No caso de Ricardo Lewandowski, a decisão já vinha sendo amadurecida desde o fim do ano passado. O ministro conversou pessoalmente com Lula e manifestou o desejo de encerrar sua passagem pelo Ministério da Justiça ainda em janeiro, preferencialmente até o fim desta semana. A saída ocorre em meio a um momento sensível da pasta, que concentra debates centrais sobre segurança pública e articulações no Congresso Nacional.
Dentro do próprio governo, no entanto, há resistências à saída imediata. Auxiliares do Planalto e integrantes da equipe da Justiça defendem que Lewandowski permaneça no cargo até a conclusão da tramitação da chamada “PEC da Segurança Pública”, considerada estratégica para a agenda do governo. A proposta ainda precisa ser analisada pelo plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, o que pode adiar a substituição.
Caso a saída se confirme, a tendência é de uma solução interna. O nome mais cotado para assumir o ministério é o do atual secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, baiano, visto como alguém capaz de garantir continuidade administrativa e política no comando da Justiça.
Na Fazenda, o cenário é semelhante, mas com calendário um pouco mais elástico. Fernando Haddad pretende permanecer no cargo até fevereiro, período considerado crucial para o fechamento de pautas econômicas e ajustes fiscais. Mesmo assim, o governo já trabalha com a transição e também aposta em um nome da própria equipe para assumir o comando da área econômica: o secretário-executivo Dario Durigan, que vem ganhando protagonismo nas discussões internas e na interlocução com o mercado e o Congresso.
A possível saída de Haddad, porém, vai além de uma simples mudança ministerial. Segundo Valdo Cruz, com o retorno de Lula a Brasília, o presidente deve intensificar as articulações políticas para definir o futuro eleitoral do ex-prefeito de São Paulo. No radar do Planalto estão duas possibilidades: uma candidatura de Haddad ao governo paulista ou uma disputa por uma vaga no Senado em 2026, movimentos que podem reposicionar o PT no maior colégio eleitoral do país.
As mudanças sinalizam uma nova fase do governo Lula, marcada por rearranjos internos e pela preparação do terreno para as eleições futuras. Ao mesmo tempo em que busca preservar a estabilidade administrativa, o Planalto também tenta alinhar seus quadros estratégicos a um projeto político de médio e longo prazo, em um cenário de crescente pressão do Congresso e da opinião pública.
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