segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MORRE ANDRÉ MICELI, VOZ INFLUENTE DA INOVAÇÃO NO BRASIL, AOS 46 ANOS

O jornalismo brasileiro perdeu na noite da sexta-feira (16) uma de suas mentes mais inquietas e visionárias. Morreu aos 46 anos o apresentador e jornalista André Miceli, um dos principais nomes quando o assunto era inovação, tecnologia e futuro digital no país. Ele enfrentava um câncer de pâncreas, doença contra a qual lutou de forma discreta, sem interromper sua intensa produção intelectual até os últimos dias.

Miceli era apresentador do programa Sociedade Digital, exibido pela Jovem Pan News, espaço onde traduzia temas complexos da transformação tecnológica em análises acessíveis, críticas e profundas. Com linguagem clara e olhar estratégico, tornou-se referência nacional ao discutir os impactos da inteligência artificial, da economia digital e das novas dinâmicas sociais impulsionadas pela tecnologia.

Além da atuação na televisão, André Miceli ocupava um posto central no ecossistema de inovação do país como CEO e editor-chefe da MIT Technology Review Brasil. À frente do portal, ajudou a consolidar o veículo como uma das principais plataformas de reflexão sobre ciência, tecnologia e negócios, conectando o debate brasileiro às grandes tendências globais. Em nota oficial, a publicação destacou sua capacidade singular de antecipar movimentos do mercado e compreender, como poucos, a relação entre tecnologia e vida cotidiana. Segundo a equipe, seu legado permanecerá vivo tanto na redação quanto na comunidade que ajudou a formar.

A trajetória de Miceli ia além do jornalismo. Empresário e acadêmico respeitado, ele também era professor e coordenador na Fundação Getulio Vargas (FGV), onde formou gerações de profissionais atentos às mudanças estruturais da economia digital. Foi ainda fundador e presidente do Conselho da Infobase, uma das 50 maiores integradoras de tecnologia da informação do Brasil, reforçando seu papel como ponte entre o pensamento acadêmico, o mercado e a comunicação.

Mesmo enfrentando a doença, André Miceli optou pela discrição. Pouco falou publicamente sobre o tratamento e seguiu ativo, produzindo conteúdos, participando de debates e mantendo presença constante nas redes sociais e na TV, atitude que reforçou a admiração de colegas e espectadores.

A morte do jornalista gerou forte comoção. O diretor-geral da Jovem Pan News, Carlos Aros, lamentou a perda com uma mensagem curta e emotiva: “Meu amigo, obrigado por tudo”. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também prestou homenagem, lembrando a relevância profissional e intelectual de Miceli e sua contribuição decisiva para o setor de tecnologia e educação no Brasil.

Com a partida de André Miceli, o país perde não apenas um comunicador, mas um intérprete do futuro. Seu pensamento crítico, sua capacidade de antecipar tendências e seu compromisso com a informação qualificada deixam uma lacuna difícil de preencher no debate público sobre inovação e tecnologia.


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