A ex-deputada federal Marília Arraes intensificou o ritmo e passou a percorrer o interior de Pernambuco com um objetivo claro: viabilizar seu nome para a disputa ao Senado nas eleições deste ano. A movimentação é estratégica e ocorre mesmo diante de acordos já costurados no campo partidário.
O maior desafio da ex-parlamentar está na montagem da chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos. Marília busca espaço ao lado do socialista, mas sabe que o cenário é apertado. Uma das vagas ao Senado já estaria praticamente reservada ao senador Humberto Costa, enquanto outros nomes de peso, como Miguel Coelho e Silvio Costa Filho, também pleiteiam espaço. Nos bastidores, aliados avaliam que o principal argumento que poderia pesar a favor de Marília seria a composição de gênero, garantindo uma mulher na chapa majoritária. Mesmo assim, a engenharia política exigiria justificativas robustas para acomodar tantos interesses.
Foi justamente nesse contexto que, durante passagem de Marília pelo Agreste, ganhou força uma tese defendida com convicção por dois políticos experientes da região: os ex-prefeitos Samuel Salgado, que governou Angelim por três mandatos, e Eudson Catão, ex-prefeito de Palmeirina. Ambos levantaram publicamente a ideia de que João Campos poderia apoiar múltiplas candidaturas ao Senado, rompendo com a lógica tradicional de apenas dois nomes para duas vagas.
A comparação usada por Eudson e Samuel é direta e provocativa. Para eles, se nas eleições proporcionais a conta nunca é limitada ao número de cadeiras, não haveria razão para engessar a disputa majoritária. “Para deputado estadual são 49 vagas e mais de 200 candidatos no palanque. Para deputado federal, 25 vagas e mais de 70 candidatos. Por que, então, no Senado, com duas vagas, não se pode ter quatro candidatos apoiando o mesmo projeto?”, questionam. Na visão dos dois ex-prefeitos, a pluralidade fortaleceria o campo político de João Campos, ampliando alianças regionais e dialogando com diferentes bases eleitorais.
A defesa dessa tese não é apenas teórica. Samuel Salgado e Eudson Catão acompanharam de perto a visita de Marília ao Agreste e se colocam como entusiastas da construção de uma chapa ampla, com nomes como Humberto Costa, Silvio Costa Filho, Marília Arraes e Miguel Coelho disputando individualmente, mas alinhados a um mesmo projeto estadual. Para eles, a experiência administrativa e política de cada um poderia somar, e não dividir.
Enquanto Marília segue na estrada, costurando apoios e mantendo viva a esperança de integrar a chapa majoritária, o debate lançado no Agreste por dois ex-prefeitos calejados reacende uma discussão pouco convencional na política pernambucana. A ideia de múltiplas candidaturas ao Senado pode parecer ousada, mas, como defendem Eudson e Samuel, experiência não falta — e, na política, muitas vezes é justamente o improvável que redefine o jogo.
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