sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

NOVO AVANÇA EM PERNAMBUCO E ATRAÇÕES DE PESO REDESENHAM O TABULEIRO POLÍTICO NO AGRESTE

O partido Novo começa a dar sinais claros de que pretende deixar de ser coadjuvante para assumir um papel mais robusto no cenário político de Pernambuco. Depois de encaminhar a filiação do deputado estadual Renato Antunes, atualmente no PL, a legenda avança agora sobre o campo do Executivo municipal e articula a chegada da prefeita de Bezerros, Lucielle Laurentino, hoje filiada ao União Brasil. A movimentação, tratada como praticamente definida nos bastidores, deve ser oficializada nos próximos meses e revela uma estratégia bem mais ampla do que simples trocas partidárias.

A possível filiação de Lucielle Laurentino representa um salto qualitativo para o Novo no estado. Prefeita de um dos municípios mais relevantes do Agreste pernambucano, Bezerros, ela se consolidou como uma gestora com forte presença regional, trânsito político e capacidade de articulação administrativa. Sua adesão à legenda reforça o discurso do partido de atrair quadros com mandato, gestão comprovada e visibilidade eleitoral, fugindo do estigma de sigla restrita a nichos ideológicos ou grandes centros urbanos.

No caso de Renato Antunes, a migração também carrega simbolismo. Deputado com base consolidada e atuação reconhecida na Assembleia Legislativa, ele representa a entrada do Novo no Parlamento estadual com musculatura política real, algo que a sigla historicamente buscou, mas encontrou dificuldade em consolidar. A combinação de um mandato legislativo forte com uma prefeita em exercício cria uma dobradinha estratégica que amplia o raio de ação do partido tanto no debate estadual quanto nas pautas municipais.

Internamente, dirigentes do Novo avaliam que Pernambuco vive um momento fértil para expansão. O desgaste de partidos tradicionais, a fragmentação de alianças e o reposicionamento de lideranças locais abrem espaço para uma legenda que se apresenta como alternativa de gestão técnica, discurso liberal e independência política. A chegada de nomes com capital eleitoral próprio reforça essa narrativa e ajuda a romper a barreira da baixa capilaridade no interior.

Para Lucielle Laurentino, a mudança também tem leitura estratégica. Ao buscar o Novo, a prefeita se aproxima de um partido que vem se organizando com foco em médio e longo prazo, especialmente de olho nas eleições de 2026. A filiação pode significar maior protagonismo estadual, liberdade de posicionamento político e uma plataforma que dialogue com sua imagem administrativa, sem as amarras típicas de legendas mais inchadas.

Embora os anúncios oficiais ainda não tenham sido feitos, o movimento já provoca reações nos bastidores da política pernambucana. Prefeitos, vereadores e lideranças regionais observam atentamente os passos do Novo, que, silenciosamente, vai costurando alianças e ampliando sua presença fora da Região Metropolitana do Recife. Se confirmadas, as filiações de Renato Antunes e Lucielle Laurentino podem marcar um ponto de inflexão para o partido no estado, sinalizando que a legenda entrou de vez no jogo político pernambucano — e com ambições bem maiores do que as demonstradas até aqui.

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