A discussão ganhou corpo nas últimas semanas e envolve figuras centrais do partido, como o senador Humberto Costa, além de lideranças históricas e quadros com forte influência interna. O debate não nasce de improviso, mas de uma leitura fria do cenário eleitoral que se projeta no estado.
À frente desse movimento está o deputado estadual João Paulo, que lidera uma ala do PT favorável a uma reaproximação institucional com o Palácio do Campo das Princesas. A dissidência defende que o partido não pode ignorar os sinais de desgaste político do projeto liderado por João Campos, nem os riscos eleitorais de seguir atrelado a uma candidatura considerada vulnerável.
Nos bastidores, a avaliação é clara: episódios recentes envolvendo o prefeito do Recife teriam reduzido sua capacidade de articulação e enfraquecido sua imagem fora da capital, comprometendo a construção de um projeto competitivo em nível estadual. Esse diagnóstico acendeu um alerta no PT sobre os custos de insistir em uma aliança que pode se mostrar eleitoralmente insuficiente.
Outro fator decisivo é a eleição para o Senado. A reeleição de Humberto Costa passou a ser tratada como prioridade absoluta da legenda em Pernambuco. Setores do partido avaliam que permanecer no palanque de João Campos pode representar um risco direto a esse projeto, caso a candidatura majoritária não consiga tração suficiente no interior do estado.
Nesse contexto, Raquel Lyra surge como uma alternativa pragmática. A possível aliança não se apoia em convergência ideológica plena, mas em cálculo político, estabilidade e capacidade de sustentação eleitoral. A leitura interna é de que a governadora reúne hoje melhores condições de liderar um palanque competitivo.
Circula ainda a avaliação de que o presidente Lula deverá manter um palanque duplo em Pernambuco, como já ocorreu em outros estados. A diferença, desta vez, estaria na reorganização das forças, com o PT integrando formalmente a chapa da governadora, sem romper o diálogo nacional com o PSB.
O principal entrave para a oficialização desse movimento não está mais no plano estadual, onde o debate já amadureceu, mas no cenário nacional. O fato de João Campos presidir o PSB e o partido ocupar a Vice-Presidência da República com Geraldo Alckmin exige cautela e um sinal verde do Palácio do Planalto.
Enquanto isso, o PT segue ajustando peças, medindo riscos e preparando o terreno. Em silêncio, o partido sinaliza que 2026 pode marcar não apenas uma nova aliança, mas uma virada estratégica capaz de redefinir o equilíbrio de forças políticas em Pernambuco.
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