando a dor pessoal em alerta coletivo.
Até o momento, não há posicionamento público detalhado do Hospital Municipal de Bom Conselho ou da Secretaria de Saúde sobre o caso específico. O silêncio institucional, diante de uma denúncia tão concreta e pública, apenas amplia a sensação de descaso e reforça a indignação expressa no vídeo. Em situações como essa, a ausência de resposta não apaga o problema; ao contrário, alimenta a desconfiança.
Mais do que um desabafo familiar, a denúncia lança luz sobre uma realidade que muitos preferem ignorar: emergências médicas sendo tratadas como rotina banal, protocolos sendo relativizados e pacientes pagando o preço de falhas que não escolheram cometer. O episódio envolvendo a sogra de André Neto expõe uma ferida aberta no sistema de saúde local e exige algo além de explicações evasivas. Exige investigação, responsabilização e, acima de tudo, mudanças concretas para que “tempo é cérebro” não continue sendo apenas uma frase bonita repetida em campanhas, mas uma regra efetivamente respeitada dentro dos hospitais públicos.
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