Um carnaval diferente

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

GILSON PAI E GILSON FILHO RUMAM PARA O PODEMOS E PROVOCAM EFEITO DOMINÓ NA POLÍTICA DE PERNAMBUCO

A movimentação partidária em Pernambuco ganhou novos contornos com a decisão do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, de trocar o PL pelo Podemos. A filiação será feita em conjunto com o filho, Gilson Filho, atual vereador do Recife, consolidando uma mudança que já vinha sendo desenhada nos bastidores e que agora passa a redesenhar o xadrez eleitoral tanto no plano federal quanto estadual.

A formalização das filiações deve ocorrer em fevereiro, período em que Gilson Filho também aguarda a liberação do PL para oficializar a saída da legenda. A mudança, no entanto, vai muito além de uma simples troca de partido. A saída de Gilson Machado do PL desencadeou uma série de articulações internas na bancada federal da sigla. Pelo menos dois deputados com mandato iniciaram conversas com outras legendas nos últimos dias, ainda sem martelo batido. Nos bastidores, o clima é de incerteza: esses parlamentares contavam com a permanência de Gilson para fortalecer a chapa de deputado federal e ampliar as chances de eleger mais nomes da legenda.

Do outro lado, o Podemos celebra o reforço de peso. A chegada de Gilson Machado e Gilson Filho é vista como estratégica para turbinar as chapas proporcionais. Internamente, a projeção é de que a chapa para deputado federal passe a ter musculatura para eleger pelo menos três parlamentares. Já na disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a expectativa gira entre seis e oito cadeiras, um salto significativo na comparação com o cenário atual.

A sigla, que integra a base de apoio da governadora Raquel Lyra, também se prepara para ampliar sua bancada estadual durante a janela partidária de abril. Devem desembarcar no partido os deputados estaduais Luciano Duque, Wanderson Florêncio, Gustavo Gouveia e Fabrizio Ferraz, hoje no Solidariedade. O movimento fortalece ainda mais o projeto político do Podemos em Pernambuco, sob o comando do ex-prefeito de Paudalho e presidente da Amupe, Marcelo Gouveia. Segundo interlocutores da legenda, o partido tem sido procurado por diversos pré-candidatos interessados em filiação, de olho em uma estrutura considerada competitiva para 2026.

Enquanto isso, o PL enfrenta o desafio de reorganizar suas fileiras. A legenda deve contar com a articulação do presidente estadual Anderson Ferreira e do deputado federal André Ferreira para recompor forças e montar chapas proporcionais competitivas. Anderson, inclusive, é citado como possível candidato ao Senado, o que amplia ainda mais o grau de complexidade das negociações internas.

A situação do PL na Alepe também inspira atenção. Dos cinco deputados estaduais da sigla, já é dada como certa a saída de Renato Antunes, que deve se filiar ao Novo. Além dele, outro parlamentar confidenciou a colegas a intenção de mudar de partido. Nos bastidores, circula a avaliação de que parte da debandada entre os federais estaria ligada ao receio de que, além da perda de Gilson Machado, Anderson Ferreira e André Ferreira também disputassem vaga na Câmara dos Deputados — hipótese que ambos negam publicamente.

Reconhecido pela habilidade em montar chapas competitivas, Anderson Ferreira agora terá a missão de dobrar esforços para atrair novos nomes e evitar um esvaziamento maior do PL. Em um cenário de pré-campanha cada vez mais antecipada, cada filiação passa a ter peso estratégico — e a ida de Gilson Machado para o Podemos já entra para a lista dos movimentos que prometem influenciar diretamente o desenho eleitoral de Pernambuco nos próximos meses.

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