Segundo os relatos que acompanham os registros visuais, um agricultor teria registrado um Boletim de Ocorrência por lesão corporal na 18ª Delegacia Seccional da Polícia Civil, em Garanhuns, apontando o prefeito como um dos envolvidos na agressão. Embora o registro policial seja mencionado nas publicações, não há, até o momento, confirmação oficial divulgada pela Polícia Civil, pelo Ministério Público ou pelo Judiciário, tampouco nota pública da Prefeitura de Brejão esclarecendo os fatos.
O conteúdo que circula nas redes sociais tem causado indignação justamente pela gravidade simbólica da acusação. A menção ao uso de um chicote, instrumento historicamente associado à violência, abuso de poder e humilhação, transformou a denúncia em um episódio de enorme impacto político e moral. Mesmo sem uma apuração oficialmente confirmada, a simples existência de imagens das lesões tornou politicamente insustentável o silêncio adotado até agora.
Em uma cidade de pequeno porte como Brejão, onde o prefeito é figura central da vida pública, o caso se espalhou rapidamente e passou a dominar o debate local. O silêncio institucional contrasta com a força das imagens e dos depoimentos que circulam fora dos canais oficiais. Na prática, a ausência de esclarecimentos acabou transferindo o julgamento para o ambiente das redes sociais, onde a narrativa cresce sem contraponto formal do poder público.
Do ponto de vista jurídico, especialistas ressaltam que o registro de um Boletim de Ocorrência não significa culpa comprovada e que todo cidadão, inclusive agentes públicos, tem direito à presunção de inocência. No entanto, o dever legal não elimina a responsabilidade política e moral de prestar esclarecimentos, especialmente quando há registros visuais de ferimentos e quando o denunciado ocupa o cargo máximo do Executivo municipal.
A pergunta que ecoa em Brejão vai além da apuração policial: por que, diante de imagens tão contundentes e de uma denúncia tão grave, não há qualquer manifestação oficial do prefeito ou da Prefeitura? Se os fatos não correspondem à realidade, o esclarecimento público imediato seria o caminho mais eficaz para conter o desgaste. Se há investigação em curso, a sociedade tem o direito de ser informada.
O episódio já ultrapassou o campo da polícia e se consolidou como uma das crises políticas mais sensíveis enfrentadas pela atual gestão. Enquanto autoridades se mantêm em silêncio, fotos, vídeos e relatos continuam circulando, a indignação cresce e a confiança da população na condução do poder municipal segue sendo colocada à prova.
Informações do Blog Comando Policial
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