terça-feira, 6 de janeiro de 2026

HADDAD E LEWANDOWSKI COMUNICAM SAÍDA DO GOVERNO LULA E DISPARAM DISPUTA POR SUCESSÕES

Dois dos principais nomes do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem deixar seus cargos nos próximos meses. Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, já comunicaram ao presidente a intenção de deixar o governo. A informação foi revelada pelo colunista Valdo Cruz, da GloboNews, e provocou intensa movimentação política em Brasília.

No caso de Ricardo Lewandowski, a decisão já vinha sendo amadurecida desde o fim do ano passado. O ministro conversou pessoalmente com Lula e manifestou o desejo de encerrar sua passagem pelo Ministério da Justiça ainda em janeiro, preferencialmente até o fim desta semana. A saída ocorre em meio a um momento sensível da pasta, que concentra debates centrais sobre segurança pública e articulações no Congresso Nacional.

Dentro do próprio governo, no entanto, há resistências à saída imediata. Auxiliares do Planalto e integrantes da equipe da Justiça defendem que Lewandowski permaneça no cargo até a conclusão da tramitação da chamada “PEC da Segurança Pública”, considerada estratégica para a agenda do governo. A proposta ainda precisa ser analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, o que pode adiar a substituição.

Caso a saída se confirme, a tendência é de uma solução interna. O nome mais cotado para assumir o ministério é o do atual secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, baiano, visto como alguém capaz de garantir continuidade administrativa e política no comando da Justiça.

Na Fazenda, o cenário é semelhante, mas com calendário um pouco mais elástico. Fernando Haddad pretende permanecer no cargo até fevereiro, período considerado crucial para o fechamento de pautas econômicas e ajustes fiscais. Mesmo assim, o governo já trabalha com a transição e também aposta em um nome da própria equipe para assumir o comando da área econômica: o secretário-executivo Dario Durigan, que vem ganhando protagonismo nas discussões internas e na interlocução com o mercado e o Congresso.

A possível saída de Haddad, porém, vai além de uma simples mudança ministerial. Segundo Valdo Cruz, com o retorno de Lula a Brasília, o presidente deve intensificar as articulações políticas para definir o futuro eleitoral do ex-prefeito de São Paulo. No radar do Planalto estão duas possibilidades: uma candidatura de Haddad ao governo paulista ou uma disputa por uma vaga no Senado em 2026, movimentos que podem reposicionar o PT no maior colégio eleitoral do país.

As mudanças sinalizam uma nova fase do governo Lula, marcada por rearranjos internos e pela preparação do terreno para as eleições futuras. Ao mesmo tempo em que busca preservar a estabilidade administrativa, o Planalto também tenta alinhar seus quadros estratégicos a um projeto político de médio e longo prazo, em um cenário de crescente pressão do Congresso e da opinião pública.

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